Texto de Estudo

BEM-AVENTURADO aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos.   Salmos 128:1

INTRODUÇÃO

            Já foi bem definida, neste trimestre, a importância da família cristã no contexto social. Cada membro - pai, mãe e filhos - tem um papel bem definido e deve usufruir de todas as benesses de sua participação, bem como cumprir todas as suas obrigações.

Tudo isso, é lógico, com um componente que não pode ser mensurado: o amor recíproco que une a todos, como a argamassa dessa sólida construção projetada por Deus. Enquanto estamos neste mundo, infelizmente não viveremos em um contínuo estado de felicidade e enfrentaremos crises e dificuldades. Sendo assim, somos chamados a sermos resilientes e resistentes às crises que podem advir a qualquer momento.

O projeto de Deus para o casamento é o de um lar harmonioso e feliz. A Bíblia descreve, de forma maravilhosa, a felicidade da família quando esta se concentra nos princípios e ensinamentos divinos.

Assim, apesar das novas atribuições da esposa, agora geralmente trabalhando fora, dos filhos que, depois de cursarem a faculdade passam a trabalhar também, e de todas as alterações que a sociedade moderna pode causar, o núcleo familiar continua uno e indivisível quando segue obediente à Palavra de Deus.

O Salmos 128 é um hino em louvor à felicidade familiar. Não obstante ter sido composto há vários séculos, sua mensagem e seu ensino são extremamente atuais. Neste estudo, analisaremos os conceitos infalíveis dessa bela passagem bíblica para expor o plano de Deus para a vida em família.

 

AS BÊNÇÃOS PARA AQUELES QUE TEMEM A DEUS

            Este é o último salmo da terceira trilogia de cânticos “dos degraus”, ou cânticos do peregrino (cf. Int. dos Salmos 120 e 126). Ele dá continuidade ao pensamento da última parte do Salmos 127 e descreve as bênçãos daquele que teme ao Senhor. Seus muitos filhos aumentarão a população e, dessa forma, a prosperidade de Jerusalém.Vejamos as promessas contidas no salmo:

 

1. Do trabalho de tuas mãos. Pela bênção de Deus, aquele que teme ao Senhor pode conseguir um meio de vida honesto e que lhe proporcione uma vida confortável. Eis uma dupla promessa: a) Que Deus daria algo para fazer (uma vida desocupada é terrível e desconfortável), saúde, força e capacidade de mente para fazer isso. É tanto uma misericórdia quanto uma obrigação trabalhar para comer do próprio pão (2 Tessalonicenses 3:12). b) Que seria bem-sucedido em seu trabalho e que ele e os familiares desfrutariam dos seus frutos. À época em que o salmo foi escrito, os hebreus ocupavam-se da agricultura, que era uma atividade precária. Com frequência, deixava as pessoas famintas. Inimigos devoravam as plantações (Deuteronômio 28:30; Levíticos 26:16), assim como a seca podia destruir o labor de uma estação inteira. Portanto, a promessa de “comer do trabalho das próprias mãos” era algo muito primoroso, um sinal da bênção divina. É muito prazeroso desfrutar dos frutos do nosso esforço; o trabalho do homem, como o sono e o alimento, é doce. Quem teme ao Senhor não é preguiçoso, tampouco lhe falta serviço. Ele come o pão do suor do seu rosto (Gênesis 3:19). Aquele que é justo e teme ao Senhor não precisa arriscar a sorte em jogos e loterias, porque sabe e crê que o Senhor cuida e supre as suas necessidades.

 

2. Mulher: videira frutífera. No Salmos 128 a mulher é comparada à videira que produz uva, origem da fabricação do vinho, símbolo da alegria, alegoria de uma mulher feliz no lar. Tal qual a vinha produz muitos frutos, a mulher que teme ao Senhor frutificará e dará inúmeros frutos. A vinha e a oliveira, na poesia hebraica, eram símbolos frequentes de frutificação e de um estado feliz e florescente. Para os judeus, a árvore é considerada uma planta frágil e sensível e precisa de sustentação e cuidado, sendo muito valiosa. No contexto da época, o Salmos 128 eleva a mulher. Por esse mesmo tempo, Aristóteles dizia que a mulher era inferior ao homem por natureza. Na Grécia antiga, as casadas eram mantidas reclusas, em um compartimento da casa, e não podiam aparecer em público, especialmente quando o marido recebesse visitas. E não havia infortúnio maior para uma hebreia do que ser estéril. Ao comparar a mulher a uma videira frutífera, o salmista impreca uma bênção incomensurável àquele que teme ao Senhor.

