Texto de Estudo

Lucas 15:8-10:

8 Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? 9 E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. 10 Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

 

INTRODUÇÃO

A parábola da dracma inseriu-se num contexto em que Jesus contou três histórias consecutivas. A primeira foi Ovelha Perdida; a segunda, Dracma Perdida; e a terceira, Filho Pródigo. Em todas, Jesus enfatizou a importância do arrependimento. Aliás, todo o anúncio do Evangelho começa com o anúncio do “arrependimento”. “Apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados”. (Marcos 1:4) Jesus iniciou o ministério, dizendo: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no Evangelho”. (Marcos 1:15)

O capítulo 15 de Lucas inicia com a narração de que Jesus ensinava e comia com publicanos e pecadores; todavia, foi severamente repreendido pelos fariseus e escribas, pois se relacionava com aquele tipo de pessoa que, para os religiosos, eram totalmente perdidas e não cumpriam as leis. Como resposta ao questionamento dos religiosos, Jesus contou as três parábolas citadas.

Neste estudo, iremos nos limitar à Dracma Perdida. Qual a sua importância naquele contexto, quando Jesus a contou? E como ainda exerce importância hoje?

 

O VALOR DA MOEDA

A moeda era o equivalente grego do denário romano, que valia o pagamento de um dia de trabalho de um trabalhador comum. Era também usada na confecção de um adereço de cabeça muito importante, especialmente para as mulheres casadas, uma grinalda formada de 10 moedas . 

O valor monetário da dracma, certamente, era bastante grande à mulher que a perdera. Poderia ser a sua provisão diante de dias de trabalho com muito esforço, ou talvez a vida inteira de economia! Da mesma forma, se a moeda estivesse sobre um colar, contento ao todo 10 moedas, era muito desonroso para a mulher portar um adereço faltando uma sequer, podendo mesmo ser considerada adúltera. O equivalente atual de colar citado seria o anel de noivado ou a aliança de casamento cravejada de brilhantes.  

Jesus trabalhou com algo de muito valor à mulher (uma dracma) para falar do valor da vida. Sua didática era perfeita! Ele sempre usava algo do cotidiano das pessoas para que pudessem entender a profundidade de seu ensino. 

Podemos aplicar o valor da dracma ao valor da vida. O anúncio do Reino ressalta a obra maior de Deus, por meio da morte e da ressurreição de Cristo para recuperar a vida que se havia perdido. Dentre tantas coisas que o ser humano pode ter ou conseguir em sua jornada, nada é mais importante do que a vida. Em Cristo, todo aquele que crê no Evangelho acha-se para uma nova vida: “A vida eterna”. A condição do pecador, para alcançar esse benefício de Deus, é o “arrependimento”, seguido de um desejo de mudança. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (Atos dos Apóstolos 3:19

 

A IMPORTÂNCIA DA LUZ

Jesus deu o exemplo de uma mulher simples. As casas mais pobres da época eram construídas sem janelas. Junto do teto, às vezes, faltavam algumas pedras na parede para permitir a ventilação; contudo, a abertura não fornecia muita luz ao interior. Ficava escuro dentro de casa, mesmo durante o dia.  

Dificilmente aquela mulher conseguiria encontrar a moeda no escuro. O texto mostra que, ao perceber que a perdera, sua primeira atitude foi acender a candeia. Embora Jesus use o exemplo material de uma moeda, todo o seu ensino volta-se à vida espiritual. Nesse sentido, a Bíblia demonstra que a vida do pecador, antes da conversão, é de trevas, isto é, totalmente escura. 

Andar por um caminho escuro é sinônimo de estar perdido, sem rumo, com grande risco de tropeçar e cair. Sem acender uma luz, é impossível sair de tal caminho. 

Para ilustrar melhor essa situação, usaremos o exemplo de alguém que resolve fazer uma viagem de carro, à noite. Ao pegar a rodovia, a pessoa decide não acender os faróis. Não sabemos dizer qual distância conseguirá percorrer, mas certamente o desfecho da viagem será uma grande tragédia. Espiritualmente falando, andar no escuro é também uma catástrofe. 

