O resto da história é pendente abaixo todo o caminho. O último dos cinco grandes na série Conflito dos Séculos, publicado ao ano seguinte depois da morte de Ellen à idade de oitenta e oito anos, continuou o padrão de setenta anos - copiando o que outros tinham escrito sobre o tema.

Uma vez que a igreja e o público foram persuadidos de que a leitura de Ellen tinha melhorado enormemente sua capacidade e sua memória, qualquer coisa que levasse seu nome se vendia. Em princípios do século XX, a Igreja Adventista estava vendendo a Ellen por todas as partes. Gradualmente, Deus, o Evangelho, e até o relato bíblico do evangelho, pareciam perder prioridade no púlpito. A ênfase veio a fazer-se principalmente sobre a autoridade de Ellen por meio de seus rápidos olhares para o futuro e seu realinhamento dos eventos da história, sem importar a fonte ou o grau de exatidão Muitos dos clérigos vieram ser menos ministros da luz e da verdade e mais apologistas da Ellenologia Adventista e supervendedores da igreja. Claramente, Deus corria em segundo lugar.

No Comentário Adventista, Ellen foi reconhecida como a voz autorizada para as instituições educativas que a igreja opera.1 Os livros devocionais anuais vendidos aos verdadeiros crentes traziam um poderoso provérbio de Deus para cada dia por meio da pluma de Ellen.2 Uma enxurrada de material impresso inundava a igreja através de depoimentos "novos" e "não publicados." Compilações adicionais – solicitadas ou sugeridas por administradores em postos chave que desejavam autoridade para o que estavam fazendo ou o que queriam fazer ou, ainda, o que criam – continuavam aparecendo nas listas de publicações ou folhetos Adventistas,3 e os membros as compravam, sem suspeitar quão substancialmente outros ajudantes diferentes de Deus haviam tornado possível esta abundância.4

Já em princípios da década de 1950, o White Estate tinha escrito que seu propósito era limitar a produção de compilações. Mas as compilações continuaram saindo.5 Se fizeram planos para uma habitação adicional na abóbada do Ellen G. White Estate para dar cabida a todos os pedaços e retalhos de material sobrante que eram incorporados ao material impresso publicado sob o nome de Ellen. Segundo um rumor humorístico que corria, durante as renovações o neto Arthur instalou seu catre perto da porta para proteger o material de Deus e assegurar-se de que a porta fechada dessa abóbada permanecesse fechada. Ao todo, os anos que decorreram desde a morte de Ellen em 1915 até começos da década de 1960 fizeram mais para realçar seus escritos expandidos, sua imagem, e sua posição como "a primeira entre seus iguais" de Deus que todos os anos de esforços enquanto viveu. Em realidade, para muitos, com freqüência parece que se escreveu mais a respeito de ela, a favor dela, e por ela desde sua morte que durante sua vida. Onde terminará todo isto?

Num momento de fervor, a gente tende a deixar-se levar pelo entusiasmo. Pode ser que as coisas se voltem um pouquinho livres ou descuidadas – e isso é o que sucedeu com alguns dos bocados que estavam atirados por aí. Por exemplo, uma Review de 1871 continha um parágrafo credenciado como "Selected" - indicando que esse pequeno trecho tinha sido reimpresso de uma fonte que ou era desconhecida ou não era aceitável nomear:

O que faz muita falta nesta época são homens. Homens que não se vendam. Homens que sejam honestos, íntegros desde o centro até a circunferência, sinceros até a medula dos ossos – homens que condenem o erro num amigo ou num inimigo, neles mesmos e nos demais. Homens cujas consciências sejam tão firmes como a bússola ao pólo. Homens que estejam de parte da verdade ainda que os céus se cambaleiem e a terra trema.6

Uma paráfrase deste pensamento "seleto" [que apareceu como mais trinta anos tarde na edição de 1903 do livro de Ellen, Education (Educação)] se converteria numa das grandes gemas Adventistas - memorizada, recitada, e reverenciada por incontáveis milhares de fiéis:

A falta maior no mundo é de homens – homens que não se comprem nem se vendam, homens que sejam verazes e honestos no mais íntimo de suas almas, homens que não temam chamar ao pecado por seu verdadeiro nome, homens cujas consciências sejam tão fiéis ao dever como a bússola ao pólo, homens que permaneçam do lado da verdade ainda que se desaprumem os céus.7

Outros bocados e retalhos começaram a aparecer também nos Testimonies for the Church [Depoimentos para a Igreja], de Ellen.8 Até que se fez esta descoberta, que ocorreu depois de sua morte (até onde o indica a informação atual), os Testimonies sempre tinham sido tidos por não violados. Eram as virgens do gênio dela, o sinal de sua conexão com Deus, sua única e verdadeira declaração a respeito de suas sessões pessoais e não adulteradas com os seres celestiais. Até Uriah Smith tinha traçado uma linha entre o que ele tinha visto e aquilo do que não podia estar seguro nesse tempo.9 Mas já não se podia negar que, se alguém deixava atirado um bocado, Ellen o recolhia e o usava, porque tarde ou temporão aparecia em sua loja de penhores para ser vendido como mercadoria de Deus.

Um erudito que conhecemos antes, Dom McAdams, apareceu com um manuscrito revelando que Ellen tinha usado ao historiador Wylie para alguns retalhos de The Great Controversy (O Grande Conflito):

As porções históricas de The Great Controversy (O Grande Conflito) que examinei são compêndios e adaptações seletivas de historiadores. Ellen White não só tomava emprestados os parágrafos com os quais se esbarrava aqui e ali durante suas leituras, senão que em realidade seguia aos historiadores página depois de página, omitindo muito material, mas usando sua seqüência, algumas de suas idéias, e com freqüência suas palavras. Nos exemplos que examinei, não encontrei fatos históricos no texto dela que não estejam no texto deles. O rascunho escrito à mão sobre John Huss segue ao historiador tão de perto que nem sequer parece ter passado por uma etapa intermediária, senão mais bem próximo da página impressa do historiador que ao manuscrito da Sra. White, incluindo erros históricos e exortações morais.10

Para mediados da década de 1970, um crescente número de relatórios punham em dúvida os escritos de Ellen e de seus ajudantes.11 Até os membros diretores do White Estate entraram em cena, de uma maneira obtusa. Rum Graybill, naquele tempo assistente nos escritórios do Ellen G. White Estate, completou um estudo de um dos capítulos de The Great Controversy (O Grande Conflito) e descobriu que grande parte dele tinha sido incluída num artigo no Signs of the Times de Outubro de 1883, titulado "Luther in the Wartburg."12 Graybill tinha descoberto que o que Ellen tinha feito em realidade era copiar, não ao historiador Merle d'Aubigné, como se tinha suposto, "senão uma versão popularizada de d'Aubigné, que tinha sido preparada pelo Reverendo Charles Adams para leitores juvenis" – neste caso tinha copiado ao que tinha copiado.

Nem sequer a conexão de Graybill com O Ellen G. White Estate pôde aliviar a dor ao escrever:

A impressão geral obtida deste estudo por este pesquisador é que apóia o ponto principal de McAdams - que a narrativa histórica objetiva e secular se baseou na obra de historiadores, não em visões.13

Como no caso do trabalho de McAdams, o Ellen G. White Estate não quis dar à luz o trabalho de Graybill, seu próprio representante. Precisa-se algo mais do que um agente secreto para obter uma cópia desta peça. Mas se um fora o bastante afortunado para estar entre os poucos escolhidos aos quais se lhes permite ver a preciosa relíquia da qual Graybill sacou sua conclusão, veria que Ellen em realidade tinha copiado com sua própria mão as palavras e os pensamentos de alguém que tinha copiado as palavras e os pensamentos de outro escritor. Se for aqui onde os teólogos Adventistas estão parados quando insistem em que "todo o mundo" o fazia (assim que tem que ser correto), poderiam ter razão. Mas um poderia perguntar-se: – Por que meter a Deus em todo isto e insistir em que Ele o aprovou?

Devido a que muito e valioso material fonte do White Estate, não o Ellen G. White Estate facilmente disponível para os pesquisadores, a comunidade intelectual ainda não pôde enfrentar-se com o sério problema que parece existir quanto ao significado de inspiração.

Os modernos exploradores William S. Peterson e Ronald L. Numbers tinham feito bem revelando as fontes de alguns dos bocados e retalhos que tinham sido vistos de tanto em tanto na loja de penhores de Ellen. Mas foi sua desventura, por seus esforços, fazer-se não bem-vindo para o emprego institucional Adventista, como lhes tinha sucedido a muitos outros antes que eles. Para continuar sendo funcional no Adventismo, não é necessário ver o que Ellen via, e certamente não é necessário ver em que lugar ela via o que via, mas sempre foi necessário crer que ela via o que via. Este fato é difícil de aceitar por aqueles que, ainda por predeterminação, remexem na loja de penhores onde a mercadoria é representada ante os compradores como mercadoria de Deus.

