Rede na Praia ao pôr do sol

O Santo Sábado é segundo a bíblia o quarto mandamento da lei de Deus. É também um memorial da criação. Deus criou quando criou o universo. Este estudo, composto por sete lições, foi escrito pelo Rev. Lester G. Osborn e  visa esclarecer a necessidade da observância do Santo Sábado.

 O instinto de dedicar um dia da semana para descanso e adoração está incutido nas fibras de todos os povos e nações. Isto porque - pequena maravilha - Deus assim o fez "no princípio". O ritmo divino de uma vida saudável é o trabalho de seis dias e o descanso de um dia.

A-    A Instituição do Sábado - Gênesis 2.2,3

  1. A terra era uma massa "sem forma e vazia" - desolada - coberta por denso vapor d'água. Porém, o "Espírito de Deus se movia sobre a face das águas". Em seis dias Deus pôs ordem ao caos, tornando-o uma habitação adequada para o homem, que ele criou no sexto dia, depois de preparar-lhe tudo o que viria a necessitar para o seu bem-estar físico.
  2. Porém, o homem - feito à imagem deDeus - é um ser espiritual. Ele necessita mais do que simples conforto físico. Por isso Deus estabeleceu o sábado, uma instituição religiosa, para o seu bem-estar espiritual.
  3. Análise de Gênesis 2.2,
    • FATO: a bênção e a santificação do sétimo dia;
    • AGENTE: Deus, o Criador;
    • MOTIVO: Deus "descansou" naquele dia;
    • PROPÓSITO: fazer do sétimo dia o "sábado". (Nota: no hebraico, a partícula intraduzível "eth", indica que a palavra seguinte é o objeto direto e definido do verbo, aparece aqui, precedendo o "sétimo dia" e o pronome "o". Isto evidencia que o sétimo dia foi o dia reservado para receber uma "bênção" especial.)
  4. A semana é uma divisão arbitrária do tempo. A terra não se move em relação a nenhum corpo celeste num ciclo de sete dias. Este ciclo de sete dias nunca se perdeu. (Conf. Gênesis 7.4,10; 8.10,12; 29.27). Tanto as nações antigas quanto as modernas têm essa mesma semana de sete dias e dois terços delas chamam o sétimo dia de "sábado".
  5. Marcos 2.27 - "O sábado foi feito" - ele teve uma origem num ato distinto.

B-    Para quem foi feito o Sábado?

  1. Marcos 2.27: "O sábado foi feito por causa do homem". O original grego emprega o termo genérico "anthropon" - a espécie humana.
  2. Para os judeus? Qual foi a nacionalidade de Adão? Ele viveu pelo menos 2.000 anos antes de Abraão, o ascendente dos judeus. Na verdade esse dia foi confiado aos judeus (Cf. Neemias 9.12-14, "e o teu santo sábado lhes fizeste conhecer"), como igualmente o foram as Escrituras, o monoteísmo e as profecias - a fim de preservá-los para o mundo. Entretanto, eles não têm o monopólio do sábado, como também, não o tem das outras coisas, ou de Cristo, que segundo a carne foi judeu.

C-    O Propósito do Sábado

  1. Dia natalício da criação - Gênesis 2.2,3; Ex 20.8-11.
  2. Sinal de que Deus, o criador, é o nosso Senhor da Aliança - Ezequiel 20.12,20.
  3. Para o bem-estar do homem - Marcos 2.27. O homem precisa de descanso, tanto físico quanto mental. Experiências têm demonstrado que o homem tem vida mais longa e produz mais, quando descansa um dia em cada período de sete. (Cf. Êxodo 31.15; 34.21). O homem também necessita de conforto espiritual. O sábado lhe proporciona o tempo para comunhão com Deus, para o estudo da Palavra de Deus, para a associação com o povo de Deus e para prestar serviços à causa de Cristo.

D-   O Sábado (a) contrastado com os Sábados (b)

  1.  Diferente quanto à época de instituição:
    • (a) Na criação, baseado no ciclo semanal.
    • (b) No Sinai, baseados nas fases da lua.
  2. Diferente quanto à aplicação:
    • (a) Universal e eterno.
    • (b) Sociais, nacionais e temporários.
  3. Diferentes quanto à posição no Código Mosaico:
    • (a) Um dos Dez Mandamentos, escrito com o dedo de Deus.
    • (b) Escritos num livro, por Moisés.
    • (a) Guardado dentro da arca.
    • (b) Guardado numa bolsa ao lado da arca.
    • (a) Uma das leis fundamentais da teocracia.
    • (b) Uma das "ordenanças".
  4. Diferente quanto à importância que lhe atribuía a história judaica:
    • (a) Pena de morte para o caso de violação. Os profetas protestavam contra o formalismo na sua observância. A sua profanação era considerada muito grave.
    • (b) Não havia tal rigor contra os "sábados".
  5. Diferente quanto ao destaque que mereceu nos ensinos de Jesus:
    • (a) Ele ensinou como dever ser guardado - a guarda espiritual do sábado (Mateus 12.10-12; Marcos 2.23-28; João 7.22,23).
    • (b) Ele não considerou a importância dos "sábados".


E-    O Santo Dia de Deus - Isaías 58.13

Assim como Deus disse a Moisés, do meio da sarça ardente "tira os sapatos de teus pés, porque o lugar onde estás é terra santa" (Ex 3.5), assim ele falou através de Isaías "desvia o teu pé do sábado" - não o calques com o pé. A presença de Deus nesse dia, como aconteceu na sarça, tona-o santo. Pode-se adorar melhor a Deus e ter maior comunhão com ele no dia em que sua presença está manifesta dum modo especial.

F-    Perdeu-se o Sábado original?

  1. Podemos seguir a cronologia até Cristo. Certamente ele sabia qual era o sétimo dia. Retrocendo da época do Novo Testamento até a criação, vemos estas três fases: Lucas 23.56 - "e no sábado repousaram, conforme o mandamento"; Êxodo 20.8-11, o "mandamento", que remonta a Gênesis 2.2-3.
  2. Todavia, não precisamos recuar a época anterior a do Êxodo e à da jornada no deserto, porquanto, Deus assinalou o sábado com um triplo milagre em conexão com o maná, cada semana, durante quarenta anos.
  3. Acrescente-se a isto o fato de que em nosso calendário e no calendário judaico, que são completamente independentes, os sétimos dias coincidem.

