O Livro de Mórmon é de Deus? Os quatro milhões de membros [Nota do Tradutor: Já são mais de 16 milhões] da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) afirmam que é. Eles acreditam que Joseph Smith Jr. (1805-1844) foi um profeta comissionado por Deus para traduzir o livro das placas de ouro entregues a ele por um anjo. Como tal, o Livro de Mórmon é um dos relativamente poucos livros no mundo que são considerados Sagradas Escrituras. A Bíblia nos ensina a “testar todas as coisas; reter o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:21). O Livro de Mórmon afirma ser inspirado; quando testado nesta reivindicação, ele passa ou falha?

Como Deus é, por definição, onisciente e onipotente, esperamos que um livro dEle esteja livre de erros. Os humanos muitas vezes erram; Deus não. Quando testado neste ponto, o Livro de Mórmon enfrenta sérias dificuldades. Ele contém vários erros que podem ser discutidos em duas categorias.

Primeiro, quando foi publicado pela imprensa em 1830, o livro estava repleto de milhares de erros gramaticais. Um erro ocasional desse tipo pode ser atribuído ao tipógrafo, mas os problemas gramaticais da primeira edição eram de natureza sistemática, indicando que seu autor simplesmente carecia de instrução.

Este desafio ao Livro de Mórmon pode ser recebido com a resposta de que era a vontade de Deus empregar o vocabulário de Joseph Smith, já que sua falta de educação é a prova de que ele não poderia ter composto o livro sem orientação divina. Essa resposta é problemática, já que escritores mórmons, como o historiador Brigham H. Roberts, argumentaram que as “placas foram reveladas pelo poder de Deus e foram traduzidas pelo poder de Deus. A tradução delas está correta...” (1930, 1:54-55). Além disso, a Igreja Mórmon removeu com cuidado a maioria dessas imperfeições nas edições subsequentes. Se foi a vontade de Deus empregar o vocabulário de Smith na tradução original, com que autoridade ele foi mudado? Deus cometeu um erro que os homens tiveram que corrigir?

Segundo, o Livro de Mórmon contém muitos erros de conteúdo. Alguns são meramente esquisitices. Por exemplo, diz-se que os nefitas usaram uma bússola por volta de 550 a.C. (1 Néfi 18:12); mas o instrumento não foi inventado até ca. 1100 d.C. Outra anomalia desta natureza é o aparecimento da palavra francesa adeus em Jacó 7:27. É difícil acreditar que essa é a tradução correta em inglês de uma palavra “egípcia reformada” escrita em placas de metal por um hebreu que vive em solo americano em 421 a.C. (que é a afirmação feita pelo Mormonismo).

Outros erros são mais sérios, já que contradizem a Bíblia. Observe estes poucos exemplos:

Alma predisse em cerca de 83 a.C. que Jesus nasceria em Jerusalém (Alma 7:10). No entanto, de acordo com a profecia de Miquéias, Jesus nasceu em Belém (Miquéias 5:2; Lucas 2:4).

Néfi chamou o Salvador de “Jesus Cristo, o Filho de Deus” quase 600 anos antes de Seu nascimento (2 Néfi 25:19). Isto é curioso, já que o anjo disse a Maria: Você “o chamará pelo nome de Jesus”, e ele “será chamado filho de Deus” (Lucas 1:31 35). Além disso, “Cristo” não é um nome; é a palavra grega que significa “ungido” - correspondendo à palavra hebraica “messias”. Joseph Smith está nos pedindo para acreditar que a tradução correta em inglês de uma palavra egípcia reformada é a palavra grega anglicanizada Cristo. Isso é pedir demais.

Um século antes da ressurreição de Cristo, alguns nefitas foram elogiados por serem “firmes na fé de Cristo até o fim” (Alma 27:27). Eles até eram chamados cristãos (Alma 46:13-16). Relacionado a isso está a alegação de que a religião de Alma foi chamada de “igreja de Cristo” quase 200 anos antes de Jesus edificar Sua igreja (Mosias 18:17; cf. Mateus 16:18)! Esses ensinamentos contradizem a Bíblia que diz: “os discípulos foram chamados de ‘cristãos’ primeiramente em Antioquia” (Atos dos Apóstolos 11:26). Além disso, como as pessoas que viviam durante a Aliança Mosaica podiam ser cristãs e da igreja de Cristo (o que implica a participação delas na Nova Aliança)? Foi necessário que Cristo morresse antes que o Seu Pacto pudesse entrar em vigor (Hebreus 9:11-17).

Em cerca de 600 a.C., o profeta Néfi tem uma visão da virgem Maria. De acordo com a edição de 1830, ela é chamada de “mãe de Deus” e seu Filho é chamado de “o Pai Eterno”. No entanto, nas edições modernas, essas declarações dizem: “a mãe do Filho de Deus” e “o Filho do Pai Eterno ”(1 Néfi 11:18,21). Essas “correções” transmitem um significado diferente do original. Mudanças dessa natureza contradizem fortemente as alegações de inspiração mórmon.

Qualquer livro que pretenda ser de Deus deve ser capaz de passar por um teste de precisão. Visto que Deus não comete erros, nenhum livro de Sua mão conterá erros factuais ou doutrinários. Como todos os humanos, Joseph Smith errou. Infelizmente, sua afirmação de que o Livro de Mórmon foi divinamente traduzido implica que Deus é o autor de seus erros. Essa afirmação é autocontraditória.

REFERÊNCIAS

Roberts, Brigham H. (1930) A Comprehensive History of the Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints (Salt Lake City, UT: Deseret News).

PARA LEITURA ADICIONAL

Brodie, Fawn M. (1976), No Man Knows My History (New York: Alfred A. Knopf).

Bromling, Brad T. (1992) “The Book of Ether—A Mormon Myth Examined,” Reasoning from Revelation, 4:21, Novembro.

Crouch, Brodie (1968), The Myth of Mormon Inspiration (Shreveport, LA: Lambert).

Fraser, Gordon H. (1978), Joseph and the Golden Plates (Eugene OR: Industrial Litho).

Ropp, Harry L. (1977), The Mormon Papers (Downers Grove, IL: InterVarsity).

Tanner, Jerald and Sandra (1972), Mormonism—Shadow or Reality? (Salt Lake City, UT: Modern Microfilm Company).

Traduzido e adaptado por Fabricio Luís Lovato a partir de Can the Book of Mormon Pass the Test? <http://apologeticspress.org/APPubPage.aspx?pub=1&issue=430&section=0&article=307&cat=80>.

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