Texto de Estudo

Tão-somente tende cuidado de guardar com diligência o mandamento e a lei que Moisés, o servo do SENHOR, vos mandou: que ameis ao SENHOR vosso Deus, e andeis em todos os seus caminhos, e guardeis os seus mandamentos, e vos achegueis a ele, e o sirvais com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.

Josué 22:5

 

INTRODUÇÃO

O povo hebreu encerrara uma grande etapa, depois do peregrinar pelo deserto. Depois de centenas de anos, a promessa dada ao patriarca Abraão tornava-se realidade. A Terra Prometida era um fato consumado. Sua conquista, porém, demandou muitas batalhas contra os povos idólatras, habitantes daqueles territórios. A terra foi, enfim, distribuída entre as 12 tribos de Israel. E penúrias e conflitos bélicos chegaram ao fim.

Durante todo o tempo de conquista, o povo de Deus manteve-se unido. Destacam-se os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés. Posto que esses foram os últimos a retornar às terras divididas por ordem de Josué, lutaram até o final pelo bem de seus irmãos. Assim, foi-lhes cedido o lado leste do Jordão. (Josué 22:4)

Era, então, o momento de consolidar a nação emergente. As terras foram entregues ao povo de Deus. O lado oeste do Jordão recebeu a maior quantidade de tribos: nove e meia. Toda experiência deixou grandes lições para o povo de Deus do século 21, em especial acerca das batalhas que devemos enfrentar, antes de entrarmos na Canaã Celestial. 

Por outro lado, as tribos do leste do Jordão, demonstraram seu agradecimento e ergueram um altar dedicado a Deus. Mas isso não foi bem visto pelas outras tribos. As intenções não foram entendidas e produziu-se uma situação muito delicada, e quase ocorreu uma guerra fratricida. Hoje, enfrentamos muitos perigos, maus entendidos e batalhas espirituais. As experiências vivenciadas pelos filhos de Deus, no passado, deixaram-nos grandes lições.

Nesta lição, estudaremos este episódio em sua máxima expressão e o que podemos aprender dessas experiências passadas.

 

 

O FIM DAS BATALHAS

A paz (shalom) do Senhor tornou-se uma realidade, graças, em parte, à participação conjunta de quem já tinha resolvido seu problema de terra do outro lado do Jordão. Vejamos:

 

A) OBEDIÊNCIA INCONDICIONAL

As duas tribos e meia foram fiéis ao acordo com seus líderes. Elas cumpriram o prometido e lutaram até o final, junto ao povo de Deus, arriscando suas vidas ao máximo. Eram homens e mulheres valentes! As últimas batalhas foram junto às nove tribos e meia, do lado oeste. Eles não hesitaram, mesmo sabendo que podiam perecer nos intentos e nas ações de guerra. Estavam dispostos a tudo! A palavra empenhada assim o exigia. (Josué 22:1-3; Números 32:16-19) Mas algumas questões demandam nossa atenção:

1)    A Igreja em guerra espiritual.As batalhas do povo de Deus, no século 21, não são menores. Estamos em um ambiente em que a idolatria, a enxurrada de ensinos ateus e as distorções das Sagradas Escrituras levam a humanidade à autodestruição. O mundo necessita de homens e mulheres valentes e decididos que ponham em alto os valores morais. (2 Timóteo 4:1-5)

2)    Honrando a palavra. Somos um povo confiável? A disposição de cumprir os mandamentos de Deus é necessária. Cristo falou a seus discípulos que fossem ao mundo e ensinassem as verdades do Evangelho. Precisamos de pessoas com decisões permanentes. Os fracos e vacilantes perdem o sentido de direção e findam na escuridão do mal. No seu discurso de despedida, Josué disse ao povo: “escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas eu e a minha família serviremos ao Senhor.” (Josué 24:15) O povo, impressionado com tais palavras, respondeu ao líder, já ancião: “Nós serviremos ao Senhor.". (Josué 24:21) Deus tem permitido que o ser humano tome as próprias decisões e que tenha a oportunidade de escolher a quem vai servir.

