Texto de Estudo

Deuteronômio 6:7-8:

7 E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. 8 Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.

INTRODUÇÃO

O texto em destaque deixa muito claro que os pais exercem um papel essencial na educação dos filhos, principalmente no que diz respeito a educá-los nos caminhos do Senhor. O texto de Efésios também reforça esse mandamento: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). Certamente, se os filhos receberem essas orientações de maneira correta e responsável de seus pais, as bênçãos do Senhor recairão sobre eles e, assim, serão luz neste mundo, bem-sucedidos em suas tarefas. 

O mundo está em constante mudança; muitas têm sido muito boas, no entanto, no que diz respeito aos padrões e valores familiares, infelizmente elas não são tão animadoras assim. Queira ou não, somos afetados por tais mudanças. Se não tomarmos cuidado, deixamos de observar a Palavra de Deus e passamos a caminhar conforme o padrão do mundo, substituindo coisas primárias por secundárias, ao que chamamos de “inversão de valores”. Muitos pais já caíram nessa armadilha e perderam o controle da situação.

Nosso estudo de hoje visa orientar os pais sobre esse mandamento tão importante que Deus deixou. Diante disso, destacamos alguns tópicos para o aprendizado.

 

OUVE Ó PAIS, O SENHOR TE FALA!

O texto de Deuteronômio 6:4 começa com o imperativo “ouve, ó Israel”. Observando todo o contexto, podemos perceber que é Deus quem fala, e o seu mandamento é para todo o seu povo “Israel”; no entanto, nos versículos de 7 a 9, o mandamento direciona-se aos pais na educação dos filhos. Afirma-se que os pais devem inculcar nos filhos as palavras que Deus ordenou, no âmbito da casa, ao peregrinar pelo caminho, carregá-las atadas à mão e ainda as escrever nos umbrais e nas portas de suas casas. 

Para que não haja dúvida de que o mandamento de educar os filhos é tarefa dos pais, façamos a seguinte pergunta: Quem estaria com os filhos em casa e próximos deles no caminho, ao deitar, ao levantar, senão os próprios pais?

No Antigo Testamento, os pais viviam sob a Teocracia (o governo de Deus sobre o povo). Todas as normas ou doutrinas, de caráter espiritual, moral, social, educacional ou familiar emanavam da Lei de Deus. Os pais não tinham grandes desafios no relacionamento com os filhos, pois os mesmos, desde berço, eram criados segundo os mandamentos, os juízos e os estatutos de Deus (Deuteronômio 5:31).  

Os pais são influenciadores de seus filhos, e isso pode ocorrer tanto para o bem quanto para o mal. O caráter dos descendentes é formado dentro de casa e vai variar de acordo com o grau de temor a Deus que os pais possuem. O quinto mandamento exige que os filhos respeitem os pais e que se submetam a eles (Êx 20:12); logo, os filhos serão reflexos dos pais, pois, estes farão o que os pais ordenam ou como agem, caso contrário, os filhos serão vulneráveis aos padrões mundanos de ser e pensar.

Ricardo Agreste comenta que o imperativo “ouve” aponta para uma atitude não apenas de escutar um discurso, mas de acolher - no mais profundo do coração - tudo quanto é dito. Não se trata de escutar o que é dito para depois refletir sobre o quanto concordamos ou não com cada ideia compartilhada, mas de ouvir com total disposição, para que nossos pensamentos, sentimentos e atitudes sejam redimensionados pelos princípios revelados por Deus.  

 

O AMOR É A BASE DA EDUCAÇÃO!

O texto de Deuteronômio 6:4-9 traz um ensinamento muito claro quanto aos cuidados de Deus para com os filhos e seu propósito para cada família israelita. Não há dúvida de que todos os mandamentos do Senhor devem ser cumpridos pelo povo e, para que isso ocorra com eficácia, é preciso ter como base “O AMOR”. 

Ricardo Agreste afirma que, antes de demandar obediência, Deus demanda amor de seus filhos, de todo o coração (centralidade), de toda a alma (profundidade) e com todas as forças (empenho). Esse desafio é direcionado, prioritariamente, aos pais; eles devem amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças. Suas vidas impactarão a vida dos descendentes pelo amor que demonstram por Deus.  