Conclusão do capítulo

Deus abençoou e santificou o sétimo dia, fazendo-o assim o sábado. Ele não fez isto com qualquer outro dia, ou deixou de fazê-lo com o sétimo. O que Deus fez é para todos os tempos, porque Deus não muda.

É interessante notar que a palavra "santificou" é a mesma usada para as cidades de refúgio, que eram anunciadas publicamente. O texto de Gênesis 2.2,3 então parece indicar uma proclamação, de conhecimento público, praticamente a promulgação duma lei para o sábado. Em parte alguma há uma santificação posterior - a santificação refere-se à mais antiga, por ocasião da criação.


Vimos na lição I, que o sétimo dia é diferente dos outros sábados por efeito de um ato específico de Deus e que nunca se perdeu através dos tempos.

Jesus Cristo teria mudado o dia semanal de repouso e de adoração? Ele tinha o direito de fazer isso, porquanto, não somente declarou ser o "Senhor do sábado" (Marcos 2.28), como também foi efetivamante o seu Criador (João 1.3; Hebreus 1.2).

Sendo ele o fundador do cristianismo, a sua atitude em assuntos de conduta cristã é muito importante. Ele é nossa "sanção final para o sábado", porque os seus ensinamentos, tanto em preceitos quanto em exemplo, são a mais alta autoridade.

A) Observância e interpretação do Sábado por Jesus

  1. Marcos 1.21; 3.1,2; 6.2; Lucas 4.16,31; 13.10; 14.1. Por estas passagens, além de outras, vemos que Jesus tinha o costume de ir à sinagoga aos sábados. Não consta que ele tivesse ido em qualquer outro dia.
  2. Mateus 12.9-13; Lucas 13.10-17; 14.1-5; João 5.1-18; 9.1-16. Estas referências relatam cinco milagres de curas feitos por Jesus no sábado. Jesus considerava os atos de caridade compatíveis com a santidade do sábado. Evidentemente estes atos de caridade não "tua obra" proibida pelos dez mandamentos, nem eram contrários à ordem "para o santificar" do quarto mandamento. (Êxodo 20:8-11). Ele estava usando o seu poder divino para remover as conseqüências do pecado.
  3. Mateus 12.1-8; Marcos 2.23-28; Lucas 6.1-5. Por aqui vemos que é permissível realizar qualquer coisa que seja necessária ao conforto físico, desde que não diminua, mas aumente, o bem-estar espiritual.
  4. Mateus 12.7,12; Marcos 2.27. O sábado não é uma carga para ser carregada, mas um dia de bênção, de elevação espiritual e de boas obras. Compare-se com Isaías 58.13: "se chamares ao sábado deleitoso".
  5. Os ensinos de Jesus visavam libertar o sábado das restrições rabínicas, das "tradições dos homens", dos detalhes sem importância - livrá-lo de todas as implicações cerimoniais e elevá-lo à sua legitima posição, como um dia de felicidade, de alegria e de serviço dedicado à causa de Deus. Disse alguém que Jesus fez pelo sábado o que o capitão faz para o navio, quando chega ao porto com dificuldade para manobrá-lo por causa dos crustáceos que aderiram ao seu casco - ele coloca o navio no estaleiro e raspa o casco, deixando-o limpo e pronto para navegar novamente.
    • Jesus não revogou ou anulou o sábado quando o despojou das cargas insuportáveis com que os cerimonialistas tinham-no acumulado.
    • Isto é paralelo a Mateus 5.21-32, onde Jesus vai além da mera observância formal dos mandamentos e volta à essência dos princípios envolvidos.
  6. Mateus 12.8; Marcos 2.28; Lucas 6.5. Estas passagens mostram a autoridade de Jesus para proceder assim, ele era não somente o Criador do sábado, mas, também, seu Senhor.
  7. Acaso a observância do sábado e o ensino de Jesus quanto ao real significado do sábado não são uma confirmação prática do quarto mandamento?

B) Jesus Aboliu o Sábado?

  1. Mateus 5.17 - "Eu não vim destruir, mas cumprir". "Cumprir" não significa abolir. Veja Mateus 3.15; Gálatas 6.2.
  2. Colossenses 2.13-17. Cristo aboliu a "cédula que era contra nós nas suas ordenanças". Porém, o sábado não era uma "ordenança" e não era contra nós, pois ele foi feito para nós, para o nosso bem-estar (Mc 2.27). Os "sábados" a que se refere o texto, sendo mencionado com as "luas novas" e outras sombras do cerimonial, necessariamente são dias cerimoniais e rituais, baseados nas fases da lua e não o sábado semanal que é baseado no ciclo semanal. Isto é idêntico à "parede de separação que estava no meio", referida em Efésios 2.13-16.
  3. Mateus 24.20. Evidentemente, ele esperava que os seus seguidores continuassem a observar o sábado no futuro, quer o texto se refira à destruição de Jerusalém ou ao fim dos tempos.

Conclusão do capítulo

Jesus e os seus discípulos observavam o sábado. Ele ensinou como o sábado deve ser guardado, de modo a não ser uma carga, mas, uma bênção.

O verdadeiro "Dia do Senhor" é o dia que ele mesmo declarou ser o Senhor, ou seja, o sábado.

Desde que ele é a nossa "sanção final" e que pelo seu exemplo e nos seus ensinos exaltou o santo dia de Deus, o sábado, não devemos nós, neste particular, "andar como ele andou"? (I João 2.6)


Jesus Cristo e os seus discípulos observavam o sábado. Lemos em Lucas 23.56 que o sábado foi observado após a crucificação. A igreja primitiva continuou nesta prática?

Recorremos naturalmente a Paulo, a figura proeminente da igreja do Novo Testamento. Mais do que qualquer um, ele propagou os princípios da fé e da prática cristã. Por esta razão, se antes da sua morte tivesse havido alguma mudança do dia semanal de descanço e adoração, julgamos que ele a teria praticado e ensinado. A sua ligação com o sábado somente é suplantada pela de Jesus Cristo.

A) Paulo Observava o Sábado?

