Texto de Estudo

Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.   1 João 2:14

INTRODUÇÃO

O relógio desperta, é sábado de manhã, dia do Senhor, mais uma oportunidade de estarmos em comunhão com os irmãos em nossas igrejas, aprendendo mais sobre a Palavra de Deus. Que alegria! Em muitas casas, esposas e mães preparam o café da manhã; algumas deixam o almoço pré-pronto. Os maridos ajudam as crianças sonolentas a se vestirem e, diante das reclamações de sono e canseira, são lembradas de que irão reencontrar os amigos e irmãos da igreja e que aprenderão mais sobre Deus que nos dá todas as coisas. Juntos à mesa, oram e tomam o desjejum alegres, por Deus ter lhes dado mais uma semana.

Sabemos que a pequena ilustração anterior ainda é real em várias casas, porém é conhecido que, na maioria, a história é bem diferente. Pais descompromissados, crianças, adolescentes e jovens ocupados demais com programas da escola e da faculdade... O tempo que deveria ser dedicado para irem com a família à igreja, não só no sábado, mas nos demais, como também as programações, pouco a pouco, são substituídas por outras atividades. Alguns dizem “Nós oramos em casa”; outros, “Não preciso ir, todo o final de semana; isso é fanatismo!”. E, assim, Satanás vai vencendo a batalha pelo espaço em nossas vidas e lares. Aos poucos, as pessoas vão se distanciando da igreja e o pior, acreditam estarem bem. Mas será possível ter uma família saudável, espiritualmente, sem que se frequente regularmente uma igreja? E quanto à Igreja, qual o seu papel mediante a família? Essas e outras questões serão abordadas em nossa lição de hoje. Que o Espírito Santo nos guie em mais este estudo!

 

FAMÍLIA: UMA EXTENSÃO DA IGREJA

Não é de forma impensada que a palavra “família”, no título acima, apareça antes da palavra “igreja”. Bem sabemos que de fato a formação da família antecede à da igreja, até mesmo no projeto de Deus. Sem família, não há Igreja, civilizações. A família é a base da Igreja e da sociedade. Sabedor disso, desde o Éden até os dias de hoje, Satanás lutou ferozmente contra a instituição mais importante criada por Deus, pois sabe que, se conseguir aniquilá-la, destruirá todas as demais.

O mundo está terrivelmente doente por causa do pecado; valores e princípios estabelecidos por Deus foram deixados para trás. A sociedade tem, de forma rápida e imprudente, adotado os novos valores e filosofias educacionais (e regulamentos do Governo) hostis à família. A mídia popular tem, de forma agressiva, tentado normalizar o que é aberrante, celebrando tudo que é disfuncional na cultura moderna, rebaixando a própria noção de famílias fortes e bem íntimas. A tolerância da sociedade para com o aborto, à homossexualidade, à pornografia e a outros males apenas arruína mais ainda a base moral da vida familiar.

Naturalmente, portanto, as famílias estão se desintegrando e bem rapidamente. Essa é uma séria ameaça à civilização, pois a família nuclear (consistindo de pai, mãe e filhos) é a unidade social mais básica; portanto, o exato fundamento da própria sociedade. Destrua os laços que unem as famílias, e a comunidade de forma geral se desintegrará. E isso está acontecendo diante de nossos olhos!

É claro que muitos líderes religiosos e leigos cristãos entendem que a desintegração familiar é um dos maiores desafios que a Igreja enfrenta no momento. Existe uma multidão de ministérios de mídia evangélica, publicadores cristãos, organizações eclesiásticas e programas para pais com o propósito principal de contra-atacar as tendências culturais que ameaçam a família. Alguns esperam resolver o problema por meios políticos e legislativos. Outros pensam que a melhor maneira de influenciar a cultura é pela arte, pela mídia e pela educação. E ainda há quem creia num cuidadoso treinamento baseado em técnicas de criar filhos; assim, mães e pais precisariam de mais métodos de disciplina, sistemas para ensinar responsabilidade aos garotos, ou ainda de programas detalhados de educação para lhes ajudar, assim como aos pais que não têm a mínima ideia de como resolver os problemas.