A obediência baseada no medo não conduz ao amor; só o amor conduz à obediência. Jesus mesmo declarou isso: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama...” (João 14:21). E, mais à frente, reafirmou: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra...” (João 14:23).

Ilustração: Certa vez, um pai foi surpreendido pelo filho que, correndo até o sofá, colocou-se em pé sobre ele, de forma que ficou um pouco acima da altura do pai. Então, o menino disse: “Pai, você acha que, quando eu tiver este tamanho, ainda vou te obedecer?”. Num grande lampejo de sabedoria, o pai respondeu: “Se você ainda me amar, vai me obedecer”. 

 

OS BENEFÍCIOS DA OBEDIÊNCIA AO SENHOR!

O texto de Provérbios 22.6 começa com um mandamento: “Ensina a criança no caminho em que deve andar...” e termina com o benefício de se obedecer ao Senhor: “e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. Significa dizer que os pais tementes a Deus que ensinam aos filhos desde a tenra idade, obterão como resultado dessa obediência uma família bem ajustada. E estes serão motivo de alegria à casa que cumpre a aliança com o Senhor, pois os filhos andarão até o fim nos caminhos que Deus preparou. 

Em Deuteronômio 6:3, sabemos quais os benefícios decorrentes da obediência: uma vida bem-sucedida e muitos filhos. Lembramos que, naquele contexto, quanto mais filhos, mais se evidenciavam as bênçãos do Senhor sobre as famílias e, consequentemente, sobre o povo (Israel). Vemos, no Salmos 127:3-5, que os filhos são herança do Senhor, como flechas nas mãos do guerreiro. O salmista termina, dizendo: “Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta” (v.5).

A promessa de Deus, em Efésios 6:1-4, volta-se a pais e filhos. Os pais que agem segundo a Palavra de Deus serão exemplos bons aos seus descendentes que, por sua vez, não terão tanta dificuldade em ser submissos aos pais, pelo exemplo de piedade e amor dos mesmos. Estes pais disciplinam e admoestam os filhos pela Palavra quando se faz necessário. A consequência é que seus frutos terão vida longa e bem-sucedida sobre a Terra.  

 

OS PERIGOS DA NEGLIGÊNCIA

O que acontece quando a Palavra de Deus é ignorada, negligenciada ou depreciada? Um passeio ao shopping, uma loja local de departamentos ou um evento esportivo alertará você. Nós temos, ao redor, uma geração de pais frustrados e esgotados que não sabem como lidar com os filhos. Crescendo entre nós, está a próxima geração – que normalmente é distraída e, com frequência, mimada e um tanto indisciplinada. Os sinais e os sons de desrespeito, egoísmo e egos em ebulição estão por toda a parte.  

Muitos problemas sociais da atualidade, assim como os das escolas, igrejas, locais que envolvem os filhos, são reflexos da falta de zelo que os pais deixaram de ter em sua formação educacional. Vamos detalhar melhor algumas questões importantes quanto ao desajuste familiar:

1 – A desconexão com Deus – A falta de cuidado com a essência da vida faz com que as pessoas desconectem-se de Deus. O que está acontecendo? Os pais não estão mais levando a sério a leitura e a meditação diárias da Palavra junto dos filhos. Esse é o começo da decadência familiar.

2 – A terceirização na educação – A palavra “terceirização”, que nos últimos anos tornou-se comum no meio empresarial, ganhou também espaço na educação dos filhos. Os pais, por levarem uma vida cheia de compromissos, negligenciam o cuidado e a educação dos filhos, colocando-os nas mãos de terceiros e deixam de comandar o que é função exclusiva deles. A consequência é que perdem o controle, pois deixam de cumprir a função de mordomos de Deus para cuidar dos próprios filhos.

3 – O descontrole do tempo – A falta de tempo é algo que se tornou comum no seio de muitos lares, e é um dos principais fatores que levam à terceirização. Devido a esse contexto de constantes mudanças e maiores cobranças na área profissional, as pessoas perderam o controle do seu tempo, especialmente o destinado à família. Então, percebam como tem havido a inversão de valores: a família deveria ser alvo da nossa maior atenção e cuidado, porém é posta em campo secundário.

