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Home Estudos Adventistas do Sétimo Dia Até Duas Mil e Trezentas Tardes e Manhãs; E O Santuário Será Purificado

Terça02 Setembro 2014

"Texto fora do contexto é pretexto para heresias", portanto leia sempre o contexto e nunca baseie uma doutrina num texto isolado.

Até Duas Mil e Trezentas Tardes e Manhãs; E O Santuário Será Purificado

Contraste de Tardes e Manhãs

Todos os Dias eram sacrificados dois cordeiros no santuário. Um pela manhã e outro pela tarde. Por isso o anjo falou: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs. Na verdade Ele estava se referindo aos sacrifícios que eram realizados pela manhã e pela tarde.

Até Duas Mil e Trezentas Tardes e Manhãs;
E O Santuário Será Purificado (Daniel 8:14)

O que o amigo irá ler agora e uma transcrição de parte do livro O ADVENTISMO páginas 37-55 de Ubaldo Torres Araújo - primeira edição – 1981. (Ex- pastor Adventista do Sétimo dia).Resolvi transcrever esta matéria, por ser exatamente o meu pensamento, e este escritor ter sido muito fiel em seus argumentos.

Ao entrarmos em contato com esta profecia, surgem logo estas perguntas em nossa mente curiosa e ávida de desvendar o futuro:
Que santuário seria restabelecido ou purificado? Que período alcança as 2.300 tardes e manhãs?. Qual a data do seu início? Quem foi o “chifre pequeno” que se originou da divisão do império Grego?

 

O Bode Peludo

Leio em Dan. 8:5-8: Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode tinha um chifre notável entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder. Vi-o chegar perto do carneiro, e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; mas o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder dele. O bode se engrandeceu sobremaneira; e na sua força quebrou-se-lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis, para os quatros ventos do céu.

Foi o anjo Gabriel quem deu a Daniel o sentido das palavras, o que se deduz da leitura dos versos 20 até 22: Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Nédia e da Pérsia; mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei; o ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não com a força igual à que ele tinha.

O bode era o emblema do poder real dos gregos. Daí o fato de, na profecia, serem representados por esse animal. A expressão “sem tocar no chão” diz da rapidez com que foi estabelecido o reino Universal Grego. O “chifre notável entre os olhos”, foi, sem dúvida, Alexandre Magno, ele conquistou o mundo de então em apenas 12 anos. A batalha de Ar bela, no ano 331 a.C. entregou-lhe o poder mundial. Morreu aos 33 anos de idade, acometido de uma doença que lhe sobreveio depois de um prolongado banquete.

Com a expressão “saíram quatro chifres notáveis para os quatro ventos do céu”, a profecia predisse que o império Grego seria dividido em quatro partes, o que se deu alguns anos depois da morte de Alexandre. Alexandre foi o primeiro rei, no sentido de ter sido o primeiro de um reino unificado. Não foi simplesmente o rei de Atenas ou de Esparta, mas de todo o mundo grego.

Diz-se que o general Perdicas, ajudante de ordens de Alexandre, ao sentir a aproximação da morte de seu comandante, perguntou-lhe a quem deveria entregar o cetro da vitória. Alexandre teria respondido: “ao mais forte”. E com estas palavras passava para Perdicas o anel real. Este, Porém, não conseguiu manter, por muito tempo, a unidade do império. Posteriormente, houve guerras internas, e na batalha de Ipso, o Império resultou dividido entre os generais Lisímaco, Cassandro, Ptolomeu e Seleuco. Cumpria-se assim a previsão dos “quatros chifres notáveis”. O império Grego se estendeu de 331 até 64ac, quando o último reduto seleucida foi abatido, embora sua queda tenha se iniciado em 168 a.C, na batalha de Pidna. 

Quem Foi o “Chifre Pequeno”?

Passamos, agora, para um dos pontos mais importantes desta profecia; “De um dos chifres saiu um chifre pequeno, e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao Príncipe do exército; dele tirou o sacrifício costumado, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou”.

Que “chifre pequeno” foi esse que se tornou muito forte para o sul, para o norte para a terra Gloriosa? A Escritura mesma nos entrega a resposta: “Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei de feroz catadura e entendido de intrigas. Grande é o seu poder, mas por sua própria força; causará estupendas destruições; prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo. Por sua astúcia nos seus empreendimentos fará prosperar o engano, no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; levantar-se-á contra os príncipes dos príncipes, mas será quebrado sem esforço de mãos”(Daniel 8:23-25).

Quem desempenhou na História o papel desse “chifre pequeno”? É ele representado por um poder ou por um indivíduo? O que faria? Trata-se, aqui, não de um poder, mas de um indivíduo, como constatamos pela leitura do verso 24, primeira parte: “Grande é o seu poder...” É evidente que o texto fala de um homem que tinha poder. Não se pode dizer que um “poder” tenha poder. O indivíduo é que o tem. A leitura atenta dos versos 23-25 nos dá a convicção de que se trata, de fato, de um homem, e não de um poder.

Que coisas faria esse homem? Nem é bom dizer. Mas vamos lá. Causaria destruições, prosperaria nos seus intentos, embora temporariamente, destruiria a muitos dentre o povo de Deus, faria progredir o erro e engrandecer-se-ia até o Príncipe dos Príncipes, além de retirar o “continuo Sacrifício” do povo judeu.

Como vimos, algum tempo após a morte de Alexandre, o império que ele havia conquistado fora dividido em quatro partes. De uma delas, precisamente da realeza selêucida, surgiu, entre outros, um monarca chamado Antíoco IV Epifanes. E o que fez este homem? Exerceu a mais desmoralizadora e desumana opressão sobre o povo judeu de que se tem notícia. Foram anos de dura submissão. Ele mesmo reconheceu este fato, antes de morrer, nestas palavras: “Mas agora eu me lembro dos males que causei a Jerusalém, de todos os objetos de ouro e de prata que saqueei, e de todos os holocaustos da Judéia que exterminei, sem motivo. Reconheço que foi por causa disto que todos estes males me fulminaram, e agora, morro de tristeza numa terra estrangeira”(I Macabeus  6:12,13).

