A Carta de Robert Olson

Ellen G. White Estate, Inc.
Proprietários de Ellen White Publications
Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia

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Novembro 29 de 1978

W. P. Bradley R. D. Graybill
D. A. Delafield D. E. Mansell
P. A. Gordon A. L. White

Queridos irmãos:

Desde nossa reunião ontem pela manhã, quando discutimos o nome de Jim Cox em relação com a investigação a respeito de Desire of Ages, duas de vocês me pediram que puséssemos algo por escrito que pudesse ajudar-nos a pensar um pouco como antecipação a uma ulterior discussão deste tema à próxima terça-feira, 5 de Dezembro.

Como todos vocês sabem, com o correr dos anos, diferentes indivíduos se interessaram em comparar os escritos da Sra. White com as obras de outros autores, e suponho que isto continuará sucedendo até o fim do tempo. Um dos mais recentes em prestar atendimento a este tipo de investigação é o Pastor Walter Rea, que é pastor na Southern Conferência Conference.

Faz como oito ou dez meses, o Pastor Rea me enviou uma cópia de algumas de suas investigações que, em sua opinião, demonstravam que Ellen White tinha dependido muito de Edersheim para algumas das coisas que tinha escrito em Desire of Ages, bem como para a organização mesma do livro em si, e o uso de muitos títulos de capítulo.

Naquela ocasião, escrevi-lhe ao Pastor Rea e lhe pedi que não seguisse adiante com nenhum plano para publicar suas descobertas até que eu tivesse a oportunidade de falar com ele pessoalmente no Acampamento da Southern Califórnia Conference que teria de ter lugar em Julho de 1978. O Pastor Rea esteve de acordo em seguida com esta sugestão. Quando assisti ao acampamento perto de Palmdale, Califórnia, em Julho passado, passei várias horas falando com o Pastor Rea, e obtive seu consentimento para deter o anúncio de seu trabalho até qualquer ponto até que nós mesmos tivéssemos tido a oportunidade de olhá-lo primeiro. Disse-lhe que, se ninguém no White Estate tinha tempo para levar a cabo uma investigação pessoal de seu trabalho, trataríamos de encontrar um erudito qualificado em alguma parte de nossas filas que pudesse fazê-lo por nós. Pareceu-me que isto deveria fazer-se em bem tanto de seus interesses como dos nossos. Os eruditos deveriam estar sempre abertos a receber críticas de seu trabalho, e isto deve fazer-se antes da publicação. O Pastor Rea acedeu a dar-nos todo o tempo que precisemos antes de dar qualquer outro passo por sua conta.

Enviei-lhe uma cópia Xerox do trabalho do Pastor Rea ao Pastor Kenneth Davis do Southern Missionary College. O Pastor Davis indicou que está disposto a ajudar-nos neste projeto de investigação. O Pastor Davis dita um curso sobre "A Vida de Cristo" no SMC, e por muitos anos usou o livro de Edersheim "The Life and Times of Jesus the Messiah" [Vida e Tempos de Jesus, o Messias] em relação com o ensino de sua classe. Deveria poder produzir um relatório no verão de 1979. O trabalho do Pastor Davis não lhe custará nada ao White Estate.

Por meio de Jim Nix em Loma Linda e Ed Turner na Universidade de Andrews, inteirei-me de que alguém na área de Loma Linda está comparando Desire of Ages com o livro de Hanna "The Life of Christ." Jim Nix me disse que ele viu o livro de Hanna e que está profusamente sublinhado tanto em vermelho como em azul, e que se supõe que esta é a mesma cópia do livro que se usava no escritório do White Estate quando a Sra. White preparava seu livro Desire of Ages. Jim Nix fez uma cópia Xerox deste livro e no-la enviou, assim que a temos aqui em nosso escritório. Não sei até onde se está comentando este relatório em particular em Loma Linda, mas, de acordo com Jim Nix, várias pessoas estão falando dele. Ed Turner me deu essencialmente o mesmo relatório faz quatro semanas, quando falei com ele na Universidade de Andrews. Perguntei-lhe a Ed se podia dizer-me quem era este indivíduo, e me contestou que não podia. "Se soubesses quem é, entenderias por que não te posso dizer seu nome." Lhe perguntei a Ed se a pessoa era um leal Adventista do Sétimo Dia ou não. Sua resposta foi que eu provavelmente o consideraria como alguém mais ou menos à margem. Aparentemente, este indivíduo desconhecido, que possui uma cópia de "Life of Christ," de Hanna, é um tipo de pessoa mais bem intelectual que tem fortes sentimentos contra o White Estate. Pelo menos, eu cheguei a esta conclusão depois de falar com Ed Turner.

