Texto de Estudo

Isaías 43:1:

1 MAS agora, assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

INTRODUÇÃO

(...) a fidelidade de Deus os salva do desespero ao qual a própria infidelidade facilmente os poderia levar, dá-lhes coragem para prosseguirem, a despeito de todos os seus fracassos, e enche os seus corações de jubilosas antecipações, mesmo quando estão profundamente cônscios do fato de que perderam o direito a todas as bênçãos de Deus. Deus não recua nas suas promessas pactuais. Ele as cumpre cabalmente, porque é da sua essência ser fiel à palavra que empenha

Uma das principais características do nosso Deus é a sua fidelidade, tanto no cumprimento das promessas quanto no das ameaças. Na citação inicial, Berkof afirma que Deus é fiel às alianças. No mesmo pacto de amor e responsabilidade, o Senhor apresenta bênçãos que provêm do amor e maldição que decorre da desobediência, como se verifica no seguinte texto bíblico: 

Se vocês obedecerem fielmente ao Senhor, ao seu Deus, e seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos que hoje lhes dou, o Senhor, o seu Deus, os colocará muito acima de todas as nações da Terra (…) Entretanto, se vocês não obedecerem ao Senhor, ao seu Deus, e não seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos e decretos que hoje lhes dou, todas estas maldições cairão sobre vocês e os atingirão (…) (Deuteronômio 28:1. NVI)

A implicação direta acerca da fidelidade divina é a esplêndida verdade de que podemos confiar no Senhor. Deus não pode enganar ninguém, não pode falhar na sua palavra e, como consequência, ninguém pode duvidar dele (Hebreus 6:18). Ele nunca se esquecerá de nada que prometeu, pois é capaz e pronto, não somente para cumprir suas promessas, mas também para responder às expectativas de seus adoradores, certamente mantendo sua aliança e misericórdia.

O capítulo 43 de Isaías é permeado da FIDELIDADE, IMUTABILIDADE e BENIGNIDADE do Criador. Em contraposição às trevas da angústia presente no Israel pecador, o profeta novamente mostra o seu alegre futuro. A despeito do pecado de Israel, o Senhor o remirá . Esta lição é um convite para celebrarmos que Deus tem um plano e está no controle de nossas vidas.

Porém, como conceber que a libertação de Israel dos babilônios será realizada por um povo que não servia a Deus? Como caminhos não lógicos ao ser humano podem afetar a nossa fé?

A proposta desse comentário não é analisar verso por verso, porém levantar temas globais ao longo do capítulo 43. Propomos quatro temas gerais: 1) O profeta certifica a libertação do povo de Deus; 2) A sentença impetrada aos ímpios; 3) Como a salvação alcançará Israel; 4) A exortação sobre o pecado do povo.   

A LIBERTAÇÃO DO POVO DE DEUS É CERTIFICADA

O plano de Deus ao seu povo não foi modificado, apesar da ausência de resposta de Israel. O Senhor levará adiante os seus propósitos. No verso primeiro, observa-se que Deus criou Jacó e formou Israel, confirmando que ele estabeleceu uma aliança com o povo. Ao mesmo tempo, relembrou que as pessoas devem eliminar todas as características mentirosas, fraudulentas e enganadoras de Jacó e viver na fidelidade de Israel ao Senhor. Naquele momento, o Criador reivindica-as como sua propriedade, da mesma maneira que fizera quando as tirou do Egito e direcionou-as à Terra Prometida (Êx 19.4) . Assim, Deus chamará seu povo pelo seu nome, a fim de ressaltar o fato de que o Senhor conhece Israel por causa do relacionamento íntimo que tem com o seu povo .

Nesta primeira parte do capítulo, um imperativo exorta Israel: “NÃO TEMAS” (vs 1 e 5), tendo como base dois fundamentos: “ESTOU CONTIGO” (v.2 e 5) e “EU SOU O SENHOR TEU DEUS” (v.3). Com essas frases, um povo desanimado é conclamado a ter coragem. Por isso, “quando você atravessar as águas, eu estarei com você; e, quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, você não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas”. (Isaías 43:2 NVI)

A SENTENÇA CONTRA AS NAÇÕES E OS ÍDOLOS É PRONUNCIADA

Todas as nações e povos gentílicos são convocados a argumentar e a provar a veracidade de seus deuses. Deus desafia aqueles que adoram ídolos, os falsos deuses que têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, a responder a algumas questões. Seus deuses tinham sido capazes de predizer os eventos ocorridos? (...) Que deus pagão tem um registro de predições bem-sucedidas, dando a entender que tal divindade exerce controle sobre a História e, assim, pode predizer o que acontecerá?  Se eles não tinham nada a dizer a respeito dos deuses, deveriam escutar o que Deus de Israel tinha a falar sobre sua divindade.