Às vezes, as coisas se punham, não só criativas, senão hilariantes. Em 1977, Harold L. Calkins, anterior presidente da Southern California Conference dos Adventistas do Sétimo Dia, inundou as igrejas locais com esta jóia credenciada a Ellen G. White na Review de Outubro 7, 1865:

A oração é a resposta a cada problema da vida. Põe-nos a tom com a sabedoria divina, que sabe como ajustar todo à perfeição. Assim que, com freqüência, não oramos em certas situações, porque desde nosso ponto de vista, a perspectiva é desesperada. Mas nada é impossível para Deus. Nada é tão enredado que não se possa remediar; nenhuma relação humana é tão tensa que Deus não possa trazer reconciliação e entendimento; nenhum hábito está tão profundamente arraigado que não possa ser vencido; ninguém é tão débil que não possa ser forte. Ninguém está tão adoeço que não possa ser sanado. Nenhuma mente é tão obtusa que não possa ser brilhante. Não importa o que precisemos, se confiamos em Deus, ele o proporcionará. Se algo nos está causando preocupação ou ansiedade, deixemos de repetir a dificuldade, e confiemos em Deus para receber previdência, amor e poder.14

Mais tarde, Leslie Hardinge, coordenador de Ellen G. White e secretário da conferência, escreveu ao White Estate pedindo-lhes que verificassem a origem da declaração. A resposta foi como segue:

A citação que nos enviou em sua carta de Março 31, que lhe estamos devolvendo, e que supostamente foi encontrada num artigo de Ellen G. White que apareceu na Review de 7 de Outubro de 1865, não é uma declaração de E. G. White. Pelo menos, ninguém no White Estate pôde encontrar nenhuma declaração como esta nos escritos dela... Não temos idéia de qual possa ser a origem desta citação.15

Não que tivesse nenhuma diferença se se tivesse dito que a citação tinha saído da pluma de Ellen, porque mesmo assim as linhas puderam muito bem ter sido copiadas de algum outro escritor. Mas a pergunta que surge é a seguinte: Quantas desta classe de coisas se fizeram antes, no nome de Ellen e a inspiração, e finalmente no nome de Deus? Os suportes embaixo desta declaração foram derrubados, porque, sem o respaldo de Ellen, carece de autoridade. Para a multidão de verdadeiros crentes adventistas, há pouco de valor sem o selo de aprovação de Ellen.

Numa carta escrita em 1921 em resposta a perguntas feitas por seu sobrinho, Vesta J. Farnsworth defendeu lealmente a Ellen e suas atividades. Como sucede com freqüência, uma defesa pode, por sua própria natureza, revelar informação que faz o oposto de defender. Por exemplo, a Sra. Farnsworth escreveu:

Anos mais tarde, quando se lhe apresentou a ela [EGW] o pensamento de que o uso que tinha feito das declarações dos historiadores se considerava uma infração dos direitos e interesses comerciais dos publicadores, ela deu instruções de que se fizessem correções, nas futuras edições de seus livros, dando pleno crédito por todas as citações.16

Ainda que o gordo das obras principais de Ellen tinha sido publicado para então, depois de que "se lhe apresentou o pensamento" em relação com The Great Controversy (O Grande Conflito), ninguém produziu ainda uma declaração dela no sentido de que estava disposta a dar crédito específico a pessoas específicas cujas obras e idéias foram incorporadas em seus materiais.

Uma declaração de uma carta de Willard A. Colcord proporciona o marco para a explicação que Vesta Farnsworth deu a outra pergunta de seu sobrinho:

Creio que o que disse na carta a meu pai a respeito da carta australiana era demasiado indefinido para que captasses os verdadeiros fatos. Nos escritos sobre temas de liberdade religiosa enviados aqui ao departamento de liberdade religiosa, faz alguns anos, de parte da Irmã White, as duas páginas incluídas aqui foram incorporadas tal como foram tomadas de uma comunicação que lhe enviei à Irmã White enquanto estive em Austrália, sem nenhum crédito, nem citações, nem nada desse tipo; simplesmente, foram adotadas como material original... Este uso nos escritos da Irmã White de tanto material escrito por outros, sem citações nem créditos, colocou a ela e a seus escritos em bastantes problemas. Um dos principais objetivos da mais recente revisão de "Great Controversy (O Grande Conflito)" foi arrumar assuntos desta classe, e uma das principais razões pelas quais "Sketches from the Life of Paul" nunca se voltou a publicar foram os sérios defeitos seus sobre esta base.17

Para contestar-lhe a seu sobrinho, a Sra. Farnsworth citou o que segue de informação proporcionada por um dos que serviram como secretários de Ellen White por um tempo – Clarence C. Crisler:

Durante os últimos anos da vida ativa da Irmã White, guardaram-se em seu escritório, não só arquivos de suas cartas e manuscritos, senão também outros variados documentos de várias fontes; e esta miscelânea foi classificada e disposta para que estivesse facilmente ao alcance em todo momento. Coletivamente, esta massa de documentos se conheceu como "The Document File" [O Arquivo de Documentos]. Era completamente diferente do Arquivo de materiais de testemunhos e guardava-se separado dele.
O Arquivo de Documentos estava disposto de acordo com temas, e continha muito de interesse histórico e general em relação com muitas fases de nossa obra denominacional... Não se fez nenhum esforço para que fora completo; mais bem, o Arquivo de Documentos era um lugar onde o material que poderia ser útil se guardava em forma classificada.
Neste Arquivo de Documentos tinha um folder chamado "Religious Liberty Department" [Departamento de Liberdade Religiosa]; nele se tinham posto, com o correr dos anos miscelâneas de materiais sobre este tema, incluindo alguns duplicados e porções copiadas de cartas e manuscritos da pluma da Irmã White.
Quando, antes da Conferência Bíblica de 1919, a Sra. White pediu o que ela tinha escrito sobre o tema de Liberdade Religiosa... para que pudesse dar consideração a que deveria ser incluído sobre este tema num futuro volume de "Testimonies for the Church" (tomo nove), se lhe entregou o que tinha no Arquivo regular de suas cartas e manuscritos. Mais tarde, quando ela estava a ponto de sair de seu lar e de seu escritório em California para assistir à Conferência, estas cartas e manuscritos foram copiados em parte, para que pudesse ter algumas porções com ela; pois ainda não tinha tomado decisões finais quanto a que era melhor publicar nesse tempo.
Para garantir que qualquer material disponível estivesse facilmente a seu alcance enquanto estivesse longe do Escritório uma de suas secretárias, antes de tomar o trem para a Conferência de Washington, tomou do Arquivo de Documentos o folder etiquetado "Religious Liberty Department"... e este foi levado à Conferência, além do material de Depoimentos do Arquivo de cartas e manuscritos. Este arquivo, como a maioria dos outros arquivos no Arquivo de Documentos, continha material de várias fontes, e foi aqui onde um membro do Departamento de Liberdade Religiosa se tropeçou com a página da qual se disse que era "uma carta que ele lhe tinha enviado a ela alguns anos antes." A página tinha sido escrita pelo Pastor W. A. Colcord.18

O que Vesta Farnsworth disse a respeito de Marian Davis, outra das ajudantes literárias de Ellen, revela perspectivas ainda inexploradas:

Diz-se que um dia encontraram Marian Davis chorando por causa do plágio nos livros da Irmã White. Se isto fora verdadeiro, é uma das muitas coisas relacionadas com seu trabalho pelas quais se sentia profundamente agoniada. A Irmã Marian Davis era extremamente fiel e conscienciosa em seu trabalho, e sentia agudamente sua responsabilidade no trabalho que se lhe tinha confiado em relação com os escritos da Irmã White. Era frágil de corpo, e com freqüência se sentia deprimida. Muitas vezes, procurou as orações e o conselho de seus sócios e colegas de trabalho. E com a ajuda de Deus, fazia um nobre trabalho. Amava o trabalho mais do que a sua vida, e qualquer coisa que o afetava a ele, a afetava a ela. Tinha participado na decisão de omitir as aspas na primeira edição de Great Controversy (O Grande Conflito) e usar um reconhecimento geral no Prefácio. Depois, quando chegaram as severas críticas por isto, ela, com a Irmã White e seus sócios, sentiu-o agudamente. [A cursiva é nossa].19

E agora, a verdadeira bomba:

A acusação de que a Irmã White tampava com seu avental o que estava escrevendo, quando chegava um visitante, para ocultar o fato de que estava copiando um pouco de um livro, é verdadeiramente absurda. Não era nenhum segredo que ela copiava passagens escolhidas de livros e publicações periódicas. Mas quando ela escrevia conselhos e repreensões a ministros de maior idade, também desejava que obreiros mais jovens não se inteirassem de que ou a quem escrevia. Com freqüência, isto a levava a cobrir o que estava escrevendo quando chegavam visitantes. [A cursiva é nossa].20

O que a Sra. Farnsworth tinha revelado certamente era mais do que se tinha proposto revelar. Primeiro, tinha dito que "na redação desta carta, fui afortunada ao receber ajuda de fontes confiáveis, e crio que Você pode considerar como autêntico o que estou escrevendo."21

Se ela é confiável, então alguém tem que chegar à conclusão de que (a) Marian Davis foi encontrada chorando; (b) que ela chorava por causa do plágio nos livros de Ellen; (c) que Marian tinha enorme liberdade para fazer o que fazia, presumivelmente com freqüência sem permissão ou sem o conhecimento de Ellen; (d) que Ellen, sim, cobria o que escrevia com seu avental, como havia rumor; (e) que "não era nenhum segredo que Ellen copiava passagens escolhidas de livros e publicações periódicas."

Em vista desta evidência, que pode fazer o White Estate exceto mudar a discussão, do fato de que Ellen tomava material alheio (no nome de Deus), a uma área de valor?

A diferença dos fatos ou as políticas, o valor, por suposto, não é nada mais nem nada menos que a opinião própria de um mesmo. É a grande área cinza da utopia na qual vive a maioria de nós. É intangível e subjetivo. É uma questão, não da mente ou a razão, senão dos sentimentos, a esperança, os desejos, os sonhos, e as ambições. É uma área, não de provas, senão de conjeturas, com freqüência chamada "fé" pelos que não têm fé. É o campo de batalha onde os supervendedores do psíquico fazem funcionar sua magia. Para os teólogos, pode ser chamado "inspiração." Pode servir como uma bandeira para apartar à gente da verdadeira palavra à qual não se atrevem a enfrentar-se. Essa palavra rara vez usada é autoridade.

A palavra autoridade, como a inspiração, é também intangível no mundo religioso. Como a beleza, a autoridade nesse mundo é também segundo o cristal com que se olha. Mas, a diferença da inspiração, a inspiração em fim de contas deve traduzir-se no objetivo, no mundo concreto da realidade, o aqui e o agora, a ação. A inspiração nunca precisa mover-se de seu divã; em realidade, não se moveu muito através dos séculos. Com freqüência, a inspiração aparece como uma tentativa desonesta, por parte de gente honesta, para definir e enfrentar-se com um conceito que parece resistir-se em ser definido. A inspiração esquenta o corpo e tranqüiliza a mente, mas não precisa produzir nenhuma ação. Pode permanecer encerrada para sempre nas câmaras ocultas da alma, e não ser reconhecida nunca pelos demais. Mas a autoridade deve viver na ação, enquanto a inspiração com freqüência trata à ação com extremo cuidado. A autoridade dada livremente se converte na base de toda autodisciplina, enquanto à inspiração cedo se vai ao vento. Os teólogos da classe de Ellen se serviriam a si mesmos e serviriam a sua causa muito melhor enfrentando-se à questão de qual autoridade se lhe deu a Ellen do que descuidando seu barco até do que se afunda, enquanto eles se gritam o um ao outro em nome da inspiração.

Apesar da mentira branca, a posição de Ellen na história Adventista é segura. Sua inspiração e sua devoção a sua causa não podem negar-se, porque vivem nas vidas de seus verdadeiros crentes. Mas a igreja nunca se enfrentou à autoridade dela quanto aos fatos e as políticas e as práticas. Os membros da Igreja Adventista deixaram que os supervendedores do psíquico usurpassem a autoridade de Ellen e a convertessem na autoridade de Deus para seus próprios fins. São eles os que com freqüência fazem soar a trombeta de Ellen em nome de Deus. Se a igreja tem de sobreviver, os teólogos terão que sair da utopia e começar a guiar-se a si mesmos e a outros para uma resposta satisfatória do que é a autoridade de Ellen.

Foi a elucidação dessa autoridade, não a inspiração, o que William S. Sadler procurava quando lhe escreveu a Ellen em 1906 . Sempre tinha apoiado a Ellen em suas decisões e em seus escritos. Mas tinha começado a ter dúvidas – como as tinham muitos outros que a tinham seguido demasiado cegamente e por demasiado tempo. Sadler expressou alguns destes problemas desta maneira:

Em conseqüência, sento-me perplexo quando trato de entender certas coisas que você escreveu recentemente. Com freqüência, não sei como escolher entre as seguintes duas posições:
(1) Devo reconhecer as condições ou acusações expressadas no Depoimento como verdadeiras, e como condições que realmente existem na atualidade, ainda que depois de uma busca com oração e uma cuidadosa investigação ainda não possa eu reconhecer que estas coisas existem? Ou
(2) É este outro caso como o dos edifícios de Chicago, no qual Você apresentou algo que em realidade não existia, mas que o Senhor estava tratando de impedir?22

Sadler viu uma perigosa mudança de atitude (quanto a Ellen e seus escritos) iniciando-se na igreja:

Prestei ouvidos surdos a estas coisas por anos, mas agora, já que nossa atitude sobre os Depoimentos se está convertendo numa prova através da denominação, dou-me conta de que tenho que ir ao fundo de todas estas coisas.23

Como outros antes que ele, estava preocupado pela influência de Willie White sobre os Depoimentos - como o expressou com clareza citando a Ellen de "a comunicação escrita por Você, com data de 19 de Julho de 1905, aos Irmãos I. H. Evans e J. S. Washburn":

Escrevi umas poucas linhas ao Ancião Daniells indicando que se fizesse isto, mas Willie não viu que o assunto pudesse ser levado adiante deste modo, porque o Ancião Daniells e outros nesse momento estavam muito desanimados em relação com a condição das coisas em Battle Creek. Assim que lhe disse que não era necessário que entregasse a nota.24

Contra o que este bom doutor estava lutando parecia ser o mesmo contra o que todas as pessoas pensantes arredor de Ellen tiveram que lutar em algum momento de sua experiência. Seu problema sempre se reduzia ao mesmo: QUER O VERDADEIRO DEUS DE Ellen White PÔR-SE DE PÉ, POR FAVOR? Em sua carta para ela, Sadler lhe fez esta pergunta uma e outra vez:

São as cartas que Você escreve aos dirigentes de nossa obra, respostas às cartas que eles escrevem, Depoimentos? Devo eu receber tudo o que Você escreve como se fora do Senhor - tal com está, palavra por palavra, – ou há comunicações que Você despacha, cartas pessoais suas, – comunicações pessoais da Irmã White?...

Qual deverá ser minha atitude para os que vacilam em aceitar um Depoimento, ou aparentemente rejeitam os Depoimentos? Devo deixá-los sós com Deus e com suas Bíblias, ou devo denunciá-los publicamente, e fazer guerra contra eles?... Concernente ao Vestido de Reforma e a mudança de instruções... é sua posição hoje diferente de algum modo da que Você tomou então?...

Faz vários anos, se me disse que seu filho tinha feito esta mudança no manuscrito. É isto assim? Tem alguém autoridade para mudar seus escritos de algum modo? Até que ponto e exatamente de que modo são os Depoimentos editados depois de que saíram de sua pluma, antes de cristalizar em material impresso?25

Perguntas, perguntas, perguntas.Mas nunca foram contestadas. Essa deve ter sido uma das razões pelas quais este médico praticante em particular - cujo arquivo diz que num tempo foi o cirurgião residente maior no Hospital [de ensino] Columbus e cirurgião chefe no Sanatório e Hospital Bethany, anteriormente professor numa escola de medicina de pós-graduação em Chicago, e autor de vários livros – mais tarde escreveu o seguinte quanto a alguns casos similares do que ele tinha observado:

Quase todas estas vítimas de transes e catalepsia nervosa, tarde ou cedo chegam a crerem-se mensageiros de Deus e profetas do céu; e sem dúvida a maioria deles é sincera em sua crença. Não entendendo nem a fisiologia nem a psicologia de sua doença, sinceramente chegam a considerar suas peculiares experiências mentais como algo sobrenatural, enquanto seus seguidores crêem cegamente qualquer coisa que eles ensinam por causa do suposto caráter divino dessas assim chamadas revelações.26

A evidência aponta ao fato de que Sadler falava, não só por convicção profissional, senão também por sua própria observação pessoal de Ellen através dos anos e a experiência de alguém que uma vez tinha sido crente.