Ed também me falou de um profissional, um dentista, segundo recordação, que vivia na área de Victorville, ao norte de Loma Linda, que, a partir de seu próprio estudo pessoal através dos anos, tinha-se familiarizado muito com Desire of Ages. Este profissional tinha tido acesso recentemente a "Life of Christ," de Hanna, e depois de lê-lo, disse-lhe a Ed que estava "maravilhado" de ver o estreito parecido que descobriu entre Hanna e Ellen White.

Quando estive em Andrews faz quatro semanas e me reuni com os estudantes de Doutorado em Teologia, bem como com a faculdade, a quinta-feira, 26 de Outubro, desde as 12h30min até as 2h30min p.m., encontrei-me com que tinha que contestar todo tipo de perguntas, incluindo algumas relacionadas com Desire of Ages e a possível dependência da Sra. White de outros autores para o que tinha escrito nessa obra. O único que pude dizer-lhe aos estudantes e à faculdade foi que nós éramos conscientes das afirmações que se estavam fazendo, que estávamos tão ansiosos como qualquer outra pessoa de saber quais eram os fatos, e que estimularíamos qualquer investigação que se fizesse e que nos conduzisse a um entendimento mais pleno da situação. Disse-lhes do que o Pastor Walter Rea tinha trabalhado algo nesta área, e que a mim, pessoalmente, parecia-me que a investigação não era adequada o bastante para nos dar nenhuma conclusão final. Disse que nós no White Estate simplesmente não tínhamos o pessoal necessário para fazer este tipo de trabalho, além de cumprir com todas nossas outras responsabilidades. E lhes disse que esperávamos poder encontrar ajuda desde dentro da faculdade mesma do Seminário, para que nos ajudassem nesta obra. Olhei diretamente a Jim Cox, que estava sentado como a quinze pés[*], testa a testa comigo, e lhe disse: "Jim, espero que você e os de teu departamento possam ajudar-nos nesta investigação para que possamos reconhecer os fatos, quaisquer que sejam, e terminar com os rumores infundados."

Eu não lhe tinha dito a Jim nem uma palavra sobre o assunto antes desse momento, e crio que o deixei estupefato com meu comentário. Por suposto, eu estava inteirado de que ele se tinha acercado a Rum Graybill anteriormente e expressado interesse em levar a cabo esta classe particular de trabalho.

Pareceu-me que, desde um ponto de vista psicológico, seria bom que nós não fôssemos arrastados a esta classe de programa de investigação, senão que ajudássemos a fomentá-lo. Com freqüência, os eruditos Adventistas são do parecer de que nós os diretores do White Estate em realidade não estamos interessados numa investigação séria neste sentido. Têm a impressão de que provavelmente sentimos temor do que poderíamos encontrar. A mim satisfaria dissipar esta idéia das mentes de nossos instrutores bíblicos Adventistas, se é possível.

Qualquer que seja a atitude que assumamos nesta oportunidade, eu não crio que impeçamos que continue esta classe de investigações. Poderíamos desejar que cessassem todas essas investigações, mas estou seguro de que o desejar não produzirá nenhum resultado dessa classe Parece-me que temos só duas alternativas. Uma é que, de uma ou outra forma, envolvamo-nos na investigação. A segunda é que nos retiremos dela por completo, e simplesmente reajamos ao trabalho de outros depois de que tenham terminado sua investigação. Se aceitarmos a segunda alternativa, temo-me que afetará nosso grau de credibilidade aos olhos de nossos instrutores bíblicos.

