Apologéticos

O primeiro critério que uso para testar a confiabilidade de uma testemunha é simplesmente este: a alegada “testemunha ocular” estava realmente presente quando o crime ocorreu? Você não pode ser uma verdadeira testemunha ocular se você não estava lá para ver o que você disse que viu! Esse critério simples é parte de um modelo de confiabilidade de quatro partes que descrevo no livro Cold-Case Christianity e reflete as instruções do júri da Califórnia para os jurados que são solicitados a avaliar a confiabilidade das testemunhas oculares. Como um cético, examinei esta questão relacionada às reivindicações dos autores do Evangelho. Mateus e João foram supostamente testemunhas oculares da vida de Jesus. Marcos (de acordo com o bispo do primeiro século, Papias) narrou o relato do testemunho ocular do Apóstolo Pedro, e Lucas registrou sua própria investigação das testemunhas oculares. Mas quão antigos são esses relatos? Eles poderiam ter sido escritos por pessoas que estavam realmente presentes durante a vida e ministério de Jesus?

Estava lendo “Como Jesus se Tornou Deus” (LeYa, 2014), do historiador agnóstico Bart Ehrman. Ex-cristão e conhecido por outras obras críticas ao Cristianismo, o professor Ehrman defende a tese de que Jesus foi um camponês galileu que se tornou um “pregador apocalíptico”, anunciando o fim dessa era e o início de outra. Jesus foi morto pelas autoridades romanas como um subversivo, o que deveria ter levado ao fim de seu movimento messiânico. Contudo, seus seguidores passaram a ter “visões” (imaginárias) de que Jesus estava vivo, e a crer sinceramente que Ele teria retornado dos mortos. Posteriormente, sob influências pagãs e judaicas, a crença de que Jesus foi um homem exaltado após Sua morte evoluiu para a crença de que na verdade, Ele era o próprio Deus que havia se tornado homem.

Crianças pequenas costumam jogar um jogo chamado “telefone sem fio”. As regras do jogo são muito simples. Várias pessoas entram em círculo ou em linha reta. A pessoa no início do círculo ou linha pensa em uma frase como “o cavalo vermelho caiu na água” [no original: the red horse fell into the water]. Essa pessoa sussurra a frase no ouvido da pessoa ao lado dela. Ela não pode repetir a frase uma vez que é sussurrada, e deve falar muito suavemente. A próxima pessoa na fila ouve atentamente e depois sussurra a frase que ouviu no ouvido da pessoa ao lado dela. Após a frase ter passado por todas as pessoas na fila ou no círculo, a última pessoa repete a sentença como acha que a ouviu. Quase todas as vezes, a sentença no final do jogo não é a mesma que foi sussurrada no começo. Por exemplo, a última pessoa pode ter ouvido algo como “a casa morta se transformou na lontra” [no original: the dead house turned into the otter] em vez da frase original “o cavalo vermelho caiu na água”. O jogo faz um bom trabalho ao mostrar que palavras e frases podem se confundir quando são passados ​​de uma pessoa para outra. No entanto, invariavelmente, a sentença final contém alguns traços do original. O mesmo acontece com histórias lendárias transmitidas de geração em geração. Muitas vezes, essas histórias são uma mistura emaranhada de fatos e ficção que se originaram de uma história baseada na verdade.

Uma coisa é certa: toda vez que surge uma nova “biografia” de Jesus, acabamos aprendendo mais sobre o autor da obra do que sobre o próprio Jesus. As diversas reconstruções do “Jesus histórico” abordam os Evangelhos com a mesma abordagem “self-service”: destacam aqueles versículos que parecem concordar com sua tese, e rejeitam todos aqueles que a contradizem como “adulterações” posteriores feitas pela Igreja. Seguindo essa técnica, Jesus já foi elevado às categorias de extraterrestre, hippie, feiticeiro, guru da Nova Era, vegetariano, ancestral da dinastia merovíngia e até mesmo um cogumelo!

Em sua edição de dezembro de 2003, a Revista Superinteressante traz como matéria de capa o assunto “São Paulo Traiu Jesus? Sem Paulo de Tarso, o Cristianismo que você conhece não existiria. Agora surge a polêmica: ele é o herói que disseminou a fé em Cristo ou o vilão que deturpou as palavras de Cristo para sempre?Revista Superinteressante 2003/12 A reportagem baseia-se em teologias críticas do século XVII, segundo as quais o apóstolo Paulo, um dos principais personagens da história cristã primitiva e autor de vários livros do Novo Testamento, teria distorcido os ensinos originais do Cristianismo, ao tornar a circuncisão desnecessária aos gentios e, influenciado por ideias gregas sobre semideuses, elevar o “profeta” judeu Jesus a uma figura divina. Em oposição a tais ideias, podemos fazer diversos apontamentos.

Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.

Isaías 7:14

Os críticos muitas vezes afirmam que este versículo nunca se destinou a ser uma profecia messiânica. Eles apontam que Isaías 7 descreve um encontro entre Isaías e o rei Acaz. O ‘sinal’ em Isaías 7:14 é oferecido ao rei para assegurar-lhe que Deus livrará Judá da sua coalizão de inimigos. O sinal de um Messias que nasceria muito tempo depois que o rei Acaz estava morto não parece cumprir o objetivo. Eles argumentam, portanto, que Isaías 7:14 só poderia estar falando sobre algo que aconteceu pouco depois que Isaías falou essas palavras e não tinha nada a ver com o Messias.

Como de costume em toda época de pré-Páscoa e pré-Natal, a revista Superinteressante lança uma edição questionando a veracidade histórica da Bíblia. Já vimos ataques a Abraão, Moisés, Paulo, Judas, Jesus... Na última vez havia sido a virgem Maria (minha análise da revista: 'A Verdadeira Maria'? Comentários à Revista Superinteressante), e agora, foi a vez de Maria Madalena. Depois de ler as 10 páginas dedicadas ao tema na edição 381 da revista, trago minhas considerações.

Já é costume. Chega a época das grandes festividades cristãs, como o Natal e a Páscoa, a Revista Superinteressante publica matérias questionando aspectos históricos e teológicos da Bíblia. Dessa vez não foi diferente. Em reportagem de Reinaldo José Lopes, nas páginas 26 a 35 da edição 370 da revista, a Virgem Maria foi a personagem bíblica da vez. Assim afirma a chamada da revista:

A VERDADEIRA MARIA. Ela era mais rica e independente do que reza o mito. Teve pelo menos sete filhos. E dois deles se tornaram líderes religiosos. Conheça a figura humana por trás da Mãe de Deus.”

Gostaria de fazer alguns comentários sobre pontos específicos da matéria.

Este é um paralelo potencial que muitas pessoas familiarizadas com a Bíblia e a mitologia grega se perguntaram. Tanto Sansão quanto Hercules são bem conhecidos por sua força lendária, e existem muitas outras semelhanças entre os dois.