Qual é a luz espiritual? A Palavra de Deus é a nossa luz para não mais andarmos perdidos e correndo riscos. O salmista bem afirmou: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos”. (Salmos 119:105) Essa mesma Palavra tem como mensagem central a pessoa e a obra de Jesus Cristo, que exalta o que ele é na vida do crente: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, pelo contrário, terá a luz da vida”. (João 8:12) A pergunta é: você tem andado com essa luz acesa em sua vida? 

 

A NECESSIDADE DE SER DILIGENTE

A palavra diligente significa “rapidez, zelo, esforço em buscar ou fazer algo”.  A mulher citada na parábola procurou, diligentemente, a dracma perdida, até encontrá-la. Isso significa que, assim que percebeu que a havia perdido, apressadamente foi procurá-la com todo o zelo. Ela não se conformou em saber que faltava uma dracma; procurou-a até encontrar, apesar de ainda possuir outras nove.

Jesus disse, assim, que é extremamente necessário perseguir o que se perdeu com todo o empenho, até que se encontre. Lembramos que ele trabalhou a questão do “arrependimento para a vida”. O pecado, por sua natureza, faz com que o pecador tenha um forte desejo de se esconder de Deus, como aconteceu com Adão e Eva após a queda. (Gênesis 3:8) O pecado quebra a comunhão com Deus. “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus...”. (Isaías 59:2a) Isso é uma grande perda; portanto, assim como a mulher da parábola foi diligente em procurar até achar, nós, pecadores, não podemos nos conformar com os erros. Precisamos procurar o arrependimento e achar, novamente, a comunhão perdida.

 

A ALEGRIA AO ENCONTRAR O QUE HAVIA PERDIDO

Como já vimos anteriormente, a moeda representava algo de muito valor; fosse um valor monetário, fosse parte de um adereço com grande significado na época. Willian Barclay comentou:

 

Em qualquer caso, é fácil pensar na alegria da mulher quando viu o brilho da elusiva moeda e a teve em sua mão novamente. Assim é Deus, disse Jesus. A alegria de Deus, e de todos os anjos, quando um pecador chega ao lar, é como a alegria de um lar quando se encontra uma moeda perdida que pode salvá-lo da fome; é como a alegria de uma mulher que tinha perdido sua posse mais apreciada, que vale mais que o que vale em dinheiro, e a encontra outra vez.    

 

O texto mostra que, ao achar a moeda, a mulher não se conteve de tanta alegria; então, chamou amigas e vizinhas para se alegrarem com ela. Certamente, aquelas mulheres foram contagiadas pela alegria. Falando em termos espirituais, a vida do pecador que se arrepende deve ser festejada e compartilhada com outras pessoas, seja no ambiente da família, seja na igreja, seja em todos os lugares. Alegria contagiante, para que os outros também sejam motivados a fazer o mesmo. Jesus finalizou a parábola dizendo que, semelhantemente, há grande alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

 

A GRAÇA DE DEUS MANIFESTADA NA PARÁBOLA

Toda a restauração é celebrada com muita alegria. O texto mostra que o encontro da moeda perdida provoca na mulher uma alegria contagiante. Quando Jesus aplica isso em termos espirituais, a alegria envolveu a Terra e o céu. A primeira, pois é o lugar onde o pecador encontra-se perdido, até ser achado por Cristo. O céu, por ser o local da habitação permanente do pecador arrependido.

Deus tem prazer em salvar vidas; por isso, Jesus enfatizou, nas três parábolas, a grande festa celebrada no céu quando um pecador arrepende-se e começa a desfrutar de uma nova vida. Mas ainda podemos afirmar que a alegria da salvação é contagiante no ambiente em que o pecador encontra-se. Veja que a mulher reúne amigas e vizinhas, e todas foram contagiadas.