  1. Atos 23.6; Filipenses 3.5,6; Atos 26.5. Paulo foi um fariseu, a seita mais rígida dos judeus.
  2. Atos 13.14,44; 16.13; 17.2; 18.4,11. Durante uma viagem missionária de dez anos pela Ásia Menor, Macedônia e Grécia, ele pregou "como tinha por costume", em 84 sábados, especificamente mencionados. Conte-os!
  3. Atos 13.16,44; 14.1; 16.13,14; 17.2,10,12,17; 18.4. Ele pregava aos sábados, não somente aos judeus, mas, também. aos gentios. Não consta que tenha se reunido com eles em qualquer outro dia, nem que lhes tenha anunciado alguma mudança.
  4. Atos 25.8; 26.4,5; 28.17; Filipenses 3.6. Através do seu próprio testemunho vemos que Paulo observava o sábado. Ele não declararia não haver transgredido as leis dos judeus, nem violado os costumes paternos, se houvesse renunciado o sétimo dia por algum outro.

 B) Paulo Ensinou por Ato ou Preceito a Revogação do Sábado?

  1. Atos 15.1-35. O sábado não era objeto de controvérsia, portanto, não entrou em consideração nesta assembléia de Jerusalém, convocada para tratar de assuntos sobre os quais havia divergência entre vários grupos.
  2. Atos 20.7. Esta reunião foi realizada no "sábado à noite", pois o dia judeu começava ao pôr-do-sol e na ocasião era noite. Paulo passou o dia seguinte, a parte diurna do domingo, caminhando 30 quilômetros na travessia do istmo, o que ele não teria feito se considerasse esse dia de alguma forma sagrado. Naturalmente teria ficado em Troas para a reunião da igreja - se houvesse reunião nesse dia. (Note que esta é a única referência a uma reunião havida em uma parte do primeiro dia da semana e isto em circunstância acidental, uma espécie de "recepção de despedida" para Paulo).
  3. Romanos 14.5,6; Gálatas 4.10,11. Paulo discute questões de consciência, salientando a lei do amor, quanto a práticas duvidosas: comer carne, beber vinho e observar dias cerimoniais. Os gálatas haviam adotado todas as práticas cerimoniais da velha aliança. Visto que não há nenhum registro sobre qualquer divergência de opinião quanto ao dia de sábado, Paulo não podia estar considerando este, mas, sim, os dias de festas, as "luas novas".
  4. Efésios 2.13-16. Não há registro do sábado ser motivo de dissenção e, de qualquer modo, ele não era uma ordenança; portanto "a parede de separação que estava no meio" é o sistema cerimonial judaico. O judeu e o gentio são um em Cristo sem a observação destas cerimônias.
  5. Colossenses 2.13-17. Evidentemente, os "sábados" desta lista são os baseados nas fases da lua, os dias cerimoniais e não o sábado semanal. Este não era uma "ordenança" nem uma "sombra de coisas futuras", como eram os dias cerimoniais.
  6. Atos 13.42-44. É evidente que os gentios guardavam o sábado. Eles não pediram a Paulo que lhes pregasse "amanhã" ou no próximo "primeiro dia", mas no "sábado seguinte". É evidente que Paulo não sabia de qualquer mudança de dia, pois certamente teria aproveitado esta oportunidade para instruir esses gentios convertidos, a respeito. No sábado seguinte ajuntou-se "quase toda a cidade" para ouví-lo.
  7. I Coríntios 16.2. A única vez que Paulo menciona o primeiro dia da semana não lhe dá nenhum título de santidade, nem o destaca como um dia de reunião pública ou de adoração em comemoração a algum evento. Ele o designa como um dia para se fazer contas e separar o dízimo "em casa" de forma a não ser necessário levantar "coletas" quando os visitasse. (N.T. Ver Almeida na Versão Revista e Atualizada no Brasil).

Conclusão do capítulo

Paulo, um fariseu, observava o sábado, pregando nesse dia tanto aos judeus como aos gentios. O sábado não era objeto de controvérsia, não se pensava em qualquer mudança. Ele nunca incluiu o sábado semanal num debate sobre o velho sistema abolido em Cristo. Não há registro de nenhuma instrução dada aos cristãos gentios para a guarda de outro dia.

A única reunião de culto realizada numa parte do primeiro dia ocorreu na "noite de sábado" e Paulo empregou aquele "domingo" para andar 30 quilômetros até Assôs. A única referência feita por Paulo do primeiro dia, não é como dia de adoração, mas de negócio.

O argumento do silêncio dever ser considerado com cautela. Porém, somos obrigados a concluir que Paulo não violou "os costumes paternos" ou a "lei dos judeus", porque se o tivesse feito, os judeus, que o observavam atentamente para apanhá-lo em alguma falta, certamente não deixariam que semelhante desvio, como a substituição do sétimo dia pelo primeiro dia, passasse sem censura.

Paulo foi um guardador do sábado e nunca praticou ou ensinou coisa diferente. O sétimo dia foi o dia semanal de descanso e de adoração da igreja do Novo Testamento.


Nesta lição deixamos de tratar, por um pouco, da observância do sábado por parte de Paulo. Precisamos nos aprofundar um pouco mais no assunto, pois se o primeiro dia da semana tivesse substituído o sábado como dia de descanso e adoração, por ordem ou exemplo de Jesus Cristo, ou de algum dos seus apóstolos, haveríamos de encontrá-lo ocupando um lugar proeminente em o Novo Testamento, considerando-o sagrado e o dia no qual seriam realizadas regularmente as reuniões de culto.

Qual é exatamente a sua posição em o Novo Testamento? Ao examinarmos esses registros encontramos a expressão "primeiro dia da semana" exatamente oito vezes: seis vezes referindo-se à descoberta da ressurreição, uma vez aludindo a uma reunião de cristãos havida na véspera do primeiro dia e uma vez referindo-se aos primeiros dias em geral - portanto, apenas dois específicos primeiros dias!

