| A Nuvem Branca por Dirk Anderson |
|
|
| segunda, 05 de junho de 2006 | |
|
Página 4 de 10 Ellen Harmon era uma frágil garota de 13 anos de idade quando pela primeira vez ouviu William Miller anunciar que o fim do mundo estava às portas. Tinham decorridos quatro anos desde que uma colega de escola lhe havia lançado uma pedra no rosto - um incidente que alterária sua vida para sempre. O golpe que sofreu causou uma severa lesão cerebral, que quase termina com sua vida. O trauma no cérebro foi tão intenso que não progrediu muito na escola, e finalmente, depois da idade de doze anos, desistiu de tentar freqüentar a escola formalmente.2 Apesar de sua incapacidade para freqüentar a escola, em breve desenvolveu outros interesses. Ellen e sua família se sentiram cativados pelo fazendeiro convertido em pregador que por primeira vez predisse que o mundo terminaria em 1843, mudando depois a data para 22 de outubro de 1844. Ellen foi arrebatada pelo fervor religioso que ficaria conhecido como Clamor da Meia Noite, ou movimento milerita, e movimento adventista. Ellen cresceu numa atmosfera carregada de "entusiasmo" religioso. Havia profetas de Deus por toda parte. Em princípios do século dezenove, nos Estados Unidos, abundavam "profetas" de toda classe e condição. Era uma época em que os visionários e os profetas eram populares e atraíam grande número de seguidores. Nessa época, o fundador dos mórmons, Joseph Smith, recebia "revelações" de Deus. Na década de 1830, propagou-se verdadeira epidemia de visões pelas comunidades dos quacres; mocinhas "começaram a cantar, a falar de anjo, e a descrever uma viagem que faziam, sob condução espiritual, a lugares celestiais. "Com freqüência, os afetados "caíam ao solo, onde jaziam como mortos, ou lutavam angustiados, até que alguém que estava próximo os levantava, e então começavam a falar com grande claridade e compostura."3 O movimento milerita teve sua própria quota de profetas. John Starkweather, um milerita, e pastor assistente na Capela de Joshua Himes em Chardon Street, experimentava o que alguns críticos descreviam como ataques "catalépticos e epilépticos" que desconcertavam a seus colegas mais calmos. Finalmente, foi expulso da congregação quando seus dons espirituais resultaram ser contagiosos.4 Foi durante esses anos impresionáveis da adolescência que a jovem Ellen teve a oportunidade de associar-se com os "profetas" do movimento milerita. Estava bastante familiarizada pelo menos com os profetas mileritas. Em 1842, um milerita afroamericano chamado William Foy começou a receber o que cria serem visões de Deus. Passou a percorrer a Nova Inglaterra pregando, e Ellen foi ouvi-lo falar não Beethoven Hall de sua cidade natal de Portland, Maine. Mais tarde, ela também viajou com seu pai para ouvi-lo falar na cidade próxima de Cape Elizabeth.5 Em 1845, Foy publicou um folheto que continha suas visões. Há poucas dúvidas de que Ellen conservava uma cópia das visões de Foy de que tinha posse.6 As esplêndidas descrições do céu por Foy devem tê-la emocionado:
O fanatismo continuava perturbando os mileritas mesmo depois do desapontamento de 22 de outubro, e parecia particularmente prevalecente entre os crentes da "porta fechada." Os crentes da "porta fechada" eram membros do movimento milerita que criam que a porta da salvação se havia fechado em 22 de outubro de 1844 para todos os que tinham rechaçado o movimento de William Miller fixando uma data para a vinda de Jesus. Foi entre os crentes da "porta fechada" que Ellen Harmon mais tarde se converteria na principal profeta. Em Springwater Valley, Nova York, um partidário da "porta fechada," de raça negra chamado Houston, afirmava que Deus às vezes lhe falava em visões. O grupo da "porta fechada" em Portland, Maine, terra natal de Ellen Harmon, tinha ainda pior fama nos círculos mileritas. Joshua Himes criticava "sua contínua introdução de tolices visionárias."10 Em março de 1845, Himes informou a Miller que uma tal irmã Clemons da cidade natal de Ellen Harmon, Portland, Maine, "se tornou muito visionária e tem desagradado a quase todos os bons amigos aqui." Poucas semanas mais tarde, informou que outra irmã de Portland havia recebido uma visão mostrando-lhe que a Irmã Clemons era do diabo. Himes concluiu: "As coisas estão mal em Portland."11 Quando Cristo não regressou em 22 de outubro de 1844, como se havia predito, o fervor religioso gradualmente começou a diminuir, e muitos dos "profetas" regressaram a suas ocupações anteriores. Embora a maioria tenha abandonado a doutrina milerita, uns poucos persistiram nela. Entre esses poucos estava Ellen Harmon. Suas visões pareciam indicar que o regresso de Cristo ainda era iminente. Sentia-se compelida por Deus a compartilhar essas visões com outros. Começou a viajar pela região nordeste dos Estados Unidos compartilhando suas visões com os dispersos crentes adventistas. Teve resultados mistos. Enquanto alguns se sentiram estimulados por suas visões, outros ficaram em dúvida. Pelo menos uma testemunha teve a impressão de que as visões dela eram mais produto de sua imaginação que da inspiração:
Deve ter sido frustrante para a jovem profetisa que tanta gente que presenciava suas visões, incluindo de sua própria família, mantinha dúvidas de sua divina origem. Mais tarde, Ellen lamentaria que "muitos" dos que presenciaram suas primeiras visões creram que eram resultado de "excitação e mesmerismo," mais que de inspiração divina.13 Isaac Wellcome, um ministro adventista que presenciou várias das primeiras visões, descreve-as como segue:
Foi durante 1845 que Ellen Harmon conheceu o jovem ministro que mais tarde se converteria em seu esposo, Tiago White. Tiago e Ellen começaram a viajar juntos, pregando para o rebanho disperso de adventistas que ainda mantinham a esperança de que o regresso de Cristo estava iminente. Aquela gente se havia sentido amargamente decepcionada, e estava ansiosa de ouvir dizer que o regresso de Cristo ainda estava bem próximo. A aspirante a profetisa levantou as esperanças despedaçadas dos crentes mileritas profetizando que o Senhor viria em junho de 1845. Quando esta data passou sem que nada sucedesse, a profetisa deixou de lado o erro e atrasou a data para setembro. Lucinda Burdick, uma esposa de ministro que havia presenciado as visões de Ellen Harmon em 1845, descreve o caos que essas predições sobre as datas causaram entre os crentes adventistas:
Apesar de seus primeiros dois fracassos em predizer o regresso de Cristo, Ellen e Tiago continuaram pregando o iminente regresso de Cristo. Como estavan surgindo perguntas sobre se era ou não correto que Tiago e Ellen viajassem juntos sem estar casados, decidiram atar o nó matrimonial para evitar a aparência do mal. Ao viajarem através de Maine, as visões de Ellen advertiam que os ímpios se levantariam contra eles e os encarcerariam. Iam de um lado a outro dando a conhecer essas espantosas visões em todas as igrejas pelas quais passavam. Desafortunadamente, esta prática resultou contraproducente quando os eventos profetizados não tiveram lugar. Lucinda Burdick, testemunhas daquelas visões, conta a história:
No princípio de sua carreira, a Sra. White revelou uma característica que haveria de segui-la pelo resto de seus dias. Quando uma de suas profecias revelava-se fracassada o quando cometia erros, em vez de reconnecê-los, volvia-se contra aqueles que os haviam notado, e os acusava de estarem "amaldiçoados" e "perdidos." Antes que estimular a fé em seu dom, esse costume ofendia a um grande número de pessoas. Devido a esse costume, e dadas as fracassadas profecias de Ellen, os White agora se acharam numa situação desafortunada. Muitos dos crentes adventistas se haviam voltado contra eles. A credibilidade dos White e seus recursos financeiros estavam não ponto mais baixo. Necesitavam era de um amigo influente que pudesse ajudá-los naquele período difícil.
Os White Conhecem Joseph Bates Joseph Bates, um capitão da marinha aposentado convertido em pregador, era tido pelos adventistas em alta estima. Era influente, muito bem educado, e homem de caráter. Ele conheceu os White no outono de 1846. Naquela época Ellen tinha só dezenove anos, era debil, não tinha educação, e era ainda desconhecida pela maioria dos adventistas. Tiago tinha vinte seis anos, e apenas uma educação limitada. Ele e a esposa eram pobres e necessitados. Um amigo influente como Joseph Bates era exatamente do que os White necesitavam. A princípio, os White e Joseph Bates eram mutuamente céticos. Os White descriam do sábado de Bates a que atribuíam pouco valor. Por seu turno, Bates demonstrava-se cético quanto ao dom profético de Ellen. Numa ocasião, Bates escreveu:
Como muitos outros, Bates tinha a impressão de que as visões de Ellen eram mais o resultado de sua má saúde causada pela terrível lesão cerebral do que de revelações divinamente inspiradas. Sem embargo, com uma bem calculada visão acerca do tema favorito de
Capitulo do livro: A NUVEM BRANCA Título Original em Inglês: "The White Out" De: Dirk Anderson Ex-adventista |
| Próximo > |
|---|