 

OS DESAFIOS DA PARÁBOLA PARA A IGREJA DE HOJE

Observe que a parábola contada por Jesus vem em resposta à murmuração que sofria dos religiosos. Os fariseus e os escribas eram mestres da Lei e estavam envolvidos com o ensino, nas sinagogas. Nos evangelhos, são comparados por Jesus a pessoas hipócritas e sem compaixão.

Em outra situação, quando os fariseus murmuram contra Jesus, porque comia e bebia com publicanos e pecadores, o Senhor respondeu: “Os sãos não precisam de médico; e, sim, os doentes. Não vim chamar justos; e, sim, pecadores ao arrependimento”. (Lucas 5:31-32)

Barclay comentou: “Os ortodoxos separavam os coletores de impostos e os pecadores como se estivessem atrás da paliçada e não merecessem mais que destruição”.  Em outras palavras, os religiosos destilavam ódio pela classe de publicanos e de pecadores. Então, veio Jesus e mostrou que o Reino de Deus é totalmente contrário a tal atitude. Por outro lado, publicanos e pecadores nunca haviam experimentado um amor tão intenso como o de Jesus. 

Fritz Rienecker afirmou:

 

Tão logo a chegada do Senhor tornava-se pública em uma localidade, o povo caído em profunda decadência acorria imediatamente. Junto a Jesus, as pessoas descobriam que nunca haviam encontrado amor afetuoso e autêntica santidade, livres de qualquer hipocrisia farisaica. 

 

Mas será que, depois de milhares de anos, a Igreja atual já entendeu a centralidade do Reino inaugurado por Jesus? É claro que ainda existe o farisaísmo, entre muitas lideranças religiosas que oprimem pecadores. Isso deve ser combatido sempre! Mas há outros desafios para a Igreja atual vencer, de maneira que venha a aplicar o ensino de Jesus, valendo-se da parábola com mais eficácia. Podemos comparar a perda da moeda com muitas coisas que a Igreja de Cristo vem encarando pelo caminho, como falta de amor; falta de temor; falta de diligência; falta de auxílio mútuo; falta de compromisso; falta de zelo; falta de alegria; falta de testemunho... Isso não deixa de ser certo tipo de hipocrisia, assim como agiam os fariseus de outrora. 

Diante disso, a Igreja encontra-se enferma e estática, conformada com a situação em que vive. E tem falhado ao não conseguir tornar visível o Reino de Deus. A Bíblia de Genebra traz o seguinte comentário: 

 

A tarefa da Igreja é tornar visível o Reino invisível de Deus por intermédio da vida e do testemunho fiel dos cristãos. O Evangelho de Cristo ainda é o Evangelho do Reino, as boas-novas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo. A Igreja torna a sua mensagem digna de crédito, manifestando a realidade da vida do Reino. 

 

A Igreja é a única entidade criada por Deus, com autorização do próprio Deus para anunciar o seu Reino; portanto, se não faz isso, ou age de maneira equivocada (como agiam os fariseus), certamente todos padecem. E, assim, o mundo não experimenta mudança.

Mas nem tudo está perdido! Deus sempre denuncia os erros da Igreja por meio do seu Espírito, pois é o Espírito que convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). O Senhor deseja a restauração para que a Igreja seja eficaz em cumprir a missão confiada a ela. Dois versículos são destacados a seguir: 

 

“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do teu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Apocalipse 2:5

 

“E não vos conformeis com este século, mas transfomai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2

 

CONCLUSÃO

Jesus resgatou a esperança e a alegria dos publicanos e dos pecadores, aqueles que andavam perdidos e foram achados. Viviam em completa desgraça e, com a chegada de Jesus, receberam a graça divina. A obra de Cristo não se limitou ao tempo em que encarnou, mas permanece para todos os tempos, até o seu retorno. Com isso, afirmamos que Jesus continua se compadecendo dos pecadores e permanece amando a sua Igreja. Ele continua convocando-a para resgatar almas perdidas. Nesse sentido, destacamos a importância da parábola para a Igreja de hoje.

 

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