Texto de Estudo

E SUCEDEU depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que o SENHOR falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo:   Josué 1:1-2

INTRODUÇÃO

            A lição de hoje apresenta-se como o primeiro passo de uma emocionante caminhada. Moisés, “servo do Senhor”, havia cumprido o propósito para o qual fora chamado: guiar o povo de Israel até as fronteiras da Terra Prometida. Ele havia morrido (Deuteronômio 34:5-8), mas a promessa de Deus, feita a Abraão, de que daria Canaã à sua descendência (Gênesis 13:14-17), estava mais viva do que nunca. Josué, então, assumiu a liderança e prosseguiu a caminhada, não mais pelo deserto, mas desbravando e conquistando cada pedaço de terra da herança do povo de Israel.

            Mas quem foi Josué? Que trajetória de vida seguiu até assumir a liderança? Quais as primeiras instruções que recebeu do Senhor? O estudo de hoje nos ajudará nessas questões.

             

QUEM FOI JOSUÉ

            Segundo o verso um, do primeiro capítulo, Josué era filho de Num. Essa informação confirma-se em outros textos (Êx 33:11; Números 11:28;13:8; 1 Crônicas 7:27). Seu nome significa Senhor da salvação, ou Jeová é a sua salvação. A forma grega do nome “Josué” é “Jesus”. Outra informação importante é que pertencia à tribo de Efraim. (Números 13:8)

            Há também no verso primeiro outro aspecto que chama atenção, pois descreve Josué como “servidor de Moisés”. Isso nos remete ao fato de que, antes de ser líder, ele foi liderado; antes de ser servido, foi servo, e um bom servo! Vejamos algumas características e qualidades de sua vida:

a) Amava seu líder a ponto de sentir ciúme: O carinho, a lealdade e o respeito que Josué dispensava a Moisés eram tão verdadeiros que ele não aceitava que outras pessoas, além de seu líder, profetizassem ao povo. (Números 11:28-29)

b) Era um servo para todas as horas: Não é acaso Josué ter sido chamado de “servidor de Moisés”, pois estava sempre à disposição do líder e o acompanhava em todos os momentos. Por isso, ganhou sua confiança. (Êxodo 24:13; 33:11)

c) Era otimista: Um otimista por ter certeza de que, com Deus, tudo seria possível. Na ocasião em que uma comissão foi enviada para espiar Canaã, pela primeira vez, somente Josué e Calebe viram, com os olhos da fé, que a vitória sobre os inimigos seria possível. (Números 14:6-9)

d) Tinha experiência militar: A conquista de Canaã seria marcada por muitas pelejas; então, era necessário que o líder tivesse experiência em batalhas, e Josué havia adquirido isso. A luta contra os amalequitas demonstrou que Josué sabia muito bem conduzir o exército de Israel em uma batalha, levando-o à vitória. (Êx 17:8,9, 13-14) Além do mais, ele já conhecia o território de Canaã e sabia como era o povo daquela terra. (Números 13)

e) Possuía a unção do Espírito: Trata-se do espírito da graça, pois Josué era um homem bom, temente a Deus, que odiava a cobiça e que agia por princípios. Possuía o espírito de governo, porquanto era adequado para fazer a obra para qual fora chamado. Ao final, fez jus à confiança necessária à sua função. Apresentava espírito de boa conduta e coragem. E tinha também o espírito de profecia, porque o Senhor frequentemente falou a ele. (Josué 4:1; 6:2; 7:10)

            Certamente, porém, não foram as qualidades e as habilidades de Josué que o fizeram alcançar o papel de líder do povo. O que mais influenciou foi a determinação do próprio Deus (Números 27:18:23), a saber, foi um líder escolhido por Deus.Naquela época da História, os filhos de Israel eram cerca de quatro milhões de pessoas; e havia cerca de 600 mil jovens com idade de ir à guerra (Números 1:46). Assim sendo, a tarefa de conduzir aquela massa de gente e conquistá-la revestia-se de magna importância e requeria um líder especial e bem preparado.