A) A Descoberta da Ressurreição:

  1. Lucas 23.56 até 24.3; Marcos 16.1,2. O sábado que precedeu a ressurreição foi observado pelos seus seguidores e no dia seguinte, no primeiro dia da semana, eles voltaram ao sepulcro para embalsamar o seu corpo, ou seja, para trabalhar! Encontraram o sepulcro vazio!
  2. João 20.1; Marcos 16.9. Nota: Estudiosos da Bíblia afirmam que, em Marcos 16.9, a palavra "manhã" modifica "apareceu" e não "ressuscitado" (ad. T. - Considerando que a pontuação dos antigos manuscristos gregos do Novo Testamento e com base no texto de Almeida, a tradução mais precisa de Marcos 16.9 é "e Jesus, tendo ressuscitado, na manhã do primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios").
    • Maria, Pedro e João encontraram o sepulcro vazio no primeiro dia da semana, mas pensaram que o corpo de Jesus tivesse sido roubado. Mais tarde Jesus apareceu a Maria e ela foi e anunciou aos outros que o havia visto, porém, eles "não creram". Marcos 16.11
  3. Mateus 28.1. "No fim de" é a tradução do termo grego OPSE e significa literalmente "tarde". A American Standard Version (Versão Padrão Americana), uma das mais respeitadas versões bíblicas, traduz precisamente: "Na tarde do dia de sábado". A Revised Version (Versão Revisada), está equivocada neste ponto, traduzindo OPSE por "após". O Englishman's Greek Testament e o Riverside Cambridge, traduzem-no por "tarde". Nos "Evangelhos do Aramaico", de Lamsa, consta "ao anoitecer do dia do sábado". Algumas das versões modernas em inglês, como a NIV, traduzem erroneamente por "após".
    • O problema está na expressão "ao amanhecer o primeiro dia da semana". Como poderia amanhecer no fim da tarde? Dois fatos esclarecem esta aparente contradição. Primeiro: o dia começava e terminava ao pôr-do-sol. O novo dia começava quando o sol se punha. Segundo: o termo grego EPIPHOSKO , traduzido por "amanhecer", empregado para indicar o aparecimento da luz na alvorada, tem, também, o significado de princípio ou aproximação. Em Lucas 23.54, ele tem este sentido e é traduzido por "começar", veja "era o dia da preparação e ia começar o sábado" (American Standard Version; N.T. em português, corresponde à Tradução Brasileira e a do Padre Matos Soares). A versão de Riverside Cambridge New Testament dá o sentido fiel de Mateus 28.1, traduzindo: "Na tarde de sábado, quando se aproximava o primeiro dia da semana". O Englishman's Greek Testament, também, o traduz: "Mas, na tarde de sábado, quando anoitecia para o primeiro dia da semana", (N.T. A versão Revista e Corrigida de Almeida diz: "E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana").
    • O primeiro dia da semana não poderia estar "amanhecendo" no fim da tarde de sábado; porém, desde que o primeiro dia começava ao pôr-do-sol, ele podia estar se aproximando ou "começando". Essa visita das mulheres "para ver o sepulcro" foi realizada na tarde do dia de sábado. Elas encontraram o sepulcro vazio.
    • Na tarde do sábado o sepulcro estava vazio - CRISTO JÁ TINHA RESSUSCITADO, ELE NÃO ESTAVA MAIS LÁ!
  4. Note que todas as referências pertencem ao mesmo dia da semana e somente relatam a descoberta do sepulcro vazio. Elas não descrevem a ressurreição e nem declaram em que momento ela ocorreu.

4) Supostos Indícios da Observância do Primeiro Dia

  1. João 20.19; Marcos 16.10-14 e Lucas 24.11,36,37. Esta é a primeira aparição de Jesus a seus discípulos, que estavam atrás de portas fechadas com medo dos judeus. Não era para celebrar a ressurreição, porque eles não criam que ele ressuscitara.Não há nenhum significado quanto ao dia, pois era a primeira oportunidade que ele tinha para ir e provar ao grupo que o seu mestre não estava morto, mas vivo.
  2. João 20.26. "Oito dias depois", pode significar o domingo seguinte, o que é pouco provável. (Conf. Mateus 17.1 e Lucas 9.28. Podia ter sido segunda-feira ou terça-feira). Mesmo que fosse domingo, não há nenhum significado quanto a essa reunião, pois eles "permaneciam juntos todos os dias por medo dos judeus". A sua aparição a eles naquela ocasião não era significativa, porque visava somente provar a Tomé, o qual não estava presente antes, que ele tinha ressuscitado. Não era uma reunião para culto.
  3. Atos 2.1. Este dia pode ou não ter sido o primeiro dia da semana, dependendo do dia em que caiu a Páscoa e do método usado no cálculo. Ainda que o fosse, não tem significado para a santificação do primeiro dia da semana, mas do Dia de Pentecostes. O dom do Espírito Santo não teve nada a ver com o dia da semana. Eles estavam reunidos para a festa.
  4. Atos 20.7-12. Essa não foi uma reunião de culto semanal, mas uma reunião de despedida em atenção a Paulo, realizada na "noite de sábado" (em prosseguimento ao culto normal de sábado). O "partir do pão" pode ou não ter sido a "Ceia do Senhor". Mesmo que o fosse, vemos em Atos 2.46 que eles o praticavam diariamente, não havendo assim um significado especial quanto ao dia para este caso. De qualquer modo, que ligação tem o primeiro dia com a Ceia do Senhor? Ela não foi instituída no primeiro dia, não comemora nada que tenha acontecido nesse dia, e não há nenhuma ordem para celebrá-la nesse dia.
  5. I Coríntios 16.2. Isto refere-se à contabilidade e a "pôr à parte, em casa" as contribuições e não sugere nenhuma reunião, de qualquer espécie ou de qualquer santidade. Ao contrário, indica negócios. (N.T. O texto na versão Revista e Atualizada de Almeida diz, "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.")

C) O Dia do Senhor

  1. Apocalipse 1.10. Não o domingo, mas o "dia do Senhor", o período de julgamento do qual João escreve e no qual foi arrebatado pelo Espírito Santo. Além do mais, qual foi o dia em que o próprio Senhor Jesus disse ser Senhor (Mateus 12.8; Marcos 2.28; Lucas 6.5)?
  2. Salmo 118.24. Não um dia específico da semana, mas o período do evangelho e da salvação, o tempo da graça (Conf. II Coríntios 6.2)
  3. Êxodo 20.10; Isaías 58.13; Marcos 2.28). O único dia da semana que pode reclamar a posse do título de "Dia do Senhor" é o sétimo, que pertence ao Senhor, o qual ele chama seu e do qual Jesus Cristo declarou-se o Senhor.