Aracele S. Melo, em seu livro “Testemunhos Históricos das Profecias de Daniel”, página 469, diz o seguinte: “Nos setores onde o “chifre pequeno” deveria ser vitorioso -- no Oriente e no sul – Antíoco foi completamente derrotado e morto”. Em primeiro lugar, é preciso dizer que Antíoco não foi morto. Teve morte natural. A profecia diz que ele seria quebrado “sem esforço de mãos” (Daniel 8:25), significando isto que haveria de morrer de morte natural, sem violência. Agora é o caso de se perguntar; aconteceu tal coisa com Roma? Seria até muito engraçado dizer que Roma, um poder e não uma pessoa, tivesse experimentado a morte “sem esforço de mãos”. É por isso que o pastor Araceli Melo e outros comentaristas não gostam de se lembrar da parte final do verso 25. Não seria conveniente, pelas implicações daí decorrentes. Em segundo lugar, é mister se diga que Antíoco estendeu suas conquistas também para o sul e para o oriente. Se você ler o verso 17 do capítulo 1 do primeiro livro de Macabeus, encontrará a descrição de suas investidas ao Egito. Vejamos: “Penetrou (Antíoco), pois, no Egito com um poderoso exército, com carros, elefantes, cavalos e uma numerosa esquadra. Investiu contra Ptolomeu, rei do Egito que, tomado de pânico, fugiu. Foram muitos os que sucumbiram sob os seus golpes. Tornou-se ele senhor das fortalezas do Egito, e apoderou-se das riquezas do país”. Isto foi o que aconteceu, no que pese o professor Arnaldo Cristianini haver dito o contrário, nestas palavras: “Ele quis arremeter-se contra o Egito, mas a simples palavra de um oficial romano o impediu” (artigo publicado na Revista Adventista, abril 1973). Gostaria de saber em que seara o inteligente professor colheu esta informação.

Antíoco agiu com tamanha crueldade contra o povo de Deus, que foi apelidado de Antíoco IV Epifanes, o Louco.
Buckland, em seu Dicionário Bíblico Universal diz, referindo-se a Antíoco: “Pelos judeus era ele considerado como uma figura do Anti-Cristo, resistindo com todo o seu poderá tudo que era divino”.

O pastor Araceli S. Melo, não concordando que Antíoco tenha sido o “Chifre pequeno”, diz no mesmo livro, à página 468: “Antíoco IV Epifanes limitou-se, principalmente, a fazer guerra aos judeus. Como Jerusalém pareceu-lhe ter tendências helenistas, começou ele sua obra de proselitismo, mas com violência”. O que dizer em face desta observação? O fato de Antíoco preocupar-se, essencialmente, em massacrar o povo judeu, nos leva a crer, mais ainda, que esse homem preencheu, com certeza, os requisitos exigidos pela profecia, com relação ao “chifre pequeno”.

O que mais fez esse monarca louco? Veja bem. Despojou o templo de Jerusalém de todos os seus tesouros, como sejam: o castiçal, o incensário, os utensílios e adornos de ouro. Dedicou o templo a Júpiter Olimpo. Proibiu, terminantemente, os rituais dos judeus, liquidando com o “sacrifício contínuo”, substituindo-o por um culto pagão. Arrasou os muros da cidade, matou e vendeu como escravos os que se opuseram ao seu regime. Saiu, por aí, destruindo as relíquias dos judeus que encontrava. Fez vir de Atenas um filósofo para dirigir um plano maquiavélico, a fim de extirpar a religião judaica. Chegou ao disparate de mandar colocar no Templo a estátua de um deus pagão, tendo provavelmente sua própria fisionomia. Foi a maior vergonha até então sofrida pelo povo de Deus, ato que foi considerado como uma “abominação desoladora” (Daniel 11:31). Por acaso, cometeu Roma um despropósito desta natureza? Nunca.
 

O Que Mais Identifica o “Chifre Pequeno”?

1)    Deveria lançar as estrelas por terra. E não fez isto Antíoco IV Epifanes, matando e vendendo como escravos aqueles judeus que se lhe opuseram, no total de 80 mil, em apenas três dias, sendo 40 mil mortos e 40 mil vendidos como escravos? (II Macabeus 5:14).

2)    Deveria tirar o “sacrifício costumado” (verso 11). E não fez isto, ao proibir o ritual do Templo? Fez isto Roma? Não.

3)    Deveria deitar abaixo o lugar do Santuário (verso 11). E também não cometeu essa abominação, saqueando o Templo, colocando dentro dele a estátua de um deus pagão, e ainda investindo, furiosamente, contra a cidade? Vale a pena ler o relato histórico de I Macabeus 1:20-32: “Após ter assolado o Egito, pelo ano cento e quarenta e três, regressou Antíoco e marchou contra Israel, subindo a Jerusalém, com um forte exército. Penetrou cheio de orgulho no Santuário, tomou o altar de ouro, o candelabro das luzes com todos os seus pertences, a mesa da proposição, os vasos, as alfaias, os turíbulos de ouro, o véu, as coroas, os ornamentos de ouro da fachada, e arrancou as embutiduras. Tomou a prata, o ouro, os vasos preciosos e os tesouros ocultos que encontrou. Arrebatando tudo consigo, regressou a sua terra, após massacrar muitos judeus e pronunciar palavras injuriosas. Foi isto um motivo de desolação em extremo para o povo de Israel. Príncipes e anciãos gemeram, jovens e moças perderam sua alegria, e a beleza das mulheres empanou-se. O recém-casado lamentava-se, e a esposa chorava no leito nupcial. A própria terra tremia por todos os seus habitantes e a casa de Jacó cobriu-se de vergonha. Dois anos após, Antíoco enviou um oficial a cobrar o tributo nas cidades de Judá. Chegou ele a Jerusalém com uma numerosa tropa, dirigiu-se aos habitantes com palavras pacíficas, mas astuciosas, às quais acreditaram; em seguida, lançou-se de improviso sobre a cidade, pilhou-a seriamente e matou muita gente. Saqueou-a, incendiou-a, destruiu muitas casas e os muros ao derredor. Seus soldados conduziram ao cativeiro as mulheres e as crianças e apoderaram-se dos rebanhos”. Fez Roma tudo isso? Não. Mas Antíoco IV Epifanes, sim.