Israel é convocado a testemunhar em favor de Deus: “Vós”, ó israelitas! Todos vós que chamados pelo meu nome, todos vós sois as minhas testemunhas... e o meu servo, a quem escolhi” (v.10). De acordo com Ridderbos:

...as razões pelas quais o Senhor escolheu Israel para este ofício são: por causa de tudo que Israel experimentara como resultado do seu relacionamento íntimo com o Senhor, saberia e entenderia pela fé que ele é Deus, o Único que foi e sempre será Deus. Outra razão é que ele seria capaz de dizer isso a respeito dele e dar testemunho concernente aos próprios atos e palavras de Deus que havia experimentado 

Essa contenda entre Deus e os outros deuses tem um objetivo prático: apesar de enfrentar circunstâncias difíceis no exílio, só e unicamente o Senhor é o Deus vivo e Salvador, no qual Israel pode colocar a sua esperança : “Desde os dias mais antigos, eu o sou. Não há quem possa livrar alguém de minha mão. Agindo eu, quem pode desfazer?”. (43:13)

Nós somos chamados para ser testemunhas de Cristo neste mundo idólatra. Mas será que o relato dos versos 8 a 13 reflete o quadro da Igreja contemporênea? Temos ouvidos, mas somos surdos. Possuímos olhos, mas estamos cegos. Será que as nossas práticas, pregações e orações refletem a mensagem genuína de Cristo para sermos suas verdadeiras testemunhas?

A REDENÇÃO ALCANÇA ISRAEL

Os 13 primeiros versos do capítulo 43 têm o objetivo de despertar Israel para confiar nos relatos que serão narrados adiante sobre a libertação do povo de Deus. Logo no início do verso 14, Deus é chamado de REDENTOR, pois defende, protege e resgata zelosamente seu povo : “E sustentarei os teus opressores com a sua própria carne, e com seu próprio sangue embriagar-se-ão, como com mosto; e toda a carne saberá que eu sou o SENHOR, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Forte de Jacó”. (Isaías 49:26 NVI)

O verso 15 ressalta que Deus é SANTO, CRIADOR E REI de Israel. Todos esses títulos dão credibilidade e certeza da libertação. Cada uma dessas qualificações é uma garantia de que a predição irá se cumprir . Ao mesmo tempo, o acúmulo das expressões, ao longo do capítulo - Yahweh, Santo de Israel, Criador-Rei - e esse é o Deus de Israel, enfatiza que Deus manipula como quer os eventos humanos, como ocorrerá a ascensão e a queda dos reinos .

Todos os acontecimentos da queda da Babilônia pelo Império Persa transformar-se-ão na maior redenção de Israel, antes e depois da era do Reino de Deus . Por isso, o profeta pediu: “Esqueçam o que se foi; não vivam no passado”. (43:18, NVI) Por grandes que fossem os fatos passados, havia algo muito maior que Israel experimentava, coisas novas seriam feitas ao povo de Deus. Por essa razão, a perspectiva do passado sempre precisa dar lugar ao panorama da futura redenção. Naturalmente, as lembranças conservam o seu valor, especialmente se as “coisas passadas” são consideradas como garantia de que as novas também se cumprirão. A coisa nova é iminente, pois “está saindo à luz”. Ela ocorrerá tão certa quão rapidamente; não pode haver dúvida de que o povo ao qual o profeta se dirige o perceberá .

CONTEXTO HISTÓRICO

A pérsia de Ciro, o Grande: O Império Persa, governado por Ciro, constituiu-se em um território maior que os impérios egípcio e babilônio-assírio. Da Palestina ao atual Paquistão, todo o mundo servia aos persas. Ciro inaugurou uma nova forma de conquista, diferente do modo violento e devastador dos assírios e dos babilônios; ele tributou respeito aos inimigos derrotados, tratando com tolerância suas instituições e seus sentimentos religiosos. Um espírito completamente novo tinha penetrado no governo do mundo.

A conquista da Babilônia: Com a morte de Nabucodonosor II, o rei que levara o povo judeu para o cativeiro, o Império Babilônio entrou na sua fase de declínio. Três monarcas sucederam-se, em apenas sete anos, até que, em 555 a.C., Nabônides, nobre de origem arameia, assumiu o governo, no qual conseguiu manter-se até os acontecimentos de 539 a.C. Vencido por Ciro, em Ópis, próximo ao rio Tigre, Nabônides fugiu, abrindo caminho para as tropas persas conquistarem, sem muito esforço, a Babilônia, governada por seu filho, Baltazar, também mencionado nas Sagradas Escrituras (cf. Daniel 5). Alguns dias depois, Ciro tomou conta da cidade, mas poupou os habitantes, inclusive prestou culto aos deuses locais. Sabe-se, pela Crônica Babilônica, de sua preocupação em preservar os lugares sagrados e manter o bom andamento dos atos litúrgicos.

