Texto de Estudo

Esforçai-vos, pois, muito para guardardes e para fazerdes tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés; para que dele não vos aparteis, nem para a direita nem para a esquerda;

Josué 23:6

 

INTRODUÇÃO

No capítulo que estudaremos hoje, e no próximo, temos dois sermões de despedida que Josué pregou para o povo de Israel, pouco antes da sua morte.

No texto de hoje, podemos perceber, com bastante exatidão, a fidelidade do Senhor Jeová que, em nenhum momento, abandonou o povo. Informa-se que Josué convocou todos os principais líderes, anciões, príncipes, juízes e oficiais e informou o que Deus havia feito pelo povo, e o que ainda faria, se tão somente a nação tivesse cuidado de preservar a Aliança e mantivesse firme os olhos na Lei de Moisés.

O capítulo 23 é uma clara alusão à obediência que todo o filho de Deus deve manter, em todas as épocas. Por isso, vejamos com atenção os detalhes do texto e extraiamos as lições importantes.

 

                                                  

                                         EXORTAÇÃO DE JOSUÉ AO POVO

Findadas as guerras de conquista, Josué tinha se estabelecido à paz de seu lar, em Timnat-Sera. (19:49,50) Muitos anos haviam passado, desde que o povo estabelecera-se, definitivamente, em suas possessões, e a nação estava aparente em paz com todos. Porém, surgiam os males que antes tinha trazido castigo ao povo de Israel.

Embora os cananeus tivessem sido subjugados, ainda possuíam consideráveis porções da Terra Prometida (13:1-7); então, Josué exortou o povo de Israel a não se acomodar com tal situação, pois o Senhor havia dito que todas as nações idólatras deveriam ser destruídas.

Josué apelou para o próprio testemunho do povo, porquanto todos haviam presenciado os feitos tremendos do Senhor. Enquanto o povo manteve-se obediente à Lei e à Aliança, Deus pelejou por eles. O Senhor Jeová havia cumprido fielmente as promessas feitas.

Em suma, o capítulo 23 forma a conclusão da história deuteronômica de Josué. É um contrabalanço apropriado para o trecho de Josué 1:1-9, reunindo vários temas principais do livro, dos quais podem ser extraídas lições que visam ao nosso benefício espiritual. Resumidamente, vejamos os principais temas do capítulo.

 

  • Preocupação com o futuro do povo: O verso um mostra que Josué estava avançado em idade, próximo da morte. Ao iniciar seu discurso, está ciente disso e sabe que o fim da sua vida e de sua liderança aproximam-se (v.2). Deus não o havia orientado a preparar outro líder para assumir seu lugar. Mas, como bom líder que foi, Josué estava preocupado com o futuro do povo após sua partida. Essa ação remonta ao passado, quando Moisés, ao saber que seus dias eram findos, também se preocupou com o futuro e rogou ao Senhor que se levantasse um sucessor, no caso, Josué. (Números 27:12-17) A cena repetiu-se, mas não havia um sucessor! Então, Josué chamou as principais lideranças para que fossem orientadas.

Essa fase da vida de Josué faz-nos lembrar de que o tempo não para, muito menos a obra do Senhor. Por isso, a Igreja precisa se preocupar com as futuras gerações. Um líder sábio reconhece que não vai durar para sempre e, assim, preocupa-se com o futuro da Igreja.

 

  • Recordando o passado: “...vós já tendes visto tudo quanto fez o Senhor” (v.3). O povo era testemunha ocular; pelo menos muitas pessoas continuavam vivas, e esses perfaziam uma audiência atenta. Tinham visto tudo quanto Deus havia feito, dando a Israel a sua terra pátria, cumprindo uma das principais provisões do Pacto Abraâmico (Gênesis 15:18). E perceberam o poder e a provisão de Deus. Grandes inimigos tinham sido derrotados, o que Israel, no começo, pensara não poder acontecer! (Números 13:33) De fato, seus inimigos eram mais fortes (Deuteronômio 7:1), mas a presença do Senhor fez toda a diferença. Deus combatera em lugar do povo, tal como havia prometido. (Josué 2:9-11)

Assim como o povo foi instruído a olhar para o passado e perceber que o Senhor nunca o abandonara, a Igreja também olha para trás e percebe que Cristo nunca desamparou sua Noiva. Ela foi perseguida e massacrada, mas nunca derrotada. Embora o inimigo seja muito forte, Deus peleja por nós e dá-nos a vitória!

 

  • Encorajamento: Os últimos dias de Josué, em Canaã, fizeram-no lembrar dos primeiros, antes da conquista, quando o Senhor apresentou-se a ele e encorajou-o a prosseguir. (Josué 1:5-6) As palavras do Senhor ecoaram no seu coração, e ele, da mesma forma como fora animado por Deus, encorajou o povo a prosseguir. O “encorajamento” ocorreu em dois sentidos:

1)    Para continuar a batalha: Algumas nações ainda precisavam ser destruídas, mas Josué sabia que não daria poderia mais estar à frente. Todavia, encorajou o povo a continuar as batalhas, pois o Senhor expulsaria da presença dos israelitas todos os inimigos. (v.5)

2)    Para guardar com firmeza a Lei: Novamente, as palavras usadas por Josué foram eco das palavras recebidas do Senhor, no início de sua missão: “Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para direita, nem para a esquerda”. (Josué 1:7) Da mesma forma que fora encorajado e exortado pelo Senhor, ele fez ao povo.