Muitos, em seu tempo e a sua vez, chegaram a ter perguntas concernentes à autoridade de Ellen. Talvez fossem esposos, parentes, secretárias, assistentes, editores, escritores, educadores, sócios, ou amigos. Mas chegaram a questionar a relação dela com Deus quando se tratava das afirmações em seus escritos e em suas "visões." Não era que duvidassem de sua inspiração pastoral ou a crença dela nisso. Porém, se o que perguntavam era em nome de quem fazia o que fazia.

Essa pergunta, que tanto concernia a pessoas informadas então, e que foi sua maior controvérsia (e a de Ellen) durante a vida dela, é ainda a causa de perguntas e controvérsia em nossos dias – toda uma vida desde sua morte em 1915.

Não é de se surpreender que, décadas mais tarde, Rum Graybill, Sócio no White Estate, dirigindo-se ao Adventist Forum Board [Junta de Foros Adventistas] em Novembro de 1981, expressasse em voz alta os mesmos pensamentos de Sadler, só que com diferentes palavras:

O grosso dos comentários dela trata somente da origem divina de seu material, e tende a negar a influência do pensamento e opinião humanos. E assim, apesar de que não temos nenhum problema com o fato de que a Sra. White tomasse material emprestado, sim nos perguntamos por que parece negar que o tivesse feito.27

Mas que o negou o negou. É só parte da mentira branca estendida dizer que a igreja foi sincera e honesta quanto ao trabalho de copiar de Ellen. Nem ela nem seu esposo deram jamais evidência de do que ela participava na obra de roubar material alheio. Em realidade até que se viram obrigados a admiti-lo em anos posteriores, os White, desde James até Willie, o filho, e seguindo até o neto Arthur, todos tomaram a linha dura a respeito da Mãe Ellen. A melhor tentativa de James ocorreu em seu livro Life Sketches, que se publicou em 1880, apenas oito anos antes de "a grande confissão" na introdução de The Great Controversy (O Grande Conflito) de 1888. É tão forte e absoluto em sua ignorância ou encobrimento, que deveria ser citado como um todo:

3. Indicam os incrédulos que o que ela escreve em seus depoimentos pessoais o aprendeu de outros Perguntamos: Que tempo teve ela para aprender todos estes fatos? E quem pode, por um momento, considerá-la como cristã, se ela presta ouvidos ao dispositivo, e depois o escreve como uma visão de Deus? E onde está a pessoa de superior capacidade, natural ou adquirida, que possa escutar a descrição de um, dois ou três mil casos, todos diferentes, e depois escrevê-los sem confundi-los uns com outros, expondo o trabalho a mil contradições? Se a Sra. White reuniu os fatos de uma mente humana num só caso, então o fez em milhares de casos, e Deus não lhe mostrou as coisas que ela escreveu nestes depoimentos pessoais.

4. Em suas obras publicadas se dizem muitas coisas que não se encontram em outros livros, e, no entanto, são tão claras e formosas que a mente normal as capta em seguida como a verdade... Se os comentaristas e os escritores de teologia em geral tivessem visto estas jóias de pensamento que impressionam a mente com tanta força, e elas tivessem sido impressas, todos os ministros do país poderiam tê-las lido. Estes homens reúnem pensamentos de livros, e como a Sra. White escreveu e falado cem coisas, tão verdadeiras como formosas e harmoniosas, que não se encontram nos escritos de outros, são novas para os mais inteligentes leitores e ouvintes. E se não se encontram impressas, e não se pronunciaram durante sermões desde o púlpito, onde as encontrou a Sra. White? De que fonte recebeu ela os novos e ricos pensamentos que se encontram em seus escritos e discursos? Ela não poderia tê-los aprendido de livros, pelo fato de que eles não contêm tais pensamentos. E, certamente, ela não os aprendeu dos ministros que não tinham pensado nelas. O caso é claro para mim. Requer-se mais cem vezes credulidade para crer que a Sra. White aprendeu estas coisas de outros, e que as fez passar como visões de Deus, da que se requer para crer que o Espírito de Deus se as revelou a ela. [A cursiva é nossa].28

Referências e Notas

  1. Veja-se o Apêndice, Quadro Comparativo para o Capítulo 9 sobre o Comentário Adventista.
  2. Veja-se o Apêndice, Quadro Comparativo para o Capítulo 9 sobre My Life Today [Minha Vida Hoje] e Sons and Daughters of God [Filhos e Filhas de Deus] - dois livros devocionais compilados muito tempo depois da morte de Ellen White.
  3. Veja-se o Apêndice, Quadros Comparativos para o Capítulo 9. Certos livros foram compilados e publicados muito tempo depois da morte de Ellen White.
  4. Veja-se o Apêndice, Quadros Comparativos para o Capítulo 9 sobre Testimonies for the Church e publicações posteriores.
  5. De D. Arthur Delafield para Walter Rea em 1960, concernente às políticas do EGW Está sobre fazer mais compilações. De Merlin L. Neff para o White Estate, 20 de Janeiro de 1961: "Muitos de nossos dirigentes, particularmente em Washington, têm a impressão de que temos suficientes compilações do Espírito de Profecia. Há consideráveis objeções contra sacar mais delas na atualidade."
  6. ["Recheio" editorial], Review, Tomo 37, Não. 6, Janeiro de 1871.
  7. Ellen G. White, Education (Educação) (Mountain View: PPA, 1903), p. 57.
  8. Veja-se o Apêndice, Quadros Comparativos para o Capítulo 9 sobre Testimonies for the Church.
  9. Ingemar Linden, The Last Trump, p. 208. Veja-se também as cartas de Uriah Smith para Dudley M. Canright em 1883 (11 de Março, 6 de Abril, 31 de Julio, 7 de Agosto).
  10. Donald R. McAdams, "Shifting Views of Inspiration", Spectrum 10, No. 4 (Março de 1980): 34. Aqui McAdams citação a "Ellen G. White and the Protestant Historians" [Ellen G. White e os Historiadores Protestantes], seu texto mecanografado sem publicar disponível em forma de fotocópia nos "centros de investigação" Adventistas (EGW Está, Biblioteca da Universidade de Andrews, e os Arquivos e Coleções Especiais da Biblioteca da Universidade de Loma Linda).
  11. Ibid., pp. 27-41 (o artigo inteiro). Vejam-se também os números de Spectrum da década de 1970.
  12. McAdams, Spectrum 10, Não. 4 (Março de 1980), p. 35.
  13. Ibid., p. 34.
  14. De Harold L. Calkins para os membros da Southern California Conference em 1977. A citação que circulou pretendia ser uma citação das obras de Ellen G. White numa Review de 1865.
  15. Do Escritório do EGW Está para Leslie Hardinge, 18 de Abril de 1977.
  16. De Vesta J. Farnsworth para Guy C. Jorgensen, 1 de Dezembro de 1921 , pp. 32-33.
  17. Carta de Willard A. Colcord, 23 de Fevereiro de 1912.
  18. De Vesta J. Farnsworth para Guy C. Jorgensen, 1 de Dezembro de 1921, pp. 32-33.
  19. Ibid., p. 34.
  20. Ibid., p. 34.
  21. Ibid., p. 6.
  22. De William S. Sadler para Ellen G. White, 26 de Abril de 1906 , p. 2.
  23. Ibid., p. 2.
  24. Ibid., p. 3.
  25. Ibid., pp. 4, 6, 8-10.
  26. W[illiam] S. Sadler, The Truth About Spiritualism, (Chicago: A. C. McClurg & Co., 1923).
  27. Roy Graybill, White Estate, Novembro de 1981, Forum Board Talk.
  28. Tiago White, Life Sketches, Ancestry, Early Life, Christian Experience and Extensive Labors of Elder Tiago White, and His Wife, Mrs. Ellen G. White [Esboços da Vida, os Antepassados, os Primeiros Anos, a Experiência Cristã, e os Extensos Trabalhos de Tiago White, e sua Esposa, Ellen G. White] (Battle Creek, Steam Press, 1880) pp. 328-329, edição de 1880.
Capítulo 9 - Quadros Seletivos
Livros Escritos Por:Fontes Que Ela Utilizou:

White, Ellen G.

