Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo’.

Mateus 2:1-2

Aproximando-se o final do ano, as residências e muitos locais públicos começam a preparar os seus enfeites para a celebração de uma das festividades mais importantes do ano, que relembra o nascimento de nosso salvador Jesus. Entre os ornamentos, começam a aparecer as cenas do presépio: o menino Jesus deitado em uma manjedoura, acompanhado de seus pais, ovelhas e vacas, os pastores, os três reis magos e a famosa estrela de Belém.

Porém, os dois últimos componentes citados não são bem compreendidos em geral. A Bíblia não declara que eram em número de três, nem que eram “reis”. Foi uma tradição posterior da Igreja que fixou o número de três (por causa dos presentes que trouxeram: ouro, incenso e mirra), e inclusive deu nomes a eles: Melquior, Gaspar e Baltazar.

As Escrituras apenas afirmam que eram magos, uma casta de sábios religiosos que se dedicavam à Astronomia e à Astrologia, presentes na antiga Babilônia e Pérsia. Eles pesquisavam o céu em busca de sinais que pudessem indicar acontecimentos terrenos. Muitos comentaristas bíblicos afirmam que possivelmente, eles tiveram contato com os antigos registros das profecias do profeta Daniel, especialmente as “70 semanas” de Daniel 9:24-27, que indicavam que o “Ungido, o Príncipe” deveria se levantar entre os judeus por aquela época. A estrela no céu foi o sinal confirmatório de que sua viagem ao Rei dos Reis estava pronta para iniciar.

Nos tempos antigos, os astros e estrelas eram tidos como símbolos de reis e autoridades. Inclusive, uma profecia bíblica feita por Balaão, quinze séculos antes de Cristo, falou da vinda do Messias como o aparecimento de uma estrela:

Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel.

Números 24:17

Seria natural que o nascimento de Jesus, que identificou a Si mesmo como a “brilhante estrela da manhã” (Apocalipse 22:16), fosse assinalado com o aparecimento de um sinal astronômico literal. Mas que astro foi esse que chamou a atenção dos sábios? Este aparecimento deveria ser raro e espetacular, distinto de algo que eles estivessem acostumados a vislumbrar nos céus.

Devemos levar em conta que nossa atual cronologia, que divide a história em anos antes e depois de Cristo, foi proposta pelo abade romano Dionísio Exíguo em 523 d.C. Contudo, se descobriu posteriormente que ele cometeu alguns erros em seus cálculos, de forma que o nascimento de Cristo não ocorreu de fato no primeiro ano d.C. A maioria dos estudiosos reconhece que na verdade, possivelmente Jesus nasceu entre os anos 5 e 4 a.C., embora alguns já propuseram datas entre 7 e 2 a.C. Portanto, devemos procurar a estrela de Belém dentro desse período. Diversas explicações com base na Astronomia já foram propostas. Vejamos algumas delas.

Meteoro

Um meteoro, popularmente conhecido como estrela cadente, refere-se ao fenômeno luminoso ocasionado pela passagem de um meteoróide pela atmosfera terrestre, fragmento de material rochoso ou metálico que vagueia pelo espaço. O problema com essa teoria é que os meteoros são visíveis no céu por espaço muito curto de tempo.

Planeta Urano

Urano é o sétimo planeta do Sistema Solar, de constituição gasosa e coloração azul-esverdeada. Sua descoberta foi anunciada pelo astrônomo William Herschel, em 13 de março de 1781. O astrônomo grego George Banos propôs em 1979 que a estrela de Belém seria na verdade a primeira descoberta do planeta Urano. Mas tal explicação não se encaixa com a descrição bíblica do aparecimento e movimento da estrela, e não chamou muita atenção.

Cometa

Um cometa é um corpo celeste composto de gelo, poeira e pequenos fragmentos de rochas. Distante do Sol, apresenta-se sólido e congelado. Ao se aproximar do Sol, a ação dos ventos solares provoca o derretimento do gelo e o surgimento da chamada cauda do cometa. A explicação de que a estrela de Belém teria sido um cometa foi proposta já no século III d.C. por Orígenes. A luz de um cometa pode permanecer visível no céu por semanas. Essa versão se tornou mais popular a partir do ano 1301, com a passagem do cometa Halley junto à Terra.

Embora alguns tenham proposto que a estrela de Belém fosse o próprio cometa Halley, sua passagem ocorreu no ano 12 a.C., vários anos antes do nascimento de Cristo, sendo inadequada essa associação. O problema é que não temos nenhum registro astronômico de algum cometa que tenha aparecido no céu entre os anos 7 a.C. e 1 d.C. Além disso, os cometas eram vistos como pelos antigos como prenunciadores de desgraças, como fomes, enchentes e morte, e não do nascimento de reis e autoridades.

Conjunção planetária

Uma conjunção ou alinhamento planetário é a aparição de dois corpos celestes próximos um ao outro no céu. Com essa aproximação, os brilhos dos planetas se somam. Entre os anos 3 e 2 a.C. ocorreram 3 conjunções entre os planetas Vênus e Júpiter. Fred Schaaf, editor da revista de Astronomia Sky & Telescope, declarou que “as primeiras duas conjunções naquela época foram extremamente próximas, a última separada por cerca de 1º, todas as três não ocorreram longe de Régulo, e todas estavam similarmente altas no céu.”