A libertação do povo de Israel: Os judeus exilados viam Ciro como um vingador da opressão sofrida, a qual foi manifestada com ênfase pelo salmista: “Às margens dos rios de Babilônia, nos assentávamos chorando, lembrando-nos de Sião. [...] Ó filha de Babilônia, a devastadora, feliz aquele que te retribuir o mal que nos fizeste!” (Salmos 136:1-8). Guiado por um Deus que ele não conhecia, Ciro foi usado para libertar Israel: “Chamo do Oriente uma ave de rapina, de uma terra longínqua o homem de meus desígnios. O que disse, executarei; o que concebi, realizarei”. (Isaías 46:11NVI) No ano seguinte de seu domínio sobre a Babilônia, Ciro autorizou o retorno dos judeus à Palestina e a reconstrução do templo de Jerusalém, decretando, ao mesmo tempo, que as populações das cidades nas quais eles moravam os ajudassem a restabelecer seu antigo culto. Em Esdras, encontramos o decreto do imperador: 

Assim diz Ciro, rei da Pérsia: ‘O Senhor, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da Terra e designou-me para construir um templo para ele, em Jerusalém de Judá. Qualquer do seu povo que esteja entre vocês, que o seu Deus esteja com ele, e que vá a Jerusalém de Judá reconstruir o templo do Senhor, o Deus de Israel, o Deus que em Jerusalém tem a sua morada. E que todo o sobrevivente, seja qual for o lugar em que está vivendo, receba dos que ali vivem em prata, ouro, bens e animais; e ofertas voluntárias para o templo de Deus em Jerusalém’. (Esdras 1:2-4. NVI)

Deus é o Senhor da História. Ao mesmo tempo em que ele usou uma nação pagã para punir Israel, usou um rei que não o conhecia para libertar o povo do cativeiro babilônico. Ciro, o Grande, valente rei que subjugou nações com sua espada, foi um dócil instrumento nas mãos do Deus Soberano.

ALGUNS ASPECTOS SOBRE A JUSTIÇA E A BONDADE DIVINAS

Seria Deus injusto ao permitir que Israel sofresse com as dominações dos assírios e babilônios? Por que o Criador não impediu o seu povo de ser exilado e escravizado? 

A partir do verso 22, o profeta preocupou-se em afirmar as causas dos males que atingiram “Jacó”. O povo havia negligenciado a Deus e lançado-o fora; portanto, o Senhor, de forma justa, fez dele “... um anátema” e "... um opróbrio” (v. 28).  O povo de Israel cansou-se da religião estabelecida por Deus e buscou novos caminhos. A descrição minuciosa do ministério dos sacrifícios revela que o povo não está satisfazendo a Deus, não apenas pelos pecados praticados durante o Exílio, mas também devido a fatos anteriores. E, assim, o Senhor, por sua vez cansado dos pecados, puniu-o por meio do exército babilônico . E era necessário que o povo reconhece isso antes de ser libertado. A lista de pecados não é pequena...

a) As pessoas haviam abandonado a oração: “... tu não me invocaste a mim, ó Jacó”;

b) Elas haviam se cansado de sua religião: “...te cansaste de mim, ó Israel”

c)E ofereciam de má vontade a devoção, sendo avarentas e mesquinhas.

d) Não honravam a Deus com os sacrifícios que ofereciam, de forma que, na verdade, não eram sacrifícios (v. 23): Não “... me honraste com os teus sacrifícios”.

Ao mesmo tempo, o profeta deixa explícito que a redenção de Israel é obra exclusiva de Deus: “Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados”. (Isaías 43:25 NVI) E, nesse ato de redenção, envolve apagar, remover as transgressões de Israel, e um ato de não lembrar, isto é, de perdoar os seus pecados . Neste ponto, a benignidade de Deus é exaltada, pois sua bondade atingiu um povo que o provocou e que estava vivendo o fruto da sua injustiça para com Deus.

 

CONCLUSÃO

Deus é Senhor das nossas vidas; é Soberano sobre a História. Não vivemos num mundo desprovido da ação divina. O Criador atua sobre nossos pequenos atos, bem como em grandes questões. Por isso, louvemos o nosso Deus, pois ele nunca nos desampara. Sua fidelidade e imutabilidade enchem-nos de confiança sobre suas promessas. Sua bondade sustenta-nos neste mundo idólatra.

 

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