Christ´s Object Lessons, 1900.
Counsels on Stewardship, 1940.
Counsels to Teachers, 1913.
Education (Educação), 1903.
Evangelism, 1946.
Fundamentals of Christian Education (Educação), 1923.
Gospel Workers, 1915.
Great Controversy (O Grande Conflito), 1884, 1886, 1911.
Messages to Young People, 1930.
The Ministry of Healing, 1905.
My Life Today, 1952.
Patriarchs and Prophets, 1890, 1913.
Prophets and Kings, 1916.
Selected Messages, Vols. 1-3, 1958-1980.
Sons and Daughters of God, 1955.
Spirit of Prophecy, Vol. 4, 1884.
Steps to Christ, 1892.
Testimonies to Ministers, 1923.
Testimonies to the Church, Vols. 1-9, 1868-1909.
Thoughts from the Mount of Blessing, 1896.

Andrews, J[ohn] N[evins]
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Broadman, William E.
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Couves, L[arkin] B.
Philosophy of Health, Boston,
Ticknor, Reed & Fields, 1853.
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Elisha the Prophet, London,
Religious Tract Society, 1882.
Gordon, Adoniram Judson
The Ministry of Healing, London,
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Harris, John
Mammon, New York, American Tract
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The Great Teacher, 2dá. edit., Amhurst,
J. S. and C. Adams, 1836.
The Great Teacher, 17a. edit., Boston,
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Kirk, Edward N.
Lectures on the Parables of Our Saviour,
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Krummacher, F. W.
Elijah the Tishbite, London, Nelson,
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March, Daniel
Home Life in the Bible, Philadelphia,
Ziegler & McCurdy, 1873.
Night Scenes in the Bible
Philadelphia, Ziegler & McCurdy,
1868-1870.
Our Father´s House,
Philadelphia, Ziegler & McCurdy,
1871.
Walks and Homes of Jesus
Philadelphia, Presbyterian Pub.
Committee, 1856.
Melvill, Henry
Sermons, Volume I & II, London,
Francis & John Rivington, 1846, 1851.
Miller, Eli Peck
The Cause of Exhausted Vitality, Boston,
E. P. Woodward & Co., 1867.
Nichols, Francis Davis, Edit.
The S. D. A. Bible Commentary,
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Smith, Hanna W.
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Old Tappan, N. J., Revell, 1883 (1971 edit.)
Smith, Hanna W.
The Christian´s Secret of a Happy Life,
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(1971) edit.)
Stowe, Calvin
Origin & History of Books of the Bible,
Hartford, Conn., Hartford
Publishing Co., 1868.
Taylor, William M.
The Parables of Our Saviour, New York,
Hodder & Streghton, 1886.
Underwood, Almon
Millennial Experiences, or God´s Will
Known & Doe, Boston, Henry Hoyt,
1860.
White, James
Life Incidents, Battle Creek, Steam
Press, 1868.
Life Sketches, Ancestry, Early Life,
Christian Experience and Extensive
Labors, of Elder Tiago White, and His
Wife, Mrs. Ellen G. White, Battle Creek,
Steam Press, 1880.
Sketches of the Christian Life and Public
Labors of William Miller, Battle Creek,
Steam Press, 1875.
Quadros Comparativos Demonstrativo

Prophets and Kings (Profetas e Reis)

E. G. White 1916.

Night Scenes in the Bible
Daniel March 1868-1870.

119 Entre as montanhas de Gileade... habitava ... um homem de fé... bem afastado de qualquer cidade de renome.
Ao ver Elias que Israel se submergia mais e mais na idolatria, sua alma se angustiou.... Deus tinha feito grandes coisas por seu povo. Tinha-o livrado da escravatura...
120 Porquanto os adoradores de Baal afirmavam que os tesouros do céu, o orvalho e a chuva, vinham, não de Jeová, senão das forças que governam a natureza, e que era através da energia criadora do sol que a terra era enriquecida e produzia em abundância, a maldição de Deus teria de descansar pesadamente sobre a terra contaminada.

193 Vindo da agreste terra montanhosa de Gileade... Não sabiam nada de povos ou aldeias...
196 Foi mantido separado das moradas dos homens e os... ternos afetos da vida doméstica....
197 Elias recordava a história que Israel tinha esquecido... a libertação no Egito ... E cria que a casa apóstata de Acabe e de todo Israel estava... nas mãos do Deus vivente...
Os sacerdotes de Baal tinham estabelecido o culto à Natureza...
198 Ao povo se lhe tinha ensinado que estas deidades pagãs governavam os elementos da terra e o fogo e o água por meio de seus conjuros místicos. Mas Elias ainda cria que o sol e as nuvens,... os ribeiros e as fontes estavam em mãos de Jeová.

121 Foi só por meio do exercício de uma fé forte no indefectível poder de Deus que Elias entregou sua mensagem... Elias tinha passado por ribeiros perenes, colinas cobertas de verdor, e majestosos bosques que pareciam estar fora do alcance da seca... O profeta poderia ter-se perguntado como é que os ribeiros, que nunca tinham deixado de fluir, podiam secar-se, ou como aquelas colinas e aqueles vales podiam ser consumidos pela seca.

200 Elias deve ter sido um homem de grande fé para estar disposto a pôr em perigo sua própria vida pela veracidade da qual tinha falado...
Cruzou os fertilizadores ribeiros e as pantanosas planícies de Beth-shan... Pôde contemplar as verdes colinas de Samaria... o boscoso Carmelo... fontes de ribeiros perpétuos... Não. Esta terra não podia arder com a seca nem ser devastada pela fome.

124 A terra está abrasada como por fogo. O ardente calor do sol destrói a pouca vegetação que sobreviveu. Os ribeiros se secam, o gado que muge e os rebanhos que balam, vagam daqui para lá em angústia. Os campos que uma vez floresceram se converteram em ardentes areias do deserto, um ermo desolado. Os pequenos troncos de madeira, dedicados à adoração de ídolos não têm folhas; as árvores do bosque, demarcados esqueletos da natureza não dão sombra. O ar é seco e sufocante; as tormentas de pó cegam os olhos e quase detêm o alento... A fome, com todos seu horrores, acerca-se.

127 Passou o segundo ano de fome, e ainda os implacáveis céus não davam sinais de chuva... Os pais e as mães, impotentes para aliviar o sofrimento de seus filhos, viram-se obrigados a vê-los morrer...
Ele (Deus) tratava de ajudá-los a recobrar a fé perdida, e tinha que trazer sobre eles grande aflição...
128 Não tinha senão um só remédio - voltar-se dos pecados que tinham trazido sobre eles a mão castigadora do Todo-poderoso, e voltar-se ao Senhor com o pleno propósito do coração.

205 Passa um ano inteiro e começa outro, e não há chuva. Termina-se um segundo e um terceiro, e... não se forma nenhuma nuvem nem cai nenhum orvalho...
A terra abrasada está toda queimada como por fogo. Os campos, uma vez frutíferos, convertem-se como em cinzas de um forno.

206 O vento quente seca a umidade das verdes folhas e da carne vivente e as sufocantes tormentas de pó varrem as colinas como o vento muito quente que sopra do deserto... Os pequenos troncos de madeira não dão sombra, e as árvores do bosque estendem seus esqueléticos braços... O balido das ovelhas se volta mais e mais débil...
206 A fome entra aos lares... A mãe se volta com horror... e o pai... descobre que as bocas... já não choram mais...
207 E toda esta terrível calamidade foi trazida sobre Israel por misericórdia, para salvá-los do mal maior de negar e abandonar ao Deus de seus pais... Não importava o que lhes custasse recuperar essa fé... era melhor sofrer... que viver sem Deus....
Assim creu Elias, e... esperou ... que o coração de seu povo apóstata se voltasse de novo por meio da aflição.

139 Em suas primeiras e vacilantes palavras: "É você o que inquieta a Israel?", ele [Acabe] inconscientemente revela os mais íntimos sentimentos de seu coração. Acabe sabia que tinha sido pela palavra de Deus que os céus se tinham convertido em bronze. No entanto, tratou de culpar ao profeta pelos severos juízos que tinham caído sobre a terra.

Eliha the Tishbite
F. W. Krummacher 1848.

63 Em conseqüência, Acabe, com sentimentos que é melhor imaginar do que expressar, foi encontrar-se com Elias...
64 "És você o que inquieta a Israel?" disse o iracundo monarca, e assim jogou sobre o profeta toda a culpa dos severos juízos de Deus sobre a terra.

140 Elias não faz nenhuma tentativa de escusar-se ou de lisonjear ao rei. Nem procura evitar a ira dando-lhe as boas novas de que a seca quase terminou... "Não inquietei a Israel" afirma Elias audazmente, "senão você, e a casa de teu pai, em que abandonastes os mandamentos do Senhor, e seguido aos Baalins."

