Texto de Estudo

Para que todos os povos da terra conheçam a mão do SENHOR, que é forte, para que temais ao SENHOR vosso Deus todos os dias.   Josué 4:24

INTRODUÇÃO

Depois de sair do Egito, liderado por Moisés, o povo enfrentou 40 anos de peregrinação pelo deserto, almejando alcançar a tão sonhada promessa de uma terra que emanava leite e mel. Naquele momento, todos estavam diante de uma das últimas dificuldades que os impediriam de alcançar a promessa. O líder militar Josué, que acabara de assumir o lugar do grande Moisés, tinha a missão de levar os israelitas a essa terra e conduzi-los por um caminho de fé.

Diante do Jordão, a um passo de pisarem a terra sonhada, vivenciaram um ato de extrema atuação divina: atravessaram, a seco, o meio do rio.

A lição de hoje tem como objetivo contar um pouco sobre esse grande milagre que marcou a história dos israelitas e, principalmente, a vida de Josué, que teve a certeza de que, tal como Deus fora com Moisés, também seria com ele.

 

A GEOGRAFIA DO RIO JORDÃO

As águas do rio Jordão possuem profundidade de dois a quatro metros e sofrem uma queda considerável em seu curso, que é bastante sinuoso e estende-se por 260 quilômetros.

A palavra Jordão, em hebraico, indica “aquele que desce” ou “lugar onde se desce”. Ele é o maior rio da Palestina, nascendo acima do nível do Mediterrâneo e desaguando no Mar Morto, a 425 metros abaixo do Mediterrâneo. É o único rio que se acha abaixo do nível do mar.

 

 

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Existem vários episódios nos quais se relatam a travessia desse rio; vejamos alguns. Jacó, com apenas um cajado e, depois, em seu retorno, com toda a sua casa, ou seja com dois bandos. (Gênesis 32:10) Gideão, com os 300. (Juízes 8:4) Os filhos de Amom atravessaram-no para a peleja contra Judá. (Juízes 10:9) Abner, quando perseguido por Joabe. (2 Samuel 2:29) Davi atravessou-o quando foi perseguido por seu filho, Absalão. (2 Samuel 10:17/17:22) e  Absalão (2 Samuel 17:24) Elias e Eliseu passaram quando estava seco. (2 Reis 2:8)

Porém, não há passagem mais extraordinária e espetacular do que a travessia do povo de Israel sob a liderança de Josué, no período da colheita (ceifa). Isso, porque, nesse período, as águas do famoso rio transbordavam em todas as suas ribanceiras; e algumas alcançavam 12 metros de altura! (Josué 3:15/Salmos 114:3) Tais águas, fora do curso do rio sinuoso, formavam um curso direto, com uma força sem tamanho, incalculável.Dessa maneira, fica bem claro que, sem a intervenção divina, a travessia tornar-se-ia impossível. Mas o militar Josué, sob as ordens de Deus, comandou esse episódio, e todo povo avançou. Quando os sacerdotes colocaram os pés nas águas do Jordão, as que vinham de cima, cerca de 25 quilômetros de distância de onde atravessaram, próximos à cidade de Adã (Josué 3:16), levantaram-se em muralhas. Assim, todos seguiram em terra seca.

 

DIANTE DO RIO JORDÃO

Os cananeus tinham confiança em vários deuses, e o principal era Baal, que significa “senhor”, quem supostamente exercia o controle sobre o céu, a terra e a fertilidade. A atitude do Senhor, o Deus de Israel, abrindo caminho no leito do rio, demonstrou, não só para Israel, mas também para os cananeus, que era Senhor até das águas, Soberano sobre Baal.

Naquele momento, depois de passar longos anos no deserto, Israel estava prestes a conquistar a terra que lhe havia sido prometida. Para que fosse firmada como nação, porém, faltava o território. A travessia do rio Jordão é o ponto culminante para que tal terra fosse conquistada. A entrada em Canaã aconteceu de maneira gloriosa, por um fato extraordinário, que não tem outra explicação senão um milagre efetuado pelo Senhor: as águas do rio pararam para que todos pudessem passar. Diante de tudo isso, dois fatores seriam fundamentais da parte do povo: Fé e Posicionamento

1. Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. (Hebreus 11:1 NVI) A fé dessa geração fora colocada à prova. Atravessar o Jordão significava dar um passo à frente, sem oportunidade de retroceder. A fé estava sendo transformada em atitude, em ação. Josué tinha plena confiança em Deus, e isso inspirava o povo a ter fé; assim, as pessoas responderam com total confiança. Ficou evidente, mais uma vez, que o Senhor não desaponta aqueles que esperam grandes coisas de sua parte.