3)    Entrada na Terra Prometida. Depois de terríveis experiências, dores, sofrimentos, expondo as próprias vidas em guerras devastadoras, o povo de Deus finalmente entrou na Terra Prometida. Como se fossem um “único homem”, lutaram sob a direção de Deus e triunfaram. Deus estava ao leme, dirigindo seus filhos ao seguro porto. Ele é o Senhor da História, e seus planos e propósitos cumpriram-se. Mas tudo isso era somente a antessala do projeto eterno do Criador, levar a Igreja às moradas eternas, no fim dos tempos, na consumação dos séculos. Em São João 14:1-3, Cristo prometeu levar os filhos ao Lar Celestial. Em Apocalipse, capítulo 21:1, o profeta João viu em visão a humanidade num mundo novo e, ali, a morte e a dor não mais existiriam. (verso 6) Não estamos aqui por acidente, por casualidade, ou por erro. A vida tem um propósito muito elevado. É nosso privilegio decidir até aonde iremos. No entanto, isso não será possível se não mantermos a obediência aos parâmetros divinos.

 

B) UMA RELACÃO DE AMOR

Para que as promessas celestiais tornem-se realidade, é necessário chegar a compreender, a ter a segurança por fé e a viver em forma pessoal o amor de Deus. Como está escrito em Josué 22:5, o homem deve amar, andar e guardar os mandamentos do Senhor.

Em Romanos 8:34-39, o apóstolo Paulo escreve que nada o pode separar do amor de Deus: tribulação, angústia, persecução, fome, perigo; nem sequer a morte, nem os poderes do mal. Seres humanos dessa qualidade terão um final feliz e imperecedouro.

 

O ALTAR DO TESTEMUNHO

“Quando chegaram a Gelilote, perto do Jordão, em Canaã, as tribos de Rúben, de Gade e a metade da tribo de Manassés construíram um imponente altar ali, junto ao Jordão. E, quando os outros israelitas souberam que eles tinham construído o altar na fronteira de Canaã, em Gelilote, perto do Jordão, no lado israelita, toda a comunidade de Israel reuniu-se em Siló para guerrear contra eles.”(Josué 22:10-12)

 

Ao voltar para sua terra, os integrantes das duas tribos e meia sentiram que haviam testemunhado um grau incomum do poder de Deus, durante as conquistas de Canaã. Tal como Josué, sentiam profundamente o que era ter um relacionamento correto com Deus. Antes de cruzar de volta para o lado leste, edificaram um altar junto ao Jordão. Era um altar de grande aparência (10). A última parte desse versículo também pode ser traduzida como “um altar de grande tamanho”.

As implicações sobre a decisão de levantar um altar nos limites do Jordão, sem consultar as outras nove tribos e meia, trouxe como consequência um panorama obtuso à estabilidade da nação. Os príncipes das demais tribos e os sacerdotes colocaram-se em alerta; então, reuniram-se e decidiram pedir explicações. No fundo, queriam guerrear contra os próprios irmãos. Mas, num primeiro momento, enviaram 10 príncipes com o filho do sacerdote Eleazar, Finéias.

Em Josué 22:28,29, vemos que o novo altar era uma grande réplica do local de sacrifício do tabernáculo, ou o altar do Monte Ebal, descrito em Josué 8:30-35. É possível que tivesse sido levantado na Galileia, em Gilgal.

Quando a comitiva chegou para pedir explicações, mostrava-se bastante incomodada e disposta a castigar os rebeldes. Supõe que os motivos que os levaram a erigir um altar era um ato de desobediência, de apostasia, uma rebelião aberta a Deus. Ninguém tinha permissão para levantar outro altar de sacrifício. Em Israel, somente existia um, e feito por ordem divina. Ali somente oficiavam os sacerdotes da descendência de Arão. Portanto, desobedecer a essa ordem traria consequências à nação toda, e a mão de Deus apartar-se-ia do seu povo. Nesse sentido, os transgressores teriam que assumir as consequências por tal felonia.

Encontramos a respostas nos versos 27 a 29. O altar construído era só um testemunho de que serviriam ao único Deus de Israel. Não fora erigido para a realização de sacrifícios, porém como memorial à união das nove tribos e meia, do lado oeste do Jordão. Ao olharem, todos os dias, o altar, o coração de cada um bateria em uníssono com os irmãos do outro lado do rio. Enfim, não se pensava em rebelião. Essa explicação satisfez a comitiva, e todos ficaram tranquilos e contentes. Já não haveria guerra entre irmãos, e os viajantes voltaram com notícias animadoras e paz no coração.