Mediante a falência das demais instituições, só restou a Igreja para manter a família como apoio num mundo de incertezas e mudanças. Talvez alguns digam que até mesmo ela esteja falida; mas, antes de criticá-la, devemos lembrar como começamos este estudo, declarando que a família é a base da sociedade e também da Igreja. Logo, se a Igreja e a sociedade estão em crise, é porque as famílias igualmente estão.

São muitos os casos vergonhosos, envolvendo pastores e igrejas evangélicas; diante disso, muitos gritam e pedem uma reforma, uma renovação. Estes advogam que a Igreja precisa voltar aos pilares da fé cristã, às bases da Igreja Primitiva, apostólica, que caminhava sobre os alicerces cristocêntricos, dirigida pelo Espírito Santo. É preciso reformar a Igreja, pois ela parece mais a Gata Borralheira que a Noiva de Cristo! Isso é verdade; no entanto, precisamos ter em mente algo muito importante: A reforma começa em nossas casas, em família. Para verificar se uma igreja é verdadeiramente bíblica, pura e santa, basta observarmos como são as famílias. Se forem santas, a igreja também o será; mas se os lares forem carnais, divididos e mergulhados em pecado, essa igreja não será bíblica.

A família é a célula-mãe da sociedade, de uma nação e de uma igreja. Logo, se as famílias estão destruídas, tudo o mais está perdido! E o que vemos hoje é precisamente isto: a derrocada familiar. Portanto, se queremos uma verdadeira reforma, devemos começar no leito, entre marido e mulher, passando pelos filhos e abrangendo todo o lar.

Certo dia, um pastor exibiu, durante o culto, um vídeo. Ele mostrava uma dançarina de uma emissora famosa exibindo-se, praticamente nua. Logo começaram os cochichos e as caras feias: “Onde já se viu um vídeo de mulher pelada na igreja; isso não pode!”, diziam alguns. Ao terminar a apresentação, o pastor perguntou se era correto passar aquele vídeo na igreja, e todos disseram que não. Então, ele perguntou: “E por que, na casa de vocês, pode?”. Eis a questão: o lar deve ser uma extensão da igreja; e a igreja, uma extensão do lar.

A família de Deus precisa viver e conviver no ambiente do lar, de tal forma que a presença do Senhor possa ser sentida, no seu seio, não apenas quando os membros reúnem-se na igreja local.[1] O que é pecado na igreja também o é em nossos lares.

Muitos pais confessam-se desanimados, porque não conseguem manter ou trazer as famílias para a casa do Senhor, mas não entendem que, enquanto não levarem a igreja para dentro de suas casas, não conseguirão o contrário. As atitudes dos membros da família no lar devem ser as mesmas na igreja, e vice-versa; eis a razão de muitos filhos deixarem de frequentar a igreja, pois veem seus pais sendo amorosos, cordiais com irmãos religiosos, mas rudes em casa, com esposa e filhos. Para que a família, ou o lar, seja uma extensão da igreja local, é da maior importância que haja um ambiente espiritual que valorize a adoração a Deus.

 

A INTEGRAÇÃO: FAMÍLIA X IGREJA

Com o avanço tecnológico, as famílias passam horas conectadas à internet ou diante da televisão, assistindo a filmes e a outros programas alienantes. Será muito difícil conseguir vê-la integrada à igreja se mantivermos esse tipo de atitude. A solução consiste em algumas ações:

 

Pais que ensinem e pratiquem a Palavra de Deus. "Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha”. (Mateus 7:24-24 NVI) Não basta ouvir a Palavra, ou dizer para os filhos que eles devem ouvi-la, pois estes farão exatamente o que fazemos. Certo dia, um pastor foi visitar um membro da igreja e, enquanto os dois conversavam, o filho do irmão brincava com alguns carrinhos, no chão. De repente, o menino começou a xingar e a dizer palavrões. O pai da criança, sem jeito, repreendeu-o; porém, para sua vergonha, a criança disse: “Só estou fazendo como o senhor faz quando está dirigindo.”. A Palavra de Deus deve ser vivida, todo o tempo, principalmente dentro de nossas casas.