Dito seja de passagem, Rum Graybill me mencionou que, em relação com a solicitação que se lhe fez para que visitasse a Igreja Green Lake em Seattle, Washington, para um fim de semana dedicado ao Espírito de Profecia, já se lhe fez saber que vários membros da igreja de ali têm perguntas relativas ao uso de fontes na preparação do livro Desire of Ages. Parece que, goste-nos ou não, esta questão se está discutindo mais e mais amplamente. Pessoalmente, crio que nos conviria a nós aqui no White Estate ajudar a fomentar alguma classe de investigação séria que conduza a respostas definitivas para as perguntas que estão surgindo. Na atualidade, não sabemos como responder às muitas perguntas que nos estão chegando sobre este ponto, e não desejo dar a impressão de que tememos aos fatos Parece-me que a verdade não tem nada que perder com a investigação.

Mais tarde na tarde da quinta-feira 26 de Outubro, passei como uma hora com Jim Cox em seu escritório no edifício do Seminário, revisando alguns detalhes da linha de investigação que ele seguiria, se é que ia ocupar-se neste projeto para nós. Expliquei-lhe que estávamos interessados em saber exatamente quais livros usou Ellen White como ajudas quando escreveu Desire of Ages e até que ponto se usou estes livros. Em outras palavras, que tipo de material extraiu ela dos livros? Foi cronológico? Geográfico? Cultural? Histórico? Por suposto, o mais importante que desejamos saber é em que ponto difere a Sra. White de seus contemporâneos. Eram estas diferenças no enfoque geral e o tom? Pedi-lhe que, em particular, procurasse contribuições teológicas e lições espirituais que se encontravam em Desire of Ages e que não se encontravam em nenhuma outra parte.

Se Jim tem de fazer um trabalho consciencioso para o White Estate nesta área, será necessário que cooperemos com ele proporcionando-lhe informação de nossa abóbada, que agora está disponível para ele. Refiro-me à correspondência da década de 1890, que nos daria indícios tanto quanto acerca de quem eram as assistentes literárias de Ellen White quando trabalhava em Desire of Ages, como um pouco de a natureza de seu trabalho. Também seria útil ter qualquer comentário que estas empregadas tenham feito, especialmente Marian Davis. Também seria útil proporcionar-lhe a Jim declarações de W. C. White, H. Camden Lacey, Doures Robinson, e possivelmente outros, que poderiam arrojar luz sobre quando e como se levou a termo o trabalho do Desire of Ages. Também poderia ter informação recolhida dos diários e cartas de Ellen White, que proporcionem detalhes informativos adicionais.

Jim me disse que precisaria pelo menos seis meses para fazer o trabalho que, segundo, ele seria necessário, e que só tinha uma permissão de três meses, que lhe tocava tomar no semestre de outono de 1979. Disse que estava vivamente interessado nesta tarefa em particular, e que se sentiria feliz de usar sua permissão de três meses para trabalhar nela, mas que não poderia fazê-lo a não ser que a administração da Universidade de Andrews lhe concedesse outros três meses sem nenhuma responsabilidade de ensinar, para poder passarem-se seis meses consecutivos trabalhando neste projeto. Mais tarde, nesse mesmo dia, conversei a respeito do assunto com Tom Blincoe e Grady Smoot. Ambos os se mostraram favoráveis à idéia nesse momento, mas, por suposto, não quiseram fazer nenhum compromisso que envolvesse três meses do tempo de Jim Cox. Quando estive ali, não falei com Dick Schwartz, porque estava no hospital. No entanto, faz como duas semanas, os doutores Smoot, Schwartz, e Blincoe se reuniram e discutiram nossa solicitação. Depois de sua reunião, Dick me disse por telefone que estavam dispostos a participar no projeto dando-lhe a Jim Cox os três meses de tempo extra que seriam necessários. Dick me recordou que Jim não sempre desfrutou da mais favorável reputação. Disse-lhe do que eu o sabia, mas que me parecia que se Jim era o bastante bom para ser chefe do Departamento de Novo Testamento em nosso único Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia, também era o bastante bom para fazer-nos este trabalho de investigação. Expliquei-lhe que, enquanto estive ali, tinha falado com Jim em duas ocasiões durante um total de duas horas e média, e que me parecia que podia confiar em sua atitude. Dick me assegurou que podíamos contar com a cooperação da administração da Universidade de Andrews. Assim que todo se está movendo agora nesta direção, a não ser que se faça algo para detê-lo. Na próxima reunião da Junta Diretora da Universidade de Andrews, o Dr. Smoot lhe pedirá à Junta que autorize a Jim a usar os meses de janeiro, fevereiro, e março de 1980 para ocupar-se neste projeto em particular. No semestre de inverno de 1980, Jim estaria livre de toda responsabilidade de ensinar.