 

LIÇÕES PARA HOJE

De tudo que vimos até aqui, algumas lições importantes devem ser destacadas:

1)     Decisões apressadas. Quando decisões importantes são tomadas sem consultar todos os envolvidos, produzem-se quebras nas relações humanas. De forma especial, quando tem a ver com princípios morais e desenvolvimento da Igreja de Deus. Podem produzir-se desânimos, suspeitas negativas, intenções não santas. O apóstolo Paulo, escrevendo aos irmãos da Galácia, preocupou-se, pois muitos haviam deixado de lado os princípios do Evangelho e falou: “Vóscorríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade?”. (Gálatas 5:7) É sempre aconselhável pensar primeiramente e agir depois. Valorar em sua justa medida os argumentos para, em seguida, decidir o que quer crer, fazer, construir. Deus tem deixado sua Palavra, a qual nos ilumina o caminho para não tropeçarmos e acabarmos feridos, ou terminarmos destruídos. (2 Pedro 1:19)

2)     Mal-entendidos.Os irmãos das nove tribos e meia estavam desinformados dos motivos que haviam levado as outras duas a erigirem um altar, ou uma réplica do que estava já levantado por ordem divina. Isso os levou a desconfiar e quase tomar atitudes violentas em direção aos patrícios. Os relatórios recebidos eram tétricos, escuros e suspeitosos. Nem sempre as notícias verdadeiras chegam limpas; às vezes, a comunicação não funciona adequadamente. As distâncias mudam as palavras, os fatos são tergiversados e, finalmente, ocorrem os desastres. Paulo teve uma má experiência com Barnabé com respeito a João Marcos, por motivos missionários, e houve uma separação entre eles. (Atos dos Apóstolos 15:36-41) Foi um desacordo que produziu uma separação. Felizmente, em ambos os casos, os mal-entendidos foram resolvidos. A Igreja de Cristo padece por conta de vários desentendimentos. Lembremos que Satanás busca qualquer brecha para trazer separação.

3)     Comunicação adequada. Finéias e os príncipes, finalmente, compreenderam que não existia rebelião. Tiveram uma conversa sincera, clara e efetiva com os envolvidos na situação que parecia insolvável. Ficaram felizes e voltaram com boas notícias. O povo do Senhor seguia unido, em adoração ao único Deus. (Josué 22:31-33)

4)     Fidelidade a toda prova.As duas tribos e meia estiveram lutando junto a seus irmãos até o final. Além de voltar às suas terras, quando se cumpriram os planos do povo de Deus, assentados e seguros em seus territórios. Além disso, levantaram um altar para testemunhar que seriam fieis a Deus e não se apartariam dele. No livro do Apocalipse, lemos o seguinte: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.  (Apocalipse 2:10) A Igreja de Cristo espera o triunfo total. “O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.” (Ap. 21:7)

 

CONCLUSÃO

Vivemos dias muito diferentes dos tempos de Josué, porém os princípios da vida cristã sempre serão os mesmos. Necessita-se de uma Igreja valente, lutadora e fiel até o fim. É mister uma boa convivência. Firmar acordos, como também decisões pessoais e eclesiais equilibradas: Igreja unida por um só Deus, com irmãos preocupados uns pelos outros. Não há tempo para discrepâncias. Nossos braços devem ser sustentar nosso irmãos e não serem usados para derrubá-los. O amor de Deus deve alagar cada coração. A graça divina está à disposição de cada um; não a desprezemos.

 

A eternidade espera-nos junto a nosso Redentor e Salvador Jesus Cristo. Estamos muito perto de um novo amanhecer para a humanidade. É preciso decidir hoje a quem serviremos, se ainda não o fizemos.

Graça Maior - Pr. Pedro Aguilera Castillo, . Disponível em: https://gracamaior.com.br/estudos/estudo-da-semana/1114-o-fim-das-batalhas.html. Acesso em 27 Junho 2017.