Texto de Estudo

Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam.

 

INTRODUÇÃO

“União” é uma palavra muito apreciada e valorizada pelos cristãos. Contudo, o seu simples uso num discurso acaba não revelando todas as implicações envolvidas para que a tal união exista. Ser um grupo unido é bom, mas não é fácil construir uma unidade. Boa parte dessa dificuldade reside no fato de que as pessoas não pensam e agem exatamente da mesma forma, em todas as situações. A questão não é saber se as pessoas discordarão, pois sabemos que isso ocorrerá. O ponto não é saber se todos concordarão, pois sabemos que sim. A complicação surge quando se pensa “no que discordarão” e “por que” discordarão.

No começo do Cristianismo, os primeiros convertidos vieram do Judaísmo. Em seguida, a pregação do Evangelho rompeu as barreiras étnicas, e a conversão dos não judeus foi uma consequência lógica. A Igreja de Jesus Cristo era (e seria) multiétnica.

A multietnicidade representava avanço e também um desafio para uma Igreja em franco crescimento. No que aqueles cristãos deveriam crer de igual modo? Em que poderiam discordar, sem que fosse rompido o lacre da unidade? E os cristãos atuais, eles também enfrentam algo semelhante?

Hoje vamos estudar a “liberdade de consciência”. Além de ser um principio bíblico, é um dos códigos de fé da Declaração de Fé dos Batistas do 7º Dia. Isso indica que acreditamos que podemos/devemos ser unidos no essencial, promovendo a liberdade no que não é essencial. Estudemos, pois, a visão que o apóstolo Paulo tinha sobre tal questão e como isso pode orientar os nossos dias.

 

“ACOLHEI”: O PEDIDO DE PAULO

Os irmãos da Igreja de Roma enfrentavam, como qualquer outra comunidade de fé, os desafios da rotina da comunhão. Em relação à fé na pessoa e no ministério de Jesus, pensavam unanimemente. Quanto a outras questões de fé, já não se podia dizer o mesmo.

Havia divergência acerca de leis alimentares. Isso, de pronto, revela as tensões geradas na relação entre judeus convertidos ao Cristianismo e gentios oriundos do Paganismo. Alguns tinham a posição de não comer carne, tomar vinho e comemorar dias religiosos; outros se posicionavam de forma contrária.

Depois de haver falado sobre pontos tão cruciais da fé cristã, ao longo da epístola, Paulo detém-se naquilo que podemos chamar de pontos secundários de fé. Ou seja, assuntos em que os irmãos podiam tomar posições diferentes sem que, necessariamente, afetasse a salvação do indivíduo. Porém, não nos enganemos. Os debates e as compreensões em relação as várias leis do Antigo Testamento, os quais deram forma e característica à religião judaica, jamais foram tratados como puramente triviais pelos judeus. A Igreja cristã contemporânea, e mais especificamente aqui no Brasil, deve ter bastante cautela ao analisar o contexto de Paulo. Nossa realidade é diferente; talvez não tenhamos em nosso rol de membros pessoas de ascendência e cultura judaica. Mas, nas primeiras décadas da expansão do Cristianismo, encontramos uma Igreja que comportava pessoas de várias raças e línguas. 

Paulo classifica dois grupos de cristãos, naquela Igreja: os “fracos” (ou “débeis”) e os “fortes”. Como se pode verificar ao longo de sua exposição de pensamento, o apóstolo posiciona-se ao lado dos “fortes” (Conf. 14:14 e 15:1). Quem eram os fracos e quem eram os fortes? Os “fracos” eram aqueles que ainda atribuíam alta importância a algumas normas ou rituais do Antigo Testamento. Estavam comprometidos com leis judaicas concernentes a restrições alimentares e dias religiosos. A lei judaica que se desenvolve a partir de Moisés prescreveu normas sobre os animais puros e impuros. (Veja Levíticos 11e Deuteronômio 12) É dentro dos primeiro cinco livros do Antigo Testamento que emergem os códigos de santidade, sacrifico, holocaustos e dias comemorativos de caráter religioso.