66 Escusa-se? ... Recorre à lisonja ou ao artifício? ... Sequer trata de moderar o desagrado do rei anunciando-lhe a boa nova da chuva que se acerca? ... "Não inquietei a Israel: senão você, e a casa de teu pai, em que abandonastes os mandamentos do Senhor, e seguido aos Baalins."

140 Hoje há necessidade de uma voz que fale em severo reproche... Os suaves sermões que com freqüência se pregam não causam uma impressão duradoura; a trombeta não dá um som verdadeiro.
Muitos professos cristãos... fariam bem em se perguntar: Por que teve João Batista que lhes dizer aos fariseus: "Geração de víboras!"? ... 141 Por que teve que provocar a ira de Herodias dizendo-lhe a Herodes que era ilegal que vivesse com a mulher de seu irmão?
141 "Você és esse homem."... Palavras tão inconfundivelmente claras como estas que Natã lhe disse a David rara vez se ouvem desde os púlpitos hoje, e rara vez se vêem na imprensa. Se não fossem tão raras, veríamos mais do poder de Deus revelado entre os homens. Os mensageiros de Deus não deveriam queixar-se de que seus esforços sejam sem fruto, até que se arrependam de seu próprio amor pela aprovação e seu desejo de agradar aos homens que os conduz a suprimir a verdade.

67 Linguagem como este rara vez se ouve na terra...
Deveríamos ver maiores coisas, se não fosse porque a saudação terrível: "Você é esse homem!" Não fora tão desconhecido entre nós... Se Elias, ou Paulo, ou João Batista, estivessem aqui, ouviríamos à trombeta dar um som bem diferente... Mais de um publicano: "Não exijas mais do que te corresponde." Mais de um Herodes: "Não te é lícito ter a mulher de teu irmão." Quantos... que na atualidade só escutam suaves palavras ... Fiéis servos de Deus... não estão dispostos a sofrer o pecado sobre eles - os tais são raros em verdade. Oh, vocês, ministros de Cristo, grandes e pequenos, não nos queixemos do pouco fruto de nossos labores até que primeiro nos tenhamos queixado de nosso próprio e demasiado grande amor pelos louvores dos homens!

141 Os ministros que comprazem aos homens clamando: Paz, paz, quando Deus não falou de paz, deveriam humilhar seus corações diante de Deus, pedindo perdão por sua falta de sinceridade e por sua falta de valor moral. Não é por amor ao próximo que eles suavizam a mensagem que lhes foi confiado, senão porque são auto-indulgentes e amadores das comodidades. O verdadeiro amor procura primeiro a glória de Deus e a salvação das almas.

68 Bem poderíamos humilhar-nos, todos e cada um, por nossa falta de sinceridade e por comprazer aos homens, ao permitir-nos exclamar: "Paz, paz, quando não há paz."... é a falta de verdadeiro amor ao próximo, e a indulgência de nossa própria indolência e comodidade. Que o Senhor acenda uma chama mais pura em nossas almas, e nos dê um melhor amor, um amor que, onde o requer a verdade, a honra de Deus, e a salvação de nossos irmãos, possa falar e atuar desinteressadamente e negando-se a si mesmo.

142 Oxalá que cada ministro se desse conta do sagrado de seu ofício e da santidade de seu trabalho, e mostrasse o valor que mostrou Elias! Como mensageiros designados pelo céu, os ministros estão numa posição de terrível responsabilidade. Têm de "redargüir, repreender, e exortar com toda paciência"... No lugar de Cristo, têm de trabalhar como mordomos dos mistérios do céu... Têm de ir para adiante por fé, recordando que estão rodeados por uma nuvem de testemunhas. Não têm de falar suas próprias palavras, senão as daquele, que é maior do que os potentados da terra, ordenou-lhes do que falem. Sua mensagem tem de ser: "Assim diz o Senhor." Deus chama a homens como Elias, Natã, e João Batista.

67 Meus amigos! Fariam bem em orar para que lhes seja dado a vossos ministros fazer um melhor uso da liberdade que lhes foi divinamente confiada como uma terrível e responsabilíssima esperança, "para redargüir, repreender, e exortar com toda paciência e doutrina." ... Nós mensageiros de Deus no lugar de Cristo, como mordomos dos mistérios de Deus. Falamos não de nós mesmos, senão dAquele, que é maior do que todos, manda-nos do que falemos. Vamos para adiante, rodeados por uma nuvem de testemunhas, como embaixadores do Rei de reis, e temos direito a anunciar nossa mensagem aos pecadores em nome de Deus, com um "Assim diz o Senhor!"... Oh... a santidade de nosso ofício! Oh, oxalá que nos penetrasse mais completamente, e fôssemos como Elias, ou Natã, ou o Batista, ou o apóstolo Paulo.

143 Acabe obedeceu a [Elias] em seguida, como se o profeta fora um monarca, e o rei um súbdito. Enviaram-se rápidos mensageiros por todo o reino com a convocação para reunir-se com Elias e os profetas de Baal e Astarote. Em cada povo e cada aldeia, a gente se preparou para reunir-se...
144 No cume de um dos mais altos morros... estava o altar quebrado de Jeová...
Os profetas de Jezabel marcham em imponente ordem. Com real pompa, o rei aparece e ocupa seu lugar...

Night Scenes in the Bible
Daniel March 1868-1870.

208 Acabe... está tão maravilhado... pela presença do profeta que só lhe obedece em seguida... como se Elias fora rei e Acabe fora súdito e escravo.
Enviam-se rápidos correios por todo o reino com a convocatória, e cada povo e cada aldeia e cada família prazerosamente envia seu representante à grande assembléia... 209 Se levantam nuvens de pó... enquanto as longas filas ... convergem para as boscosas alturas do Carmelo. Os oitocentos cinquenta profetas de Baal e Astarote de Jezabel marcham como um só corpo desde seu grande templo... A carruagem de Acabe passa rapidamente...

147 Aquele sobre quem o reino inteiro carregou o peso de sua aflição está agora ante eles, aparentemente indefeso em presença do Monarca de Israel...
Sem sentir-se envergonhado, impávido, o profeta permanece de pé diante da multidão.
Em ansiosa expectação, o povo espera que fale...
O povo não lhe responde nem uma palavra. Ninguém naquela vasta assembléia se atreve a revelar sua lealdade a Jeová...

209 O homem sobre quem o reino inteiro tinha posto o peso de sua desolação e de sua agonia, permanece de pé diante deles, sem temor, indefeso, só.
Sobre o mais alto espinhaço da montanha, onde o altar de Jeová tinha estado alguma vez e tinha sido derrubado... sai o profeta e tomada sua posição. 210 Por todas partes para abaixo da boscosa vertente... estão reunidos os milhares.. esperando e contendo o alento com admiração e expectação...
Mas não há ninguém em toda a multidão que se atreva a pronunciar uma palavra de aprovação ou dar um sinal de assentimento a uma proposta tão clara...

149 Os falsos sacerdotes preparam seu altar, dispondo a lenha e a vítima; e depois começam seus conjuros. Seus agudos gritos reverberam uma e outra vez através dos bosques e as alturas circundantes, ao invocar o nome de seu deus, dizendo: "Oh, Baal, escuta-nos!" Os sacerdotes se reúnem ao redor de seu altar, e dando saltos, retorcendo-se, e gritando, atirando-se dos cabelos, e cortando-se a carne, suplicam a seu deus que os ajude.
Não se ouve nenhuma voz, nem nenhuma resposta a suas frenéticas orações...
Enquanto eles continuam suas frenéticas devoções, os astutos sacerdotes estão continuamente tratando de inventar algum meio pelo qual possam acender fogo no altar e fazer que a gente cresse que o fogo veio diretamente de Baal...
150 Elias continua observando atenciosamente; porque sabe que, se por qualquer truque os sacerdotes tivessem sucesso em acender o fogo de seu altar, instantaneamente seria despedaçado...
Os profetas de Baal estão cansados, desmaiados, confundidos...

Os sacerdotes de Baal... põem a lenha e a vítima, e depois começam a cantar e a ulular, nas selvagens orgias de seu culto idólatra... 211 saltando, lançando e rasgando seus... roupas ... É depois de meio dia, e ainda, esperando ganhar tempo e encontrar algum truque ou jogo de mãos pelo qual possa acender-se o fogo, continuam com seus gritos, cortando-se suas carnes, saltando sobre o altar, manchando seus rostos e suas roupas com seu próprio sangue, ganindo e expelindo espuma pela boca...
Durante todo esse tempo, Elias permanece de pé, só, esperando e sabendo perfeitamente que, se por meio de algum engano ou alguma astúcia, eles acendem o altar, o povo se lhes uniria e o despedaçariam ali mesmo... Mas todo é em vão para os frenéticos e desmaiados sacerdotes de Baal... O povo está cansado das vãs repetições e o terrível demonismo da idolatria.

