Apologéticos

Uma alegação feita pelos críticos da Bíblia é a diferença que existe entre Marcos e João ao relatarem a hora da crucificação (McKinsey, 2000, pp. 295-296; Wells, 2013). Marcos registra que o Senhor foi crucificado na terceira hora (15:25), enquanto João registra que Jesus foi julgado diante de Pilatos na sexta hora (19:14) - o que parece acontecer depois que Marcos diz que Jesus foi crucificado. A harmonização dessa diferença superficial é bastante simples e reforça ainda mais a sofisticação da inspiração bíblica.

Há muitos detalhes interessantes que chamam a atenção quando uma leitura comparativa entre os quatro Evangelhos é realizada. Por exemplo:

Jesus Cristo é o cumprimento das promessas e profecias do Antigo Testamento.

Depois das sessenta e duas semanas [de anos], será morto o Messias e já não estará [...] Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares.

Daniel 9:26-27

 

"A maioria das autoridades na igreja medieval não somente toleravam, mas encorajavam a abertura e desmembramento de corpos humanos para fins religiosos. [...]

"Na realidade, alguns dos mais celebrados avanços da tradição científica ocidental foram feitos por estudiosos religiosos que justificaram seu trabalho (pelo menos em parte) apelando para a fórmula da filosofia natural como serva da Teologia. Nenhuma instituição ou força cultural do período patrístico ofereceu mais encorajamento para a investigação da natureza do que a igreja cristã. [...] Vale dizer que a presença da igreja cristã aprimorou, ao invés de prejudicar o desenvolvimento das ciências naturais. [...]

Jesus é uma cópia de divindades pagãs? Respondendo “Zeitgeist”

Em 2007, o documentário “Zeitgeist: O Filme” popularizou a ideia, desenvolvida por estudiosos amadores dos séculos XIX e XX (isto é, sem formação específica em áreas de estudo da História Antiga), de que os relatos da vida de Jesus conforme se apresentam nos Evangelhos (como o nascimento virginal, a visita dos magos, os 12 apóstolos, os milagres, a crucificação e a ressurreição) foram “copiados” a partir de relatos biográficos de outros deuses pagãos anteriores ao Cristianismo (como Osíris, Hórus, Átis, Dionísio, Krishna e Mitra). Muitas pessoas acabaram por “comprar” tais ideias, sem um estudo mais crítico.

Como Paulo Aprendeu Sobre Janes e Jambres?

PERGUNTA

“Em sua segunda carta a Timóteo 3:8, Paulo se referiu a dois homens que ‘resistiram’ a Moisés. Ele cita seus nomes como Janes e Jambres. Supostamente, esses eram os ‘mágicos’ mencionados várias vezes no livro de Êxodo (capítulos 7-9). Já que seus nomes não são mencionados no Antigo Testamento, como Paulo poderia ter essa informação?”

RESPOSTA

Os Pais da Igreja e a Doutrina da Criação

O que a igreja primitiva acreditava sobre a criação?

Em seus primeiros 16 séculos, a igreja ensinou uma Terra jovem. A Terra tinha vários milhares de anos, foi criada rapidamente em seis dias de 24 horas e mais tarde foi submersa por um dilúvio mundial.

Uma Terra jovem de acordo com...

Os Pais da Igreja

Os Pais da Igreja (100-600 d.C.) foram os teólogos depois dos apóstolos. Com base nas Escrituras, eles se opuseram às teorias naturalistas das origens. Alguns, incluindo Clemente de Alexandria (c. 152–217), Orígenes (c. 185–254) e Agostinho (c. 354–430), interpretaram Gênesis 1 alegoricamente. Para eles, os seis dias eram uma apresentação simbólica da criação de Deus em um instante.

Os “criacionistas progressivos”, como Hugh Ross no livro “The Genesis Debate: Three Views on the Days of Creation”, citam Agostinho como um precedente para interpretar a referência da Bíblia a “seis dias” como um símbolo para eras de atividade criativa (o que é conhecido como “hipótese da estrutura”). [1] Mas é injusto os criacionistas progressivos defenderem sua posição usando Agostinho. Agostinho acreditava que a Terra foi criada instantaneamente, não progressivamente, e tinha, de acordo com as Escrituras, menos de 6.000 anos de idade.

A maioria dos Pais da Igreja interpretou Gênesis 1 de uma maneira simples e direta, como história real. Os seis dias foram dias de 24 horas. Efraim (Efrém), o Sírio (306-373) e Basílio de Cesaréia (329-379) defenderam o sentido literal da Escritura contra as distorções da alegoria. Basílio disse que vinte e quatro horas ocupam o espaço de um dia. Mesmo Ambrósio de Milão (330-397), mentor de Agostinho, acreditava que cada dia da criação consistiu em vinte e quatro horas, incluindo dia e noite. Além disso, os Pais acreditavam que a Terra tinha menos de 6.000 anos.

 

Teólogos Medievais

Teólogos medievais (600-1517 d.C.), até anos posteriores, seguiram Agostinho. Eles viram a criação como instantânea, e os seis dias como uma estrutura literária. Um exemplo é Anselmo de Canterbury (c. 1033–1109).