O astrônomo Dave Reneke disse à BBC que “Vênus e Júpiter chegaram muito perto no ano 2 a.C. refletindo muita luz. Não podemos dizer com certeza que essa era a estrela de Natal descrita na Bíblia, mas até agora esta é a explicação mais plausível que já vi sobre isso”. Esse evento teria sido avistado tanto no leste quanto no oeste.

No século XVII, o astrônomo alemão Johannes Kepler também calculou que uma conjunção planetária entre Júpiter e Saturno teria ocorrido em 7 a.C., com duração de 8 meses, na constelação de Peixes. Essa conjunção teria sido particularmente visível na área mediterrânea. Em fevereiro de 6 a.C. houve uma grande aproximação (quase conjunção) entre os planetas Marte, Júpiter e Saturno. Deve-se levar em conta também que na astrologia babilônica, Saturno era o astro especial associado à Síria e à Palestina.

Nova

Uma nova ocorre quando matéria de uma estrela é transferida para uma estrela anã branca, por meio da atração gravitacional. Forma-se uma camada ao seu redor, aumentando a pressão sobre ela. A anã branca torna-se instável e explode, lançando para o espaço parte de seu material envolvente. Nessa explosão, o seu brilho aumenta repentinamente, podendo ficar até 100 mil vezes mais brilhante que o normal durante semanas ou mesmo anos.

Astrônomos chineses registraram “uma nova estrela” na constelação de Capricórnio, no ano 5 a.C. Essa nova estrela poderia ter sido um cometa (embora os registros não expliquem se essa nova estrela se movimentava em relação às estrelas de fundo) ou a explosão de uma estrela (“novas” ou “supernovas”).

Uma aparição sobrenatural

Tomás de Aquino e Crisóstomo propuseram que, na verdade, a estrela de Belém seria uma manifestação espiritual. Assim como o Espírito Santo apareceu na forma corpórea de uma pomba na ocasião do nascimento de Jesus, teria também aparecido como uma estrela aos magos. Ou então, teria ocorrido a aparição de um anjo, também em forma de estrela. Na interpretação da Igreja Ortodoxa, a estrela foi um anjo enviado por Deus para guiar os magos até o local do nascimento do Messias.

Um fenômeno astronômico local

Outra sugestão de Tomás de Aquino, a qual ele considerava mais provável, é que a estrela de Belém teria sido a criação de uma estrela à parte das outras, não no espaço estelar, mas na atmosfera terrestre, e que se movia de acordo com o propósito de Deus. Ele apontou cinco argumentos quanto a essa ideia: a) a estrela seguiu um caminho de norte ao sul, o que não é comum às estrelas; b) ela aparecia tanto de noite quanto de dia; c) algumas vezes ela aparecia e em outras se ocultava; d) não apresentava um movimento contínuo: andava quando era preciso que os magos caminhassem, e parava quando eles deviam parar; e) a estrela não só permaneceu no alto, mas também desceu, a fim de indicar claramente a casa em que se encontravam o menino Jesus e seus pais.

Hubert J. Bernhard, que por muitos anos foi professor no Planetário Morrison, em São Francisco, EUA, declarou que:

“Se você aceita a história contada na Bíblia como verdade literal, então a Estrela do Natal talvez não tenha sido uma aparição natural. Seu movimento pelo céu e habilidade de se manter e marcar um local indica que não foi um fenômeno natural, mas um sinal sobrenatural.”

Conclusão

Apesar de todas essas possibilidades levantadas, não há ainda uma resposta definitiva para essa instigante questão acerca do que foi a estrela de Belém. Mas isso não é o mais importante acerca do Natal. O mais importante é que, em cumprimento fiel às Suas promessas, Deus se tornou um frágil bebê, nascendo na família de uma moça virgem e um carpinteiro, nos recantos de uma pequena cidade judia. Cristo viveu uma vida perfeita, demonstrando em atos e palavras o amor e o caráter de Deus. Sua morte na cruz abriu a possibilidade para que todos pudéssemos encontrarmos perdão para nossos pecados e cura para nosso relacionamento rompido com o Criador. Celebremos o nascimento de nosso Senhor! “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros.

E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso..

Isaías 9:6-7

NOTA

Não cremos que Jesus tenha de fato nascido no dia 25 de dezembro. Essa época é inverno na região da Palestina, e os pastores não estariam no campo, conforme o Evangelho de Lucas relata que estavam. Além disso, não temos como objetivo discutir aqui a utilização de enfeites e ornamentos nessa época. Apenas chamar mais uma vez a atenção para a obra de Deus em favor do homem, que envolveu Sua encarnação e autoesvaziamento (Filipenses 2:5-11) para nossa salvação.

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Graça Maior - Fabricio Luís Lovato, . Disponível em: https://gracamaior.com.br/estudos/natal/1248-os-magos-a-estrela-de-belem-e-a-astronomia.html. Acesso em 20 Março 2019.
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