150 - 1 Todo o longo dia, o povo presenciou as demonstrações... e teve a oportunidade de reflexionar na estupidez da adoração dos ídolos. Muitos na multidão estão cansados das exibições de demonismo; e agora esperam com profundo interesse os movimentos de Elias.
É a hora do sacrifício da tarde...
Os desiludidos sacerdotes de Baal, esgotados por seus vãos esforços, esperam para ver o que Elias vai fazer... O povo, temeroso também, e quase sem alento com a expectação, observa...

212 E então, à hora do sacrifício da tarde, o profeta se adianta só... A grande multidão está pálida e sem alento com a terrível expectação... Sua acalmada e singela oração, bem como seu pacífico comportamento, são mais impressionantes do que a espumante fúria...

152 Não bem termina a oração de Elias quando chamas de fogo, como brilhantes relâmpagos, descem do céu... lambendo a água da valeta ... A brilhantez da labareda alumia a montanha e deslumbra os olhos da multidão. Abaixo nos vales onde muitos observam em expectação os movimentos dos a mais acima, o descenso do fogo se vê claramente, e todos se assombram do que vêem. Parece-se à coluna de fogo que no Mar Vermelho separava aos filhos de Israel da hoste egípcia.
O povo na montanha se prostra em admiração diante do Deus invisível.

212 Nem bem tinha falado, quando o rugente fogo desce dos claros céus como a cintilação de um relâmpago... A súbita labareda cega os olhos da multidão e alumia toda a encosta da montanha... O povo, que observa desde longe, sobre os tetos das casas em Jezreel e em Samaria, e nos cerros de Efraim e Galiléia, assustam-se do que vêem. Parece-lhes como se a coluna de fogo que guiou a seus antepassados no deserto tivesse descido sobre o morro Carmelo. A multidão na montanha cai ao solo sobre seus rostos...

155 Os juízos do céu tinham sido executados; o povo tinha reconhecido ao Deus de seus pais como o Deus vivente; e agora a maldição do céu tinha de ser retirada, e renovadas as bênçãos temporárias da vida. A terra tinha de ser refrescada com a chuva...
156 Isto foi suficiente... Naquela pequena nuvem contemplou por fé uma chuva abundante...
158 Elias, quem, como profeta de Deus, tinha humilhado esse dia a Acabe diante de seus súbditos e matado a seus sacerdotes idólatras, ainda o reconhecia como rei de Israel; e agora, como ato de homenagem, e fortalecido pelo poder de Deus, correu diante da carruagem real...
159 E, no entanto, depois de seu triunfo assinalado... estava disposto a executar o trabalho de um servo ...
O profeta, escolhendo permanecer fora dos muros, envolveu-se em seu manto e se deitou a dormir sobre a terra nua...

213 O povo confessou ao Deus de seus pais, e os falsos profetas foram mortos, é tempo de que vinga a chuva e que a terra abrasada reviva novamente com renovada vida... Mas é suficiente. Elias, a quem... as nuvens e o céu lhe foram familiares desde sua juventude, já pode ouvir o som da tempestade que vem...
214 Como um moderno árabe, não quis entrar, senão que permaneceu fora dos muros e se arrojou sobre a terra nua, em meio da tormenta, para seu repouso da noite. O profeta tinha envergonhado ao rei diante de seu povo no Carmelo, e correu diante de sua carruagem como um ato de homenagem para mostrar que ainda o reconhecia como seu soberano... Ainda estava disposto a executar o humilde serviço de correr na chuva e na escuridão diante da carruagem de seu rei...

161 Mas uma reação como a que com freqüência segue à fé profunda e ao sucesso glorioso fazia pressão sobre Elias. Temia que a reforma iniciada no Carmelo não fora duradoura, e a depressão se apoderou dele...

216 Tal é a reação que não é raro que siga ao mais atrevido esforço e ao sucesso mais deslumbrante. Tal é o desalento que algumas vezes pressiona fortemente sobre a fé mais sublime e mais heróica nas mentes mais puras e mais nobres...

162 Fugitivo, longe dos lugares habitados pelos homens, seu ânimo achatado por amargo desengano, desejava não voltar+a+ver nunca o rosto de nenhum homem...
O fiel Jó, no dia de sua aflição e escuridão, declarou: "Pereça o dia em que nasci."

190 Longe dos lares dos homens e as caridades da vida doméstica, com gosto teria dado seu corpo para que fora coberto pelas cambiantes areias... Preferiria morrer na escuridão e na solidão que voltar a ver o rosto ou ouvir a voz de seu próximo outra vez.

191 As palavras que a aflição e a escuridão arrancavam dos lábios do paciente profeta da Antigüidade: "Pereça o dia que nasci."

165 O apóstolo Paulo testemunhou: "E disse-me: Basta-te minha graça, porque meu poder se aperfeiçoa na debilidade."

216 Paulo foi arrebatado ao terceiro céu em visões de glória... e então, pouco depois, orava com súplicas repetidas três vezes.

217 Ao viajar ao norte, quão mudado estava o panorama de como tinha estado só pouco antes! ... Agora, a um lado e a outro, brotava a vegetação como para isentar o tempo de seca e fome.
O pai de Eliseu era um fazendeiro rico, um homem cuja casa se contava entre as que, num tempo de apostasia quase universal, não tinha dobrado seu joelho ante Baal... A sua era uma casa em que ... a lealdade à fé do antigo Israel era a regra...

Elisha the Prophet
Alfred Edersheim 1882.

5 Uma vez mais, a Elias se lhe instrui para que se dirija ao norte. Mas agora, quão diferente se vê o panorama! É como se a natureza mesma simpatizara com as visões de comodidade e ajuda que ultimamente se lhe tinham apresentado à alma do profeta. ...
Filho de uma casa nobre, a sua era a antiga fé de Israel... Deve ter tido mais de um lar no qual os joelhos nunca se tinham dobrado ante Baal!

218 Recebeu adestramento nos hábitos de singeleza e de obediência...
218 Fidelidade nas coisas pequenas... é a evidência de aptidão para maiores responsabilidades...
219 Um homem pode estar no serviço ativo de Deus enquanto está ocupado nos deveres ordinários e cotidianos...

6 Eliseu tinha crescido nos hábitos de uma piedade singela ... disposição para cumprir os deveres, por humildes que sejam...

7 Se não podemos ou não servimos a Deus no lugar humilde e nos deveres diários que Ele nos atribuiu, com certeza nunca poderemos e nunca lhe serviremos em nenhum outro lugar ou circunstância.

220 "Regressa", foi a resposta de Elias, "porque, que te fiz?" Esta não era uma rejeição, senão uma prova de fé. Eliseu tinha que contar o custo - decidir por si mesmo aceitar ou rejeitar o chamado. Se seus desejos se aferravam a seu lar e suas vantagens, estava em liberdade de permanecer ali...

9 A resposta de Elias: "Regressa, porque, que te fiz?" tem o propósito de ser, não uma repreensão, senão uma prova. Significava, efetivamente: A não ser que teu coração responda plenamente; se só permanece no passado, regressa a tua casa.

222 Se diz que verteu água nas mãos de Elias, seu maestro... Como assistente pessoal do profeta, continuou demonstrando fidelidade nas coisas pequenas...
Tendo posto sua mão no arado, estava decidido a não se voltar atrás.

11 Se lhe descreve como vertendo água nas mãos do profeta, ou, em outras palavras, como seu assistente pessoal. Há uma humildade voluntária, e, portanto, falsa quando por própria vontade os homens abandonam suas posições corretas... em favor de posições e circunstâncias de sua própria imaginação e invenção.
17 Pôs sua mão no arado, e não olhará para trás.

370 Todos os homens são de uma só família por criação, e todos são um através da redenção. Cristo veio demolir todas as paredes de separação, a abrir cada um dos compartimentos dos átrios do templo, para que cada alma possa ter livre acesso a Deus Seu amor é tão amplo, tão profundo, tão pleno, que penetra em todas as partes. Libra da influência de Satanás àqueles que foram enganados, e os põe ao alcance do trono de Deus, o trono rodeado pelo arco-íris da promessa. Em Cristo não há nem judeu nem grego, nem escravo nem livre.

The Great Teacher
John Harris 1836.

