Texto de Estudo

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.   Filipenses 2:3-4

 

INTRODUÇÃO

Muitos dos problemas que vivemos hoje nascem pela falta de diálogo e de tolerância; e estas ausências estão incrustradas no seio da família pós-moderna. Pais que não conhecem filhos, filhos que não conhecem pais, cônjuges que não se conhecem; irmãos que não se toleram e vivem vidas isoladas, coabitando sob um mesmo teto, porém vivendo suas vidas em seus respectivos submundos físicos e virtuais diversos. Pessoas que não sabem renunciar o “eu” pelo “nós” (Talvez o “eu” por “você”?!)! Como fugir deste grande paradigma e não permitir que este mal sobrevenha sobre nossas famílias? O estudo desta semana aborda um tema delicado e muito importante em nossos dias, cada vez mais sufocado pela tecnologia e massiva informação, que nos leva ao isolamento social. As pessoas têm perseverado em suas relações interpessoais ou simplesmente trocamos as outras pessoas como se fossem objetos que quebram, dos quais nos cansamos ou que não nos servem mais? Sob a luz do Espírito Santo, deixemo-nos guiar em nossas reflexões, pedindo que o Senhor nos ilumine, cultivando arduamente o diálogo, a renúncia e a tolerância em nossos lares, famílias e relações.

 

CULTIVANDO COM LONGANIMIDADE

Quando pesquisamos em alguns dicionários mais novos a palavra “longanimidade”, encontramos na maioria uma descrição semelhante a algo como “firmeza de ânimo” simplesmente. Porém nos mais completos, antigos e cuidadosos, veremos uma descrição mais adequada como “caráter da pessoa que suporta as adversidades e que prossegue em seu empenho, apesar dos obstáculos. ” Ênfases bem diferentes em algo bem sério e que caiu em desuso; a longanimidade, e as relações longânimes sejam de amizade, ou até mesmo familiares. Jesus nos alertou para esta época que aparentemente estamos vivendo: “E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer. E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo.” (Marcos 13:12-13)

Neste trimestre estamos estudando sobre a família, sobre o plano de Deus para nós, sobre a “importância de importar-se” com o outo, preocupando-se não apenas com a saúde financeira e física, mas também com a espiritual. Todos sabemos como os valores familiares têm sido corroídos pelos diversos meios de comunicação, pelas redes sociais e tantas outras formas que claramente tem seu uso para o bem, mas que certamente também são utilizadas por Satanás para atacar nossos corações e mentes frágeis. Lembremos da promessa longânime de nosso Pai trazida por Pedro: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pedro 3:9)

A longanimidade, ou a “persistência no bem” deve ser o principal método para manter nossas famílias e estruturas familiares saudáveis. Quando somos longânimes em nossas relações, e persistimos nos laços familiares e de amizade, temos prazer no vínculo, temos necessidade de saber e de se fazer saber na vida do outro e o objetivo de fazer aquela relação dar certo, e através desta necessidade, damos início a um ciclo onde o diálogo, a tolerância, a renúncia, a humildade, o perdão, a mansidão e tantas outras características positivas surgem como necessidades mais do que básicas para a sobrevivência em nossos dias.  

 

DIVERSIDADE, UNIDADE E DIÁLOGO

A antiga cultura grega via a humildade, a submissão, a bondade e o autossacrifício de forma negativa e como sinal de fraqueza. Paulo em sua carta aos Efésios, ressalta um momento importante, onde povo tão diverso passa a ter uma unidade em Cristo Jesus – a unidade da fé -  e exorta que com humildade e mansidão - agora exaltadas - vivessem em paz sob a luz do Santo Espírito.

 Muitas vezes dentro de um mesmo núcleo familiar, existem pessoas muito diferentes, com desejos, vontades, características físicas, sonhos, objetivos, necessidades diferentes, espiritualidades em vários níveis, etc. E como promover a unidade em meio a diversidade? Como conhecer o outro, se fazer conhecer, ouvir a necessidades alheia, expor a sua? Só podemos conhecer e nos fazer conhecer, só podemos saber e fazer saber através do diálogo e da comunicação!

Comunicação do latim (communicatio) é composta de três outras palavras: com (juntos), munis (presente, dádiva) e actio (ação).

A comunicação é uma dádiva, um presente que Deus nos deu e uma ferramenta muito poderosa para edificar e para destruir. (Provérbios 18:21) Como Cristãos devemos usá-la de forma muito responsável!

Deus é um ser comunicador por natureza (Gênesis 1:26; S119:1; João 1:1). Jesus se apresentava e nos ensinava sobre o reino dos céus, sobre Deus e o tempo vindouro através de parábolas, de diálogos, comunicando-se diretamente com o povo; sempre de forma bondosa, humilde, mansa e amorosa.

O diálogo é o fundamento de qualquer relação pessoal seja de amizade, seja familiar. Sem diálogo qualquer relação humana está fadada ao fracasso. Apenas através do diálogo familiar, sob a luz do Espírito Santo de Deus podemos construir a tão sonhada unidade.

