Texto de Estudo

Efésios 5:15:

15 Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios,

 

INTRODUÇÃO

Temos aprendido nas semanas passadas que nossa vida crista deve ser diferente da maneira que o mundo vive. Devemos viver em amor (Efésios 5:2). Devemos estar atentos à vinda do julgamento em tudo o que fazemos (Efésios 5:3-7). E precisamos nos esforçar para viver na luz (Efésios 5:8). Agora, Paulo acrescenta uma outra dimensão: Precisamos para viver com sabedoria.

A chave para compreendermos nossa lição é o verbo “andar”. Os judeus chamavam suas leis de conduta de Halachah, que significa “Andar” (Marcos 7:5; Atos dos Apóstolos 21:21; Hebreus 13:9). Paulo, que havia sido um fariseu, e fora criado aos pés de um dos maiores rabinos de sua época, Gamaliel, conheci muito em esta figura de linguagem. Ela a utiliza diversas vezes nesta carta (2:10; 4:1; 5:2, 8, 15). Tal expressão também é encontrada em inúmeros outros lugares no Novo Testamento (2 Coríntios 5:7; Colossenses 4:5; 1 João 1:6; 2 João 4), para representar o progresso da vida cristã.  

Tal expressão em nosso texto de estudo, segundo a gramática grega, a forma mais adequada é aquela que apresenta o advérbio antes da conjunção, que se traduz “portanto vede prudentemente como andais” (RA), carregando o significado de “sede estritamente cuidadosos acerca da vida que levais”. Sendo assim, o apóstolo ordena que os leitores mantenham um controle bem de perto os princípios pelos quais governam suas vidas. Este é um mandamento essencialmente típico da pena de Paulo: andar “precisamente” ou “estritamente” dentro dos princípios. Paulo bem podia usar esta palavra na sua forma superlativa, como bom fariseu que tinha sido (Atos dos Apóstolos 26:5), mas no uso cristão essa palavra assumiria muito mais a forma de uma sugestão de renovação do espírito legalista.  Em nossa caminhada cristã, segundo Paulo em nosso texto de estudo, devemos:

 

ANDAR COM PRUDÊNCIA

A expressão "vede prudentemente" também pode ser traduzida por "sede circunspetos". O termo circunspeto vem de duas palavras latinas que significam "olhar ao redor". O termo grego traduzido por prudentemente (akribos) significa “com exatidão”, “de acordo com o regulamento”, ou seja, de acordo com um conjunto de normas, tem o sentido de precisão e exatidão, ou seja, "andem com cuidado e exatidão".  O oposto seria andar de modo descuidado e sem a devida orientação e prudência. Não podemos deixar a vida cristã por conta do acaso. Devemos tomar decisões sábias e procurar fazer a vontade de Deus. Efésios 5:14,15 são versículos inter-relacionados. Ao que parece, Paulo está dizendo: "Não andem enquanto dormem! Acordem! Abram os olhos! Aproveitem o dia ao máximo!" Infelizmente, muita gente que se diz cristã passa pela vida como um sonâmbulo, sem fazer o melhor uso possível das oportunidades que tem de viver para Cristo e servi-lo. Paulo apresenta vários motivos para sermos precisos e cuidadosos em nosso modo de andar. 

 

ANDAR COM SABEDORIA

A palavra “sabedoria” ocorre três vezes na epístola (1.8,17, 3:10) e um versículo o correlato “sábio” (Efésios 5:15). Os sábios (sophoi) não são os intelectuais, os indivíduos que possuem vasto conhecimento acadêmico. São os que receberam a luz e, portanto, estão comprometidos com a verdade de Deus. A sabedoria é, em essência, derivada da fé em Deus. Paulo prossegue mostrando os vários modos pelos quais esta sabedoria se manifesta na vida pessoal e na comunidade dos cristãos.  

Andar com prudência é andar como aqueles que são sábios. Fazer o contrário é caminhar como alguém que é imprudente, ou néscio. Os néscios são aqueles que, não possuindo percepção das coisas que pertencem a Deus e à salvação, não almejam alcançar um alvo mais elevado, e portanto não sabem, nem mesmo cuidam de saber, quais são os melhores meios para alcançá-lo. Consideram de muita importância o que é de pouco valor ou mesmo pode vir a ser prejudicial, e não apreciam o que é imprescindível. Conduzem-se pelo mesmo critério. Por outro lado, aqueles que são sábios têm discernimento e andam em harmonia com Deus. 