4)    Deveria lançar a verdade por terra (verso 12). E não cometeu Antíoco esse desatino, de maneira plena, substituindo o Velho Concerto, com todos os seus preceitos por rituais pagãos, chegando ao ponto de proibir a guarda do Sábado ao povo judeu, e levando muitos a um estado de desobediência forçada nunca visto anteriormente? A religião judaica, baseada no pentateuco, era a mais sublime verdade de Deus dada a Israel. E Antíoco IV Epifanes lançou essa verdade por terra com a violência que lhe era peculiar. Fez chegar ao povo de Deus toda sorte de calamidade. Perceba, leitor, quantos males desencadeou ele contra aqueles a quem Deus havia confiado os Seus oráculos, lendo I Macabeus 1:44-50, 55,56,60 e também II Macabeus 6:3,4; “Por intermédio de mensageiros, o rei enviou a Jerusalém e às cidades de Judá, cartas prescrevendo que aceitassem os costumes dos outros povos da terra, suspendendo os holocaustos, os sacrifícios e as libações do Templo, violassem os Sábados e as festas, profanassem o Santuário e os santos erigissem alteres, templos e ídolos, sacrificassem porcos e animais imundos, deixassem seus filhos incircuncidados e maculassem suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira a obrigarem-nos a esquecer a Lei e a transgredir as prescrições. Todo aquele que não obedecesse a ordem do rei devia ser morto. Ofereciam sacrifícios diante das portas das casas e nas praças públicas. Rasgavam e queimavam todos os livros da Lei que achavam; em toda parte, a todo aquele, em poder do qual se achava um livro do Testamento, ou, todo aquele que mostrasse gosto pela Lei, morreria por ordem do rei. As mulheres que levavam seus filhos a circuncidar, eram mortas conforme o edito do rei, com os filhos suspensos aos seus pescoços. Massacravam-se também seus próximos e os que tinham fito a circuncisão. Dura e penosa foi para todos esta avalanche maléfica. O Templo encheu-sede lascívias e das orgias dos gentios que se divertiam com meretrizes, uniam-se às mulheres nos átrios sagrados, introduzindo coisas ilegais”.Por acaso, foi Roma que impôs aos judeus toda essa abominação? Nunca. Todavia, o professor Arnaldo Cristianini, em artigo publicado na Revista Adventista de Abril de 1973 diz: “Antíoco não conseguiu deitar por terra a verdade. As tentativas que ele fez para isso foram infrutíferas, porque a perseguição redundou no fortalecimento da verdade, unindo os judeus contra a helenização do judaísmo”. Dá pena ver a pobreza deste argumento. Não fosse a admiração que tenho pelo ilustre comentarista, chegaria a duvidar da sua sinceridade. Se acabar com o serviço do Templo, substituindo por um culto pagão, liquidar com a guarda do Sábado do judaísmo, proibir a circuncisão numa época em que estava em pleno vigor, queimar o Livro Sagrado, além da prática de outros desatinos igualmente graves, não era lançar por terra a verdade, o que era então? Por muito menos Roma é acusada de haver lançado a verdade por terra. Todos os processos são admissíveis para os que querem torcer os fatos, mormente quando o propósito é identificar Roma com o “chifre pequeno”. Para a igreja Adventista do Sétimo Dia, Roma precisa ser o “chifre pequeno”.

5)    – O “chifre pequeno” deveria engrandecer-se até ao Príncipe dos Príncipes (verso 11). E não fez isto Antíoco IV Epifanes?  Massacrar o povo de Deus, acabar com o seu culto, substituindo-o por um ritual pagão, imolar porcos e outros animais imundos no próprio Templo, transformar os átrios sagrados em casas de meretrício não é engrandecer-se contra os Príncipes dos Príncipes? Não admiti-lo é engano total. Colocar-se em posição contrária ao que Cristo estabeleceu é como colocar-se contra Ele. Antíoco foi de fato o “chifre pequeno”. Não padece dúvidas. Não há, na história, outro nome que tenha causado tanta tristeza, vergonha e sofrimento junto ao povo judeu, em tão pouco tempo. Mas o professor Arnaldo Cristianini diz, no artigo anteriormente citado, que Antíoco não se engrandeceu até o Príncipe dos Príncipes, pois não foi seu contemporâneo. E Precisa? Pergunto eu. Porventura não sabe o brilhante teólogo que a literatura adventista sustenta que a Igreja de Roma tem se engrandecido até Cristo, colocando-se em Seu lugar, embora ela só tenha surgido alguns séculos depois da morte de Jesus? Do ponto de vista religioso, Antíoco IV Epifanes não fez outra coisa senão engrandecer-se até o Príncipe dos Príncipes. Suas atitudes o garantem. Antíoco, e não Roma, é quem preenche esta outra exigência da profecia.

6)    O verso 11 diz que o “contínuo sacrifício” seria retirado do povo judeu pelo “chifre pequeno”. Então é quando os Adventistas do Sétimo Dia dizem que Roma retirou o “contínuo” no ano 70, quando da destruição do Templo. Não há engano maior do que este, pois o “contínuo” chegava ao seu fim no exato momento em que Jesus expirava na Cruz. É verdade que os judeus continuaram na prática do ritual do Templo até a sua destruição no ano 70, mas o sacrifício já não era legal. Sua extinção havia sido decretada com a morte do Cordeiro verdadeiro. Portanto, não tendo Roma retirado o “contínuo” do povo judeu, não pode preencher este desejo da profecia.

7)    O final do verso 17 reza: “Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim”. Sabe-se que a expressão “tempo do fim”, empregada no texto, se refere ao tempo da vinda do Messias. Os judeus esperavam que o Prometido de Deus viesse ao mundo no tempo determinado para os livrar do jugo inimigo e estabelecer uma nova ordem de coisas aqui na terra, o que devia coincidir com o fim da Velha Dispensação. Era o fim do reino do pecado. Para os judeus, o aparecimento do Messias era o tempo do fim. Por isso a profecia das 2.300 tardes e manhãs não podia em hipótese alguma, ultrapassar a linha divisória das duas dispensações. Ela devia ocorrer no “Tempo do fim”, isto é, não muito distante da época da vinda do Messias. Para que não fique dúvida quanto ao fato de os judeus considerarem o “tempo do fim” concomitante com a vinda do Messias, é bom ler Daniel 10:14: “Agora vim para fazer-te entender o que há de suceder ao TEU POVO, nos ÚLTIMOS DIAS; porque a visão se refere a dias ainda distantes”. Veja bem. “Vim para fazer-te entender o que há de suceder ao TEU POVO nos ÚLTIMOS DIAS”. O Profeta não pode estar relacionando os “ÚLTIMOS DIAS” com a época de hoje, pois os judeus não têm atualmente, qualquer expressão religiosa. Os “ÚLTIMOS DIAS” da profecia de Daniel 10:14, se referiam ao fim da Velha Dispensação, quando os judeus constituíam uma nação religiosamente forte e destacada. Não podemos deixar de mencionar também neste item, mais um ponto esclarecedor. É que se encontra no verso 19 do capítulo 8: “Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da IRA; porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim”. Tudo se torna muito claro quando analisamos os fatos sem desejo pré-estabelecido. A passagem diz que a profecia aconteceria no “tempo da ira”. E quem pode negar que o período da Velha Dispensação é identificado como a época da manifestação da ira de Deus, segundo nossa maneira de ver as coisas? O concerto firmado com Israel, no Monte, tinha como fundamento o Ministério da Morte, gravado com letras em pedras. Estava em vigor a lei do “olho por olho, dente por dente”. Pois bem. A profecia das 2.300 tardes e manhãs deveria desenrolar-se no “último tempo da ira”, a saber, no final da Velha Dispensação, depois do que seria estabelecido o reino do amor de Cristo. Daí se conclui ser inteiramente impossível que Roma possa representar o “chifre pequeno”, que teve sua fase de atuação limitada pelos anos 170 até 164 a. c. O “chifre pequeno” já não existia há 20 séculos. Roma continua firme como ninguém. Como pode esta representar aquela?

