| A Nuvem Branca por Dirk Anderson |
|
|
| segunda, 05 de junho de 2006 | |
|
Página 5 de 10 Quando Cristo não regressou no tempo em que era esperado em 22 de outubro de 1844, houve grande confusão entre os seguidores de Guilherme Miller. Nos meses siguintes, a maioria dos mileritas regresou a suas igrejas, mas outros estavan demasiado envergonhados para admitir seu erro ou sentiam-se demasiado humilhados para regressar. Alguns sentiram que suas antigas igrejas os haviam tratado com um espírito nada cristão, e preferiram adorar com os que tinham experimentado uma peregrinação semelhante. Estas pessoas eram conhecidas como "adventistas," e foi entre elas que o ensino da "porta fechada" se desenvolveu por primeira vez.
O ensino da "porta fechada" se baseia na parábola das dez virgens de Mateus 25. De acordo com a parábola, os mensageiros do Esposo clamam à meia-noite que o Esposo, que representa a Jesus, vem à festa das bodas. (Mat. 25:6). Muitos adventistas continuaram crendo que o movimento de 1844 anunciando o regresso de Cristo era o clamor da meia-noite. Os seguidores da porta fechada ensinavam que o Esposo veio à "ceia das bodas" em 22 de outubro de 1844:
Ensinavam que o versículo anterior se cumpriu em 22 de outubro de 1844, quando Cristo se levantou no santuário celestial e passou do Lugar Santo ao Lugar Santíssimo. Ao fazê-lo, Cristo fechou a porta da salvação para todos, exceto para "as virgens prudentes," os crentes adventistas que haviam participado do movimento de Guilherme Miller de 1844. Criam que Jesus agora estava "encerrado" com seu povo especial, preparando-o e purificando-o por meio de uma série de provas e tribulações para que fosse digno de receber o Seu reino. Criam que, desde 22 de outubro de 1844, Cristo estava ministrando só a Israel – os crentes adventistas. Ensinavam que Cristo estava provando Seus filhos sobre certos pontos da verdade, como o sábado, e que Sua obra em favor da salvação dos perdidos havia terminado. A princípio, Guilherme Miller ensinou a doutrina da porta fechada, como se pode ver no artigo que escreveu em dezembro de 1844:
Em 19 de fevereiro de 1845, Miller expressou sua crença de que nenhum nenhum pecador se havia convertido na terra durante os últimos cinco meses:
No entanto, havia uns poucos adventistas que persistiam na doutrina da porta fechada. Joseph Bates era um firme crente na doutrina da porta fechada. Sustentava que haveria um período de sete anos durante o qual Cristo provaria Seus filhos. Cria que ao final desse período, em 1851, Cristo regressaria à terra. em 1847, Bates escreveu:
Como Bates, Tiago e Ellen White eram ardentes partidários da doutrina da porta fechada. Já em 1845, Ellen estava recebendo visões que mostravam que a porta da salvação estava fechada. Uma senhora que vivia no Maine, e que tinha mais ou menos a idade de Ellen, era Lucinda Burdick. Ela descreve como conheceu Ellen:
Ter a informação de que a porta da salvação estava fechada para os pecadores deve ter sido angustioso para a jovem Lucinda. Ela recorda mais experiências espantosas com a profetisa:
A mensagem de Ellen White para seus seguidores era de que não restava qualquer obra por fazer a favor dos não-adventistas. O ministro adventista Isaac Wellcome recorda tê-la ouvido relatar esta mensagem em visão em 1845:
Em princípios de 1846, Ellen escreveu acerca de uma experiência em que suas visões ajudaram a convencer almas que duvidavam de que a porta da salvação estava realmente fechada:
Pode ser que suas visões hajam convencido a Irmã Durben e outros presentes na reunião de que a porta da salvação estava fechada, mas outros ainda não estavan convencidos. Os White começaram a viajar num esforço por convencer outros adventistas, como o Irmão Stowell, de que a porta da salvação estava fechada. Ellen escreve:
Os esforços dos White para estabelecer a doutrina da porta fechada foram observados por outros adventistas. Um crente na porta fechada, Otis Nichols, escreveu a William Miller em abril de 1846 elogiando a Irmã White por suas visões acerca da porta fechada:
Ellen teve algumas de suas visões sobre a porta fechada na casa de John Megquier, que vivia em Poland, Maine. Ele compartilha sua experiência como segue:
Novamente encontramos a Sra. White predizendo quem estava perdido e quem era salvo, baseando-se na receptividade de suas visões. Depois de um tempo, os White pensaram que simplesmente ir de localidade em localidade pregando a porta fechada não era suficiente. Em 1847, Tiago publicou um documento intitulado "A Word to the Little Flock" [Uma Palavra ao Pequeno Rebanho], no qual ele e Ellen promoviam sua doutrina da porta fechada. Nessa publicação, Ellen descreve uma assombrosa visão que recebeu de Deus:
De acordo com esta visão, os adventistas caídos não podiam retornar ao caminho que conduzia ao céu porque a porta da salvação estava fechada. Como o "mundo ímpio que Deus havia rejeitado," os adventistas caídos não tinham esperança de salvação. No mesmo documento, Tiago acrescentou seus própios pensamentos sobre a porta fechada:
Enquanto Tiago e Ellen continuavam ensinando que em 1847 Jesus já não advogava a causa dos pecadores, a maré estava começando a volver-se contra a doutrina. Pelo fim de 1848, a maioria dos adventistas se dera conta de que a doutrina estava errada abandonando-a. Nesse entretempo, a profetisa de Deus não estava disposta a abandoná-la. Esta era a mensagem que Deus lhe havia dado para pregar, e não ia renunciar a ela, apesar de que sua popularidade estava desaparecendo. Deveriam os profetas alterar suas mensagens só porque são impopulares? Não! Por isso os White e Bates continuaram pregando a doutrina da porta fechada. Na realidade, Tiago iniciou uma nova revista mensal intitulada Present Truth [A Verdade Presente]. A doutrina da porta fechada recebeu atenção especial nessa revista quase todos os meses de sua curta publicação. No outono de 1849 tinham decorrido quase cinco anos desde que os adventistas da porta fechada recusaram trabalhar pela salvação dos perdidos. É doloroso imaginar quantas almas perdidas nunca ouviram falar do evangelho durante esse período. Quantos dos que se perderam poderiam ter-se salvado? Depois de cinco anos do dogma da porta fechada, alguns provavelmente se perguntavam quando iam os anjos tocar a Ellen no ombro e dizer-lhe que o ensino da porta fechada era ficção. Ao contrário, porém, os anjos lhe diziam que o dia da salvação para os perdidos havia terminado. Em agosto, Ellen compartilhou com os leitores de Present Truth o que o seu anjo acompanhante lhe havia dito:
Em princípios de 1850, os adventistas da porta fechada enfrentaram um dilema. Sua doutrina capengava, e tinham dificuldade para atrair novos adeptos. De acordo com a maneira como Bates entendia a profecia, Jesus devia regressar no outono de 1851, e eles só tinham dezoito meses para se preparar! O mais preocupante de tudo era que seus seguidores somavam apenas centenas e eles necessitavam de 144.000 para o outono do próximo ano. Que iam fazer? Talvez haviam fechado a porta de forma demasiado hermética! Em princípios de 1850, apareceram os primeiros sinais de que a porta fechada estava começando a se abrir um pouquinho. Numa carta escrita a alguns amigos em fevereiro, a Sra. White anunciava alguns novos conversos à mensagem adventista:
Aqui encontramos o primeiro indício de que os que não eram parte do movimento de 1844 podiam salvar-se. Logicamente, a Sra. White cuida em dizer que essas pessoas eram cristãos que nunca haviam ouvido falar da doutrina adventista. Ainda não havia esperança para os não cristãos e os cristãos que tinham rechaçado a mensagem de Miller de 1844 fixando uma data para a segunda vinda. Em abril de 1850, a porta fechada se abriu um pouquinho mais para deixar entrar os filhos dos santos. Tinham-se passado quase seis anos desde o grande Desapontamento, e muitas crianças foram nascidas durante esse período. Poderiam salvar-se essas crianças, posto que não fizeram parte do movimento de 1844? A questão foi decidida na revista Present Truth:
Durante 1850, Tiago White continuou promovendo a mensagem da porta fechada em sua revista. Apesar da crescente impopularidade da mensagem da porta fechada, Tiago e Ellen estavam decididos a seguir promovendo-a. Em maio, Tiago escreveu:
Finalmente, pelo final de 1850, a porta fechada se abriu outro pouquinho. Abriu um pouco mais para deixar entrar Herman Churchill, um homem que havia sido inconverso em 1844. A decisão de Herman Churchill de unir-se aos crentes adventistas em agosto de 1850 causou considerável comoção entre os crentes da porta fechada. Tiago escreveu acerca do acontecimento numa carta:
Quase seis anos depois do grande Desapontamento, os adventistas tinham feito o primeiro converso que não havia sido cristão em 1844. Os adventistas se surpreenderam de que alguém, que não era parte do movimento de 1844, estivesse interessado em unir-se a eles. George Butler, presidente da Associação Geral, escrevendo na Review and Herald de 7 de abril de 1885, recorda a assombrosa natureza da decisão de Churchill:
Ao transcorrer o ano de 1851, começou a ser mais e mais evidente para todos que Cristo já não ia regressar no outono. Esperavam sinais que não ocorriam, e sem dúvida as pessoas estavam se cansando de ouvir predições acerca do regresso de Cristo. Também se estavam cansando do ensino da porta fechada. Depois de quase sete anos, Tiago e Ellen finalmente abandonaram a doutrina da porta fechada. Nenhum anjo lhes advertiu de seu erro. Ellen não recebeu nenhuma visão mostrando-lhe seu engano. O tempo mesmo havia matado a doutrina. Simplesmente, já não fazia sentido. O abandono da doutrina da porta fechada pôs Ellen White numa situação em que todo profeta odeia estar. Como explica alguém a seus seguidores que suas visões estavam erradas? As pessoas esperam que um profeta corrija falsos ensinos, não que os estimule. Bem, a Sra. White permaneceu relativamente tranqüila durante os poucos anos seguintes. Felizmente, o dano foi de extensão limitada. É improvável que mais do que uns poucos milhares de pessoas tivessem sequer ouvido falar de Ellen White. Talvez esta fosse uma ferida que o tempo curaria. Mudar-se para uma nova localidade e a um novo campo de trabalho parecia ser o certo a fazer, posto que sua influência se havia perdido no nordeste do país. Em meados da década de 1850, os White se haviam mudado para o Michigan, e enfocavam seus esforços sobre os estados do meio-oeste norte-americano. Lucinda Burdick escreve acerca da perda da influência deles na área da Nova Inglaterra:
Imediatamente, Tiago se dispôs a restaurar a imagem de Ellen. Iniciou o que haveria de converter-se na tarefa de toda sua vida – revisar os escritos da esposa. Tiago revisou todos os artigos de sua esposa, e eliminou as partes objetáveis que tratavam da doutrina da porta fechada. Deu fim à revista Present Truth, que alguns haviam chegado a crer que era qualquer coisa, menos a verdade presente. Logo iniciou uma nova revista, chamada "Advent Review and Sabbath Herald." Voltou a imprimir a versão "corrigida" das visões de sua esposa em 1851 num folheto de 64 páginas intitulado Vida e Ensinos. Enquanto Tiago aparentemente não sentia embaraço em eliminar os escritos de uma profetisa de Deus, isso não foi do agrado de todos os irmãos. Quando saiu o novo folleto com 19 por ciento do texto original faltando, tal fato ameaçou deflagrar uma crise. Como é de se imaginar, alguns membros da diminuta igreja se horrorizaram de que visões inteiras, que criam proceder diretamente de Deus, houvessem sido omitidas. Alguns dirigentes convocaram uma reunião com Tiago. A Sra. White descreve como Tiago acalmou a perigosa crise:
Nesse dia, o Irmão Butler aprendeu uma lição que muitos aprenderiam mais tarde. Quando Tiago White corrigia e eliminava partes dos escritos da Sra. White, não estava ocultando "a luz do céu." Antes, estava ocultando erros e equívocos que, se examinados pelas pessoas, as levariam a indagar-se se sua esposa era realmente profeta. Cumpriu Tiago alguma vez sua promessa de imprimir todas as visões quando tivessem mais dinheiro disponível? Apesar de sua posição financeira ter melhorado dramaticamente em anos posteriores, Tiago nunca reimprimiu as doutrinas. Gradualmente, foram esquecidas como relíquias do passado. A porta fechada foi "branqueada," eliminada da história da igreja, e o tema raras vezes suscitado no princípio da década de 1850. A doutrina da porta fechada poderia ter descansado para sempre no cemitério do silêncio, se não tivesse sido pelos acontecimentos da década de 1880.