2. Posicionamento – Em uma ocasião anterior, Moisés mandou espias a observar a Terra de Canaã. (Números 13:1-2) Dos 12 enviados, só Josué e Calebe voltaram cheios de confiança e expectativas; tinham visto maravilhas a serem conquistadas, apesar da fortaleza inimiga. Os outros 10 viram apenas a fortaleza inimiga, apesar das maravilhas a serem conquistadas. Nessa ocasião, Josué instruiu o povo a se posicionar com fé diante das dificuldades, a assumir uma atitude diferente dos que outrora não confiaram na provisão do Senhor e no cumprimento de suas promessas. 

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Por inúmeras vezes, Deus irá colocar seus filhos em situações nas quais serão testados a terem uma atitude de vencedor. Momentos de desafios em que o cristão levanta-se, posiciona-se e vive por fé, pois as circunstâncias ao seu redor dizem que não é capaz de conquistar ou suportar. São dias de extrema provação que o verdadeiro cristão levanta e vive por algo que a sociedade não compreende, que a razão desconhece... Assim, ele passa por conflitos que chamamos de . A Igreja, de modo geral, tem perdido seu foco; sua visão está obscura. Não se vive mais pela fé, como é demonstrado nessa passagem. Hoje, busca-se algo visível e palpável para estimular a convicção de que Deus irá nos ouvir e atender. A necessidade de se ter algo visível para servir a Cristo está cada vez mais levando o povo à idolatria.

Podemos aprendemos muito com essa passagem estudada. A mensagem deixada é que não é “ver para crer” e, sim, “crer para ver”. Quando a nação de Israel confiou na mão poderosa de Deus, ela pôde testemunhar o milagre de Deus!

 

A TRAVESSIA

            Quando os espias, enviados a Jericó pelo comandante Josué, retornaram, suas palavras foram:“sem dúvida, o Senhor entregou a terra toda em nossas mãos; todos estão apavorados por nossa causa”.(Josué 2:24 NVI)

Tão logo recebeu o relato dos espias, Josué, de madrugada, orientou o povo a levantar acampamento e sair de Sitim, indo para as margens do Jordão; ali, permaneceram por três dias, antes de atravessarem o rio. Foram momentos de ansiedade, tanto para Josué quanto para o povo, pois era necessário um tempo para serem dadas as instruções que antecederiam o ato da travessia, ou seja, os preparativos.

A ordem dada pelos líderes tinha caráter tanto físico como espiritual. O povo deveria se santificar ao Senhor; os israelitas deveriam realizar uma cerimônia de Purificação. Esse evento era costumeiramente feito antes da realização de um sacrifício; porém, naquele caso em especial, antecederia o grande milagre, ato tremendo da parte de Deus.

Segundo a Lei, a pessoa poderia se tornar imunda por vários motivos, a saber: por comer certos alimentos (Levíticos 11), ao dar à luz (Levíticos 12), ao contrair doenças (Levíticos 13), ao tocar em um cadáver (Números 19:11-22). Esses sinais a respeito da imundície serviam como ilustração do que o pecado resultava na pessoa e deixava-a, assim, imunda. A cerimônia de purificação servia, pois, para mostrar como era importante se aproximar de Deus com o coração puro. Assim como o povo israelita, nós também precisamos do perdão do Senhor antes de termos contato/proximidade com ele. Antes de atravessarem o rio, portanto, Josué reuniu todo o povo para ouvirem a Palavra.

            Na atualidade, vivemos em um mundo em que todos se apressam em seus muitos afazeres diários. Por isso, é fácil nos tornarmos ocupados com nossas tarefas e não dedicarmos tempo para ouvir o que o Senhor tem a dizer. Separe um momento para compreender a vontade divina sobre todas as suas atividades, para conhecer sua vontade, antes de se envolver com qualquer outra coisa. Assim, você poderá evitar sérios enganos.