8)    A profecia diz que o “chifre pequeno” seria um homem, e não um poder. É só ler Daniel 8:23: “Mas, no fim do seu reinado, levantar-se-á um REI de feroz catadura e entendido de intrigas”. Pela linguagem percebe-se, nitidamente, que se trata, aqui de um homem, e não de um poder. Assim, Roma, que é um poder, não pode representar o “chifre pequeno”. Roma não preenche, por conseguinte, mais esta exigência da profecia. Antíoco IV Epifanes, e mais ninguém, é o único que atende todas as condições requeridas.

9)    Embora você já esteja cansado de saber quem foi o real representante do “chifre pequeno”, quero fornecer-lhe mais uma evidência. Escute bem. No ano 64 antes de Cristo, Antíoco XIII, a última raiz selêucida, era derrotada. Consolidava-se, assim, o Império Romano que, em 168 a.c, na batalha de Pidna, havia iniciado sua marcha vitoriosa. Ora, como pode Roma representar o “chifre pequeno”, extinto antes de Cristo? Roma não foi, não é e não pode ser o “chifre pequeno”. Somente Antíoco IV Epifanes satisfaz a todas as condições da profecia.

 

O Que é o “Contínuo Sacrifício”?

Dissemos, linhas acima, que o “chifre pequeno” que já sabemos, de sobra, ter sido representado por Antíoco, deveria tirar o “contínuo sacrifício” do povo judeu. E o que vem a ser este “contínuo sacrifício” ou “sacrifício costumado” ou apenas “contínuo”, já que a palavra “sacrifício” não consta dos originais? Na época que eu não permitia que minha mente pensasse por si mesma, mas agisse sempre sob a influência de terceiros, nunca me foi possível compreender o que era o “contínuo”. A verdade sobre o assunto estava dentro de mim, aqui bem perto, mas eu não sentia, pois me tornei tão estreito e bitolado, que seria incapaz de pensar por mim mesmo nas questões espirituais. Lia mas nada conseguia reter, pois minha preocupação não era investigar, e sim colocar na mente o que os outros me apresentavam como verdade. O que era verdade para a Igreja Adventista do Sétimo Dia o era também para mim. Minha mente estava toda embotada. Mas o que é o “contínuo sacrifício?” Autores escreveram páginas e mais páginas, usaram argumentos e mais argumentos, apelaram para a etmologia das palavras, combinaram versículos entre si, e chegaram à conclusão de que o “contínuo” é o paganismo. Só que a argumentação, pela sua complexidade, não convence nem um pouco, nem mesmo aos desprevenidos. O que realmente convence é, por exemplo, o que se acha em Números 28:3: “Esta é a oferta queimada que ofereceis ao Senhor, dia após dia; dois cordeiros de um ano, sem defeito, em CONTÍNUO HOLOCAUSTO”. Isto é o “contínuo sacrifício”.

Daniel diz que o “contínuo sacrifício” foi retirado do povo judeu. Como se sabe, na Velha Dispensação, o cordeiro era queimado no altar, dia e noite. Era um sacrifício permanente. E, com relação a esse serviço, o que fez Antíoco IV Epifanes? Proibiu-o terminantemente. Para termos uma idéia da intenção desse governante em acabar com o “contínuo”, basta dizer que ele, numa atitude desprazível, determinou que se imolassem suínos e que seu sangue, fosse aspergido sobre os objetos sagrados do Templo. E que “contínuo” era esse que fora removido, temporariamente, do povo judeu? Você, com certeza, já entendeu tudo. Que o “contínuo” não era outra senão o sacrifício permanente do cordeiro sobre o altar.

Tão simples assim! Se os teólogos, preocupando-se com os pontos difíceis, deixassem as coisas simples por conta da simplicidade, até os neófitos as entenderiam. Porém, muitas vezes, eles não conseguem encontrar o ponto de convergência para as questões mais embaraçosas, e ainda dificultam aquilo que está ao alcance de todos. Há muitos anos, disseram-me que o “contínuo” era o PAGANISMO. Mas eu achava tão difícil compreender as explicações que me davam, verbalmente ou através de literatura, que não gostava de transmiti-las a outros. Quando tinha que faze-lo, simplesmente dizia que o “contínuo” era a oferta queimada ao Senhor, em contínuo holocausto. Felizmente, de algum tempo para cá, já se observa a tendência para sepultar a velha e carcomida interpretação, acariciada por Urias Smith e outros. Parece que a Igreja começa a pensar no “contínuo” em outras bases, embora conflitando com o pensamento dos pioneiros. O pastor Araceli S. Mello, em seu conhecido livro, já citado anteriormente, fazendo referência a The Propfetic Faith o four Fathers, volume 4, página 846, menciona vários nomes, entre os quais Guilherme Miller, Josiah Litch, Joshua Himes, Lorenzo D. Fleming, George Storrs, que pensavam ser o “contínuo” o PAGANISMO. Cita inclusive Early Writing de Ellem G. White, onde a autora teria dado cobertura à interpretação que esses pioneiros considerados pais da Igreja, haviam emprestado ao termo “contínuo”. Mas o que vem acontecendo de algum tempo para cá?

Observa-se a tendência para esquecer o velho conceito adotado pelos pioneiros e sacramentado pela Sra. White. Tomara que a IASD se posicione com coragem, colocando outras “coisas” nos lugares para elas reservados. Faz pouco tempo, um pastor me dizia que o “contínuo” de Daniel 8 fora removido do povo judeu no ano 70. Embora ele tenha deixado a impressão de não saber onde está o galo, o certo é que ele o ouviu cantar. Digo-o por que, o “contínuo” foi retirado do povo judeu, mas não no ano 70, quando o sacrifício já não era mais legal. O fato aconteceu em 165 antes de Cristo, e oficialmente no ano 31.

Muitas há os que não podem ou não querem aceitar a evidência de que o “contínuo” era a imolação diária do cordeiro, porque acolher o fato os obrigaria a situar as “2.300 tardes e manhãs” no âmbito da velha Dispensação, pois só assim seria possível ancorar a nave no ano de 1.844 e, ao mesmo tempo, identificar Roma com o “chifre pequeno”.

Como é fácil deduzir, o “contínuo”, bem como a purificação do santuário dos judeus se situaram dentro do Velho Concerto. Assim sendo, torna-se inteiramente impossível, como já foi amplamente demonstrado, que Roma possa representar o “chifre pequeno”. O “contínuo sacrifício” não é o PAGANISMO. Desde quando as palavras perderam o seu real significado.

 

O Templo Purificado Foi o de Jerusalém

Agora chegou a vez de falarmos sobre as “2.300 tardes e manhãs” e a purificação do Santuário. O texto reza: “Depois ouvi em santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: até quando durará a visão do contínuo sacrifício e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados? E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”.