Incluo cópias das cartas que escrevi ao Sr. Smoot, o Dr. Blincoe, e o Dr. Cox, bem como uma carta recebida do Dr. Smoot mencionando este assunto. Sua carta foi escrita só uns poucos dias antes que Dick Schwartz me telefonasse dando a aprovação deles.

Agora, pode ser que eu cometesse um erro ao olhar diretamente a Jim Cox durante a reunião da quinta-feira pela tarde e lhe pedisse sua ajuda abertamente. Só o Senhor sabe se fazer isso foi o correto ou não. A pergunta diante de nós agora é: Agora para onde vamos desde aqui? Como eu o vejo, temos as seguintes alternativas:

1 . Poderíamos decidir que não temos nada que ver com nenhum programa de investigação neste sentido, e informá-lo assim a nossos irmãos de Andrews. Isto significaria que qualquer coisa que Jim desejasse fazer seria por sua conta, e pareceu-me que, de todos os modos, ele se ocuparia em alguma investigação neste sentido por sua própria conta devido seu interesse no tema e o fato de estar constantemente ensinando no campo dos evangelhos.

2 . Poderíamos informar às autoridades de Andrews que decidimos fazer esta investigação nós mesmos aqui no White Estate em Washington e que, por essa razão, não precisaremos nenhuma ajuda em absoluto de sua faculdade. Não crio que ninguém em Andrews nos critique se decidimos seguir este procedimento.

3 . Poderíamos informar ao Dr. Smoot e a seus colaboradores que nos gostaria receber ajuda da faculdade de Novo Testamento de Andrews, mas que não cremos que a investigação deva fazê-la o chefe desse departamento. Poderíamos dizer-lhes que temos dúvidas a respeito de Jim e que, apesar de que se fizeram certos arranjos, cremos que devemos procurar a um dos sócios dele para que faça a investigação antes que se confiar ao mesmo Jim.

4 . Poderíamos patrocinar o plano que já foi lembrado por nossos colegas de Andrews, Rum Graybill, e eu mesmo. Poderíamos erigir qualquer dispositivo de segurança que nos pareça necessário para proteger os interesses do White Estate. Penso que foi o Pastor White quem mencionou que poderíamos designar a um comitê para que trabalhasse com Jim tão estreitamente como fosse possível para garantir que os interesses do White Estate estejam protegidos em todo momento.

Pessoalmente, não vejo luz em nenhuma das três primeiras propostas. Idealmente, possivelmente deveríamos fazer a investigação aqui em nosso próprio escritório. Mas simplesmente não podemos fazer isto por falta de pessoal adequado. Simplesmente, não temos a ninguém no escritório que possa deixar por seis meses o que está fazendo para cumprir com a exigência que já foi lançada sobre nós com nosso convite.

A única alternativa que me parece ter sentido é a última. O tempo de Jim não lhe custará nada ao White Estate, e crio que podemos permanecer o bastante perto dele para que as conclusões a que ele chegue sejam essencialmente as mesmas às que nós chegaríamos se nós mesmos fizéssemos o trabalho. Poderíamos pedir-lhe a Jim que preparara um relatório cada dois ou três semanas para um comitê composto de pessoas como Tom Blincoe, Roy Graham, o Dr. Murdoch, Dick Schwartz, e Raoul Dederen. Possivelmente, Dick Schwartz poderia ser o presidente desse comitê.

Depois que tivermos discutido este assunto em nossa reunião de pessoal, em 5 de dezembro, possivelmente estejamos em condições de fazer uma recomendação à Junta quando esta se reunir em 7 de dezembro.

Com meus melhores desejos.

Sinceramente,

[assinado Bob]

Robert W. Olson, Secretário.

RWO/nc Enc.

Graça Maior - Walter T. Rea, . Disponível em: http://gracamaior.com.br/estudos/ibsd-x-adventistas-do-setimo-dia/234-a-mentira-branca.html. Acesso em 25 Maio 2017.