Texto de Estudo
Então saireis vós da emboscada, e tomareis a cidade; porque o SENHOR vosso Deus vo-la dará nas vossas mãos.   Josué 8:7

INTRODUÇÃO

Algumas das sequelas da derrota dos israelitas em Ai, devido ao pecado de Acã, foram o desânimo que tomou conta do coração de Josué, e o fato de o povo sentir-se abandonado por Deus. Todavia, aquela amarga experiência serviu-lhes de lição: não deveriam, jamais, permitir que a soberba invadisse o coração. Não conquistariam novas vitórias se ignorassem o Senhor na execução dos propósitos divinos.

Depois que Israel eliminou o pecado de Acã, o Senhor concedeu-lhes encorajamento, sua presença divina na batalha, dando-lhes direção e promessa de vitória, e a permissão para se apropriarem dos despojos.

Nesta lição, iremos considerar alguns aspectos essenciais da tomada de Ai para entendermos que Deus jamais abandona seus filhos.

 

DEUS FALA COM JOSUÉ E ENCORAJA-O

O Senhor reanimou Josué, assumindo o comando da conquista, restaurando-lhe a confiança e a estratégia da batalha. Eis algumas observações importantes:

1. O Senhor assume o comando da conquista. (v. 1) A Bíblia afirma claramente: “Então, disse o Senhor a Josué...”. Josué era um homem muito feliz por ter um comandante como o próprio Deus. Quando ocorria alguma dificuldade, ele não precisava reunir um conselho de guerra, visto que tinha Deus tão próximo dele, não somente para responder, mas inclusive para antever suas indagações. Pode parecer que Josué estivesse meio perplexo ou indeciso. Ele normalmente tinha se recuperado do embaraço com a desgraça que Acã causou, e não podia pensar, sem temor e tremor, em continuar sua missão, com receio de que pudesse haver outro Acã no acampamento. Então, Deus falou com ele pessoalmente, sem usar palavras subjetivas, ou algum profeta para falar ao servo, mas comunicou-se de forma direta e objetiva. Josué aprendeu que, fosse qual fosse o embate, a vitória viria do Senhor dos Exércitos.

2. O Senhor restaura a confiança de Josué.“Não temas e não te espantes”. (v. 1) Isso mostrou que o pecado de Acã e as suas consequências tinham causado grande desânimo ao líder dos israelitas e fizeram com que seu coração quase vacilasse. Para animar Josué, Deus assegurou-lhe o sucesso na nova batalha contra Ai e disse que era tudo seu. Mas Josué deveria recebê-la como um presente de Deus: “Eu entreguei nas suas mãos o rei de Ai, seu povo, sua cidade e sua terra.”. (v. 1) 

Embora Josué não fosse o responsável direto pela derrota de Israel, teve sua parcela de culpa: mobilizou o exército antes de ter removido o pecado do meio do povo. O Senhor não mais protegeria Israel, até que o pecado fosse confessado, e o povo voltasse a obedecer-lhe sem reservas. As derrotas que experimentamos na vida devem nos ensinar a depender sempre de Deus. (Romanos 8:37)

3. Deus dá a estratégia da conquista. (vs. 2-8) Após ouvir as palavras do Senhor, Josué recuperou o ânimo e logo entrou em ação para a conquista de Ai. (vs.9-13) Sem discutirmos os detalhes do estratagema empregado para surpreender o inimigo, devemos levar em conta que a estratégia foi do Senhor - e não da experiência de Josué. (vs.3-8) Em nossas batalhas contra Satanás, a estratégia da vitória é aquela que o Senhor revela em sua Palavra. (Efésios 6:11-18)

O ataque contra Ai deveria ser tão rigoroso quanto o que ocorrera no caso de Jericó. A força reduzida de 3.000 homens armados, do primeiro ataque, tinha se revelado uma excessiva dose de autoconfiança. Agora, porém, Josué não deveria assumir riscos, mas, antes, teria de esmigalhar o adversário com todas as forças. A lição moral que daqui derivamos é que, embora o Senhor garanta-nos o sucesso, temos de fazer tudo quanto estiver ao nosso alcance para realizar a contento a parte que nos cabe. Devemos cumprir nossa missão com o máximo de esforço, e não apenas comedidamente.

 

O PLANO PARA A CONSQUISTA

Durante a noite, Josué enviou um pelotão de 30 mil homens para atacar a cidade de Ai por detrás. Na manhã seguinte, um outro pelotão distraiu o exército inimigo, enquanto o primeiro atacava a cidade.

1. A estratégia da conquista. (vs. 9-13) Durante a noite, Josué enviou um grupo de soldados para o oeste de Ai, a fim de aguardar o momento do ataque. Na manhã seguinte, levou um segundo grupo para o norte da cidade. Quando o exército adversário atacou os israelitas que se encontravam à frente, dispersaram-se estes, a fim de iludir o inimigo. Enquanto isso, os que já aguardavam o sinal de Josué (v.18), estrategicamente entraram na cidade e queimaram-na. Vitória completa, resolvido o caso do pecado escondido de Acã.