Conclusão do capítulo

 A expressão "primeiro dia da semana" aparece exatamente oito vezes em o Novo Testamento, seis das quais referindo-se ao mesmo dia - aquele em que a ressurreição foi descoberta. Somento outro "primeiro dia" é mencionado específicamente como dia de culto e a reunião então realizada teve lugar na "noite de sábado". A outra passagem refere-se aos primeiros dias em geral, não como dias de reunião na igreja, mas para se fazer as contas em casa. Em nenhum lugar há qualquer referência à santidade ou importância do primeiro dia. O domingo era um dos seis dias de trabalho, sendo o sétimo dia o sábado, o verdadeiro "Dia do Senhor", no qual eles adoravam.  


 

Tábua dos Dez MandamentosA última trincheira dos que observam o primeiro dia em vez do sábado de Deus é afirmar que "a lei foi abolida, cravada na cruz" e que agora, neste tempo da graça, não estamos mais obrigados a guardar o sábado. Se isso fosse verdade poderíamos então perguntar: por que precisamos abster-nos de profanar, de assassinar, de adulterar, de roubar, e de outras coisas?

  1. O Código Mosaico era triplo: Moral (os dez mandamentos, o Decálogo); Cerimonial (as ordenaças) e Civil (os julgamentos). A lei moral era uma codificação de princípios universais e eternos. As outras duas eram nacionais e temporárias, dirigindo a vida religiosa e social de Israel.
  2. A "lei" como um conjunto de regras, deve ser distingüida da "lei" como método de procedimento de Deus para com a humanidade pecadora entre o Sinai e o Calvário.

A) Caráter e Propósito da Lei Moral

  1. Salmo 19.7-11; 111.7-8; Mateus 5.18; Lucas 16.17; Romanos 7.12. A lei de Deus é perfeita, completa, segura, reta, pura, verdadeira, honesta, santa, justa e eterna.
  2. Romanos 10.5; Mateus 19.17; Lucas 10.28. A lei indica a vontade de Deus quanto à conduta do homem, define a perfeição. A guarda perfeita dos mandamentos teria como recompensa a vida eterna. Como ninguém pode fazer isso, porque "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus", teve que ser provido um outro meio para nossa justificação.
  3. I João 3.4; Romanos 3.20,28,31; 7.7. Quando alguém contempla o padrão perfeito verifica que o violou e que, portanto, é um pecador, porque pecado é a transgressão da lei. A lei nos declara culpados e nos mostra a necessidade de um Salvador. (N.T. A melhor tradução de 1 João 3.4, "pecado é transgressão da lei" encontra-se nas seguintes versões: Revista e Atualizada de Almeida, Rohden, King James, Authorized Version, Giovanne Diodati, Louis Segond, Casidoro de Reina).
  4. I Timóteo 1.8. O "uso legítimo" da lei visa convencer do pecado, como quando se olha para um espelho e se vê imperfeições físicas. É um diagnóstico, não um remédio. O remédio é o evangelho, porém, o diagnóstico deve preceder ao remédio.
  5. Tiago 2.10,11; 1 João 3.4; Romanos 6.23. Poderíamos aduzir ou parafrasear a primeira referência da seguinte maneira: "Porque aquele que disse: Não matarás, também disse: Lembra-te do dia de sábado para o santificar. Se tu pois não matares, mas profanares o sábado, tornar-te-ás um transgressor da lei". Isso é pecado, e o salário do pecado é a morte. Todavia, como Jesus pagou a penalidade por nós (cf. Gálatas 3.10,13), estamos pois livres da maldição da lei - a morte. Não obstante, será que estamos livres para ignorar a lei e para transgredí-la?
  6. Isaías 2.2,3; 66.22,23. O quarto mandamento será guardado durante o milênio e na nova terra.
  7. Gálatas 3.23-26. "Lei" e "Graça" não são sistemas em oposição, mas partes integrantes do mesmo plano: a redenção da humanidade pecadora. A salvação sempre tem sido "pela graça, por meio da fé". No Velho Testamento os homens foram salvos por essa forma. Foi a graça de Deus que deu o sistema sacrificial na lei cerimonial, de modo que as transgressões da sua lei moral pudessem ser "cobertas". Porém, a graça não foi totalmente revelada até à morte de Cristo, mostrando-nos o nosso pecado e a necessidade de um Salvador. A lei cerimonial, pelos sacrifícios simbólicos, nos ensina a respeito de Cristo e da sua obra expiatória, e desse modo, também, "nos conduz a Cristo".

 B) A Lei Moral Foi Abolida?

  1. Mateus 11.13; Lucas 16.16; João 1.17. A "dispensação" da lei findou com Jesus, sendo substituída pela "dispensação" da graça. Mas não pensemos que não havia graça antes do Calvário, porquanto, a graça de Deus entrou em ação assim que o homem pecou. Ele proveu um meio de perdão e de livramento da culpa assim que se fez necessário.
  2. Mateus 5.17,18. Jesus Cristo não ab-rogou (ou seja aboliu) a lei, mas cumpriu-a - a moral, obedecendo perfeitamente em todo o seu sentido e a cerimonial, tomando o lugar de todos os tipos.
  3. Mateus 4.14; Romanos 13.10; Gálatas 5.14; 6.2. "Cumprir" de maneira nenhuma significa "abolir".
  4. Gálatas 3.23-25; 4.1,2. O "aio" ou "tutor" cuidava que a vontade do pai fosse respeitada até que o menino atingisse a maioridade. Então o rapaz era diretamente responsável perante o seu pai e fazia a sua vontade não por temor do "aio" mas por amor a seu pai.
    • Debaixo da lei a obediência era exigida; debaixo da graça ela é "gravada" (conf. Hebreus 10.16). Guardamos os princípios da lei porque amamos a Deus, o nosso Pai celestial, pelo novo nascimento. O sistema antigo está abolido, mas não os requisitos morais da lei.
  5. Romanos 10.4,5. Não obtemos mais a justiça pela observância da lei, mas pela fé em Cristo, cuja justiça nos é imputada. Isto não significa que findaram os princípios do Decálogo, mas que findou a justiça pela observância dos mesmos. Contudo, por causa do seu Espírito que habita em nós, fazemos as coisas que a sua lei exige. Cristo não é o "fim da lei", nem o "fim da justiça", mas o fim do esforço para se conseguir justiça pela observância da lei. (conf. Lucas 22.37, onde lemos que Cristo é o "fim das profecias", isto é, ele é a finalidade e o objetivo delas). (N.T. Veja as versões King James, em inglês, e Trinitariana, em português.)
  6. Colossenses 2.14-17. A "cédula das ordenanças", incluindo os sábados cerimônias, foi cravada na cruz. O sábado semanal não era uma "ordenança" e não era "contra nós" (Conf. Marcos 2.27). O que foi abolido foi o sistema, o método de procedimento de Deus para com os homens pecadores entre o Sinai e o Calvário.
  7. Efésios 2.14-16. A "parede de separação" consistia das "ordenanças". Era o sistema cerimonial dos judeus, do qual o sábado semanal não fazia parte. Este último fazia parte da definição de pecado.