Paulo não nos oferece um contexto mais claro sobre o porquê de alguns não quererem beber vinho, por exemplo. O Antigo Testamento não proibia a ingestão de vinho, a não ser no caso dos sacerdotes quando estavam em serviço (Levíticos 10:9) e quando estava envolvido o voto dos nazireus. (Números 6:2ss) Possivelmente, situações mais específicas levaram esses irmãos a optar pela abstenção.

Especulações à parte, o fato é que a discordância existia e, ao que parece, longe estava de uma postura conciliatória. Apesar de identificarmos um pano de fundo caracteristicamente judaico, não se pode excluir a possibilidade de que gentios vindos do Paganismo também tenham tomado a decisão de se tornarem abstêmios. Com o intuito de cortarem os laços com a vida pré-conversão, alguns agiam de acordo com uma consciência fortemente escrupulosa quanto à ingestão de certos alimentos que poderiam ter sido sacrificados aos ídolos pagãos.

Os “fortes” eram aqueles que estavam persuadidos de que a observância a certas normas não pesava mais como matéria de suma importância. Suas consciências não os acusavam; não tinham dúvidas quanto a isso. (14:23)

Em resumo, pode-se dizer que a fraqueza de alguns desses irmãos não desqualificava a obra que Cristo havia feito em suas vidas. Ou que não seriam salvos por causo disso. John Stott esclareceu a questão de forma brilhante:

 

Assim, se estamos tentando retratar uma irmã ou irmão mais fraco, não devemos imaginar um cristão vulnerável e facilmente vencido pela tentação, mas, sim, um cristão sensível, cheio de indecisões e escrúpulos. O que falta ao fraco não é força de vontade, mas liberdade de consciência.

 

Diante do que acontecia, Paulo propõe uma ação conciliatória. E fez o seguinte pedido: “Acolhei ao que é débil na fé”. Quer dizer, “integrem esses à vida da Igreja”. Pela lógica, a petição é dirigida aos “fortes”. E isso porque Paulo subentendia que tinham uma capacidade maior de lidar com aquelas diferenças. Mas, em outro versículo, o seu pedido é direcionado a ambos os lados: “Não julguemos mais uns aos outros”. (14:13) Vejamos, a seguir, os argumentos de Paulo.

 

AS ARGUMENTAÇÕES DE PAULO EM PROL DE UMA ATITUDE CONCILIATÓRIA

Os argumentos de Paulo são fortemente teológicos. E, como de praxe, sua teologia acabava convergindo à pessoa de Jesus Cristo. Lancemos mão da questão central: porque “fortes” e “fracos” não deveriam desprezar ou julgar uns aos outros quanto ao comer carne, beber vinho ou observar certas datas?

 

  1. a) Porque Deus os acolheu (v.3)

Paulo começa a argumentação mencionando o tópico relacionado à abstinência alimentar. Estava, evidentemente, preocupado com duas atitudes no seio da Igreja - o desprezo por parte dos que tinham alcançado a liberdade de consciência (os fortes) e o julgamento de quem não tinha atingido liberdade de consciência (os fracos). Isso revela que não importa o grau de importância a que se dá a um ou mais pontos de fé; as reações poderão ser prejudiciais a qualquer Igreja.

Em vista disso, o apóstolo alega que basta entendermos que Deus acolhe, quer dizer, recebe, tanto o que come como o que não come! Perceba que é como tratar da lei do amor; devemos amar, porque Ele amou-nos antes. Logo, devemos acolher os irmãos, porque Deus acolheu-nos primeiramente.

 

  1. b) Porque o senhorio e o julgamento de Jesus é que são determinantes (v.v 4-12)

Ainda relacionado ao argumento anterior, Paulo insere uma figura - a da relação entre Senhor e servo. A mente do apóstolo era muito fértil; então, fica evidente a variedade de recursos usados para tratar de um ponto. E a ideia aqui é a seguinte: se um cristão está sob o senhorio de Jesus, compete somente a Jesus julgar o que fazer dos servos ou como os tratar. Ele diz ainda: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu Senhor, está de pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster”. (14:4) Duas características ficam claras aqui. Primeiramente, um cristão fica de pé ou cai sob o julgamento de Jesus, o justo juiz, o que sonda os corações. Ele é a instância suprema. Em segundo lugar, os que ficam de pé só alcançam tal condição por meio da própria sustentação oferecida por Jesus. Assim, Paulo tenta eliminar qualquer resquício de autojustificação que venha a diminuir o fulgor da Graça.

