Texto de Estudo

Isaías 31:1:

1 AI dos que descem ao Egito a buscar socorro, e se estribam em cavalos; e têm confiança em carros, porque são muitos; e nos cavaleiros, porque são poderosíssimos; e não atentam para o Santo de Israel, e não buscam ao SENHOR.

 

INTRODUÇÃO

Os capítulos desta lição tratam da falta de confiança no Senhor; esse foi o posicionamento de alguns reis quando se viram ameaçados pelos assírios. No desespero, foram buscar a ajuda do Egito. 

A profecia de Isaías demonstrou a indignação de Deus ao ver o povo buscar socorro em uma nação idólatra. Judá preferiu confiar em carros e em cavaleiros ao invés de depositar a confiança naquele que é o Senhor da guerra. Deus não tolerou tal ofensa, por isso se pronunciou por meio do profeta.

A TOLA CONFIANÇA DE JUDÁ

Muitas vezes, o povo de Judá cometeu o erro e a tolice de, ao ser ofendido pelos vizinhos de um lado, procurar socorro junto aos vizinhos do outro lado, negligenciando Deus, deixando de colocar nele a sua confiança.

Contra os israelitas, o povo procurou os sírios (2 Crônicas 16:2-3). Contra os sírios, os assírios (2 Reis 16:7). Contra estes, eles procuraram os egípcios . Por algum tempo, os políticos de Judá planejavam a aliança com o Egito contra a poderosa e agressiva Assíria (28:14-22; 29:15-16). Na ocasião da morte de Sargão II, em 705, os judeus mandaram a sua embaixada ao Egito para pedirem auxílio militar contra a Assíria. 

Isaías sabia da rivalidade entre a Assíria e o Egito, e a futilidade de qualquer aliança política para a pequena nação de Judá. Entendeu também que o Egito queria aproveitar-se dessa união visando somente seu interesse. O profeta condenou a aliança, porque fora um ato de desconfiança quanto ao Senhor e ao seu poder de proteger o próprio povo . Resumidamente, podemos destacar os seguintes erros de Judá na ocasião dessa aliança:

a)Não consulta a Deus: Os judeus preferiram fazer as coisas conforme seus pensamentos, sem pedirem conselhos ao Senhor, embora tivessem uma forma pronta e certa de fazerem tal consulta, por meio de Urim ou dos profetas. Tinham tanta confiança na prudência de suas ações que acreditavam ser desnecessário consultar um oráculo; na verdade, não estavam dispostos a fazer disso um motivo de discussão . O povo desprezava as profecias, pelo menos as que vinham do Senhor (31:9-10).

 

b)Desconfiança no Senhor: Achavam que não seria suficiente ter Deus do seu lado, nem estavam ansiosos por fazer dele um amigo, mas se fortaleceram com a força do Faraó. Os judeus creram que ele era um poderoso aliado e não duvidaram do poder de enfrentar os assírios enquanto o Faraó estivesse os apoiando. A sombra do Egito (que não era mais do que isso...) foi a cobertura com a qual se envolveram .

 

c)Esquecimento do passado: Um dos maiores feitos do Senhor a favor do povo foi a libertação do cativeiro egípcio. Muitos foram os sinais de que Deus operou naquela ocasião. Contudo, as pessoas procuraram fazer uma aliança justamente com aqueles que, outrora, foram seus opressores. Deus chamou os judeus de “filhos rebeldes”. (30:1)

 

Esses fatos parecem remontar aos nossos dias. Infelizmente, como o povo de Judá, nós tomamos decisões sem consultar o Senhor. Preferimos confiar nas estatísticas, na Medicina, na Economia, ou em nossa sabedoria. Achamos que os problemas são grandes demais para Deus resolver, ou entendemos que alguns problemas são demasiadamente pequenos para que o envolvamos. Se investíssemos mais tempo com o Senhor, gastaríamos menos na farmácia. Não podemos esquecer os grandes feitos que o Senhor operou a favor dos seus filhos. Muitos exércitos caíram perante ele, enfermos foram curados, a natureza submeteu-se à sua voz, e mortos reviveram. Não podemos nos esquecer das palavras do próprio Deus: “Haveria alguma coisa demasiado difícil para mim?” (Jeremias 32:27)

 

 

A FRAQUEZA DO EGITO

  No capítulo 31, Isaias destacou as diferenças gritantes entre Deus e o Egito. Os embaixadores de Judá ficaram profundamente envergonhados quando chegaram ao Egito e fracassaram na missão (cf. 30:5). Não se sabe se os egípcios recusaram fazer aliança com os judeus, mas é certo que Judá não recebeu auxílio algum do Egito na luta contra a Assíria. É verdade que a aliança com Judá não tinha valor para o Egito, pois esta nação não ofereceu ajuda, nem proveito algum aos embaixadores de Judá, antes serviu de vergonha e de opróbrio .

Os judeus confiavam no poder dos cavalos e carros do Egito; em parte, por causa da mesma qualidade do poder do seu inimigo, a Assíria. Para os judeus, era proibido multiplicar cavalos e carros e foram advertidos sobre a loucura de confiar nos egípcios (SI 20:7), mas se consideravam mais sábios que a Escritura Sagrada. Judá depositara sua confiança no que o Egito tinha para oferecer: cavalos, carros de combate e cavaleiros (tudo isso em grande quantidade e poder). Mas os egípcios também eram temporais e vãos; e isso não faria a Assíria parar. Além disso, os egípcios mostrar-se-iam "fracos por dentro", destituídos da força da vontade e da coragem necessárias para enfrentar os assírios quando a ação militar se iniciasse .