Com a nação de novo santificada (7:13) e seu pecado julgado, Deus poderia levar seu povo a vencer. Observe como o Senhor usa a derrota para tirar vantagem, pois o povo de Ai estava confiante de que poderia dominar Israel novamente.

A direção que Deus para a tomada de Ai é diferente da empregada para a conquista de Jericó. Aqueles que tiveram que esperar pacientemente sete dias por Jericó tomarão Ai em um dia. Também não seria, como no caso de Jericó, tomada por milagre, puramente pelo ato de Deus, mas a própria conduta e coragem deles precisam ser exercitadas. Tendo observado Deus operar por eles, os hebreus precisaram se mover por conta própria. Deus lhes ordenava:

a)    A levar todo o povo, para que todos fossem espectadores da ação e participantes do despojo. Por meio disto, o Senhor repreendeu-o tacitamente por ter enviado um destacamento tão pequeno contra Ai, na tentativa de tomada anterior (cap. 7:4).

b)    A preparar uma emboscada por detrás da cidade. Talvez Josué não tivesse pensado nesse método se Deus não o orientasse nesse sentido. E, embora hoje não devamos esperar uma orientação semelhante a essa, por visões, vozes, ou oráculos, mesmo assim, sempre que aqueles que estão incumbidos de dar conselhos públicos tomam medidas prudentes para o bem público, deve haver um reconhecimento de que é Deus quem coloca isso nos seus corações. Aquele que ensina prudência ao agricultor, sem dúvida, ensina o estadista e o general.

2. O Senhor dá os despojos de guerra aos israelitas. (v.2) Deus permitiu que o povo pegasse os despojos de Ai. Se Acã tivesse esperado alguns dias, poderia ter todas as riquezas que pudesse carregar! Quantas vezes perdemos as bênçãos de Deus por não sabermos esperar? Embora essa fosse a prática na maioria das batalhas, sua especificação significa uma ruptura com a prática ocorrida no saque de Jericó. Ali tudo se tornou consagrado. Essa instrução divina significa uma flexibilidade no significado do interdito, o qual podia ser interpretado por Deus de acordo com as necessidades do povo. Uma vez que todo o capturado pertencia a Deus, ele também poderia escolher devolver parte disso a Israel.

3. O Senhor assegurou a Josué a vitória. (vs 18-27) A garantia da vitória contra Ai teve como sinal a lança de Josué, “porque Josué não retirou a sua mão, que estendera com a lança, até destruir totalmente a todos os moradores de Ai”. (v.26) Era a demonstração de que Deus estaria no controle, até conceder-lhe a vitória completa. Esse episódio faz-nos lembrar de Moisés que, com as mãos erguidas, levou o povo ao triunfo diante dos exércitos de Amaleque. (Êx 17.11-13)

Ocorrem quatro acontecimentos na batalha. Primeiramente, a emboscada destruiu Ai e, então, atacou a retaguarda do exército, conseguindo espremê-lo tanto pelo oriente quanto pelo ocidente (v. 19). Depois, o exército de Ai, ao ver sua fortaleza em chamas, percebeu que a batalha estava perdida e abandonou as esperanças (v. 20). O terceiro acontecimento foi a ala principal do exército israelita, testemunhando isso, destruir o exército e os cidadãos de Ai, tomando os despojos (v. 21-27). Em quarto, Josué determinou o incêndio da fortaleza e a execução do líder adversário (v. 28-29).

No versículo, 18 tem-se a reviravolta na batalha e na narrativa. Até aquele momento, um observador teria concluído que o exército de Ai estava mais uma vez derrotando Israel. Depois desse versículo, porém, o exército Israel sagrou-se vitorioso.

Essa experiência deu a Josué algumas lições valiosas. Ele aprendeu que o fracasso pode ser transformado em triunfo. O segredo era: faça a obra do Senhor do jeito de Deus e, por fim, percebe-se que somos totalmente dependentes do Senhor.

Existem três destaques adicionais que podemos citar.

a)    A Palavra de Deus e, dessa maneira, o próprio Senhor são responsáveis pela vitória israelita;

b)    O sucesso de Josué deve-se à sua fé na Palavra e à sua obediência a ela;

c)    Conquanto se possa descrever a batalha e sua vitória em termos humanos e compreender isso como resultado de estratégia bem-sucedida, a vitória de Israel é um milagre tanto quanto a anterior, em Jericó, ou a derrota do Egito no mar Vermelho pela geração anterior.

 

OS MEMORIAIS E A RENOVAÇÃO DA ALIANÇA

Foram construídos dois memoriais: um no Vale de Acor; e outro, no Monte Ebal. O primeiro lembrava o pecado de Acã; o segundo, a vitória de Israel - a maldição do pecado e a bênção da obediência.

