Texto de Estudo

Isaías 44:6-8:

6 Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. 7 E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. 8 Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça.

INTRODUÇÃO

O que faz o Senhor Nosso Deus único? No mundo em que vivemos, somos bombardeados de informações diversas, inclusive sobre Deus e sobre “‘filosofias espirituais de vida”. Não há quem não tenha lido ou escutado pelo menos uma vez sobre diversidade cultural, ecumenismo, sincretismo, ou alguma forma de espiritualidade própria. 

A sociedade, de um modo geral, considera positivo quando há uma convivência harmoniosa entre as diferentes religiões; isso seria um grande sinal de desenvolvimentos intelectual e espiritualidade. Certo dia, uma emissora de televisão aberta transmitia um apresentador judeu fazendo oferendas a uma divindade do candomblé, gabando-se por ser casado com uma católica, cuja mãe era evangélica. Nossas crianças, adolescentes e jovens crescem num mundo em que não há como criarmos uma redoma em torno deles enquanto se desenvolvem nos Caminhos do Senhor Jesus Cristo. 

Em um passado não muito distante, era possível a Igreja viver afastada de todo o sincretismo religioso; os cristãos eram respeitados por professar sua fé. Atualmente, nossa fé é démodé, e somos chamados de retrógrados, fundamentalistas. Os valores contrários ao que acreditamos ganham espaço na mídia e nas ruas. Talvez você esteja perguntado a relação desses desafios da Igreja Contemporânea e o povo Israelita, que recebeu a mensagem de Isaías. Como tudo se relaciona à Unicidade e Exclusividade de Deus? Veremos no estudo a seguir.

 

UMA NOVA REALIDADE

Ao lermos o Antigo Testamento, notamos que um dos grandes perigos de Israel sempre foi a tentação de adorar outros deuses, além do Senhor (YHWH). Os deuses cananeus, como Baal e Aserá, são bons exemplos de divindades pagãs que foram objetos de culto aos israelitas. Todavia, a situação com relação ao cativeiro era diferente; se, antes, o paganismo introduzia-se na religião de Israel desviando o povo dos caminhos do Senhor, depois o povo de Deus foi retirado da Terra Prometida. Não havia mais Jerusalém para os que estavam no cativeiro. Não havia mais como oferecer sacrifícios ao Templo erigido por Salomão, e os adoradores do Senhor não podiam contar com as leis e os estatutos de Israel que, quando bem praticadas, conduziam o povo para os caminhos de Deus. O povo de Judá foi inserido em uma nação pagã, cujas leis e cultura deveriam prevalecer sobre a fé do povo hebreu.

A fé no Senhor não era mais a fé nacional;os babilônios adoraram o deus Marduk (ou Medoraque), o deus supremo da Babilônia e dos quatro cantos da Terra. Ao levar cativo o povo de Judá, para os babilônicos era como se Marduk tivesse prevalecido sobre o Deus de Israel. Esse tipo de pensamento era muito comum na época, e é provável que tenha influenciado muitos judeus a adorarem a Marduk. 

Outro pensamento comum era o conceito de haver uma restrição geográfica à ação dos deuses; nesse caso, o Senhor teria sua ação restrita à terra Judá, não podendo intervir em outras regiões. Cabe ressaltar que os judeus eram livres para adorar ao Senhor, desde que essa fé não conflitasse com as leis babilônicas, o que nem sempre era possível. Um bom exemplo disso são as duas narrativas que podem ser lidas no livro de Daniel. A primeira ocorreu com Hananias, Misael e Azarias, jogados na fornalha. A segunda, do próprio Daniel, lançado na cova dos leões. (Daniel 3 e 6)

 

DEUS É ÚNICO

Nesse cenário de pluralidade religiosa, Deus manifesta sua Unicidade diante dos outros deuses, demonstrando ser loucura o louvor a eles. “Assim diz o Senhor” - com essa expressão, Isaías iniciou o versículo 6 do capítulo 44, e mais profecias que viriam a seguir. O trecho deixa claro que sua mensagem veio diretamente do Senhor e não provinha de mente humana; mas, sim, do próprio Deus, que ainda reivindicava para si os cognomes: Rei de Israel, o Senhor dos Exércitos e o Redentor. O Senhor afirma ao povo que é o Rei de Israel, embora o povo estivesse no cativeiro Ele sempre será o Soberano da nação de Israel.

Ele é o Senhor dos Exércitos celestes, tendo poder para realizar todas as intenções que sempre desejar, não havendo força capaz de impedi-lo. Ele é o Redentor de Israel. Em Levíticos 25, o Senhor, ao regulamentar a escravidão ao seu povo, garantiu aos hebreus o direito do parente mais próximo resgatar seus familiares escravizados e as terras que haviam recebido por herança. Somente ele tem o direito de resgatar o povo do cativeiro, bem como tem o poder necessário para restituí-lo.