 

  • Exortação: De 10 a 20 anos deviam ter passado, desde a divisão dos territórios tribais, quando a idade de Josué começou a pesar. Naqueles anos subsequentes, ele observou a crescente complacência de Israel e sua tendência a se comprometer com os pagãos. Em função disso, exortou o povo quanto aos seguintes aspectos:

 

Primeiramente, exortou o povo a não cair no erro da idolatria. (vs 7-9) O Senhor Deus era único. O povo foi lembrado de que Senhor prevaleceu sobre todas as nações e, consequentemente, sobre seus deuses. (v.9) Então, todos deveriam continuar amando o Senhor, como haviam feito até aqueles dias. (vs. 8 e 11)

Em seguida, o povo é orientado a não se misturar com as nações cananeias, pois, se assim ocorresse, o povo pereceria, de forma que Deus não cumpriria suas promessas.

Resumidamente, podemos perceber que Josué apontou alguns passos específicos para manter ativo o fluxo das bênçãos de Deus:fazer tudo quanto estava escrito no livro da Lei de Moisés (v. 6); não cair no pecado da idolatria (v.7);amar o Senhor Deus (v.11) e não se misturar com outras nações (v.12).

 

A AMEAÇA CANANEIA

O povo que vivia em Canaã era conhecido como cananeu, ou amorita. E estava agrupado em seis ou sete nações, organizadas em cidades-estados regidas por reis. Fizeram alianças entre si, com Israel, como os gibeonitas, ou simplesmente se mantiveram à parte de Israel, até os dias do rei Davi. Essas nações sempre foram lembradas como ímpias diante de Deus, e era a principal causa de sua destruição. (Deuteronômio 9:4 5)     

Em termos religiosos, os cananeus caracterizavam-se pela crença em vários deuses. O principal era chamado “El”; considerava-se como o pai de todos os outros e supremo senhor dos governantes. Baal era outra divindade, talvez a mais conhecida, e sua esposa era Anat. Eram deidades da vegetação, que dirigiam o ciclo anual da semeadura e a colheita, conectando-se à grande festividade do Ano-novo. Eram as mais importantes na vida cotidiana dos cananeus, pois traziam fertilidade a todas as esferas da vida. As orgias eram consideradas imitações e apoio ao mundo divino, com finalidade de trazer fertilidade. Sacerdotes e sacerdotisas do templo, algumas chamadas de prostitutas, formavam parte desse sistema religioso.

            Os sacrifícios humanos foram parte da prática religiosa entre os cananeus, tal como foi mencionado no Antigo Testamento: Levíticos 18:21; Deuteronômio 12:31; 2 Reis 23:10; Jeremias 7:31. Além dos ritos religiosos da fertilidade, acontecia um culto para a morte. Existem evidências, nas leis do Antigo Testamento, da existência de médiuns especiais, os quais tinham contato direto com a morte para dar poder ou informação acerca dela. (Levíticos 19:26 31; Deuteronômio 18:9–11) Esta classe de cultos dava muita influência à morte sobre os vivos e escravizava a consciência dos que, atemorizados, buscavam refúgio permanente nas adivinhações e na consulta sobre os mortos.

            Assim, podemos perceber por que o Senhor proibiu, terminantemente, qualquer contato com os cananeus. A religião maléfica e demoníaca de tal povo era uma ameaça eminente ao povo de Israel.

 

EXORTAÇÃO PARA O POVO DE HOJE

A mensagem para o povo de Deus na antiguidade é a mesma para hoje. A fidelidade que o Senhor exigiu do povo no passado é exigida à Igreja atual.

Os planos divinos continuam a se cumprir. Como o povo foi exortado a dar continuidade à missão de Josué, pois a conquista total do território ainda não havia se cumprido, a Igreja ainda é exortada a cumprir a obra de redenção iniciada em Jesus Cristo. Os israelitas deveriam manter a luta contra as nações cananeias para conquistar toda a terra. Nós, o povo de Deus, continuamos na luta contra os principados e as potestades (Efésios 6:12), aguardando como herança os “novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça”. Os líderes vêm e vão, mas a Igreja deve permanecer firme nos propósitos do Senhor.

Como em Josué, o povo é chamado para ser santo; a Igreja continua a ser chamada para ser separada do mundo, das falsas religiões, do sincretismo religioso e das práticas idólatras. A Bíblia diz que não devemos nos colocar sob jugo desigual (2 Coríntios 6:14-15), ou seja, não podemos caminhar junto dos ímpios. Não há comunhão entre a luz e as trevas.

E, por fim, o texto em estudo aponta que a vitória do povo de Deus está condicionada à perseverança, em obedecer à Palavra. Mas a apostasia traz a ira de Deus sobre o homem, pois o pecado é a transgressão da Lei.

 

 

CONCLUSÃO

Deus é o Senhor da História. Ele usou Josué e continua usando homens e mulheres de todas épocas, pessoas que se levantam para cumprir a missão para a qual foram chamadas. Líderes exortam e encorajam os filhos de Deus a permanecerem firmes e obedientes à Palavra de Deus.

Nestes dias atuais, devemos pensar que, se obedecermos a Deus em todos os seus ensinos, bênçãos virão sobre nós. Contudo, se ficarmos perto do que é ruim, ou dos ídolos deste século, as consequências serão maléficas, e Deus afastar-se-á de nós.

 

Graça Maior - Pr. Eduardo Marambio, Pr. Manuel Marambio, . Disponível em: http://gracamaior.com.br/estudos/estudo-da-semana/1122-preservando-a-palavra-do-senhor.html. Acesso em 29 Maio 2017.