Paulo prossegue seu raciocínio e admite que a subjetividade era o elemento causador da disparidade de posições. Em Romanos 14:5 ele diz que “cada um tem opinião bem definida na própria mente”. Mesmo ciente do risco que a subjetividade pode trazer para assuntos centrais da fé cristã, Paulo decidiu não polemizar a ideia. E conduziu seus leitores para outro ponto teológico muito mais relevante: a oração de ação de graças! Ele diz que tanto o abstêmio quanto o não abstêmio dão graças a Deus antes da refeição.

Além das questões alimentares, menciona outro tema controverso para os fracos e fortes naquela Igreja: os dias especiais. Os fracos priorizavam certos dias mais do que outros. Os fortes, por sua vez, colocavam em dúvida a validade de tal prioridade. Sem sombra de dúvida, os que faziam distinção entre os dias tinham raízes judaicas. Pelo contexto da fala de Paulo, não é possível determinar se a referência aos períodos especiais estava atrelada à observância de dias de jejum, do sábado ou de qualquer outro especial do calendário judaico. Se Paulo tivesse sido mais claro, evitar-se-ia hoje as muitas especulações. Alguns usam este texto para afirmar que o apóstolo não via mais relevância na observância do sábado semanal como dia do Senhor. Porém, esse frágil versículo (e seu contexto) não dá suporte à mudança de uma das cláusulas pétreas dos 10 Mandamentos, que é: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar”. (Êx 20:8)

Do verso sete ao 12, Paulo, articuladamente, relembra aos cristãos de que a vida como um todo é dedicada a Jesus. Se alguém viveu abstendo-se de certas datas, bebidas ou comidas, e outros não, o resumo de tudo é pertencermos ao Senhor. A morte e a ressurreição de Cristo são consideradas como a garantia de que somos aceitos. Tão plena é a obra de Cristo que até mesmo as referidas divergências não alterariam nossa condição final. Porém, se a atitude daqueles irmãos continuasse a ser a de desprezar e julgar, Paulo alerta que todos compareceremos perante o tribunal de Deus. E cada um dará conta de si.

 

  1. c) Porque o Reino de Deus não é comida, nem bebida (v.v 14-18)

Na sequência dos versículos, encontramos uma ideia central; o Reino de Deus não consiste em bebida, nem em comida. Ou seja, Paulo está afirmando que esse reino é muito maior do que certas normas alimentícias. E que o fato de alguns irmãos estarem insistindo nessas questões só cria “tropeço” e “escândalo”. (v.13) Com uma linha de pensamento como essa, não é de se admirar que alguns oponentes de Paulo acusassem-no de ser um transgressor da lei mosaica. No verso 14, ele apresenta uma opinião: “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura”.

Essa afirmação nitidamente coloca Paulo no grupo dos que exercem liberdade de consciência. Suas palavras podem dar a entender que é como se as ordenanças cerimoniais nunca tivessem existido. Isso aparenta um reducionismo simplório, pois dá a entender que, provocativamente, ignorou séculos de uma tradição que caminhou junto à história do povo judeu. Sem sombra de dúvida, simplorismo e reducionismo não eram a intenção de Paulo; ele sabia muito bem do acirramento que permeava tais questões. Só que, ao interpretar a vida cristã à luz da revelação da obra e pessoa de Jesus Cristo, ficou persuadido de que algo ia além das meras ordenanças.

Adolf Pohl também destacou um princípio interessante: “A comida faz parte das coisas naturais obtidas da mão de Deus. (1 Coríntios 10:26) Consumida com ação de graças (Romanos 14:6), ela é pura”.