Não há ninguém como o Senhor; não há Deus anterior, nem posterior a ele. Nem maior, nem menor. Deus apresenta-se ao seu povo como o Único, não podendo ser categorizado juntamente de falsos deuses de outras nações. 

No versículo 7, Deus reafirmou sua Unicidade, desafiando os outros deuses a se pronunciarem assim como ele, predizendo coisas que pareciam impossíveis, cumprindo o que fora anunciado. Na cosmovisão ensinada por Deus, não existe um panteão de deuses, definindo primeiramente entre si, o rumo das nações. É ele o Rei de Israel, o único capaz de intervir na sua criação.

O cativeiro babilônico não foi uma demonstração de fraqueza do Senhor; isso estava nos planos de Deus e foi predito por ele. O Senhor apresentou-se a Israel como a única Rocha, com a qual poderia se proteger a qualquer momento. A segurança só pode ser encontrada naquele que é Único.

 

A LOUCURA DA IDOLATRIA

Nos versículos seguintes, Deus voltou-se àqueles que adoravam seus ídolos, construindo imagens que em nada evidenciavam ter valor, pois, diferentemente de nosso Deus, foram construídas pelas mãos dos que os adoravam. Encontramos, então, a diferença entre o Senhor e as demais religiões; o nosso Deus não é um ser criado e idealizado por homens para nos satisfazer. Ao contrário, nós é que somos obras de suas mãos, e todo o universo encontra-se em seu domínio. 

A palavra profética dos versos 9 a 20 é intencional. Sabendo Deus que seu povo seria levado cativo para Babilônia, ele fez questão de destacar a tolice da idolatria. Podemos dizer que havia pelo menos quatro motivos para isso:

1. Preparar o povo de Israel: Nesse sentido, armando-o contra a forte tentação que sentiria de adorar os ídolos quando o povo estivesse cativo na Babilônia, em concordância ao costume da terra (estando ele longe da cidade e de suas solenidades) e para agradar aqueles que seriam seus senhores e mestres . 

2. Libertá-lo da sua inclinação à idolatria: Esse era o pecado que mais facilmente o cercava, e recuperá-lo daquilo que o enviou à Babilônia. Assim como a vara de Deus é usada para reforçar a Palavra, a Palavra de Deus é usada para explicar a vara, para que a voz de ambas possa ser ouvida e atendida . 

3. Fornecer-lhe algo a dizer aos seus capatazes caldeus. Quando eles o insultassem, quando perguntassem “Onde está o vosso Deus?”, o povo poderia, então, perguntar: “Quais são os vossos deuses ?”. 

4. Tirar dele o temor dos deuses dos seus inimigos: Encorajando no povo, alimentando a esperança de que o seu Deus certamente se apresentaria contra os que se posicionassem como competidores escandalosos, como estes, para disputar o trono com ele . Daniel e seus amigos, por exemplo, não temeram os deuses dos caldeus, e o Senhor livrou-os das ciladas.

Diante da nova realidade enfrentada pelo povo hebreu no cativeiro, Deus continuava reinando sobre Israel e sendo sua fonte de segurança contra as adversidades. Do mesmo modo que Israel deveria enfrentar a idolatria, voltando-se unicamente para o Senhor, nós - cristãos do século XXI - recebemos a orientação do Senhor. 

Observando bem o texto, podemos perceber também as diferenças que existem entre os falsos deuses e o Único e verdadeiro Deus. Vejamos um quadro que ilustra bem essas discrepâncias:

Senhor (YHWH)

Ídolos

Deus vivo. (Mateus 16:16; Hebreus 10:31)

Inanimados. (44:9)

É o Criador de todas as coisas. (João 1:1-3)

São criação humana. (44:13)

Inigualável. (2 Samuel 22:32)

São sem valor, pois não há diferença entre eles e a madeira queimada no fogo. (44:17-17)

É eterno. (Romanos 11:36)

São temporais. (44:11)

CONCLUSÃO

Quando estamos alicerçados na Rocha, não há tempestade que nos derrube. Porém, quando não estamos alicerçados nos corretos fundamentos da Palavra de Deus, arriscamo-nos em um mundo idólatra. Obviamente que nenhum de nós sairá derrubando árvores para construirmos novos ídolos, e mesmo aqueles que se desviam dos Caminhos do Senhor sabem que ele é o Único Deus. No entanto, será que não poderíamos identificar, hoje em dia, pastores-ídolos, cantores-ídolos, ou outra forma de idolatria travestida em identidade evangélica? 

 

Em nossa vida cristã, podemos nos deparar com músicos que arrastam multidões: Aline Barros, André Valadão, (dentre outros) e sabemos que muitos evangélicos acabam venerando tais pessoas. Outros mais conservadores, porém, não menos suscetíveis, veneram os grandes reformadores, Lutero, Calvino, Wesley, etc. Para quem tem Facebook, é quase impossível pelo menos duas vezes no ano não ver alguma mensagem reverenciando o dia do nascimento e o da morte de Calvino. A adoração e a veneração devem ser exclusivos a Deus, nossa Rocha e Redentor.

 

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