Em outros lugares da Escritura (veja 1Cor 1-3; Tiago 3:13-18), dois tipos de sabedoria são contrastadas. A sabedoria divina é contrastada com a mera sabedoria humana. Mas, aqui em nosso texto, Paulo fala apenas da sabedoria divina como sabedoria, enquanto ele identifica a sabedoria humana como aquilo que é, na verdade, imprudência. Existe apenas uma sabedoria verdadeira, a divina. Em nosso texto, como em Provérbios, a sabedoria começa com o que Paulo escreve em outro lugar como o temor do Senhor: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. “Pois está escrito: ‘Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes’. Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação. Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem.” (1 Coríntios 1:18-25, NVI) 

Digno de nota também é perceber que Paulo raramente dá um ordem sem dar igualmente uma proibição correspondente. E assim, a instrução é dada em termos de "não ... mas." Paulo não fala da relação entre nossa vida passada à parte de Cristo e nossa nova vida em Cristo em termos de continuidade, mas em termos de contraste. Nós não podemos carrega a bagagem de nossa vida pré-cristã à fé; nós devemos descarta-la, substituindo-a por aquilo que Deus produz em nós por meio do seu Espírito. Vida cristã envolve uma revisão mental completa, um novo conjunto de valores, motivações, meios e métodos. Paulo pois prossegue para o próximo passo, os sábios fazem uso judicioso de seu tempo.

 

ANDAR REMINDO O TEMPO

O verbo “remir” (do grego exagorazomenoi) quer dizer comprar de volta.  Aqui, tem o sentido de tirar o maior proveito do tempo. “Tempo”, kairós, refere-se a cada oportunidade que surge.  Russell Shedd define a expressão “remir o tempo” como aproveitar o tempo. O cristão deve usar o seu tempo (como pode usar seu dinheiro, sua capacidade, seu conhecimento, sua mente) para retirar de Satanás o tempo. Comprar “para libertar” do poder satânico aquilo que ele já escravizou no mundo. A característica do nosso século é gastar mais e mais tempo sem trazer benefício para o que é divino. Satanás tenta nos pressionar para que, pela falta de tempo, não pensemos nos valores reais. O Senhor deseja que resgatemos as horas para ele. 

Com certeza, as pessoas sábias têm consciência de que o tempo é um bem precioso. Todos nós temos a mesma quantidade de tempo ao nosso dispor: 60 minutos por hora, 24 horas por dia. As pessoas sábias empregam seu tempo de forma proveitosa.  A tradução mais adequada seria “aproveitando ao máximo as oportunidades”. A sabedoria do andar dos efésios consistiria no empenho cuidadoso de agarrar toda ocasião adequada para fazer o bem, e esforçar-se em possuir toda ocasião possível para o cumprimento do dever.  Não devemos deixar escapulir de nossas mãos a oportunidade preciosa de testemunhar de Cristo, porquanto os dias são maus. Os obstáculos erguidos pelo pecado são numerosos e tremendos; portanto devemos estar preparados para agir imediatamente segundo a direção graciosa do Espírito Santo. 

É preciso sabedoria, não só para reconhecer a natureza dos dias maus em que vivemos, bem como para saber a melhor forma de responder. Como disse um amigo, um cristão pode, com toda razão, sentir o mal de uma clínica de aborto, mas explodir o edifício, onde ela está localizada, fica muito aquém da sabedoria que traz glórias a Deus, que ilumina um mundo obscuro e promove o Evangelho. Nestes dias maus, por exemplo, um professor cristão tem muitas restrições para a proclamação de sua fé na sala de aula de qualquer escola pública, ou privada não-denominacional. Um cristão sábio irá manifestar sabedoria tanto no que é dito e feito, quanto na forma como é dito e feito. A sabedoria é necessária para saber o que fazer e como fazê-lo para a glória de Deus, para a demonstração do que é bom, e para o avanço do Evangelho. 

Dias maus também parecem apresentar ao cristão muitas distrações e diversões. Enquanto temos mais tempo livre do que qualquer cultura anterior, olhemos ao redor e vejamos quantos "comedores de tempo" a nossa cultura tem produzido. Não é à toa que um amigo escreveu estas palavras em um cartão, que ele colou em vários locais da casa, como no canto da tela de sua televisão, perto do seu computador, etc.: “Não se esqueça de remir o tempo".