Não dá para afirmar com segurança se Paulo recebeu uma revelação direta e particular de Jesus. O mais provável é que sua experiência como apóstolo de Jesus o tenha levado a essa conclusão. As falas e os ensinamentos de Jesus também devem ser considerados. Dificilmente Paulo não estaria ciente dos debates que o filho de Deus teve com os fariseus sobre coisas puras e impuras. (Mateus 15:1-20) E também da exortação de Pedro sobre não considerar impuro o que Deus purifica. (Atos dos Apóstolos 10:9-16) Essas passagens estavam situadas em outros contextos, mas não há como negar que lançavam luz sobre a questão da aplicabilidade das leis cerimônias. Embora não possamos compreender todo o trajeto de Paulo até chegar a essa convicção de que “nenhuma coisa é de si mesma impura”, a verdade maior era que o “reino de Deus não era comida, nem bebida”. (v.17)

Ao mesmo tempo em que parece que ele resolve o dilema, também acrescenta mais complicação. Paulo diz que algo pode ser impuro desde que alguém (o fraco na fé) assim o considere. Parece, então, que a questão mais uma vez volta ao campo do subjetivo. Isto é, o assunto é determinado pela consciência de cada um. E, como se não bastasse a polêmica que o tema proporciona, Paulo ainda pede para os que exercem a liberdade de consciência que abram mão dessa liberdade em certas ocasiões. (14:21) A relação entre vida pública e privada não é fácil; por que seria diferente em assuntos de fé?! Ter a fé para si mesmo, nesses casos, parece não ser uma decisão legítima, e parece ser injusta também. A liberdade daqueles que não tinham peso na consciência era abafada pelos irmãos que não conseguiam digerir a ideia de que, sob a nova aliança em Cristo, as normas cerimoniais foram sobrepostas.

Contudo, para não ficar restrito ao campo das divergências, ou do subjetivo, Paulo procurou apontar para valores mais altos. Valores que tanto os “fracos” como os “fortes” poderiam concordar. Assim, destacou o “amor fraternal” (v.15), as “coisas da paz” e “da edificação” (v.19), a “justiça” e a “alegria no Espírito Santo” (v.17). Se os partidários insistissem com as discussões, estariam contribuindo para a destruição da obra de Cristo. Não que o ser humano tenha capacidade de destruir algo que Jesus constrói. O que Paulo pensava era que esses debates afetariam a comunhão da Igreja inteira. Seria irônico aquilo que foi edificado em amor fosse destruído por uma simples comida! (14:20)

Percebamos, pois, que Paulo está sempre remetendo os cristãos ao que é superior. Os mandamentos consistiam em ordenanças para os israelitas e tiveram seu valor; todavia, não eram mais valiosos do que a vida de uma pessoa que Cristo resgatou com o Seu sangue. Logo, aqueles que, apesar das diferenças, soubessem lidar de maneira que a comunhão não fosse afetada seriam agradáveis “a Deus e aprovados pelos homens”. (v.18)

 

  1. d) Porque Jesus deu-nos o exemplo

O capitulo 15 serve de conclusão. Em seu último argumento, Paulo fundamenta-se no exemplo de Jesus como alguém que “não se agradou de si”. (15:3) A vida de Jesus foi de caráter sacrificial. A responsabilidade, depois, pesa especificamente sobre os que são “fortes”, pois a liberdade de consciência não deve ser usada como arma para afligir o irmão e beneficiar apenas a si. Portanto, “cada um agrade ao próximo no que é bom para a edificação”. (15:2)

Paulo poderia ter encerrado por aí e estaria bom. Mas, como a relação entre judeus e gentios não escapava dos atritos, o apóstolo alongou suas palavras e foi buscar, no Antigo Testamento, base escriturística para referendar a inclusão dos gentios nos planos de Deus. Se, por um lado, um gentio teria mais facilidade de lidar com leis e costumes judaicos, por outro os judeus não deviam esquecer-se de serem compreensivos quanto à inclusão e à acomodação dos gentios na comunidade messiânica. Ainda vale ressaltar que aqueles irmãos tinham como referência um importante documento, fruto de uma assembleia, elaborado pelos apóstolos e presbíteros, concernente a assuntos controversos. (Atos dos Apóstolos 15:1-35)  

Seguindo o fluxo de seu argumento, Paulo reitera a exortação central para os fracos e os fortes (cf. 14:1): “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo acolheu-nos para a glória de Deus”. (15:7) Na sequência, identifica Jesus com a comunidade judaica ao referir-se a Ele como “ministro da circuncisão”. Todavia, sua missão não estava restrita aos judeus; os gentios também foram inclusos nas promessas.

