Texto de Estudo
Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.   Provérbios 31:10

INTRODUÇÃO

            A Bíblia, frequentemente, menciona a vida de mulheres, e não poderia ser diferente, considerando que, na Criação, um belo propósito fora-lhe concedido pelo Criador. Mulheres, em várias épocas e contextos, foram usadas para realizarem missões específicas: ajudar, proteger, ensinar, julgar, edificar etc.

Com o decorrer dos anos e de momentos históricos pontuais, a visão difundida quanto ao papel da mulher na sociedade possui um alto grau de “miopia”. O fato de a sociedade estar confusa e errada em relação à identidade e à vocação das mulheres não deve ser motivo de espanto; todavia, o incômodo deveria ser a quanto tal visão tem influenciado o mundo cristão.

As mulheres cristãs, apesar dos muitos desafios que enfrentam diariamente, não podem perder de vista o propósito de Deus para suas vidas, tão pouco o quão imprescindíveis são para o bem-estar do esposo, dos filhos e da família. “Deus, intencionalmente, criou-nos para vivermos intencionalmente de acordo com sua Palavra” (DeMoss, p. 35). Um dos textos que mais enaltecem as virtudes das mulheres encontra-se em Provérbios 31:10-31; consideremos, portanto, o que nos ensina.

 

CRIADA PARA SER MULHER: UMA PERSPECTIVA BÍBLICA

            O ponto de partida é justamente o início da vida. Voltemos, pois, ao alvorecer da Criação. A linguagem de Gênesis é elegantemente simples:

 

“E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus lhe havia tomado, formou a mulher e a trouxe ao homem” (Gênesis 1:27; 2:2-22).

             

            Esse texto mostra a mulher como linda obra de arte de Deus. Ela foi uma ideia do Senhor, um desejo do Criador. Na verdade, ao lermos todo o relato bíblico referente à Criação, descobrimos que a mulher foi o último projeto dentre todos que concebeu e, só assim, pôde concluir a respeito do que criara: “Muito bom”. (Gênesis 1:31).

            A questão importante é que Deus criou a mulher, e ser criação dele define e pontua todos os propósitos. A mulher não deve olhar para as mudanças socioculturais para encontrar sua identidade feminina, nem sondar as emoções para descobrir sua missão. Tudo o que a mulher é e faz deve ter as raízes firmadas em Deus.

             Elizabete Elliot, uma escritora contemporânea, escreveu o seguinte: “Nós (mulheres) fomos criadas para sermos mulheres. O fato de ser mulher não me faz um tipo de cristã diferente, mas o fato de ser cristã me faz uma mulher diferente”. A questão, portanto, em torno do papel da mulher, e de como ela mesma se vê, tem a ver com a aceitação. Aceitar sua feminilidade; aceitar que o seu gênero não é acidental; aceitar que o ser mulher não é capricho do acaso; aceitar sua missão.

Isso significa que, quando Deus criou a primeira mulher, fez uma criatura plenamente feminina. A pregação feminista de nossa época ˗ e é aí que reside o primeiro desafio para a mulher em ‘ser mulher’ ˗ defende que a feminilidade é uma questão de condicionamento cultural. Muitas feministas argumentam que a única diferença entre homens e mulheres é a anatomia; porém, o ensino de Gênesis e de toda a Bíblia é outro. Deus criou homem e mulher; as mulheres são femininas por natureza. E essa feminilidade é uma dádiva da graça de um Deus amoroso.

O capítulo 31 de Provérbios, a partir do versículo 10, expressa as virtudes de uma mulher por meio de um belíssimo acróstico, ou seja, a primeira letra de cada versículo segue a sequência do alfabeto hebraico. O primeiro verso ressalta aos olhos de todos os homens e mulheres que o leem: “Mulher virtuosa, quem a achará? Ela vale muito mais do que joias preciosas”. (Provérbios 31:10) Aqui, a mãe sábia leva seu filho à reflexão e afirma que a mulher virtuosa, por ser rara, é valiosíssima, excedendo ao valor dos rubis. A mulher virtuosa é difícil de ser encontrada, tal como o grande tesouro. Afinal, que mulher é essa? Os versículos seguintes pintam o retrato: Ela é uma mulher bem-disposta (v.15-19). Generosa (v. 20). Prudente (v.21). Sábia (v.26). Boa administradora do seu lar (v.27). Feliz (v.28).

