Batistas do Sétimo Dia: Calvinistas ou Arminianos?

À medida que trabalhamos para corrigir erros comuns e equívocos sobre a história Batista do Sétimo Dia, este mês olharemos para alegações frequentes sobre nossa doutrina. Esta refere-se a uma das divisões teológicas protestantes mais prevalentes - Calvinismo e Arminianismo.

Nós recebemos pedidos esporádicos aqui na Sociedade [Histórica] nos pedindo para identificar se os Batistas do Sétimo Dia [BSD] são ou têm sido historicamente Calvinistas ou Arminianos. Se você conhece o debate teológico, a grande chance é que você tenha uma opinião. Neste caso, o equívoco sobre os BSD não é sobre a resposta de um lado ou do outro, mas sim a suposição de que absolutamente há uma resposta.

As disputas entre os adeptos das duas posições são de longa data. Durante a vida de João Calvino e depois de sua morte em 1564, as opiniões sobre a sua doutrina se multiplicaram, e as críticas foram niveladas em diversas frentes. Sua visão de que a soberania de Deus estendia-se até mesmo ao domínio da eleição [a escolha divina de indivíduos específicos para a salvação - N.T.] de alguém rendeu especial atenção, pois parecia limitar a agência humana.

Um dos seus críticos era o teólogo holandês Jakob Hermanszoon, mais conhecido hoje como Jacobus Arminius. Armínio estudou em Genebra sob o sucessor de Calvino, Theodore Beza, e então foi para o pastorado em Amsterdã em 1587.

Embora originalmente convencido das posições de Calvino, Armínio gradualmente passou a discordar da visão de Calvino sobre a soberania de Deus com relação à eleição. Seus seguidores publicaram um tratado solidificando suas posições em 1610, um ano depois que ele morreu.

Aqueles bem informados sobre a história dos Batistas reconhecerão que as origens do movimento Batista nascem do período histórico imediatamente após a morte de Armínio, visto que a famosa congregação de John Smith em Amsterdã também iniciou em 1609. Talvez não surpreendentemente, com o debate sobre a doutrina de Calvino e a resposta de Armínio ainda frescos quando os Batistas retornaram à Inglaterra, os grupos se formaram em torno de ambas as posições.

Os Batistas Gerais alinharam-se com Armínio e seus seguidores, enquanto os Batistas Particulares na Inglaterra alinharam-se com Calvino e seus seguidores. Entre os Batistas observadores do Domingo em Londres, divisões confessionais abriram-se entre os Calvinistas e os Arminianos, mas nenhuma dessas fendas abriu-se entre os Batistas Sabatistas. Parece que seu distintivo compartilhado [o Sábado – N.T.] era mais unificador do que a capacidade de divisão de suas outras posições teológicas.

Esse mesmo espírito foi incorporado na América quando as igrejas começaram a proliferar deste lado do Atlântico. Lendo os registros e as declarações doutrinárias delas feitas a partir do século 17 até o século 19, é claro que não havia posição uniforme sobre o assunto enquanto as igrejas locais se pactuavam a observar as Escrituras sem identificar-se claramente com um lado ou outro. A primeira Declaração de Fé da Conferência da mesma forma não declara fidelidade a um ponto de vista.

Isso não quer dizer que não havia aderentes a ambas as posições. Para dar apenas um exemplo, um pastor Batista do Sétimo Dia de longa data, Alexander Campbell relata em sua autobiografia as dificuldades que teve no campo missionário seguindo o ministério de Calvinistas. Desses comentários, é bastante claro que ele não era um aderente do Calvinismo. Exemplos contrários não são difíceis de encontrar.

Mas mais do que qualquer uma dessas posições individuais que podemos destacar, é claro que o nosso povo tem tomado essa abordagem: conquanto alguém continue a afirmar as Escrituras e honrar o pacto da igreja local, cuidando um do outro, os partidários de ambas as posições são bem-vindos. Portanto, como é o caso com muitas tendências históricas, se olharmos atentamente, podemos verificar mudanças lentas entre o pensamento Calvinista e Arminiano entre os Batistas do Sétimo Dia, movendo-se como um pêndulo em resposta às mudanças nas condições sociais e aos extremos incorporados na ascensão da outra posição.

A resposta à questão ‘Os Batistas do Sétimo Dia são Calvinistas ou Arminianos?’ é e tem sempre sido ‘Sim’.

Nick Kersten, historiador-bibliotecário; THE SABBATH RECORD: NEWS FOR AND ABOUT SEVENTH-DAY BAPTISTS; março de 2014, pág. 14.

Traduzido por Fabricio Luís Lovato

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Graça Maior - Nick Kersten, . Disponível em: https://gracamaior.com.br/estudos/batistas-do-setimo-dia/608-batistas-do-setimo-dia-calvinistas-ou-arminianos.html. Acesso em 18 Novembro 2017.