Paulo, então, faz quatro citações do Antigo Testamento. A primeira encontra-se em 2 Samuel 22:50 e em Salmos 18:49; a segunda, em Deuteronômio 32:43; a seguinte, no Salmos 117:1; e a quarta, em Isaías 11:10. Segundo John Stott, esse conjunto de texto escolhidos englobou a Lei, os Profetas e os Escritos. Ou seja, Paulo buscou passagens bíblicas dentro da divisão hebraica do Antigo Testamento. Isso quer dizer que toda a Escritura, ou o Antigo Testamento, confirma a participação dos gentios como povo de Deus!

Por esse fechamento em sua argumentação, o apóstolo demonstra que a inter-relação de raças dentro do plano redentor de Deus já estava prevista. Por isso, ficar discutindo sobre normas alimentares ou datas especiais do calendário judaico impedi-los-iam de ver a graça maior operada por Deus - a graça de dois homens (judeus e gentios) criados por Ele, em Si: “...um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus...”. (Efésios 2:15-16)

 

CONCLUSÃO

Paulo foi um homem de embates teológicos. É possível ficar um pouco confuso quando o vemos pedindo para que se evitassem os debates. Em boa parte de seus escritos, o que nós encontramos é um Paulo combatente, sempre pronto a dar a razão de sua esperança em Jesus Cristo. Foi alvo das línguas mentirosas de seus opositores; tanto judeus quanto gentios viram nas palavras e na teologia de Paulo uma liberdade perigosa, mas apenas aos olhos de quem não havia entendido a amplitude que Jesus veio dar à Lei.

Paulo foi um cristão emancipado de inibições e tabus. Isso, no entanto, não o fez ser um carrasco e irresponsável. Adaptava-se, com maestria, a situações em que ora tinha de falar a judeus, ora tinha de falar aos gentios. Mesmo assim, não negociou o puro Evangelho! Muitos desejaram encerrar aquele paroleiro! Porém, para a frustração dos adversários, ninguém conseguiu parar o destemido e intrépido Paulo de Cristo (que, outrora, fora o Saulo de Tarso). Somente Deus o fez encerrar a carreira e guardar a fé! Sim, o próprio Deus fez isso. Com a compreensão de soberania de Deus, que Paulo nutriu em seu coração, dificilmente ele veria a “mão de Roma”, ou do Sinédrio sobre o destino de sua vida. Seu tom mais conciliatório, na parte final da Carta aos Romanos, talvez estivesse acomodado a um Paulo mais vivido, mais experiente.

E de alguém que, apesar dos planos de passar a Espanha, sabia que estava sendo derramando como libação. Sem saber o que de fato o esperava em Roma. Resolveu, então, falar sobre a importância de não suplantar verdades essências em prol de questões não essenciais à salvação. Mas praticar isso não tem sido fácil...

Os cristãos, ao longo dos séculos, não escaparam de inverter as posições. Devemos sempre lembrar que nossas consciências devem estar cativas da Palavra de Deus. A fé e o amor que opera no corpo de Cristo devem guiar os cristãos no exercício da comunhão. Cuidemos para não desprezarmos e não julgarmos uns aos outros. E que “o Deus da paciência e da consolação conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que unânimes  e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Romanos 15:5 e 6)

 

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Graça Maior - Pr. Wesley Batista de Albuquerque, . Disponível em: https://gracamaior.com.br/estudos/estudo-da-semana/1238-liberdade-de-consciencia-e-o-exemplo-de-cristo.html. Acesso em 27 Junho 2019.
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