 

CHAMADA PARA SER AJUDADORA

            No Jardim do Éden, Deus fez o homem e a mulher parceiros na administração da Criação, mas com funções diferentes e divinamente estabelecidas. A mulher foi criada com propósito e sem hesitação. “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; eu lhe farei uma ajudadora que lhe seja adequada.” (Gênesis 1:18). Foi pensando no bem-estar do homem que a mulher foi criada, e também para ser uma ajudadora adequada a fim de completá-lo, nutri-lo e ajudá-lo na tarefa que recebera do Senhor. Paulo resumiu o plano da criação assim: “Porque o homem não veio da mulher, mas a mulher do homem. Tampouco o homem foi criado por causa da mulher; mas, sim, a mulher por causa do homem”. (1 Coríntios 11:8-9).  

            Essa mulher, criada por Deus, chamada para ser ajudadora, desenvolve qualidades dignas de louvor, como já mencionamos anteriormente, consideremos:

 

A mulher virtuosa cuida do seu marido (v. 11-12)

John Piper definiu bem esse propósito feminino: “No âmago da feminilidade madura, existe uma disposição libertadora por parte da mulher de afirmar, receber e nutrir a força e a liderança de homens valorosos, de modo que seja apropriado aos seus mais diversos tipos de relacionamento”. Em todos os relacionamentos, as mulheres devem dar espaço para que homens de Deus pratiquem uma liderança servil.

As mulheres incentivam a liderança masculina quando buscam seus conselhos antes de tomar as próprias decisões. E respeita a liderança do marido quando evita agir de maneira nociva, reclamando de suas ações e decisões. Da mesma forma, evita resistir a essa liderança, questionando publicamente suas atitudes. Assim, ajuda o esposo quando aceita a condição de submissão. E esse é mais um ponto de discórdia por parte do movimento feminista, e um desafio a ser vencido pelas mulheres ˗ aceitar a submissão. Compreenderemos esse princípio, partindo do significado literal da palavra "submissão": SUB - "debaixo - de". MISSÃO - "profissão ou vocação." Em resumo: SUBMISSÃO é EXERCER MISSÃO DE APOIO, missão de base, de auxilio. A submissão deve ser a mais forte demonstração de amor para com o marido, e isso não escraviza[2]. Pelo contrário, a submissão é liberdade. O ponto alto da compreensão da vontade de Deus é quando o homem e a mulher sentem-se livres para cumprirem a vontade de Deus.

No contexto do casamento, Deus pede às mulheres que ajudem seus maridos. O escritor Douglas Wilson pintou um retrato maravilhoso do casamento cristão, no qual marido e mulher complementam-se:

 

O homem tem necessidade de ajuda; a mulher tem necessidade de ajudar. O casamento foi instituído por Deus com o objetivo de estabelecer um companheirismo na tarefa de administrar o mundo. O mandato cultural, a ordem de encher e dominar a Terra, continua valendo, e o marido não pode cumprir sozinho essa tarefa. Ele precisa de uma companheira que seja adequada à obra que Deus o mandou realizar. Ele é chamado para o trabalho e tem de ser ajudado pela esposa. Ela é chamada a trabalhar por intermédio da ajuda que oferece ao marido. Ele é orientado para o trabalho, e ela é orientada para o marido[3].

 

            Todas as esposas têm a mesma descrição de função: são ajudadoras dos maridos. Se há dúvida quanto a se envolver em algum empreendimento específico, faça-se a pergunta fundamental: isto vai ajudar meu marido? No casamento, não pode haver inclinações egoístas; caso contrário, promover-se-á um desequilíbrio na estrutura familiar.

            “O marido confia nela totalmente, e nunca lhe faltará coisa alguma”. Vê-se, no versículo 11, o quão integral é a função de ajudadora. Há as expressões “confia totalmente” e “nunca lhe faltará”; o homem, diante de uma mulher virtuosa, é satisfeito e ajudado em todas as áreas da vida. Sua mulher terá a visão e a disposição sábia para edificá-lo nos âmbitos espiritual, emocional, profissional e social. A confiança não está subtendida somente à fidelidade conjugal, mas também à fidelidade e ao compromisso em relação às funções que a mulher virtuosa desenvolve dentro do lar e que impactam diretamente na vida do esposo.