Teólogos há que não aceitam a idéia de que tenha sido o santuário de Jerusalém o que foi purificado. O motivo é óbvio. Era indispensável levar o final das 2.300 tardes e manhãs para a Nova Dispensação, a fim de que tudo saísse como adredemente preparado. A solução seria efetuar a contagem das 2.300 tardes e manhãs na base de um dia por um ano, e imaginar tratar-se de um santuário no Céu. E assim foi feito. Urias Smith, em seu livro Lãs Profecias de Daniel, volume I, página 135, escreve, referindo-se à palavra “Santuário”: Pelas definições dos lexicógrafos, e seu uso na Bíblia, compreendemos que se emprega (a palavra “santuário”), para designar o lugar santo e sagrado, uma morada do Altíssimo. Se a terra é o santuário, deve responder a esta definição. Porém, que característica desta terra se adapta ao significado do termo? A terra não é lugar sagrado nem santo, nem é morada do Altíssimo. No que pese toda a consideração que se deve ter à memória do respeitável homem, não é possível concordar com o que ele diz. E razões há de mancheias.

1)    – Daniel não se refere à terra como sendo o santuário; fala, sim, do santuário dos judeus na terra, em Jerusalém, cuja profanação teria ocorrido por causa de suas transgressões (Daniel 8:12).

2)    – O deus dos semi-materialistas, dos religiosos convencionais, é um deus impotente, que está no Céu cercado de seres vivos a abaná-lo continuamente, sem parar, para que não sinta calor e possa tomar deliberações acertadas. Este não chega a ser Deus, na verdadeira acepção do termo, mas um deus tão pequeno e mesquinho quanto os seus adoradores. Mas o Deus daquele que tem percepção e mente clara é o Deus todo poderoso, o Criador de todas as coisas. É o Deus que esta em tudo e em todos, que está no Céu, como em cada um de nós. Que está no sorriso de uma criança como numa flor a desabrochar. Contudo Urias Smith considera que um lugar onde pessoas se ajuntam para adorar a Deus não é santo. Não é isto o que dizem as Escrituras. Em Isaías 60:13 lemos: “A gloria do Líbano vira sobre ti; o cipreste, o olmeiro e o buxo conjuntamente, para adornarem o lugar do Meu santuário, e farei glorioso o lugar dos Meus pés”. Então não estava Deus no santuário? E não é santo o lugar onde Ele está? Não disse também Jesus que, onde estivesse dois ou três reunidos em Seu nome, aí Ele estaria? Por sua vez, não diz Paulo que o nosso corpo é o templo do Espírito de Deus? Como é que Deus não se faz presente em todo lugar, e até na terra? Em Êxodo 25:8 podemos ler: “E Me farão um santuário, para que Eu possa habitar no meio deles”. Urias Smith, no mesmo livro e na mesma página, acrescenta: “Tem havido varias opiniões quanto ao que é o santuário. Alguns pensam que é à terra; outros, a terra de Canaan; outros ainda, a Igreja; e finalmente há àqueles que crêem que se trata do santuário celestial, o verdadeiro tabernáculo que o Senhor construiu e não o homem, que está no mesmo Céu e do qual o tabernáculo judeu era tipo, modelo e figura”. Como se pode notar, o autor omitiu justo o santuário ao qual o profeta Daniel se referiu, que é o de Jerusalém. Urias Smith apela para o absurdo de insinuar que o santuário dos judeus não era sagrado, por se situar na terra, na tentativa inútil de provar que a profecia trata de um santuário celestial. O santuário mencionado pelo Profeta não é outro senão o de Jerusalém, que fora profanado por Antíoco IV Epifanes, como veremos a seguir, com mais detalhes.

Para chegarmos à conclusão de que Daniel 8 trata do Templo de Jerusalém e de uma contagem literal, não precisamos apelar para a exegese, a hermenêutica ou qualquer princípios teológicos por mais conclusivo que seja. Basta que sejamos lógicos e coerentes. Não se requer do leitor nenhum conhecimento histórico. Também não é necessário ter um QI elevado. Senão vejamos:

1)    – Daniel diz que o “sacrifício contínuo” seria retirado do povo judeu por causa dos seus pecados. Logo, a profecia diz respeito ao povo judeu e ao seu templo, exclusivamente (verso12).

2)    – O santuário referido na profecia não pode ser o celestial, pois no Céu nunca houve “sacrifício contínuo”, o único santuário do qual se poderia retirar o “contínuo”, que era a imolação do cordeiro da manhã e da tarde, seria o de Jerusalém. Pensar de maneira diferente, seria admitir o sacrifício de animais no próprio Céu. (verso 11).

3)    – O verso 13 nos informa que o Santuário seria entregue ao “chifre pequeno”, a fim de que fosse pisado. E você não acha, leitor, que seria ridículo que tal coisa pudesse acontecer no Céu? Pois é o que, forçosamente, teríamos de imaginar, se se tratasse do santuário celestial. Pondo de lado tão gritante absurdo, pergunto qual o santuário que foi purificado, restaurado, restabelecido. È evidente que foi o mesmo que anteriormente fora profanado, e que não pode ter sido outro senão o de Jerusalém.  No passado disseram-me que Roma era o “chifre pequeno”. Disseram-me, também, que ele pisaria o Santuário Celestial, e não o de Jerusalém, durante o período profético, que eles determinaram como sendo 2.300 anos, começando em 457 a.c, e terminando em 1.844. Informaram-me, ainda, (o que é pior) que os dogmas e ensinamentos do papado é que continuariam o ato de pisar o Santuário celestial, e que tudo isso e que o tornou impuro. Mas então eu pergunto: como é que o Santuário celestial foi purificado em 1.844, se a Igreja de Roma continua com os mesmos dogmas e idênticos ensinamentos? Ora, se no entender dos Adventistas, foram os erros de Roma papal que contaminaram o Santuário celestial, neste caso o Céu continua impuro, pois Roma não mudou. E mais: se a profanação do Santuário, isto é, o gesto de pisá-lo, começou no inicio das 2.300 tardes e manhãs, que os adventistas querem que tenha ocorrido em 457 a.c, quem o pisou a partir de então, se o papado ainda não havia surgido?

Veja só, leitor, que embaraço! Que incoerência! Que desarmonia, quando a gente foge da realidade!

Não há duvidas. O Santuário profanado e purificado foi o de Jerusalém. E não outro.

4)    – Segundo I Macabeus, o Templo esteve profanado entre os anos 168 e 165 a.C. (I Macabeus 1:41-64 e 4:52-54). Por tratar-se de um período de tempo relativamente curto, já podemos dizer que a contagem das 2.300 tardes e manhãs é literal, como veremos adiante, com mais evidências. 