            Observando a vida de Josué, seu testemunho e seu chamado, podemos aprender lições muito importantes. E elas devem ser aplicadas em nossas vidas.    A primeira é que, antes de sermos chamados para liderar, somos chamados a servir. Jesus enfatizou muito bem isso ao treinar seus discípulos para serem os futuros líderes da Igreja: “Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva”. (Mateus 20:26) Josué tornou-se um bom líder, porque era um ótimo servo. Na vida do cristão, é impossível saber liderar sem saber servir.

            Em segundo lugar, notamos que Josué era um homem habilidoso, qualificado e experiente para a missão. Suas qualidades não foram o fator determinante para a unção, mas Deus não as desprezou. Muitos cristãos, infelizmente, não se preparam para a obra e deixam tudo a cargo do Espírito Santo, firmando-se naquele conhecido ditado: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. Sem dúvida isso é verdade, mas a capacitação vem pelas responsabilidades que assumimos. Josué era um homem cheio do Espírito, como vimos, mas nem por isso deixou de ser responsável, alguém que se destacava em tudo que fazia.

            Por fim, devemos ter a confiança de Josué. Tanto antes de assumir a liderança quanto depois, percebemos que, em nenhum momento, ele duvida de que, com Deus, tudo seria possível. Analisando a vitória contra os amalequitas, a primeira investigação da Terra Prometida, ou mesmo quando recebeu as primeiras ordens de Deus, em momento algum Josué demonstrou insegurança.  

             

UMA PALAVRA DE ENCORAJAMENTO

            Josué já havia sido ungido como líder de Israel (Números 27:22-23) e recebera de Moisés, no momento da despedida, algumas palavras de ânimo e encorajamento. Após a morte de Moisés, o próprio Deus apresentou-se a Josué, relembrando-lhe a missão para o qual fora chamado: liderar o povo na conquista de Canaã.

            No verso dois, podemos perceber que Deus é direto ao dialogar com Josué: “Moisés, meu servo, é morto, dispõe-te agora, passa este Jordão”. A continuidade do programa de Deus para Israel é manifesta nessa ordem. Israel deveria começar a se mover, rumo à Terra Prometida, de uma vez. A morte de Moisés é tratada na história de Israel apenas como uma vírgula, não como um ponto final.

A primeira missão que Josué recebe é de conduzir o povo na travessia do Jordão. Não seria algo fácil, mas ele sabia que seria possível; afinal, o próprio havia presenciado a abertura do Mar Vermelho. (Êx 14:21)

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            Continuando a falar com Josué, o Senhor passou a proferir palavras de encorajamento e ânimo. A primeira delas surge na afirmação: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”. (1:3) Ou seja, a Terra Prometida só poderia ser possuída mediante o próprio ato da conquista. Deus já havia dado Canaã ao povo de Israel (v.2), mas o povo, naquele momento, precisaria tomar posse dessa benção. O Senhor afirmou-lhe que precisaria apenas conquistar o que Deus já havia lhe dado. Cada passo de Josué seria um passo de fé. Obviamente a caminhada seria longa, e o verso quatro descreve muito bem isso. Todavia, Deus sabia disso e, por isso, no verso cinco, deu a certeza de que:

a)    Ninguém poderia resistir a Josué: Existiriam muitos inimigos a serem vencidos, e alguns dos povos que habitavam Canaã eram fortes. (Deuteronômio 7:1) O livro de Números destaca até a presença de gigantes! (13:33) Josué sabia muito bem disso, pois já investigara toda a terra (Números 13); porém, tinha certeza de que ninguém poderia resistir ao poder de Deus. (Números 14:8) Naquela conversa, o próprio Senhor concedeu-lhe esse poder. Qualquer inimigo sucumbiria ante o poder divino, derramado sobre Josué.

b)   Deus não o deixaria: O Senhor afirmou que Josué jamais estaria sozinho; haveria fidelidade para com o servo. Josué poderia ter certeza desse relacionamento, pois Deus disse: “Assim como fui com Moisés”. Josué conviveu muitos anos ao lado de Moisés e jamais viu seu líder ser esquecido por Deus. Então, a mesma lealdade seria dispensada a ele.

c)    Deus não o desampararia: Mais do que estar ao lado de Josué em sua caminhada, o Senhor prometeu sustentá-lo durante o caminho, mesmo nos momentos em que falhasse ou se sentisse fraco. As palavras do verso nove descrevem muito bem isso: “Não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares”.