 

Envolvimento com a obra do Senhor. Todos querem entrar na igreja e encontrá-la limpa, adornada. Queremos que a música seja boa; e a pregação, impactante. Também necessitamos de que alguém tome conta das crianças para que não atrapalhem o culto. Mas a pergunta é quantos de nós estão dispostos a ajudar, mediante essas necessidades, e o que dizer dos trabalhos evangelísticos e das contribuições financeiras necessárias para o bom andamento da obra? Paulo disse que a Igreja é um corpo formado por muitos membros, e cada um tem sua função. Todavia, em vários corpos, alguns membros acumulam funções enquanto outros estão apenas apontando o que ainda há a fazer. As famílias precisam se envolver na obra com todos os dons, talentos e recursos que Deus deu-nos. E devem zelar, valorizar e abraçar a causa do Senhor.

 

Na lição anterior, vimos a importância do culto doméstico que, sem dúvida, é uma grande arma contra a frieza espiritual, além de preparar a família para a adoração coletiva quando estiverem na igreja. Essas são algumas ações que ajudarão nossa família a se aproximar ainda mais de Deus. Charles Spurgeon disse, certa vez, em um de seus sermões: “Quando o lar é governado pela Palavra de Deus, podemos convidar anjos para se hospedarem conosco, e eles sentir-se-ão em casa”.

 

IGREJA: UMA EXTENSÃO DO LAR

A Igreja e a família estão tão interligadas que se torna difícil falar separadamente das duas. Sabemos que as primeiras reuniões de adoração, na Igreja do primeiro século, eram feitas nas casas; as pessoas reuniam-se para orar, cantar e, juntas, aprendiam mais sobre a Palavra.

É interessante notar o significado do vocábulo “igreja”, no Novo Testamento. É a tradução do grego ekklēsia, indicando uma assembleia pública, ou seja, uma reunião. Em nossos dias, a palavra igreja está mais ligada ao templo do que à reunião dos salvos, mas devemos ter em mente que é o encontro de todas as pessoas que aceitaram a Cristo como Salvador. E, mediante o tema que estamos abordando, é salutar dizer que a Igreja é formada por todas as famílias que professam a Cristo como Salvador. E estas devem reunir-se para adoração, oração, comunhão e crescimento mútuo.

A forma de cultuar a Deus, desde a Igreja Primitiva até os dias de hoje, com certeza mudou, porém Deus continua recebendo nossa adoração tanto quanto à de nossos pais da fé. Contudo, as igrejas precisam se organizar para oferecer às famílias crescimento espiritual de qualidade; e é importante que ela invista em escola sabatina para todas as faixas etárias, em trabalhos com casais, com crianças, jovens e adolescentes. Todavia, isso só será real quando todos se comprometerem e se envolverem, auxiliando nos trabalhos.

É grande o número de desigrejados em nossos dias, pessoas que dizem não ser necessário frequentar uma igreja regularmente. Cabe destacar que a Palavra adverte: “Não deixemos de reunir-nos como Igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia” (Hebreus 10:25 NVI). E ainda: “Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar; prefiro ficar à porta da casa do meu Deus a habitar nas tendas dos ímpios” (Salmos 84:10 NVI). São muitos os benefícios de frequentar regularmente os cultos e fazer parte de uma igreja. Olhemos para o texto de Atos dos Apóstolos 2:41-47:

 

Ensino, comunhão, oração: “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações”. (v.42)

 

Aprendemos sobre o temor a Deus e alcançamos milagres: “Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos”.(v.43)

 

Relacionamento e ajuda: “Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e, juntos, participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração”. (vs. 44-47)