 

Quando o Templo Foi Profanado e Quando Foi Purificado

Vamos, a seguir transcrever dois textos a que desejo aludir, como provas irrefutáveis de que a profanação do Templo se deu em 168 a.c, por Antíoco IV Epifanes, e que sua purificação ou restabelecimento não ocorreu em 1.844, mas em 165 a.C. O primeiro está em I Macabeus 1:41-64: “Então o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que todos os povos formassem um único reino e que abandonassem luas leis particulares. Todos os gentios se conformaram com esta ordem do rei, e muitos de Israel adotaram a religião de Antíoco, sacrificando aos ídolos e violando o Sábado. Por intermédio de mensageiros o rei enviou a Jerusalém e às cidades de Judá, cartas prescrevendo que aceitassem, os sacrifícios e as libações do Templo, violassem os Sábados e as festas, profanassem o Santuário e os santos erigissem alteres, templos e ídolos, sacrificassem porcos e animais imundos, deixassem seus filhos incircuncidados e maculassem suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira a obrigarem-nos a esquecer a Lei e transgredir as prescrições.Todo aquele que não obedecesse à ordem do rei devia ser morto. Foi neste teor que o rei escreveu a todo o reino; nomeou oficiais para vigiarem o cumprimento da sua vontade pelo povo, e coagirem, cidade por cidade, as de Judá a sacrificarem. Foram numerosos os que dentre o povo aderiram a eles, rejeitando a Lei. Fizeram muito mal ao país e constrangeram os Israelitas a se refugiarem nos lugares afastados e em refúgios ocultos. No dia quinze do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e cinco, edificaram a abominação da desolação por sobre o altar e construíram alteres em todas as cidades circunvizinhas de Judá. Ofereciam sacrifícios diante das portas das casas e nas praças públicas, rasgavam e queimavam todos os livros da Lei que achavam; em toda parte, a todo aquele, em poder do qual se achava um livro do Testamento, todo aquele que mostrasse gosto pela Lei, morreria por ordem do rei. Com este poder que tinham, tratavam assim, cada mês, os judeus que eles encontravam nas cidades, e no dia vinte e cinco de cada mês sacrificavam no altar, que sobressaia do altar do Templo. As mulheres que levavam seus filhos  a circuncidar eram mortas conforme o edito do rei com os filhos suspensos aos seus pescoços.

Massacravam-se também seus próximos e os que tinham feito a circuncisão. Numerosos foram os israelitas que resolveram consigo mesmo não comer nada que fosse impuro e preferiram a morte antes que se manchar com alimentos impuros; não quiseram violar a santa Lei e foram trucidados. “Caiu assim sobre Israel, uma imensa cólera”.

Este é um testemunho chocante relacionado com a profanação do Templo e o massacre do povo judeu. E com este pensamento em mente leiamos novamente o verso 14: “até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”. Este santuário, indubitavelmente, o de Jerusalém, é o que fora profanado por Antíoco IV Epifanes, e que, mais tarde, seria purificado. E como se efetivou a purificação? O relato  se encontra em I Macabeus 4:41-58: “Então Judas encarregou alguns homens combater os soldados da cidadela, enquanto purificavam o Templo. Escolheu sacerdotes sem defeito e zelosos da Lei que purificaram o Templo transportando para um lugar impuro as pedras contaminadas. Consultaram-se entre si o que se deveria fazer do altar dos holocaustos, que havia sido profanado, e tomaram a melhor resolução de o demolir, para que não recaísse sobre eles o opróbrio vindo da mancha dos gentios. Destruíram-no, portanto, e transportaram suas pedras a um lugar conveniente sobre a montanha do Templo, aguardando a decisão de algum profeta a este respeito. Tomaram pedras intatas, segundo a Lei, e construíram um novo altar, semelhante ao primeiro. Restauraram também o Templo e o interior do Templo e purificaram os átrios. Fizeram novos vasos sagrados e transportaram ap Santuário o candeeiro, o altar dos perfumes e a mesa. Queimaram incenso no altar, acenderam as lâmpadas do candeeiro, para alumiarem o Templo, colocaram pães sobre a mesa e suspenderam os véus, terminando completamente o trabalho. No dia vinte e cinco do nono mês, isto é, do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram muito cedo, e ofereceram um sacrifício legal sobre o altar dos holocaustos, ao som das harpas, das liras e dos címbalos. Todo o povo se arrojou com o rosto em terra, para adorar e bendizer ao céu. Àquele que os havia conduzido ao triunfo. Prolongaram por oito dias a dedicação do altar, oferecendo com alegria holocaustos e sacrifícios de ações de graças e de louvores. Adornaram a fachada do Templo com coroas de ouro e com pequenos escudos, consagraram as entradas do Templo e os quartos, aos quais  colocaram portas.Reinou uma alegria imensa entre o povo e o opróbrio das nações foi afastado!”

Assim, e exatamente assim, foi purificado o Santuário. Como as coisas são simples, quando procuramos caminhos, e não atalhos!

Abrindo um parêntese, cabe aqui um esclarecimento. Disse, anteriormente, que a profanação do Templo ocorreu no ano 168 a.C, e a purificação, em 165. Em seguida citando I Macabeus, asseverou-se que o Santuário fora profanado em 145, e purificado em 148. Para aqueles que não sabem, devo dizer que não há aí qualquer discrepância. É que o ano 168 a.C. corresponde ao ano 145 da contagem dos Macabeus. A primeira cronologia era decrescente. A outra, crescente.

 

A Contagem das 2.300 Tardes e Manhãs ou 2.300 Sacríficios da Tarde e da Manhã

Vemos, nesta profecia, uma particularidade que a destaca das demais. É a maneira singular em que aparece o fator tempo: “Até 2.300 tardes e manhãs...”
Por que foi usada a expressão TARDES E MANHÃS? O motivo é um só. Tratava-se de dias literais de 24 horas, em consonância com os da criação, que foram literais também, e constituídos de TARDES E MANHÃS (veja Gênesis 1:5 8,13,19,23,31). As palavras ereb boger (tarde e manhã) de Dan. 8:14 são as mesmas que aparecem em Gênesis 1 Para que você constate a semelhança, transcrevo abaixo Gen. 1:5 e Dan. 8:14 na versão hebraica; Wiehi ereb waichi boger iom echad (e foi tarde e foi manhã dia um), Ad ereb boger alpaim ushelosh meoth (até tarde manhã duas mil trezentas).

Note este detalhe importante. O tempo de duração do período não poderia ser demasiado longo, pois teria que situar-se dentro do domínio do “bode peludo”, na vigência do império grego, ou seja, nos tempos do Antigo Testamento, isto nos assegura que a contagem das 2.300 tardes e manhãs é literal, e nunca na base de um dia equivalendo um ano.