A década 1880: Os Primeiros Escritos foram realmente seus primeiríssimos escritos? Trinta anos mais tarde, as feridas da porta fechada quase haviam cicatrizado. Os artigos de Ellen White na Word to the Little Flock e Present Truth há tempos tinham desaparecido, e bem poucos adventistas sabiam sequer de sua existência. A maioria dos adventistas não tinha idéia de que sua profeta havia promovido um falso ensino por meio de suas visões. Não obstante, as feridas da porta fechada continuavam sendo uma fonte de irritação de quando em quando. Em 1866, dois ministros adventistas de Iowa imprimiram num livro algumas das suas declarações questionáveis. Isto causou uma divisão na igreja de Iowa, mas aqueles ministros foram criticados severamente pelos White, e essa tormenta a seu tempo passou. Contudo, por muitos anos houve rumores na igreja acerca dos escritos da Sra. White que haviam sido suprimidos. Em princípios da década de 1880, o presidente da Associação Geral, George Butler, estava ansioso de pôr fim a esses rumores. O ministro adventista D. M. Canright conta como Butler se acercou dele e de Tiago White, e falaram acerca de voltar a publicar os primeiros escritos da Sra. White:
Apesar da advertência de Tiago, Butler foi em frente e publicou Primeiros Escritos para silenciar os críticos de Ellen White. Depois que publicou o livro, Butler escreveu um artigo anunciando-o nos seguintes termos:
Como George Butler disse mais acima, o livro foi escrito para silenciar os críticos de Ellen White. No prefácio, os publicadores nos asseguram que estes são os primeiríssimos escritos da Sra. White. "Tem-se despertado um grande interesse em todas as suas obras, especialmente nestas primeiras visões, e o clamor para que se publique uma segunda edição é imperativo." " Nenhuma alteração da obra original foi feita na edição atual, exceto o emprego ocasional de uma palavra nova, ou uma mudança na construção de alguma sentença, para melhor expressar a idéia, e nenhuma porção da obra foi omitida. Nenhuma sombra de mudança foi feita em qualquer idéia ou sentimento da obra original, e as alterações verbais foram realizadas sob as vistas da autora, e com sua plena aprovação. Antes que silenciar os críticos, o livro causou uma tormenta de controvérsia. Imediatamente depois de que se publicou Primeiros Escritos, o Pr. A. C. Long publicou um tratado de dezesseis páginas intitulado "Comparison of the Primeiros Escritos of Mrs. White with Later Publications" [Comparação dos Primeiros Escritos da Sra. White com Publicações Posteriores]. Nessa publicação, o Pr. Long mostra, linha após linha, que partes dos escritos da Sra. White foram eliminadas. Resulta que Primeiros Escritos contém os escritos de Ellen White tomados do folheto publicado por Tiago em 1851 e intitulado "Experience and Views." A publicação de 1851 não continha os primeiros escritos de Ellen White. A publicação de 1851 não continha nenhuma das embaraçosas afirmações acerca da porta fechada. Na realidade, os primeiros escritos foram A Word to the Little Flock e os artigos de Present Truth publicados entre 1847 e 1850. Um exemplo citado pelo Pr. Long se encontra na página 14 de Primeiros Escritos. Nesse exemplo, encontramos uma das mais famosas visões de Ellen White em que falta uma sentença (entre colchetes, mais abaixo):
A razão por que essas linhas foram suprimidas é óbvia. Ensinam a doutrina da porta fechada, que a igreja havia descartado trinta anos antes. Depois que o Pr. Long publicou seu tratado, Butler provavelmente se deu conta do porquê de Tiago White ter-lhe dito que fosse devagar. Conquanto os dirigentes da igreja agora se davam conta de que Primeiros Escritos em realidade não eram os primeiros escritos da Sra. White, não retiraram o livro. De fato, ainda se acha disponível hoje em dia. Numa tentativa de explicar seus afirmações acerca da porta fechada, a Sra. White escreveu em 1884:
Ao mesmo tempo que admite seu erro, a Sra. White trata de fazer ver que foram suas visões de Deus as que corrigiram o erro. O que não diz é que ela sustentou essa crença por quase sete anos e que a ensinava baseando-se em suas visões. Por chocante que possa parecer, faltava ainda por ter-se a mais alarmante descoberta acerca dos primeiroos dias da Sra. White. Mais de 100 anos depois de que se publicou Primeiros Escritos, um seminarista adventista do sétimo dia fez o que se descreveu como o descobrimento histórico adventista do século. Foi um achado espantoso com relação a Israel Dammon, que havia sido associado de Ellen White nos primórdios do adventismo....
Capitulo do livro: A NUVEM BRANCA Título Original em Inglês: "The White Out" De: Dirk Anderson Ex-adventista |
| Próximo > |
|---|