 

Adoração e crescimento: “louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos”.(v.47b)

 

Lamentavelmente, muitas pessoas têm preferido outras programações que, em sua maioria, nada edificam. Deveriam priorizar a reunião com os irmãos, nos dias de culto. A igreja é, e sempre será, o melhor lugar para irmos com nossas famílias. Não estamos afirmando que não se possa ter outra atividade com a família; mas, se queremos ter uma vida abençoada, temos de levar a Igreja para nossas famílias e trazê-las à igreja, regularmente

A Igreja é de natureza humana, e em todos os lugares onde há pessoas, existirão problemas de relacionamento. No seu aspecto local, a instituição não poderia ser diferente, pois não é formada por anjos, ou por espíritos, mas por pessoas, de carne e osso, com suas virtudes e defeitos. As lideranças cristãs devem atentar bem para a realidade humana. Não há mais lugar, nos tempos presentes, para governos autocráticos e prepotentes, que dirigiam a Igreja como se fossem donos ou capatazes, com poderes absolutos sobre a vida das pessoas e de suas famílias. Esse estilo foi causador de muitas divisões e descontentamentos, além de ter matado os excluídos por motivos banais, sem fundamento bíblico. Esse tempo passou.

Por outro lado, não se deve admitir que a Igreja seja de governo democrático, no sentido sociológico da palavra, como "governo do povo, pelo povo e para o povo". Esse estilo também mata, pois conduz o povo ao liberalismo e ao relativismo, que ignoram os ditames da Palavra de Deus. Mas é possível, com sabedoria e graça divinas, desenvolver uma liderança participativa. Primeiramente, com a participação de Deus, por meio do Espírito Santo, governando o lado espiritual. Em segundo lugar, com a participação da liderança, em harmonia e integração com os liderados, nas decisões de ordem humana ou administrativas.[2]

Estar dentro da arca, naqueles dias, com todos os animais fazendo suas necessidades, não deve ter sido fácil para Noé e sua família. Porém, do lado de arca, seria bem pior! O mesmo acontece em nossos dias; se temos problemas estando na igreja, fora é muito pior.

A Igreja é a única instituição que se preocupa com a preservação e, principalmente, com a salvação em todos os sentidos da família. Por isso, é importante frequentá-la regularmente e fazer parte de uma.

 

CONCLUSÃO

A Igreja é formada por famílias, e estas precisam da mesma para que possam ser fortalecidas a fim de vencerem o mundo. O texto bíblico de nossa meditação diz: “Não amem o mundo, nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo”.(vs. 15-16 NVI).

Na Bíblia, "o mundo" é o sistema que Satanás usa para fazer frente à obra de Cristo na Terra. É exatamente o oposto de tudo que é piedoso (1 João 2:16), santo e espiritual. "Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno" (1 João 5:19). Ao falar do mundo, Jesus falou sobre Satanás e "seu príncipe" (João 12:31). O diabo possui uma organização de espíritos malignos (Efésios 6:11 12) que trabalham com ele e influenciam o que há "neste mundo".

Assim como o Espírito Santo usa pessoas para realizar a obra divina, na Terra, Satanás usa pessoas para cumprir seus propósitos perversos.[3] Sua maior investida é, sem dúvida, contra a família e a Igreja. Ele tem usado governos para mudar e criar leis que vão contra os princípios estabelecidos por Deus, mas a Igreja do Senhor está edificada sobre Cristo. A família que for fiel e edificada em Deus permanecerá.

Nossos pecados foram perdoados graças ao nome de Jesus, por isso é que devemos levar nossa família à igreja, para que conheça cada vez mais sobre ele. Mas também não devemos nos esquecer de levar Jesus para nossas casas, pois o Senhor quer fazer parte de nossa vida e abençoar os lares. Somente fazendo da Igreja uma extensão do lar, e vice-versa, teremos forças para permanecermos firmes até o fim.


 

 

 

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