Os que defendem a tese da contagem literal estão divididos em duas classes:
1)    – Os que querem que “2.300 tardes e manhãs” signifiquem 2.300 dias.
2)    – Os que julgam ser as “2.300 tardes e manhãs” equivalentes a 1.150 dias. Embora contrariando a alguns, é inegável que há lógica nesta última maneira de ver a questão. Poderíamos dizer que “2.300 tardes e manhãs” não são 2.300 tardes mais 2.300 manhãs. As tardes e manhãs juntas, somadas, é que dariam o total de 2.300. Seja um exemplo. Eu digo: “Neste edifício moram 100 homens e mulheres”. Estaria, por acaso, afirmando que nele residem 100 homens mais 100 mulheres? Não. Muito pelo contrário. Eu estaria dizendo que no edifício moram 100 pessoas, entre homens e mulheres (80 homens mais 20 mulheres, ou 20 homens e mais 80 mulheres, ou 30 homens e 70 mulheres etc.). Assim é com as 2.300 tardes e manhãs. Só que, neste caso, como a uma tarde sempre sucede uma manhã, elas aparecem em partes iguais, isto é, 1.150 tardes mais 1.150 manhãs, totalizando 2.300 tardes e manhãs, ou seja 1.150 dias.

Segundo a opinião de bom número de estudiosos, pode-se, por outro lado, entender “2.300 tardes e manhãs” como sendo 2.300 holocaustos, da tarde e da manhã num total de 1.150 dias. Pois eram dois os holocaustos em um dia de 24 horas.

Se você, leitor, não concordando com esta contagem, achar que as 2.300 tardes e manhãs equivalem a 2.300, e não 1.150 dias literais, ainda assim em nada será alterada a função que Antíoco desempenhou nesta profecia. Tente entender isto: Antíoco reinou de 175 até 164 antes de Cristo, no total de 11 anos. Em 168 profanou o Templo, que assim permaneceu até o ano de 165 a.C. Contudo, o domínio desse tirano sobre a terra Gloriosa começou por volta do ano 170 (veja I Macabeus 1:20, 29), prolongando-se até 165 a.C., o que alcançou cerca de 7 anos ou 2.300 dias literais. Qualquer que seja a intenção da Inspiração, ou seja, qual for a escolha que você fizer ( 2.300 ou 1.150 dias), Antíoco IV Epifanes continua sendo o homem que preencheu todas as condições de Daniel 8. O que importa é que foi ele quem profanou e saqueou o Templo. O que importa é que a purificação do Santuário se deu dentro da Velha Dispensação. Assim que diferença faz se você acha que as 2.300 tardes e manhãs somam cerca de 7 anos ou sua metade, se o reinado de Antíoco abrangeu o período maior? Antíoco exerceu seu poder sobre os judeus durante, aproximadamente, 7 anos, e dentro desse período o Templo esteve profanado cerca de 3 anos e dois meses. Em outras palavras, a profecia se encaixa de maneira completa e abrangente. Desta forma, não creio ser necessário que os teólogos discordem entre si sobre se as 2.300 tardes e manhãs representam 2.300 ou 1.150 dias. Se a contagem correta for 2.300 dias, então este tempo se coaduna com o domínio de Antíoco, que se estendeu a 170 até 165 a.C. Se, por outro lado, a contagem certa for de 1.150 dias, então este lapso de tempo corresponderá à profanação do Santuário que, tendo sido imposta em 168, chegou até o ano 165 a.C. De qualquer forma, a profecia não sai da Velha Dispensação, e Antíoco IV Epifanes continua sendo o homem que representou o “chifre pequeno”, em todos os seus aspectos. Seja qual for a interpretação, ela será sempre literal.

Como se vê, todas as evidências até agora apresentadas são tão notórias, que não temos para onde correr. E que prisão agradável é esta de ter a certeza dos fatos!
A esta altura, cabe um esclarecimento da máxima importância. Digo que o esclarecimento é que é importante, e não o fato em si. Os defensores da tese de que as 2.300 tardes e manhãs devem ser encaradas na base de um dia por um ano, alegam que o período de 1.150 dias não correspondem exatamente ao tempo em que o Templo de Jerusalém esteve profanado. “Há uma diferença de 70 dias”, dizem eles. Leiamos o que diz o Dr. Mário Veloso, em artigo publicado na revista Ministério Adventista, de março a junho de 81, páginas 40 e 41: “O argumento histórico é que nenhum período de tempo conhecido se ajusta a um período literal de 1.150 dias durante a época dos Macabeus. Para serem coerentes, os preteristas precisam encarar os 2.300 dias (ou 1.150 dias) como sendo literais se o santuário de Dan. 8:14 é literal. Sabe-se que a profanação do templo judaico por Antíoco Epifanes -durou exatamente 3 anos ou 1080 dias. (I Macabeus 1:54 e 59; 4:52), calculados segundo o calendário que atribuem 360 dias ao ano. São 70 dias menos do que os 1.150 dias requeridos. Mesmo que fosse usado um ano profético de 365 dias, ainda faltariam 55 dias. No entanto, já excluímos a interpretação de Dan. 8:14 como 1.150 dias, de acordo com os instrumentos lingüísticos. A conclusão é que não existe um período histórico conhecido, durante o tempo dos Macabeus, que corresponda a 2.300 dias literais, ou metade desse número ( três anos, e dois meses e 10 dias)”.

A argumentação supra não resiste a um teste imparcial. A Bíblia não é um compêndio de matemática, com fórmulas, números e equações. Ela mesma não é especialista em mencionar datas. Estas devem ser muitas vezes, baseadas na História. Por sua vez, as datas históricas antigas, nem sempre são completas, faltando, muitas vezes, o mês o dia em que o fato se deu. Por exemplo, em 457 a.C. saiu o terceiro decreto de Artaxerxer relacionado com o repatriamento dos judeus. Mas é difícil determinar, com exatidão, o dia e até mesmo o mês em que isto aconteceu. Assim o sétimo ano de Artaxerxes (458-457) foi o ponto de partida para a contagem das 70 semanas de anos. Mas em que mês e em que dia a coisa aconteceu exatamente? Os intérpretes adventistas, partindo de 457 a.C, chegaram ao,ano de 1.844. Entrementes, situar com rigor, o tempo que, segundo eles, correspondem a 2.300 anos, é tarefa irrealizável. Tudo não passa de aproximações. Diga-sede passagem, que o objetivo da Bíblia não é fixar datas, mas apresentar fatos. Seja, como outra ilustração, o período de 1.260 dias. Quem pode fixar, com exatidão, o seu inicio para que se chegue a um resultado matemático? Diante destes fatos, ninguém tem o direito de dizer que o período de 1.150 dias não corresponde ao tempo em que o Templo esteve profanado. Esteve, sim. E este é um período definido da história, no tempo dos Macabeus. Este tempo se estendeu do ano 168 até 165 a.C.

