Sábado, Dia de Descanso e Adoração

O sábado sagrado da Bíblia, o sétimo dia da semana, é tempo sagrado, um dom de Deus para todas as pessoas, instituído na criação, afirmado nos dez mandamentos e reafirmado no ensino e exemplo de Jesus e dos apóstolos.

Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus.

Romanos 14:5-6

O que Paulo quis dizer no texto acima, endereçado aos cristãos de Roma? Muitos citam esses versos como evidência de que os cristãos não estão mais sob a obrigação de guardar o Sábado, conforme ordenado por Deus no quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Argumenta-se que a questão do dia que guardamos (ou não) para Cristo não é de tanta importância; cada um deve estar bem firmado em sua opinião e não julgar quem pensa diferente. Será isso o que o apóstolo realmente quis dizer? 

Não! Iremos analisar dois pontos de vista possíveis sobre o significado do texto de Romanos 14:5-6.

Os primeiros Valdenses foram membros de um movimento de reforma na Europa, especificamente nas regiões alpinas da Espanha, França e Itália, durante a alta Idade Média. Considerados precursores da Reforma Protestante por vários historiadores [1], os Valdenses enfatizaram a importância de aderir estritamente aos ensinamentos da Bíblia como a única regra de fé.

Atos dos Apóstolos 20:7 afirma:

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.

Atos dos Apóstolos 20:7

Alega-se, a partir desse versículo, que a igreja cristã primitiva reunia-se no Domingo para estudar a Palavra de Deus e celebrar a santa ceia, em substituição ao Sábado do quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Será que o texto realmente afirma isso?

Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,

Apocalipse 1:10

Teólogos e pregadores Protestantes de um amplo espectro de denominações têm sido bastante sinceros ao admitir que não há autoridade bíblica para observar o domingo em lugar do sábado bíblico.

Na criação, a obra de Deus é selada com as palavras “Ele descansou” (Gênesis 2:3). Esta breve declaração é a chave para a compreensão de um conceito vital que nos une a Ele e à Sua criação. É o conceito do sábado. Deus não descansa da fadiga, mas em contentamento pela realização completada. Seu descanso não é inatividade, porque continua a cuidar do que cria. O Novo Testamento fala desse descanso quando Jesus “assentou-se”  após ter completado sua obra de redenção a fim de proporcionar a outros os benefícios de sua obra (Hebreus 8:1 Hebreus 10:12). Do mesmo modo, o Novo Testamento convida a todos os cristãos a fazerem esse descanso como parte de suas próprias vidas, e entrar nele pela fé em Cristo (Hebreus 4:1). Observar o sábado indica que toda a ordem criada reconheça que veio de Deus e pertence a Deus para sempre, o recipiente de Sua bênção. É por isso que as leis de Deus concernentes ao sábado jamais se confinaram a pessoas, mas incluíram explicitamente os animais e a própria terra. [...]

Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.

1 Coríntios 16:1-2

O Ellicott's Commentary for English Readers afirma que o texto acima aponta para o primeiro dia da semana como um tempo de "adoração distintamente cristã". O Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary declara que já se evidencia o Domingo como "sagrado pelos cristãos como o dia da ressurreição do Senhor". É verdade que tal texto do apóstolo Paulo comprova que o Domingo substituiu o Sábado como o verdadeiro dia bíblico do Senhor (Êxodo 20:8-11) na Igreja cristã primitiva?

Tanto o Novo Testamento quanto a literatura cristã primitiva contêm indicações implícitas e explícitas da existência da guarda do Sábado. Uma breve alusão será feita neste contexto às evidências mais significativas.

O Testemunho do Novo Testamento

A primeira indicação da guarda do Sábado nos vem do Novo Testamento. A cobertura incomum dada pelos evangelistas às curas e aos ensinamentos de Cristo no Sábado é indicativa da grande importância dada à observância do Sábado no momento de sua escrita.

Mais significativo ainda é o testemunho do Novo Testamento ao novo entendimento cristão da observância do Sábado, ou seja, um dia “para fazer o bem” (Mateus 12:12), “salvar” (Marcos 3:4), “libertar” da escravidão física e espiritual (Lucas 13:16), e mostrar “misericórdia” em vez de religiosidade (Mateus 12:7). Esta nova interpretação cristã indica que a Igreja Apostólica observou o Sábado, mas com um novo significado e de uma nova maneira.

Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia. E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso. Visto, pois, que resta que alguns entrem nele, e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência, Determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações. Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disso de outro dia. Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas.

Hebreus 4:4-10