71 O amor de Deus... tem estado, desde o começo, operando ... em favor da humanidade... Vinho a demolir todas as paredes de separação, a abrir cada um dos compartimentos no templo da criação, para que cada adorador tenha acesso livre e igual ao Deus do templo... Ele (Deus) deu-o, para rodear ao mundo com uma atmosfera de graça, tão real e universal como o ar elementar que rodeia e circula ao redor do mesmo balão terráqueo...
Isto é amor! Ter levantado ao mundo para a radiante órbita ao lado de seu trono... e tê-lo levado ao mais alto trono dos mais altos céus.

522 Admitido em sua juventude para que participasse da autoridade real, Beltsazar se gloriava de seu poder e levantou seu coração contra o Deus do céu.

Night Scenes in the Bible
Daniel March 1868-1870.

290 Foi admitido para que participasse do poder real aos quinze anos, e a glória, que era demasiado grande para o poderoso Nabucodonosor... Levantou-se contra o Senhor do céu...

523 Todos os atraentes que a riqueza e o poder podiam obter adicionavam esplendor à cena. Formosas mulheres com seus encantos se encontravam entre os convidados que assistiam ao banquete real... Príncipes e estadistas bebiam vinho como água, e se regozijavam em sua influência enlouquecedora.
Com a razão destronada por médio da intoxicação desenfreada... o rei mesmo encabeçava a desenfreada orgia...
524 Pouco pensava Beltsazar que tinha uma Testemunha celestial de sua idólatra diversão; que um divino Vigilante, não reconhecido, contemplava a cena de profanação, e escutava a alegria sacrílega... Quando a pândega estava em seu clímax, uma mão sem sangue saiu e traçou sobre os muros do palácio caracteres que cintilavam como fogo - palavras que, ainda que desconhecidas para a vasta multidão, eram um prodígio de condenação para o rei agora cheio de remorsos...
531 Ainda enquanto ele e seus nobres bebiam dos copos sagrados de Jeová, e louvavam a seus deuses de prata e ouro, os medos e os persas, tendo desviado o Eufrates de seu canal, estavam marchando até o coração da desguarnecida cidade. O exército de Ciro agora estava sob os muros do palácio; a cidade estava cheia dos soldados do inimigo.

527 A consciência foi acordada.

292 As frutas brilham... e um rio de vinho ... corre mais vermelho do que o sangue; há bailarinas desembrulhadas e um tumulto de pândega que enlouquece as paixões da terra...
"A música e o banquete e o vinho; as grinaldas, o cheiro a rosas e as flores; os chispeantes olhos, os ornamentos cintilantes...; o falso encanto da vertiginosa cena" tiram toda razão e toda reverencia à multidão de foliões.... Agora não há nada demasiado sagrado para profanar, e Beltsazar mesmo encabeça a algazarra e a blasfêmia.
291 As chamas do sacrifício idólatra subiam alto...
293 No mesmo momento em que a sacrílega pândega atingia seu ponto máximo, uma mão sem corpo saiu e escreveu as palavras de condenação sobre o muro do recinto de banquetes, os exércitos de Ciro tinham sacado ao Eufrates de seu curso e marchavam para a cidade desguarnecida ao longo do leito da corrente por embaixo dos muros; já estavam em posse das portas do palácio quando Beltsazar e seus príncipes bebiam vinho nos copos de Jeová.
297 O olho do Grande Juiz contempla cada uma das cenas de profanidade e devassidão. Apareceu a escritura no muro do salão de banquetes de Beltsazar à hora de sua mais desenfreada orgia, para mostrar que Deus estava ali.
299 Uma consciência acusadora sempre faz a escuridão... terrível para o culpado.

The Ministry of Healing
Ellen G. White 1905.

471 O oleiro toma a argila, e a modela de acordo a sua vontade. A amassa e a trabalha. A despedaça, e une os pedaços outra vez. Umedece-a, e depois a seca. A deixa estar por um momento sem tocá-la. Quando está perfeitamente dúctil, continua o trabalho de convertê-la num copo. Dá-lhe forma, e na roda, configura-a e pole-a. Seca-a ao sol, e coze-a no forno. Assim se converte num copo apto para ser usado.

The Christian´s Secret of a Happy Life
Hanna W. Smith, 1883.
(8a. edit., 1971).

24 O oleiro toma a argila assim deixada para que ele a trabalhe, e começa a modelá-la e a dar-lhe forma, segundo sua vontade. A amassa e a trabalha; a despedaça e une os pedaços outra vez; a umedece, e depois a deixa secar. Algumas vezes, a trabalha por horas de uma só vez; algumas vezes a faz a um lado por dias, sem tocá-la;... A faz girar sobre a roda, a alisa e a suaviza, e a seca ao sol, coze-a no forno, e finalmente a saca de seu ateliê, um copo para sua honra e apto para seu uso.

Messages to Young People
Ellen G. White 1930.

103 Observou Você alguma vez um falcão perseguindo a uma tímida pomba? O instinto lhe ensinou à pomba que, para que o falcão possa agarrar a sua presa, deve voar mais alto do que sua vítima. Assim que ela sobe mais e mais alto no domo azul do céu, sempre perseguida pelo falcão, que trata de obter a vantagem. Mas é em vão. A pomba está a salvo enquanto que não permita que nada a detenha em seu vôo, ou a faça baixar à terra; mas que titubeie uma vez e voe mais baixo, e seu vigilante inimigo se abaterá sobre sua vítima. Uma e outra vez observamos esta cena com interesse, quase sem alento, todas nossas simpatias com a pequena pomba. Quão tristes ficaríamos ao vê-la cair vítima do cruel falcão!

Our Father´s House
Daniel March 1871.

255 Vi à ave de presa em perseguição de uma tímida palma. A pomba sabia que o falcão, ao efetuar seu ataque, deve abater-se desde uma altura maior. Assim que a indefesa criatura subiu, em círculo depois de círculo, mais e mais alto, para o céu. Sobre as colinas e sobre as montanhas... tratando em vão de atingir uma altura maior desde a qual possa apressar-se, como um raio, e agarrar a sua presa. Mas a pomba estava a salvo enquanto que continuasse voando a grande altura. Não tinha nada que temer das garras de sua rapina inimiga enquanto não permitisse que nada a fizesse baixar a terra. Mas uma vez que deixasse de subir, seu vigilante inimigo cedo atingiria uma maior altura, e desde ali disparar-se com mortal pontaria para destruí-la.

Thoughts from the Mount of Blessing
Ellen G. White 1896 (edit. de 1956)

44 As provas pacientemente suportadas, as bênçãos recebidas com gratidão, as tentações varonilmente resistidas, a mansidão, a bondade, a misericórdia, e o amor revelado habitualmente, são as luzes que brilham no caráter em contraste com a escuridão do coração egoísta, no qual a luz da vida nunca brilhou.

Night Scenes in the Bible
Daniel March 1868-1870.

336 Cada prova pacientemente suplantada, cada bênção recebida com agradecimento, cada tentação fielmente resistida, leva-nos mais alto na brilhante senda que conduz à glória e para Deus.

Selected Messages, Vol. I
Ellen G. White 1958.

19 As mentes humanas variam. As mentes de diferente educação e pensamento recebem diferentes impressões das mesmas palavras, e é difícil para uma mente dar a alguém de diferente temperamento, educação, e hábitos de pensamento, mediante a linguagem, exatamente a mesma idéia que a que é clara em sua própria mente...

Origin and History of the Books of the Bible
Calvin E. Stowe 1868.

17 As mentes humanas são diferentes nas impressões que recebem da mesma palavra; e... um homem raras vezes dá a outro, de diferente temperamento, educação, e hábitos de pensamento exatamente a mesma idéia...

19 As Escrituras foram dadas aos homens, não numa corrente contínua de ininterruptas declarações, senão bocado a bocado através de sucessivas gerações, segundo Deus em sua providência viu uma adequada oportunidade para impressionar ao homem em vários tempos e lugares...

13 As Escrituras foram dadas aos homens pouco a pouco, através de muitas épocas, segundo Deus viu a correta oportunidade - em vários tempos e de várias maneiras...

21 Não são as palavras da Bíblia as que são inspiradas, senão que são os homens os que foram inspirados. A inspiração atua, não sobre as palavras do homem ou suas expressões, senão sobre o homem mesmo.

19 Não são as palavras da Bíblia as que foram inspiradas, não são os pensamentos da Bíblia os que foram inspirados; são os homens que escreveram a Bíblia os que foram inspirados. A inspiração atua, não sobre as palavras do homem, não sobre os pensamentos do homem, senão sobre o homem mesmo.

     

 

Graça Maior - Walter T. Rea, . Disponível em: http://gracamaior.com.br/estudos/ibsd-x-adventistas-do-setimo-dia/234-a-mentira-branca.html. Acesso em 25 Maio 2017.