Resta-nos, agora, alinhavar mais algumas razões que desabonam a contagem na base de 1 dia por 1 ano para este período profético também. Já disse, linhas atrás, que o “chifre pequeno” deveria nascer do “bode Peludo” (Império Grego) e com ele morrer. Disse ainda que ele surgiu da dinastia selêucida, que foi extinta em 64 antes de Cristo. Assim, o tempo profético jamais poderia atingir o ano de 1.844. Este ponto é de uma lógica tão elementar, que não precisaríamos sequer abordar outros detalhes da questão. Contudo, os defensores da tese de 1 dia igual a 1 ano têm o direito de apresentar as suas razões. E o que vou fazer, a seguir, não é outra coisa senão examinar, com você, algumas delas.

1)    – Leio na revista Ministério Adventista, março a junho de 1.981, página 43: “Se o período dos 2.300 dias abrange o tempo da elevação e queda dos impérios da Média-Pérsia e da Grécia, então será impossível interpretá-los como dias literais. Os dois Impérios duraram muitas vezes mais do que os seis anos e um terço equivalente a 2.300 dias (se Daniel 8:14 for considerado tempo literal)”.

Parece que aqui o autor não examinou cuidadosamente o panorama profético. A profecia das 2.300 tardes e manhãs não foi mencionado com a intenção de abranger toda a vigência dos impérios Medo-Persa e Grego. Busquemos a comprovação. Um Santo pergunta: “até quando durará a visão do costumado sacrifício e da transgressão assoladora, visão na qual eram entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” Em outra palavras; a mesma pergunta poderia ser assim estabelecida: quanto tempo durará a transgressão assoladora, isto é, todos os desatinos praticados contra o povo de Deus, e durante quanto tempo o povo seria massacrado e o santuário pisado?A resposta veio em seguida: “até 2.300 tardes e manhãs, e o santuário será purificado”. Como se pode perceber, as 2.300 tardes e manhãs deviam abranger estes fatos apenas. É o que está escrito, e isto é o suficiente. Portanto, o argumento apresentado pela aludida revista não tem peso. A única saída é aceitar a interpretação literal da profecia.

2)    – Na mesma revista, à página 42, destacamos: “Um característico da profecia apocalíptica é que as figuras são consideradas simbólicas. Animais representam reinos, e chifres, poderes... Acompanhando a natureza simbólica das figuras, poder-se-ia esperar que os números nessas profecias sejam interpretados simbolicamente, indicando tempo profético, e não de modo literal. Seria incoerente interpretar alguns números literalmente e outros simbolicamente”.
Este argumento ainda é mais pobre do que o anterior. Ele não diz nada. Desejar que os números fossem simbólicos só porque as figuras o são, é como passear em cima de telhado. Corre-se o risco de fazer goteiras. Cito apenas, como exemplo, Geremias. 25:12, onde se fala de” 70 anos” literais, e não simbólicos. E trata-se de uma profecia.

3) – Os defensores da contagem simbólica de 1 dia para cada ano apelam para Números 14:34: “Segundo os números dos dias em que espiaste a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, tereis sobre vós as vossas iniqüidades quarenta anos, e tereis experiência do Meu desagrado”. Convém examinar o texto com cuidado. Não há aqui, uma recomendação para que os números proféticos sejam considerados na base de 1 dia um ano. A passagem está apenas dando uma informação. Assim como os espiões haviam espiado a terra de Canaan durante 40 dias, da mesma forma, os israelitas carregariam as suas iniqüidades, no deserto, por 40 anos. Não se trata de um princípio de equivalência ou de uma lei interpretativa, mas de uma forma de expressão comparativa. Se não tivesse havido a coincidência de números (40 dias e 40 anos), isto é, se a permanência dos espiões em Canaan tivesse sido de 30 dias, por exemplo, em vez de 40, a redação do texto teria sido bem diferente, e provavelmente não daria margem a qualquer princípio de interpretação profética.

Ezequiel 4:4-6 é outro texto comumente usado pelos mesmos defensores. Mas eles mesmos o apontam indicando, não 1 dia um ano, mas 1 ano um dia. Observe o que diz a mesma revista à página 44: “Ezequiel contém, portanto, o princípio de que 1 ano represente 1 dia, e Números contém o princípio de que 1 dia representa 1 ano. Isto não anula o princípio, pois a proporção se mantém inalterada, não importa de que maneira é usada a equação”.

Se o raciocínio do autor é correto, isto é, se Números apresenta o princípio dia ano, mas Ezequiel, ao contrário, consigna 1 ano= 1 dia  como proceder com os “70 anos” de Gerencias? (Gerencias. 25:12). Praticando-o teremos o “milagre” de ver o cativeiro imposto aos judeus reduzido para 70 dias. Sim, porque se o texto de Números tivesse um princípio válido, o mesmo aconteceria com o de Ezequiel. Não podemos aceitar um, desprezando o outro.

Parece que os irmãos adventistas perderam o sentido da lógica. Falta-lhes coerência. A Igreja Adventista mesma diz que em Número 14:34 há o princípio de um dia equivalendo um ano, e em Ezequiel 4:4-6, um ano equivale a um dia. Se assim ela tem como certo, por que diz que um tempo, tempos e metade de um tempo de Dan. 7:25 representam 1.260 anos? Ora, é sabido que, para os judeus, 1 tempo equivale a um ano. Logo temos aí o total de 3,5 anos. Aplicando o princípio que a igreja diz existir em Ezequiel 4:4-6 ( 1 ano = 1 dia), chegaremos a 3,5 dias. Na prática,a Igreja usa apenas o princípio que ela diz existir em Num. 14:34, porque este é o que lhe convém, tanto para Daniel 7:25 como para as 2.300 tardes e manhãs. Como se vê, aplicando o suposto princípio de Ezequiel em Daniel 7:25 em Jer. 25:12, chegaremos ao absurdo de vermos reduzidos um tempo, tempos e metade de um tempo a 3,5 dias, e 70 anos a 70 dias. Para quem aceita a existência de equivalência profética em Números e Ezequiel, e inteiramente impossível sair deste impasse. É  um verdadeiro beco sem saída, do qual só nos livraremos, retomando o ponto de partida. Nestas condições, de duas uma: ou reconhecemos a inexistência de qualquer princípio de equivalência nos textos considerados, ou estaremos sempre inclinados a buscar arranjos para “harmonizar” o raciocínio.

Podemos parar por aqui. É inútil tentar provar que as 2.300 tardes e manhãs valem 2.300 anos. Consegui-lo é difícil, para não dizer impossível. Os fatos bíblicos e históricos nos asseguram, de maneira irrefutável, que as 2.300 tardes e manhãs são literais. Na verdade são 2.300 sacrifício, que eram realizados pela manhã e pela tarde. Foram realizados 1.150 sacrifícios nas tardes e 1.150 sacrifícios nas manhãs, perfazendo um total de 2.300 sacrifícios ou holocaustos. 

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