 

Com base nas palavras de encorajamento proferidas a Josué, percebemos que, quando Deus chama um homem para uma grande responsabilidade, ele concede-lhe, antes de tudo, uma grande visão. E, quando esse homem começa a fazer o que lhe foi determinado, recebe poder para realizar tal obra. Deus agiu assim com Josué e continua agindo da mesma forma com os seus filhos. Todo aquele que é chamado certamente recebe poder para realizar a missão.

Deus não abandona seus filhos em meio à caminhada. As palavras “não te deixarei” fazem-nos lembrar da promessa de Cristo à Igreja: “E eis que estou convosco todos os dias...”. (Mateus 28:20) O Senhor não desampara a Igreja enquanto esta, marcha à Canaã celestial; ele levanta, de tempos em tempos, líderes que continuam conduzindo seu povo.

 

UMA PALAVRA DE INSTRUÇÃO

            O Senhor não se preocupou apenas em incentivar e encorajar Josué, mas lembrou que as promessas de vitória estavam relacionadas à fidelidade de seu servo para com o cumprimento e à observância da Lei: “Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou”. (v.7)

            A respeito de sua Palavra Deus, faz três solicitações a Josué:

1)    Oriente-se por ela: A Lei seria o indicador do caminho certo. Deus disse: “Não te desvies, nem para direita, nem para esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares”. (v.7)

2)    Ensine-a ao povo: “não cesse de falar desse livro” (v.8), disse Deus. Eis uma das funções de Moisés, e Josué deveria agir da mesma maneira. Precisaria ensinar a Lei ao povo. O poder que Deus havia conferido a Josué faria com que o povo lhe ouvisse.

3)    Seja exemplo: O sucessor de Moisés seria o referencial para o povo. Suas atitudes seriam seguidas; por isso, Deus pede que Josué tenha “cuidado de fazer segundo tudo o quanto” estava escrito no Livro.

Os caminhos de Josué seriam prósperos se tão somente ele cumprisse as solicitações que o Senhor havia predeterminado. É importante perceber que “ser bem-sucedido”, no texto, condiciona-se à “observância e prática da Palavra”. Infelizmente a Igreja moderna esqueceu-se disso, pois o sucesso tem sido buscado, mas a Palavra é deixada de lado. A eficácia da missão da Igreja está intimamente ligada à obediência da Palavra de Deus.

O que o Senhor espera de nós a respeito de sua Palavra é o mesmo que esperava de Josué: que a nossa vida seja inteiramente direcionada por ela. Que a tenhamos sempre em nossos lábios a fim de anunciarmos a vontade do Senhor para todos. E, por fim, que sejamos praticantes; não apenas conhecedores.

CONCLUSÃO

                        Deus escolheu Josué para dar continuidade ao cumprimento de sua promessa: fazer seu povo herdar a Terra de Canaã. A missão não seria fácil, pois havia muitos desafios pela frente, mas a promessa era: “não te deixarei, nem te desampararei”. A certeza da vitória estava no comissionamento daquele que é o Senhor dos Exércitos: “Não te mandei eu?”.

Deus, ainda hoje, continua chamando e capacitando o ser humano para que esteja disposto a se submeter à sua vontade. A história do seu povo ainda não chegou ao fim. A conquista da Canaã celestial ainda não se concretizou. Nessa caminhada, não estamos sozinhos. Aquele que não abandonou, nem desamparou Josué continua sustentando a Igreja, caminhando junto dela.

 

 

 

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