            “Ela faz-lhe bem todos os dias de sua vida, e não mal”. Nesse versículo, é traçada uma qualidade imprescindível da mulher virtuosa: faz sempre bem ao homem. O homem casado com tal mulher jamais será constrangido, humilhado ou infeliz. E ela, amorosamente, colocar-se-á como companheira, “todos os dias de sua vida”. Vê-se, portanto, que o chamado da mulher para ser ajudadora é articulado de forma integral e permanente. Não é unilateral, pois o bem que faz ao esposo, reflete em bem para si mesma; reciprocidade. E também não é esporádico, pois é feito para toda a vida juntos; unicidade (“serão ambos uma só carne”).

 

CHAMADA PARA SER MÃE

            A mulher foi criada para gerar vida. Seu corpo foi formado para a maternidade – para receber, carregar e abrigar crianças. Na verdade, o organismo prepara-se, a cada mês, para conceber e carregar bebês. Expressa-se a feminilidade quando se aceita, graciosamente, cada estágio da maternidade, recebendo e nutrindo o filho como um presente especial de Deus. A maternidade é uma responsabilidade imensa, uma tarefa enorme. Mesmo as mulheres solteiras, ou aquelas casadas que não geraram filhos biológicos, podem nutrir os filhos de outras pessoas. E a virtuosa não se preocupa apenas com o bem-estar físico dos filhos. “Levanta-se de madrugada e alimenta sua família” (v. 15); “Quando vem a neve, não se preocupa com sua família, pois estão todos bem agasalhados” (v. 21). Há uma tensão também com a educação cristã: “Abre sua boca com sabedoria, e o ensino da benevolência está na sua língua” (v. 26).

Um exemplo bem evidente de educação cristã é o de Timóteo. Assim que Eunice e Lóide, mãe e avó de Timóteo, aceitaram o Evangelho, passaram a melhor educação ao menino Timóteo. Lóide recebeu das mãos do Senhor uma preciosidade rara, nos dias de hoje: Eunice, sua filha. Como mulher que amava o Senhor, ela legou à descendente verdades espirituais que foram transmitidas a outras gerações. (Conf. 2 Timóteo 1:5; 3:15)

Atualmente, a concorrência com o mundo espiritual de Deus é desleal. A criança cristã pode receber tanto lixo imoral que corre o risco de ser tragada pelo meio em que vive! Há uma estatística que diz que uma criança de 10 anos terá assistido, na TV, em jogos eletrônicos e internet, pelo menos a oito mil mortes e 100 mil atos de agressão. A mãe virtuosa disponibiliza tempo para estar com os filhos; é uma testemunha viva de Deus e deixa transparecer-lhes, por meio da sua vida e do exemplo, que Deus é cheio de amor e graça.

É comum mulheres exauridas perderem a perspectiva bíblica e necessitarem de uma visão nova acerca da importância desse precioso chamado. Nessas horas, não há fonte de renovo que não seja Deus. Somente o Criador poderá dar-lhes a perspectiva eterna e necessária para enxergarem esse tempo fugaz da infância como essencial à vida dos filhos. Deus quer renovar suas forças e sua alegria para a tarefa, algo que ele é muitíssimo capaz de fazer, segundo as riquezas da graça que derrama sobre nós, “em toda sabedoria e prudência” (Efésios 1:7-8).

 

CONCLUSÃO

            Em um mundo marcado por mudanças constantes e opções duvidosas, uma mulher que entende o propósito de sua criação, sua missão e decide vivê-la fielmente é, integralmente, virtuosa. Vale a pena rumar pelo inverso do caminho mundano. Vale a pena ser diferente para também ser diligente e forte. Vale a pena não ser igual a todo o mundo para sentir-se completa. Vale a pena servir a Deus e ao seu Reino sendo mulher, ajudadora e mãe. Vale a pena investir em si mesma, emocional e espiritualmente, a fim de que viva de forma plena a vontade boa, perfeita e agradável de Deus.

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