No verso três, Deus apresentou a diferença entre ele e o Egito, entre a força do Espírito e a da guerra: “Pois os egípcios são homens e não deuses; os seus cavalos, carne e não espírito”. Duas bases de confiança apresentaram-se: o “homem” ou “Deus”; a “carne” ou o “espírito”. A cultura egípcia era politeísta; seu deus principal era o “Sol”. Os faraós eram divinizados, pois, para o povo, eram a encarnação dos deuses na Terra. Porém, Deus esclarece que eles eram homens, meros mortais. O Egito sempre foi famoso por seus carros e cavalos (1 Reis 10:29). Todavia, Deus destacou que a força do cavalo é temporal; diferentemente do Espírito do Senhor, que é Eterno. O cavalo é “criatura”; e Deus, o Criador. 

Como aconteceu naqueles dias, acontece hoje. As nações estribam-se no poder militar. É claro que o cenário e os artefatos são outros: bombas atômicas, mísseis, ogivas nucleares, jatos supersônicos, etc. Ao que notamos, mais do que nos tempos de Isaías, o homem confia mais no poder bélico do que no poder do Criador. Todavia, continuamos fracos perante o poder de Deus que se manifesta por meio de terremotos, tsunamis, epidemias, furacões... De uma hora para outra, podemos ser dissipados, como os egípcios o foram. Deus usou os assírios para castigá-los severamente. 

 

O LIVRAMENTO VEM DO SENHOR

O final do capítulo 31 apresenta um chamado ao arrependimento: “Convertei-vos, pois, ó filhos de Israel, àquele de quem tanto vos afastastes (...) Então, a Assíria cairá pela espada não de homem (...) fugirá diante da espada” (vv. 6-8). A condição de arrependimento por parte do povo levaria o coração do Senhor novamente a seus filhos. Isso nos remete, novamente, ao capítulo 30; ali, encontramos as promessas consoladoras para Sião, nas quais Deus prometeu fazer o que o Egito não poderia fazer: derrotar os assírios.

O verso 18 diz o seguinte: “Por isso, o Senhor espera para ter misericórdia de vós, e se detém para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça.” Aquele que, na hora da ira, lembra-se da misericórdia, ama tanto o seu povo que anseia impacientemente por uma oportunidade de ser-lhe gracioso novamente; e assim, logo chega o bendito momento em que ele se levanta para mostrar compaixão por um povo sofredor. Ele é de fato um “Deus de Justiça”, tendo “justiça” o significado de redenção mediante a qual os inimigos seus e do seu povo são destruídos; piedosos são purificados e libertados do pecado . 

A condição para que o Senhor compadeça-se do povo é que este deveria ouvir a voz de Deus. Isso é um contraste com o que ocorrera no fato narrado na primeira parte do capítulo 30. Ali, o povo buscou conselho fora do Senhor. A voz de Deus falaria aos seus corações, indicando-lhe o melhor caminho, mostrando os erros que o povo cometia. O verso 22 mostra a “Voz” falando ao povo, dizendo que deveria abandonar a idolatria, um pecado muito presente nos dias de Isaías. Em nossa vida, também somos guiados, orientados e exortados por essa “Voz”, a qual chamamos de Espírito Santo

Embora o povo fosse infiel, Deus permanecia fiel a suas promessas. O povo de Judá seria castigado, mas o inimigo também seria punido por causa do zelo do Senhor. Os assírios gabavam-se de seus deuses e, por vezes, zombaram do nome do Senhor, como ocorrido quando Ezequias era rei em Judá. Rabsaqué proferiu as seguintes palavras: “Acaso os deuses das nações puderam livrar cada uma das suas terras das mãos do rei da Assíria (...) Quais são, dentre todos os deuses destes países, os que livraram a sua terra das minhas mãos, para que o Senhor possa livrar Jerusalém das minhas mãos?”(2Rs18:33-35)

O nome de Jeová era afrontado pelos assírios, mas este mesmo nome iria os consumir. Deus levantar-se-ia com toda a sua ira e dissiparia o inimigo. Ele viria como fogo devorador (30:27) e, com o sopro da sua voz, dissiparia os assírios.

A aplicação imediata da profecia foi a ira divina contra a Babilônia, mas as palavras são gerais e falam das operações da ira divina em favor de seu povo, e contra seus opressores de qualquer era . Deus é um Pai cuidadoso que não tolera a injustiça contra os filhos. No momento certo, ele levantar-se-á e manifestará seu juízo. Por isso, podemos descansar em seus braços e deixar que ele cuide de nós; não precisamos, nem podemos fazer justiça com as próprias mãos, pois ele disse: “A mim, pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo” (Deuteronômio 32:35)

 

CONCLUSÃO

A lição de hoje foi concisa em mostrar que não vale a pena depositar confiança em homens, nações, exércitos, poderio militar ou armas. Nós temos ao nosso lado,Deus, que pode vencer todas as nossas batalhas. A falta de confiança nele pode ser a nossa ruína, como foi para Judá. Afinal, por volta de 586 a.C., Jerusalém foi sitiada e não resistiu ao ataque de Nabucodonosor (2 Reis 25). O povo não ouviu o conselho do Senhor. Todavia, Deus é misericordioso e não esquece suas promessas. Em breve (na verdade, 70 anos depois), ele executaria juízo sobre os opressores do seu povo. 

 

Graça Maior - GraçaMaior, . Disponível em: http://gracamaior.com.br/estudos/estudo-da-semana/598-o-socorro-nao-esta-no-egito.html. Acesso em 29 Maio 2017.