Não devemos esperar que a oportunidade caia em seu regaço, mas devemos comprá-la, conquista-la, não importando o preço. À luz de todo o contexto, a oportunidade referida consiste em mostrar por meio de nossa vida e conduta o poder e a glória do Evangelho, desmascarando assim o mal, enriquecendo-nos de boas obras, fortalecendo a comunhão, levando nosso próximo para Cristo e glorificando a Deus através de todas essas coisas. A oportunidade perdida jamais voltará. Que ela, pois, seja aproveitada ao máximo.

 

ANDAR DE ACORDO COM A VONTADE DO SENHOR

As pessoas sábias discernem a vontade de Deus (5:17). “Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual a vontade do Senhor.” O próprio Jesus orou: “Não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42); e ensinou-nos a orar: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). Nada é mais importante na vida do que descobrir e praticar a vontade de Deus. A coisa mais importante na vida é estar no centro da vontade de Deus.  

O termo compreender indica que devemos usar nossa mente para descobrir e colocar em prática a vontade de Deus. Muitos cristãos imaginam que descobrir a vontade de Deus é uma experiência mística que sobrepuja o raciocínio claro. Descobrimos a Deus à medida que ele transforma a nossa mente (Romanos 12:1-2); essa transformação é resultante da Palavra de Deus, da oração, da meditação e da adoração. Se Deus nos deu entendimento, espera que o usemos, Isso significa que descobrir a vontade de Deus envolve coletar fatos, examiná-los, ponderá-los e orar ao Senhor pedindo sabedoria (Tiago 1:5), Deus não deseja que simplesmente saibamos qual é sua vontade, mas que também a compreendamos. 

A vontade do Senhor é a principal regra da vida cristã; conhecê-la e, no sentido mais profundo, entendê-la, é andar sabiamente e andar com segurança. Portanto, não devemos ser “irrefletidos ou sem entendimento”. Não devemos mostrar “falta de bom senso”, o que equivale dizer que não devemos ser tolos. O conectivo “portanto”, à luz do contexto precedente, deve ser interpretado como significando: pelo fato de o perigo ser tão grande, a impiedade tão espantosa, a oportunidade tão preciosa, e diante do fato da necessidade de constante vigilância, de intenso esforço e de incansável zelo, não devemos ser néscios. Ao contrário, entendamos qual é a vontade do Senhor.

Novamente é mister lembrar que a vontade de Deus não impõe nenhum jugo insuportável aos cristãos, mas insere a vida deles numa forma condizente com o Evangelho. Ela abarca “o que é bom, agradável e perfeito” (Romanos 12:2; cf. Efésios 5:10). A vontade de Deus expressa-se em seus mandamentos. Eles balizam o caminho da vida e preservam do caos e da destruição, que caracterizam o âmbito da injustiça e da vida sem Deus. É verdade que o pecador não consegue reconhecer nem cumprir a vontade de Deus em profundidade e amplitude. Pelo contrário, reflete e pratica sempre sua própria vontade, que resiste à divina. A nova criação gerada em Cristo, no entanto, permite reconhecer e também cumprir a vontade de Deus. Porém, uma vez que o cristão corre o risco de recair na prática da própria vontade, ele precisa constantemente do incentivo e da exortação para a obediência. 

 

CONCLUSÃO

Nesta seção, Paulo exortou os cristãos a andar como sábios. Ele repetiu esta ordem três vezes, procurando mostrar o que está envolvido em uma caminhada, como aqueles que são sábios. Andar com sabedoria envolve pensamento, consideração, priorização e planejamento. Trata-se de escolhas e de ser disciplinado. Isso nos obriga a ter uma noção do tempo em que vivemos, e uma vontade de ser bons administradores das oportunidades que Deus nos dá, neste curto período de tempo que constitui a nossa jornada terrena. Andar em sabedoria evita a insensatez e procura compreender, tanto quanto possível, os planos e propósitos de Deus, e, em seguida, nos leva a subordinar nossa vida aos planos e propósitos eternos de Deus. Somente em Cristo encontramos a verdadeira sabedoria. Antes que você possa andar como sábio, é necessário entrar em um relacionamento profundo e pessoal com Deus por meio de Cristo Jesus, nosso Senhor.  

 

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