            Antes do momento da travessia, todas as instruções haviam sido dadas. A Arca deveria ser carregada pelos sacerdotes e distar do povo cerca de 900 metros. Ao chegarem às margens do rio, e pisarem as águas, os sacerdotes permaneceriam no meio do Jordão até todo o povo passar por um caminho de terra seca. A presença divina, por meio da Arca da Aliança, fez esse grande sinal entre o povo. A palavra do Senhor direcionada a Josué fora um aval, uma garantia da vitória. Disse Deus: “Hoje começarei a exaltá-lo à vista de todo o Israel, para que saibam que estarei com você como estive com Moisés”. (Josué 3:7 NVI)

E o povo atravessou! Em uma época de colheita, na qual o rio Jordão transbordava em suas margens, avançar naquele rio, sem a ordem expressa do Senhor, seria morte certa! A diferença desse episódio foi exatamente essa; os israelitas não só seguiram uma ordem de Deus, como seguiram sua presença.

 

UM MEMORIAL PARA O POVO

Um fato impressionante acabara de acontecer ao povo de Deus. Certamente, aquela história seria contada de pai pra filho por gerações, mas, em algum momento, perder-se-ia no caminho. Por essa razão, o Senhor ordenou a construção de um memorial que seria uma marca as próximas gerações. Na verdade, a importância do sinal está realmente naquilo que representa: o monumento seria como um testemunho às gerações futuras sobre a fidelidade de Deus em cumprir suas promessas. No Antigo Testamento, as formas mais comuns de alcançarem as gerações futuras eram os monumentos de pedra, pois faziam com que se recordassem os grandes feitos que Deus realizava ao povo. Temos alguns exemplos listados na Bíblia a esse respeito: A coluna em Betel (Gênesis 28:18-22); O pacto entre Labão e Jacó em Galeede (Gênesis 31:45); A pedra do testemunho (Josué 24:26-27); A pedra que Samuel chamou Ebenézer (1 Samuel 7:12).

Deus instruiu Josué a selecionar 12 homens, um de cada tribo. Cada um deveria pegar, de dentro do rio, uma pedra; com elas, construiriam o memorial. Duas colunas foram construídas; uma ordenada por Deus e outra, feita por Josué, no meio do rio. As duas representam a travessia do Jordão e são maravilhosas verdades espirituais. É a evidência de que o Senhor partira as águas, e o povo passou em segurança por terra seca.

As duas colunas de pedras representam a morte e o sepultamento (as pedras escondidas) e a ressurreição (as pedras do leito do rio) de Cristo. Elas ilustram, ao mesmo tempo, a união espiritual do crente com Cristo: quando ele morreu, morremos com ele; fomos sepultados com ele; ressuscitamos em vitória com ele! (Efésios 2:1-10, Gálatas 2:20 Colossenses 2:13 Romanos 6:4-5)

Fazendo uma aplicação disso aos dias de hoje, pode-se dizer que a Igreja tem dois memoriais dessa grande verdade: 1) O batismo lembra que o Espírito de Deus batiza-nos em Cristo (1 Coríntios 12:13); 2) A Ceia do Senhor aponta para sua morte e retorno.

 

CONCLUSÃO

Quando os israelitas atravessaram o rio Jordão a seco e alcançaram a Terra Prometida, a tão sonhada, passaram a ter sua pátria. Naquele momento, passariam a ser eternamente identificados com ela. Os cristãos também têm sua pátria identificada na eternidade de Cristo. E hoje, aqui estamos, em meio à passagem pelo Jordão. Daqui a algum tempo, pouco tempo, teremos alcançado, enfim, a nossa pátria! Assim como nos dias de Josué, foram dadas ao povo orientações para alcançarem a Terra Prometida, também são dadas orientações à Igreja do Senhor aqui na terra. Antes, tais orientações eram dadas diretamente ao líder do povo; hoje, todo cristão tem acesso a elas por meio da Palavra do Senhor, feito alcançado pela morte e ressurreição de Cristo, que nos fez passar por um novo caminho, rasgando o véu da separação, trazendo-nos uma nova e Eterna Aliança. E esta, por fim, irá nos levar à nossa terra prometida, a Nova Jerusalém.


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