Na criação, a obra de Deus é selada com as palavras “Ele descansou” (Gênesis 2:3). Esta breve declaração é a chave para a compreensão de um conceito vital que nos une a Ele e à Sua criação. É o conceito do sábado. Deus não descansa da fadiga, mas em contentamento pela realização completada. Seu descanso não é inatividade, porque continua a cuidar do que cria. O Novo Testamento fala desse descanso quando Jesus “assentou-se”  após ter completado sua obra de redenção a fim de proporcionar a outros os benefícios de sua obra (Hebreus 8:1 Hebreus 10:12). Do mesmo modo, o Novo Testamento convida a todos os cristãos a fazerem esse descanso como parte de suas próprias vidas, e entrar nele pela fé em Cristo (Hebreus 4:1). Observar o sábado indica que toda a ordem criada reconheça que veio de Deus e pertence a Deus para sempre, o recipiente de Sua bênção. É por isso que as leis de Deus concernentes ao sábado jamais se confinaram a pessoas, mas incluíram explicitamente os animais e a própria terra. [...]

Hoje em dia, a ideia do sábado se perdeu. Mesmo entre os cristãos, se de alguma forma eles o observam, o sábado é apenas um símbolo de pertencer-se a Deus e uma experiência de recuperação. Podemos compreender melhor o sábado se considerarmos as ideias de David Ehrenfeld, um judeu ortodoxo que, por acaso, é também professor de Ecologia. Ehrenfeld salienta que um judeu atento observa o sábado como algo além do descanso, oração e abstenção do trabalho comum. Três outros aspectos são cuidadosamente seguidos: não criar nada, não destruir nada e apreciar a generosidade da terra. Cuidar para que nada seja criado nos lembra que Deus é o supremo Criador. Cuidar para que nada seja destruído nos lembra que o mundo é criação de Deus, e não é nosso direito arruiná-lo. Apreciar a generosidade da terra nos lembra que Deus, não a invenção humana, é a origem dessa generosidade. Esta é uma tradição muito mais rica e plena do sábado, baseada no testemunho bíblico. Que essas ideias sejam hoje tão estranhas aos cristãos deveria preocupar-nos.

Conforme notamos, a observância do sábado aplica-se ao tratamento da terra, e de nossa relação com o dono e criador dessa terra. “A terra”, diz Deus a Moisés, “guardará um sábado ao Senhor” (Levíticos 25:1). [...]

Somos convocados a guardar o sábado não somente por nós mesmos, mas também pela terra e por seus outros habitantes. Nosso motivo é mostrar amor e obediência a Deus, Criador e dono de tudo, e assim afirmar nossa permanente ligação com Ele e com Sua criação.


Extraído de: Fred Van Dyke, David C. Mahan, Joseph K. Seldon e Raymond H. Brand. “A Criação Redimida: A base bíblica para a mordomia ecológica”. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 86-88.

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