Conclusão do capítulo

A "lei" que realmente foi abolida em Cristo foi o sistema, o método, a "dispensação", e não o padrão de conduta contido na lei moral. Estes princípios não foram modificados nem abolidos; mas somos colocados, mediante a fé, numa nova relação com eles.

É absurdo dizer-se que "a lei foi abolida", porque, neste caso, não haveria pecado (confira Romanos 6.1,2,14,15). Isto seria uma anarquia, pois, de acordo com 1 João 3.4, pecado é ilegalidade.


Quanto à dispensação da "lei" estamos livres, sem nenhuma obrigação; Jesus removeu aquele sistema de nosso caminho e colocou-nos debaixo da graça. Nós não estamos "debaixo da lei".

Acaso isto nos dá o direito de transgredir a lei moral, isto é, de pecar? Estamos livres dos princípios morais? "De modo nenhum!" - no dizer de Paulo (Romanos 6.15).

"Livres da lei" (Romanos 7.6 - note-se que não há o artigo no original grego) não significa que se é livre para se fazer o que se quer, mas sim o que se deve. A liberdade é sempre protegida pela lei. Não é licença. A licença não é liberdade, pois gera sempre maior confusão. A verdadeira liberdade está dentro da lei e não na sua violação.

A) Os Princípios do Decálogo Ainda Estão em Vigor.

  1. Romanos 6. 15; 1 João 3.4. Por estarmos "debaixo da graça", não é motivo para pecarmos, transgredindo a lei. Não estamos livres das obrigações dos princípios morais, da obediência ao padrão que Deus estabeleceu.
  2. Efésios 6.2; 1 Coríntios 10.14; Romanos 13.9; Tiago 5.12. Inspirados pelo Espírito Santo, os apóstolos Paulo e Tiago citaram o Decálogo em seus escritos, demonstrando que ele ainda é obrigatório. Dizer que "todos os Dez Mandamentos, exceto o quarto são reiterados em o Novo Testamento" é uma incoerência, pois ou os Dez Mandamentos permanecem juntos ou caem juntos. Pode-se observar, também, que a obrigação de obedecer às leis apresentadas no Novo Testamento equivale a estar tão "debaixo da lei" como no caso do Decálogo.
  3. Efésios 6.2; 1 Coríntios 10.14; Romanos 13.9; Tiago 5.12. Inspirados pelo Espírito Santo, os apóstolos Paulo e Tiago citaram o Decálogo em seus escritos, demonstrando que ele ainda é obrigatório. Dizer que "todos os Dez Mandamentos, exceto o quarto são reiterados em o Novo Testamento" é uma incoerência, pois ou os Dez Mandamentos permanecem juntos ou caem juntos. Pode-se observar, também, que a obrigação de obedecer às leis apresentadas no Novo Testamento equivale a estar tão "debaixo da lei" como no caso do Decálogo.
    • O sábado, também, remonta ao princípio. Essa mesma lei foi, para os crentes, transferida para as "tábuas de carne do coração". Não é algo exterior - os seus princípios são parte integrante do nosso ser. O novo concerto não é uma mudança das leis, mas um cancelamento dos pecados, escrevendo as mesmas leis em nosso coração. A diferença não está nas justas exigências de Deus e sim no motivo da obediência.

B) A Lei é o Nosso Padrão de Conduta.

  1. Talvez, a nossa primeira observação seja que Deus libertou o seu povo e então lhe deu a sua lei para orientá-lo na sua peregrinação. Paulo teve o mesmo pensamento quando disse "Operai a vossa própria salvação". (Filipenses 2: 12).
  2. I Timóteo 1.8. Usar a lei "legitimamente" é considerá-la como um imutável padrão de conduta, dado por Deus; não que esperemos conseguir salvação por meio dela, nem que a observemos por temor, mas usando-a como uma escala métrica pela qual possamos medir a nossa vida. Como filhos de Deus queremos fazer a sua vontade.
    • Cheguemo-nos ao seu padrão. Lá encontraremos as diretrizes para guiar-nos em nosso comportamento cristão. Sendo livres da maldição da lei pela fé em Cristo, não buscamos nela a justiça; mas somente em Cristo. Contudo, a mesma lei que nos convence do pecado e da culpa, ainda é o padrão de Deus. O que era pecado antes da salvação, ainda, o é depois.
  3. Romanos 3:31. O pecador "estabelece a lei" pelo reconhecimento do seu pecado, da sua culpa, da justiça da sua condenação por ela. O cristão a estabelece admitindo a força obrigatória dos seus requisitos de justiça e vivendo de acordo com os seus preceitos pelo poder do Espírito Santo.
  4. Romanos 8.3,4. A "justiça da lei" - isto é, o padrão de justiça que Deus estabeleceu - é cumprida em nós por obra do Espírito Santo: o que certamente significa que a lei é o padrão pelo qual devemos viver. A diferença, como disse alguém, é que a lei diz: "Faça isto e viva", enquanto a graça diz "Viva e faça isto". `A carne" não podia satisfazer o padrão de Deus; o Espírito Santo é quem nos capacita.
  5. I João 2.6. Jesus Cristo observou a lei moral. Se confiarmos nele, seguiremos o seu exemplo, pela sua força.

C) Liberdade em Obediência por Amor.