1. O memorial do Vale de Acor. (Josué 7:26)Acor significa "desgraça" ou "tribulação". O vale recebeu tal nome em memória do trágico incidente que atingiu toda a nação de Israel: o pecado de Acã. (Josué 7:24) Ali, ele e a família foram mortos e sepultados, sob um monte de pedras: “E levantaram sobre ele um grande montão de pedras [...] assim o SENHOR tornou-se do ardor da sua ira; pelo que se chamou o nome daquele lugar o vale de Acor”. (v.26) Muito tempo depois, em uma profecia de Oséias, Deus fez menção a esse vale como “porta de esperança” para Israel. (Os 2.14,15)

2. O memorial do Monte Ebal. (Josué 8:30-31) Ebal era um monte pedregoso que ficava de frente para o Gerizim. (Deuteronômio 27:4-12,13) Foi lá que Josué, após a conquista de Jericó e de Ai, erigiu um altar ao Senhor com pedras inteiras, não lavradas, conforme a instrução de Deus. (vs. 30,31) O altar foi levantado para que nele fossem oferecidos holocaustos e sacrifícios pacíficos .

Essa parte tem gerado grande dificuldade aos estudiosos, porque o Monte de Ebal está a cerca de 50 quilômetros ao norte de Ai. Alguns perguntam: “Teria Josué feito essa viagem de 50 quilômetros em território inimigo logo depois da conquista de Ai?”. Aceitando as vitórias em Jericó e em Ai como evidências da fidelidade de Deus, a nação fez uma peregrinação solene até Siquém, no coração do território inimigo, para renovar a Aliança com o Senhor. Essa posição parece não sofrer qualquer dificuldade textual séria. Ela também está em harmonia com a ideia de que Josué queria prosseguir com o mínimo atraso possível para estabelecer a lei do Senhor em Canaã, como ordenado por Moisés, em Deuteronômio 27.

Era um memorial temporário, pois Israel não permaneceu naquele lugar por muito tempo. Todavia, enquanto ali estivesse, deveria lembrar-se de que Deus não pode ser preterido em nenhum momento de nossa vida.

3. O altar e a leitura da Lei. (Josué 8:31-34) O altar erigido ao Senhor teve um significado especial; além de servir como “um memorial”, deveria ser feito com pedras toscas, inteiras, sem serem lavradas, conforme é descrito em Êxodo 20:25: “E, se me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás”. Esse era o modo de adoração que Deus requeria do povo: simples, natural, sem inovações humanas.

É de especial interesse histórico o fato de que o primeiro altar a ser dirigido ao Deus verdadeiro, em Canaã, foi construído no mesmo vale por Abraão. (cf. Gênesis 12:6-7) Fora ali que o Senhor prometeu: “A tua semente darei esta terra”. (Gênesis 12:7) Moisés havia antecipado a realização dessa promessa e instruído os filhos de Israel a renovarem a Aliança com Deus. Esse registro revela que, assim que uma passagem pudesse ser aberta, Josué conduziria o povo ao exato lugar da promessa original. Deste modo, as colinas e os vales que haviam repercutido a promessa de Deus e a adoração de Abraão, nesse ponto da História, testemunhavam o novo altar de pedras inteiras sobre o qual não se movera ferro (31).

Depois de destruir Ai, todos os israelitas marcharam para um lugar situado a oeste de Siquém, dominado ao norte pelo Monte Ebal e, ao sul, por Gerizim. Ali cumpriram a ordem de Moisés e repetiram o voto de consagração; ouviram novamente a leitura das condições postas por Deus para que Canaã fosse herdada, e eles continuassem recebendo a bênção divina. (Deuteronômio 11:29,30; 27:1-26) Sacerdotes e líderes posicionaram-se no vale entre os dois montes. Nesse anfiteatro natural, foi feita a leitura da Lei de Moisés. Diante da parte das maldições por desobediência, as tribos de Ebal responderam com um forte "amém" e, no momento das bênçãos, as que estavam em Gerizim responderam de igual maneira. Assim, a nação comprometeu-se a obedecer a Deus e a cumprir as instruções de não participarem dos pecados dos cananeus.

A História proporciona poucas cenas tão impressionantes como a de uma nação aceitando solenemente a Lei de Deus como regra de vida e condição para sua prosperidade. Ao final do trabalho, Josué queria que todos soubessem que, a partir daquele momento, nada faria sem que o Senhor fosse consultado.

 

CONCLUSÃO

Pensando nas últimas lições estudadas, qual moral podemos extrair da vitória dos israelitas contra Jericó e a derrota para Ai? Essa pergunta, embora simples, é fundamental. Jericó era uma cidade-fortaleza intransponível, abaixo do nível do mar. Ai, por outro lado, era menos poderosa e localizava-se acima do nível do mar. Todavia, os israelitas venceram a prova mais difícil, Jericó, e sucumbiram diante da mais fácil, Ai. Isso porque Jericó demonstrou que a obediência traz a vitória, enquanto Ai manifestou que a desobediência, inevitavelmente, conduz à derrota.

 
 
 
 

Graça Maior - Pr. Jonas Sommer, . Disponível em: http://gracamaior.com.br/estudos/estudo-da-semana/979-da-derrota-a-vitoria.html. Acesso em 25 Maio 2017.