 

3. Filhos: plantas de oliveira. No Salmos 128, os filhos são comparados à oliveira que produz azeite, o símbolo de fertilidade. Eis uma das mais valiosas árvores dos hebreus antigos. O povo oriental reputava a oliveira como símbolo de beleza, força, bênção divina, prosperidade, virilidade e frutificação. Era fornecedora de alimentos (azeitona e azeite), servindo também de fonte de renda, de descanso pelas suas sombras, de meditação, de ajuda aos pobres, origem de madeira, na qual várias coisas eram esculpidas, principalmente para o templo de Salomão. Para eles, a planta era realmente digna de ser chamada de “rainha das árvores”.

Os filhos são presentes de Deus (Salmos 127:3), tesouros muito valiosos, concedidos ao casal como fruto de seu amor. São mais caros que bens materiais e deixá-los em tempo integral nas creches não é o ideal. Infelizmente, nos dias de hoje, na fase em que a criança mais precisa dos pais, estes só os veem e os encontram nos finais de semana. É importante que cada casal faça uma reflexão e um estudo minucioso para tentar equacionar essa alarmante situação. Vale ressaltar que cada caso é um caso. A Palavra de Deus é bastante clara quanto a colocar os filhos à roda da mesa (Salmos 128:3); significa que os pais não podem negligenciar a educação e os ensinamentos da Palavra de Deus.

Os pais receberam a solene incumbência de repassar aos filhos os mandamentos e as leis do Senhor. É algo intransferível e pessoal, sempre com o apoio da Igreja (Deuteronômio 6:6-7). Eles devem ensinar os filhos a terem prazer na Lei do Senhor e a meditar nela continuamente (Salmos 1:2); a sentir gosto por aprender a Palavra de Deus e a sentir alegria em frequentar a casa de Deus, a Igreja (Salmos 122:1). Instruir o menino no caminho em que deve andar significa que os pais deverão estar junto dos filhos, e não apenas mostrar o caminho (Provérbios 22:6). Para que a Palavra de Deus esteja na lembrança de seus descendentes amanhã, você tem de ensinar na vida deles hoje.

O Salmos 127:4 compara os filhos a flechas nas mãos do arqueiro. Como bem disse o Pr. Claudir Oliveira, em sua fala no “Encontro da Família”, realizado em 2015, o arqueiro não lança flechas a esmo. Ele tem um alvo bem definido. Muitos pais, atualmente, estão lançando suas flechas ao acaso, sem alvos. E criam filhos sem rumo. Outros têm para seus filhos apenas alvos seculares. Como pais, somos chamados a ter um alvo espiritual para os filhos e a lançá-los em direção a esse alvo.

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Os filhos tendem a copiar os pais em quase todas as áreas da vida, porque estes são espelhos. Tendem a copiá-los nas profissões, nas atitudes, nas vestimentas, no modo de se referir à casa de Deus e aos ungidos do Senhor. É importante lembrar que também observam o modo como os pais desempenham o ministério eclesiástico e como conduzem sua vida espiritual. Tome como exemplo a decisão de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:15). Os filhos podem até parecer ignorar os conselhos, mas veem os exemplos. A maior educação que se pode dar a um filho é um exemplo digno de vida.

É digno de nota que a boa esposa seria como videira e, por implicação, teria muitos filhos que, por lógica, deveriam ser comparados a cachos de uvas. No entanto, os filhos são relacionados a oliveiras saudáveis. Dessa maneira, dois principais produtos agrícolas são referidos no salmo. Fazer da mulher uma videira e de seus filhos, oliveiras é uma incongruência agrícola, mas o autor sagrado não se preocupou em produzir metáforas correspondentes.

 

4. Netos: herança do Senhor. A consequência natural da vida é que pais tornem-se avós; os filhos casem e que sejam pais, dentro da continuidade que perpetua nossa descendência. É bênção maravilhosa de Deus, e só quem vive pode testemunhar. É o ciclo virtuoso que garante as recompensas que o Pai Celeste derrama sobre nós, promessa feita desde os tempos de Abraão e que perdura até hoje se, obedientes, seguirmos pela Justa Vereda. O homem que teme ao Senhor tem a promessa de vida longa, isto é, a longevidade de dias e a recompensa de ver os frutos dos frutos, que representam mais uma corda do coração: os netos.