4 – O estresse – Uma coisa vai puxando a outra. Veja que a falta de controle das pessoas, especialmente em relação ao tempo, gera uma carga de estresse bem grande. O que acontece? Muitos pais voltam do trabalho irritados por conta do que fizeram em excesso, ou do que não conseguiram fazer no dia; então não dialogam com os filhos e, quando falam, é de maneira explosiva. 

5 – Os presentes – Outras vezes, para compensar a falta de tempo, ou a qualidade de vida com os filhos, os pais tentam substituir a carência ou ausência com presentes. Mas, na verdade, do que mais os filhos precisam é amor, carinho e um pouco de tempo com qualidade.

6 – A mídia – Ela está dentro da nossa casa, todos os dias. Você já parou para pensar quanto tempo o seu filho passa diante da TV? O que a mídia tem colocado dentro das casas? Vamos listar o que mais temos percebido: pornografia, homossexualismo, adultério, lascívia, corrupção, violência, rebeldia, palavrões, músicas de apologia ao sexo etc. Vejam bem, nossos filhos são influenciados por aquilo que mais faz parte da sua rotina. Qual é a rotina do seu filho? Nada contra assistir à TV, mas que seja feito de maneira responsável, com limite de tempo e restrições a alguns programas e novelas.

7 – A tecnologia – Esta chegou com toda a força no nosso meio. Não duvidamos que, daqui a algum tempo, ao invés de as crianças primeiramente aprenderem a falar “papai” e “mamãe”, farão a pergunta: “Qual a senha do Wi-Fi?”. As crianças já nascem com essa tendência, pois é o contexto em que estão se inserindo ao virem ao mundo. Elas crescem distraídas, porque não estão recebendo orientações corretas pelos pais sobre o principal, “o relacionamento pessoal”. 

Além dessas questões, existem muitas outras; todavia, vamos nos limitar a esses pontos e voltar à questão anterior, que consideramos a base para tudo: “a desconexão com Deus” que gera todos os fatores negativos que acabamos de tratar. Então, onde está a solução? A Bíblia responde que ela vem de Deus. Obedecer à sua Palavra não é uma opção, mas é questão de “vida ou morte”, “bênção ou maldição”. 

Baseado em pesquisas comportamentais nas fases de aprendizado, a psicóloga Dra. Edna Zanella Prenholato  definiu:

 

Até os sete anos de idade, o grau de autodecisão de uma criança é pequeno, nesta fase os genitores devem dar o máximo de si para orientá-los e, se for o caso, repreendê-los quando cometem erros. Essa é a fase mais receptiva da formação. Dos sete aos 12 anos, esse grau de autodecisão aumenta. Nessa fase, os pais devem cuidar mais dos diálogos incessantes para educar. Dos doze aos 16, esse grau de autodecisão torna-se ainda maior, prolongando-se até o final da existência. 

O bom exemplo dos pais será sempre a melhor forma de ensinar. Pais responsáveis a ensinar a seus filhos senso de moral, ética e ensinamentos cristãos, para que possam rejeitar agora e mais tarde, a violência, os vícios etc., para se tornar cidadãos corretos e felizes. A falta de cuidado dos pais para com os filhos também traz outras consequências muito sérias, como: a quebra de vínculos afetivos, a falta de limites, a não valorização do outro (por terem vivido num ambiente de abandono). Além de problemas com a figura de autoridade, baixa autoestima, sensação de falta de afeto, problemas comportamentais (atitudes de negligência quanto às regras) etc.  

 

CONCLUSÃO

Vivemos num contexto muito difícil; porém, se fizermos nossa parte, seguindo na obediência a Deus, seremos bem-sucedidos. Nossos filhos precisam ser referenciais para esta sociedade corrompida e desconectada de Deus. Entretanto, isso só vai acontecer se os pais cristãos assumirem seus papéis na educação. Não podemos nos conformar com o que está acontecendo e precisamos agir. Essa ação começa dentro de casa, na educação dos filhos; assim, toda a nossa descendência será abençoada e abençoará a quem Deus colocar em nossos caminhos.

A Bíblia ensina que devemos cuidar da família em primeiro lugar – antes de todas as nossas demais obrigações: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e, especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior que o descrente” (1 Timóteo 5:8).

Pais, nunca se esqueçam de que somos mordomos de Deus na tarefa de cuidar dos filhos, porque eles são herança do Senhor.  

 

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