Beda (c. 673-735) moderou a opinião de Agostinho. Ele acreditava que a criação ocorreu instantaneamente, mas foi formada ao longo de seis dias de 24 horas. Outros, como André de St. Victor (c. 1110-1175), rejeitaram a visão de Agostinho e interpretaram Gênesis 1 literalmente.

A igreja medieval continuou a acreditar que a criação foi repentina, não gradual, e ocorreu menos de 6.000 anos no passado. À medida que os intérpretes começaram a retornar a uma leitura literal das Escrituras, eles começaram a restaurar a visão literal dos dias da criação.

 

Líderes da Reforma

Os líderes da Reforma (1517–1700 d.C.) acreditavam que a Bíblia é a autoridade final (Sola Scriptura). Os Reformadores rejeitaram a alegorização e voltaram para uma interpretação literal e histórico-gramatical. Martinho Lutero (1483–1546) e João Calvino (1509–1564) argumentaram que a Terra foi criada em seis dias de 24 horas, menos de 6.000 anos no passado.

Lutero disse: “Sabemos por Moisés que o mundo não existia antes de 6.000 anos atrás.” Ele também rejeitou a opinião de Agostinho e disse que “A tarde e a manhã tornaram-se um dia” significava que Moisés estava “falando do dia natural, que consiste em vinte e quatro horas”.

Calvino acreditava que a criação de Deus não foi concluída em um momento, mas em seis dias. Ele concluiu, baseado em Gênesis 1:5, que o próprio Deus levou seis dias para acomodar Suas obras à capacidade dos homens. A criação ocorreu pouco mais de cinco mil anos no passado, não em inúmeras eras.

A Confissão de Westminster (1647) afirmou claramente que Deus criou o mundo e todas as coisas nele “no espaço de seis dias” (capítulo 4, parágrafo 1). “No espaço de seis dias” foi baseado no comentário de Calvino em Gênesis 1:5 . Em “Anotações sobre todos os livros do Antigo e do Novo Testamento” (as Anotações de Westminster, 1645), os autores de Westminster especificaram a respeito de Gênesis 1:5 que na última parte do versículo, a palavra dia é o dia natural, consistindo de vinte quatro horas. Esta Confissão Presbiteriana, com sua visão tradicional da criação, também foi adotada por denominações Congregacionais e Batistas britânicas e americanas.

 

Um Dilúvio Global de acordo com...

Os Pais da Igreja

Os Pais acreditavam que o dilúvio submergiu toda a Terra. Por exemplo, Justino Mártir (c. 100/110–159/165) e Agostinho disseram que o dilúvio subiu 15 côvados acima das montanhas mais altas. Teófilo de Antioquia (c. 115-168,181) argumentou, contra as teorias gregas do dilúvio local, que a água cobriu cada colina alta em pelo menos 15 côvados.

Líderes Medievais e da Reforma

A crença de que o dilúvio foi mundial continuou na era medieval. Seu teólogo principal, Tomás de Aquino (c. 1225-c.1274), disse que “as águas do dilúvio” subiram “15 côvados mais altos do que os cumes das montanhas”. E na Reforma, Calvino disse: “E o dilúvio durou quarenta dias, etc. Moisés insiste copiosamente neste fato, a fim de mostrar que o mundo inteiro foi imerso na água.”

Após o Iluminismo, o dilúvio e a geologia foram ligados no debate sobre a idade do planeta. Mas, muito cedo, Tertuliano (c. 150–225) disse que o dilúvio global explicava por que, em seus dias, conchas marinhas e trombetas de tritões (ambas criaturas de concha) eram encontradas no alto das montanhas.

 

Conclusão

O conceito de criação cristão tradicional da Terra jovem se opõe aos criacionistas progressivos, que argumentam que a Terra foi criada em estágios ao longo de eras de tempo. Os Padres Gregos e Latinos e os Reformadores mantiveram a autoridade bíblica contra os teóricos da Terra velha de seus tempos. A Ortodoxia Oriental baseava seus pontos de vista nos Padres Gregos e, portanto, também sustentava o criacionismo bíblico tradicional da Terra jovem. [2]

Não foi até o Iluminismo que os cristãos professos começaram a reinterpretar Gênesis para se adequar às alegadas provas científicas de uma Terra antiga. Mas Gênesis significa o que significava quando foi escrito, e seu significado foi discernido por Jesus e os apóstolos - e a igreja que eles fundaram. Portanto, devemos retornar a um entendimento claro e direto do relato de Gênesis e acreditar que Deus criou rapidamente, vários milhares de anos atrás, em seis dias de 24 horas.

 

Referências

[1] Hugh Ross, A Matter of Days: Resolving a Creation Controversy (Colorado Springs: NavPress, 2004), pp. 45–46.

[2] Veja Terry Mortenson, “Orthodoxy and Genesis: A Review of Genesis, Creation and Early Man” (um livro de Fr. Seraphim Rose, publicado por Saint Heman of Alaska Brotherhood, Platina, California, 2000).

Traduzido a partir de "The Early Church on Creation" <https://answersingenesis.org/church/the-early-church-on-creation>.