Viver para ver os filhos de seus filhos quer dizer viver mais sobre a face da Terra (Salmos 128:6). É notório que, quando os netos chegam, a idade está começando a ficar avançada (Gênesis 48:8-22; Jó 42:16-17). Significa que ver os filhos dos filhos é cumprimento da promessa de honrar aos pais (Efésios 6:1-2). Assim como os pais têm a responsabilidade de guiar os filhos nos caminhos do Senhor, estes têm a obrigação de obedecer aos seus pais no Senhor.

Quão feliz é o homem cujo coração transborda de gratidão a Deus por sua infinita bondade. É importante compreender que ver os filhos dos filhos também é uma oportunidade de abençoar a descendência (Gênesis 48:16). Que os avós sejam canais de bênção na vida dos netos!

 

A FELICIDADE DE TEMER AO SENHOR

O salmista afirmou essa ideia como “Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor” (v.4). O ser verdadeiramente espiritual prosperará tanto no lar como no local de trabalho. A declaração moderna de que “nenhum sucesso no mundo pode compensar o fracasso no lar” seria apreciada pelo salmista. Ele vinculava de perto o sucesso no campo com o garantido no lar e pôs os dois em único pacote. Assim, o homem que teme a Deus tem um grande galardão, o que significa que qualquer esforço para garantir tal resultado valeria a pena.

A felicidade do homem e da mulher que temem ao Senhor é incomparável. Eles irão bem porque têm promessa e confiam no Deus Todo Poderoso. Sabem que as provas e tribulações são passageiras. As lutas vêm, passam, e eles não desanimam. Felicidade não é a ausência de conflitos, mas a habilidade em lidar com eles. Ao compreendermos o significado da vida em família e ao buscarmos os ensinamentos da Palavra de Deus para aplicação no nosso dia a dia, teremos a resolução dos problemas; as dúvidas serão dirimidas e poderemos viver bem, gozando da felicidade da promessa descrita no Salmos 128.

O salmista chama de bem-aventurado, isto é, muito feliz, o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Para esses, o Eterno Deus tem reservado bênçãos indescritíveis. O segredo das bênçãos na vida do cristão é justamente o resultado de se reconhecer que só o Senhor é Deus e que só ele merece toda a glória, toda a exaltação e toda a adoração.

Assim, ele concluiu o salmo com uma oração: “O Senhor te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua vida, vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel!” (v. 5-6). Precisamos orar por nossas famílias. Espero e oro para que você e os seus façam do Senhor o centro de seu lar, que o tema e ande nos seus caminhos. Que trate a família como dádiva preciosa de Deus e que a paz no coração e a prosperidade prevaleçam em seu lar!

 

CONCLUSÃO

Deus estabeleceu Padrões Divinos e Eternos para a Família. Padrões imutáveis, permanentes e que, apesar de todas as mudanças geradas no seio familiar pelas pressões modernas, permanecem, não mudam e atendem às palavras de Jesus: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 24 35).

Neste sistema, todos os membros interagem, e cada um tem a sua participação e responsabilidade. Para que a família alcance seus objetivos, todos precisam cooperar, tornando-se responsáveis por cumprirem suas funções especificas, a saber: o casal cuidará do casamento; os pais serão pais dos filhos, e os filhos respeitarão a liderança dos pais e submeter-se-ão a seu papel de filhos.

O salmista, no texto de estudo, descreveu poeticamente essa relação familiar e deixou em evidência a necessidade de toda a família temer ao Senhor e andar em seus caminhos para que consiga ter bons êxitos e ser feliz. Essa verdade ninguém pode mudar: Deus é o autor da família! Nós somos seus personagens e temos um roteiro, escrito por ele, a ser seguido e obedecido.

Nosso desafio, como Família Cristã, é frutificar em meio à crise, fecundar em meio à inexistência. Em meio ao caos das relações familiares, devemos semear as sementes de Deus a fim de que gerem as verdades divinas para as famílias desta nação.

Enquanto não atentarmos para a Palavra de Deus concernente ao casamento e à família, não teremos a felicidade tão almejada. Não adianta pedir conselhos, participar de encontros de casais, simpósios, seminários, palestras, chás e outros, se não colocarmos em prática os ensinamentos. Sejamos, portanto, cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes. As promessas de Deus serão cumpridas nas famílias tementes ao Senhor.

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