  1. Tiago 2.12; João 8.34; 1 João 3:4. Observar os Dez Mandamentos escritos no coração é viver de acordo com a "lei da liberdade"; violá-los é tornar-se "servo do pecado".
  2. Romanos 13.10; João 14.15; 1 João 5.3. O amor não é a revogação da lei, mas o seu cumprimento em pronta obediência. Por estarmos "salvos pela graça" não quer dizer que não estamos obrigados à obediência. O amor é a mais forte razão da obediência. Se a obediência não for para nós um motivo de satisfação, é melhor que investiguemos quanto à realidade da nossa salvação. Manifestamos o nosso amor a Deus fazendo a sua vontade - adaptando a nossa vida ao padrão que ele estabeleceu.
  3. João 2.3,4; João 17.3 (inicial). A vida eterna é "conhecer a Deus" - e uma evidência disto é a guarda dos seus mandamentos.

D) Base do Julgamento:

  1. Hebreus 10.30 (final); Tiago 2.12,13; Romanos 14.12. O povo do Senhor - os cristão, os crentes - nunca estará diante do "grande trono branco", porque os seus pecados já foram julgados e as suas culpas removidas pela fé na morte de Cristo, no Calvário. Porém, comparecerá perante o "tribunal de Cristo", não para salvação, mas para a concessão de galardões. A base deste julgamento é a lei - de que forma correspondemos ao padrão de Deus. Salvos pela graça - julgados pela lei.
  2. Apocalipse 12.17; 14.12; 22.14. Sabemos que Apocalipse 22.14 é uma passagem controvertida, porém, muitas autoridades antigas traduzem-na "guardam os seus mandamentos", conforme consta nas outras duas passagens citadas. No último dia, aqueles que pertencem ao Senhor, que têm direito à árvore da vida, que podem entrar na cidade, são os que não somente têm a "fé de Jesus", mas, também, "guardam os mandamentos de Deus".

Conclusão do capítulo

A vontade de Deus quanto à conduta do homem é sempre a mesma. Essa vontade está expressa basicamente nos grandes e eternos princípios dos Dez Mandamentos. Estes definem o pecado, medem a conduta do cristão e são a base do seu julgamento para os galardões.

Esses Dez Mandamentos nunca foram abolidos. A graça engrandece a lei e a torna ainda mais obrigatória do que era antes dela, e com a obrigação dá o poder para viver conforme seu padrão. Debaixo da graça temos nova relação para com a lei. Ela é escrita em nosso coração e a obedecemos em amor e gratidão a Deus pela nossa salvação.

O Dr. H. A. Ironside declara concisamente: "A dificuldade para muitos... é que não podem perceber a diferença entre a obediência leal, por amor, de um coração consagrado e a obediência legal que é oferecida a Deus como se ela fosse meritória em si mesma".


Abordamos, ainda que sucintamente a base bíblica do sábado. Vimos, na narrativa da criação, que Deus reservou o sétimo dia como sábado; que o quarto mandamento especifica o sétimo dia como o dia que deve ser santificado; que Jesus e os seus seguidores observavam o sétimo dia, como fez Paulo e a igreja do Novo Testamento.

Como uma espécie de recapitulação, consideraremos a seguir uma série de pretextos alegados pelos cristãos dos nossos dias para não guardarem o sábado. O sétimo dia é o sábado da Bíblia - contudo, a maioria dos cristãos da atualidade observa o primeiro dia da semana, em vez do sétimo. Seriam consistentes os pretextos apresentados para tal prática?

1)    "Ele é Judaico"

  1. Judaicos também são os outros nove mandamentos. A própria Bíblia é judaica. Jesus Cristo foi judeu. Mais que isso, a salvação é dos judeus. Teremos que rejeitar tudo o que é deles?
  2. Mas será que o sábado é judaico? Ele é anterior à origem da nação judaica no Sinai. Também, precede por séculos, ao povo hebreu. De qual nacionalidade foi Adão? De nenhuma! Ele simplesmente foi homem. O primeiro da espécie. E Jesus disse: "O sábado foi feito por causa do homem". Além disso, outros povos mais antigos que os hebreus conheciam e observavam o sábado. "O quarto mandamento não estava baseado em alguma coisa feita a Israel em particular, mas em algo feito na criação do mundo. Isto é importante porque com ele permanece ou cai a validade geral dos mandamentos para toda a humanidade". (Vos).
  3. Se essa pretensão fosse verdadeira, ou seja, que o sábado tenha sido dado para os judeus e somente para eles, no Sinai, então não haveria sábado para o mundo gentio. No entanto, Deus estabeleceu-o no princípio dos tempos, em benefício de toda a humanidade.

2)    "A Maioria Guarda o Domingo"

  1. "Eu não quero ser diferente".
  2. Desde quando a maioria faz coisas certas? A maior parte do mundo é pagã. A maior parte da cristandade e católica-romana. O chamado de Cristo é para a separação.
  3. A Bíblia diz: "Sai do meio deles e separai-vos"; "Entrai pela porta estreita"; "Não vos conformeis com este mundo".

3)    "O Quarto Mandamento Indica um Dia em Sete"

  1. - "Não importa o dia que eu guardo, contando que o guarde corretamente".
  2. - "O princípio era universal, o sétimo era judaico".
  3. PORÉM - O quarto mandamento diz o sétimo dia. Não somente é empregado o artigo definido, mas no hebraico há uma partícula chamada "eth" que assinala o objeto direto e definido do verbo. Em Gênesis 2.2, 3 está escrito: "E Deus abençoou (eth) o sétimo dia e (eth) o santificou". Em Êxodo 20.8 está: "Lembra-te (eth) do dia do sábado"; e no versículo 11: "O Senhor abençoou (eth) o dia do sábado". No versículo 10 há o artigo definido: "O sétimo dia".
  4. Isso define o sábado como o sétimo dia da semana, marcado desde a criação. O sétimo dia foi abençoado e santificado com a presença de Deus. Assim como Deus tomou o "pó da terra" para dele formar o corpo do homem, assim, também, ele tomou o sétimo dia para dele fazer o sábado.

4)    "O Calendário Foi Mudado Varias Vezes"

  1. - "Não sabemos qual é o sétimo dia".
  2. Podemos identificá-lo retrocedendo até Jesus, que certamente sabia qual era o dia legítimo. Deus mostrou-o no deserto por meio dos milagres do maná. Não necessitamos retroceder mais.
  3. Os judeus são muito precisos em sua cronologia e o seu calendário marca o mesmo sétimo dia que o nosso, as semanas coincidem.
  4. Realmente, o calendário foi mudado - do Juliano para o Gregoriano, em 1582; e na Inglaterra em 1752. Porém, foi apenas a data, o dia do mês, que sofreu alteração e não a ordem dos dias da semana. O ciclo semanal nunca foi interrompido.