 

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EXERCITANDO O DIÁLOGO COM LONGANIMIDADE

Como fazer quando as diferenças são muitas? Como aprendemos a abdicar do nosso “eu” para viver o “nós”? Como despir-se de si e vestir-se de nós? É comum ouvirmos frases do tipo, “não consigo conversar com meu filho”, ou “minha esposa não me escuta”, “minha filha não liga”, etc. Todas estas expressões são reflexo da falta de diálogo ou de tentativas de diálogo feitas de forma incorreta. Para dialogar, ou conversarmos diligentemente com alguém, devemos antes de tudo aprendermos a ser tolerantes com as diferenças. Deus nos fez diferentes e espera que nos aceitemos e respeitemos mutuamente assim.

O diálogo em família inicia-se na tolerância com as diferenças, no conhecimento e aprendizado das necessidades alheias e no amor servil que busca primeiro a necessidade do próximo.  Muitas vezes, surgem situações que desafiam a nossa perseverança e desejo de seguir o caminho reto. Brigas, discussões, divergências de opiniões são evitadas quando sabemos usar as palavras certas, no tempo certo. A Bíblia traz alguns conselhos a respeito disso: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” (Provérbios 15:1) e “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Provérbios 25:11)

Se não se está em condições de usar as palavras corretas, se não é o momento certo, se o local não é adequado, cale-se e espere, pois há um tempo certo para cada coisa. ( Eclesiastes 3)

Devemos entender que o diálogo é um caminho de duas vias, e para sermos ouvidos necessitamos ouvir. A maioria de nós é ávido em expressar o que quer, o que deseja, o que espera, porém não tem a paciência necessária para ouvir e tentar entender a necessidade do outro. “Calçar o sapato do outro é uma ótima forma de sentir aonde aperta o calo”, diriam os mais antigos! O apóstolo Tiago nos traz o seguinte conselho: “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.”  (Tiago 1:19-20)

É muito comum, hoje em dia, observarmos famílias que não conseguem conversar. O que se ouvem são gritos, ofensas, acusações, demonstrações de profundas mágoas em meio a grandes desentendimentos e diríamos até desconhecimento. Muitas destas situações apenas acontecem porque não existe um diálogo, onde o outro seja a prioridade. A humildade, a abnegação, o zelo pela necessidade alheia, têm sido escassos até mesmo em relações de pais para com seus filhos!  Nós, como cristãos, precisamos reconstruir esta base de nossa sociedade servindo como exemplos em nossas relações com os irmãos e em nossos lares.

Devemos aprender a tolerar para sermos tolerados e devemos aprender a renunciar para que outros renunciem.  Diálogos em família sobre temas controversos devem ser pensados com dedicação, obedecendo com inteligência emocional regras simples, escolhendo o momento ideal para tê-los, trazendo o conteúdo correto a ser exposto, o local para fazê-lo sempre colocando o “você” acima do “eu”.

 

SUPERMERCADO

Meu pai era um homem muito simples, de pouco estudo, que tinha passado muitas dificuldades na vida e hoje, relendo o passado, eu sei que o diálogo era algo muito difícil para ele. Para nos ensinar valores que ele considerava importantes, ele usava de metáforas, histórias, “causos” e hoje honestamente, além do diálogo, uso o mesmo método com meus filhos.

Uma vez meu pai me levou em um supermercado e pediu que eu observasse “discretamente” as pessoas (Não é necessário dizer que ele enfatizou veementemente o discretamente por medo que alguém notasse!). Ele dizia assim:

 “Observe as pessoas que largam os carrinhos de qualquer jeito nos meios dos corredores; e agora veja como elas atrapalham as que querem passar. São pessoas em sua maioria egoístas, que não se importam com as outras ou com a necessidade das outras. Já outras pessoas, as que colocam os carrinhos “estacionados” nas laterais liberando os corredores, entendem que não estão sós no supermercado, no mundo, e que precisam permitir que os corredores sejam utilizados por outros. Agora filho, não se engane, dentre as pessoas que largam os carrinhos no meio dos corredores existem também os distraídos, que não fizeram por mal, e que logo que notam o seu erro, pedem desculpas e tiram os carrinhos do caminho; porém, dentre os que largaram os carrinhos estacionados, também existem os dissimulados, que fingem se importar, mas que lá na frente estarão furando fila.”

            Lembro-me que ainda nesta idade eu era proibido de tocar qualquer alimento, que nós não fossemos comprar, pois outra pessoa iria comprar. O respeito excessivo pelo que é alheio e pela existência e pela necessidade do outro foi um grande ensinamento deixado por meu pai, e que hoje luto para viver em meu lar. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.” (Filipenses 2:3-4)

 

                                

CONCLUSÃO

Será que temos sido longânimes em nossas relações familiares? Quando conversamos com nossos cônjuges e filhos, sentimos que nosso diálogo tem duas vias? Falamos e ouvimos? Sabemos fugir de contendas e esperar o momento certo? Temos colocados nossos carrinhos de lado e deixado o de nossos familiares passar? Não se tem unidade sem diálogo, não se tem diálogo sem presença. Devemos estar próximos aos nossos familiares, ajudando, respeitando, auxiliando e principalmente “procurando guardar a unidade pelo vínculo da paz”. A palavra de Deus nos ensina que o diálogo, a renúncia e a tolerância são características fundamentais em quaisquer relações humanas, e em especial na família; projeto de Deus. Devemos entender que o outro, sempre tem o que dizer, suas necessidades, suas verdades, por isso OUVIR sempre é mais importante que falar. Dar, é sempre mais importante que receber. Que possamos com humildade aprender a nos colocar no lugar do outro despindo-se do nosso “eu”  para vestir-se do “outro”

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