5)     "Contorne a Terra, Dirigindo-se Para o Oeste, e Você Perde um Dia".

  1. Assim, se irmãos gêmeos viajassem em volta da terra em sentidos opostos, quando retomassem para o ponto de partida haveria dois dias de diferença na idade deles. Em outras palavras, de acordo com esse raciocínio, não seriam mais gêmeos.
  2. A perda de um dia na linha internacional do fuso horário não faz diferença nas datas civis ou comerciais. Aqueles que se decidem pelo primeiro dia não têm dificuldades para saber quando ele ocorre.
  3. O sofisma desse argumento é que o sábado não é o sétimo dia do homem, mas da terra. O dia se desloca em torno da terra de leste para oeste. É como pegar um trem em pontos diferentes: Estamos no sábado quando ele está conosco.

6)    "O Sábado Foi Abolido"

  1. - "Cristo é o nosso sábado". Certo - mas isto não anula o dia semanal de descanso e de culto.
  2. - "Jesus cumpriu a lei". É verdade, porém, cumprir não significa anular. Veja Mateus 4.14; Romanos 13.10; Gálatas 5.14; 6.2.
  3. - "Paulo ensinou que a lei, incluindo o sábado, foi abolida". Porém, "a lei", nas passagens comumente citadas, não significa os princípios morais, mas o sistema cerimonial. Os "dias" e os "sábados" a que se referem são os dias festivos e cerimoniais e não o dia semanal de descanso e adoração.

7)    "Nós guardamos o dia da ressurreição de Cristo" 

  1. "O domingo é uma instituição nova": Mas, o domingo da ressurreição não pode ser provado. O registro narra somente a descoberta do sepulcro vazio. Além disso, veja também, Mateus 28:1 que nos diz, que o sepulcro estava vazio "no fim do sábado"-literalmente "na tarde do sábado".
    • Mesmo que a ressurreição tivesse ocorrido no domingo, não há mandamento ou exemplo para que a observemos. A nossa celebração da ressurreição é no batismo (conf. Romanos 6: 3.4).
  2. "A santidade do sábado foi transferida para o domingo". Esta idéia nasceu na Reforma Inglesa. É uma idéia muito espiritual e sublime. Poderia ser válida SE: SE Jesus tivesse ressuscitado no primeiro dia; SE o mandamento do sábado estivesse abolido; SE os apóstolos e a igreja do Novo Testamento tivessem-no observado; SE Cristo o tivesse sancionado. Porém. Todos esses "SES" são negativos.

 8)     "Jesus Apareceu Aos Seus Discípulos no Primeiro Dia".

  1. Não é natural que ele fosse aos seus seguidores para trazer-lhes coragem e esperança e para dissipar-lhes o abatimento e o desespero?
  2. Ele também lhes apareceu em outros dias (Veja João 21). Este não era o primeiro dia. Atos 1.3 diz: "sendo visto por eles por espaço de quarenta dias". A alegação não tem sentido, a menos que todas as aparições tivessem ocorrido no primeiro dia. Mesmo assim, estranharíamos.

9)     "A Igreja do Novo Testamento Guardou o Domingo".

  1. Isso não é verdade. São mencionados somente dois específicos primeiros dias: um nos evangelhos - o dia em que a ressurreição foi descoberta; e outro em Atos - a única reunião para culto e que teve lugar na nossa "noite de sábado".
  2. Paulo pregava aos sábados, "como tinha por costume" (Atos 17:2). Há repetidas referências a reuniões havidas no sábado, mas nenhuma alusão à santidade do domingo.

10)    "Eu Não Posso Ganhar a Vida e Guardar o Sábado"

  1. Em que classe de Deus você acredita? Deus, que é todo bondade, acaso pediria para você fazer o impossível? Onde está a sua fé? Se Deus exige, ele, também, capacita.
  2. Por que não roubar para ganhar a vida? 0 mesmo Deus que disse: "Não furtarás", escreveu nas mesmas tábuas de pedra: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar".

11)    "Grandes Instrutores da Bíblia e Ministros Ensinam que Está Certo Guardar o Domingo"

E só por isso está certo? Veja Oséias 10.13; 1 Coríntios 1.25-27; Provérbios 19.27. A questão não é o que diz o homem, não importando quão sincero e culto ele seja, mas sim, "O que dizem as Escrituras?".

12)    "Posso Prestar um Grande Serviço Guardando o Dia Que os Demais Guardam" 

  1. - "Considere quantas pessoas mais eu posso alcançar e quanto maior é a minha influência".
  2. Isso pode ser verdade, num certo sentido. Mas quando Deus manda, compete-nos obedecer e deixar com ele os resultados.


Conclusão do capítulo

Em resumo, os pretextos quase sempre significam: "Eu não quero".

Realmente, os pretextos são verdadeiros apoios, em que se sustenta uma prática que não se quer mudar.

Devemos compreender que a lei do sábado está no mesmo nível das leis contra o homicídio, o adultério e outras coisas. Violar o sábado é um pecado tão grave quanto furtar, adulterar ou assassinar. É surpreendente ver como Deus classifica a profanação do sábado junto com a desonra aos pais, o homicídio, a lascívia, a idolatria e o sacrifício de crianças, em EzequieI 22.7-9; 23.37,38.

"De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra" . Eclesiastes 12.13,14.

Ouvi a Sua voz pesarosa e suplicante, quando diz: "Quem me dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse". Deuteronômio 5:29.

Capitulo do livro:
O SANTO DIA DE DEUS
Sete Estudos Sobre a Verdade do Sábado
De: Rev. Lester G. Osborn
"E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou" Gênesis 2.3

Estudo cedido pela Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira, todos os Direitos reservados. Antes de Copiar ou publicar este estudo consulte a CBSDB

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Graça Maior - Rev. Lester G. Osborn, . Disponível em: https://mail.gracamaior.com.br/estudos/sabado/138-sabado-santo-dia-de-deus.html. Acesso em 21 Novembro 2017.